Ridván Messages
Portuguese · Universal House of Justice
Há quarenta e três anos, quando os Bahá'ís europeus se reuniram na conferência de Estocolmo, convocada pelo amado Guardião para o lançamento da poderosa Cruzada de Dez Anos no vosso continente, a Europa só tinha três Assembleias Espirituais Nacionais — a das Ilhas Britânicas, a da Alemanha e Áustria, e a da Itália e Suiça — juntamente com algumas comunidades locais que se desenvolviam lentamente nos restantes países da Europa ocidental. No leste, isolado por barreiras políticas, existiam pequeníssimos vestígios de comunidades que tinham sido estabele- cidas anos antes e, na vizinha Turquia, existia uma pequena comunidade cheia de dificuldades. Ao meditarem sobre as tarefas assombrosas que os aguardavam, os crentes europeus da época ouviram as palavras do Guardião, iluminando o significado histórico do continente no qual eles deveriam construir as instituições da Ordem Mundial embrionária de Bahá'u'lláh.
Um continente, ocupando uma posição tão central e estratégica em todo o planeta; como uma história tão rica e plena de eventos, e tão diversificado na sua cultura; de cujo solo brotaram tanto a civilização Helénica quanto a Romana; o propulsor duma civilização com algumas caracte-rísticas às quais o Próprio Bahá'u'lláh prestou homenagem; em cujo Sul a Cristandade encontrou o seu primeiro lar; no decurso de cujas marchas sobre o oriente tão frequentemente as forças poderosas da Cruz e do Crescente colidiram; em cuja extremidade sudoeste uma cultura Islâmica em rápida evolução gerou o seu mais belo fruto; em cujo coração brilhou tão viva a luz da Reforma, espalhando os seus raios até às regiões mais remotas do globo...
Este, o vosso continente — cujo solo foi abençoado pelos passos do Próprio Bahá'u'lláh, que foi visitado duas vezes por 'Abdu'l-Bahá nas Suas viagens históricas que se seguiram ao fim do Seu encarceramento, cujos viajantes e estudiosos cedo responderam à luz da aurora da Revelação Babi, dois de cujos governos estenderam uma mão de auxílio durante a Época Heróica da Fé, e cujas nações, nos anos mais recentes, têm intervindo tão eficazmente na defesa dos Bahá'ís perseguidos no Irão — demonstrou amplamente a capacidade do seu povo de se reunir à volta do estandarte da Causa de Deus, a partir do momento em que os seus corações tenham sido tocados e as suas mentes despertas para a sua Mensagem.
No decurso destes quarenta e três anos, as comunidades Bahá'ís da Europa têm demonstrado grande vitalidade. O número de Assembleias Espirituais Nacionais cresceu para trinta e quatro, cobrindo todo o continente e abrangendo, no caso da Rússia, vastos territórios que chegam ao Oceano Pacífico. Os pioneiros europeus em África, no Pacífico, nas Caraíbas e na Gronolandia conquistaram grandes vitórias para a Fé. As vossas instituições distinguiram-se nos assuntos externos. As vossas comunidades incluem estudiosos proeminentes da Fé, músicos, artistas, cientistas e pessoas empenhadas em aplicar os Ensinamentos de Bahá'u'lláh à economia e aos negócios. Exerceram esforços especiais para o progresso das mulheres e o fortalecimento da vida familiar. O Conselho Europeu da Juventude providencia um foco e uma fonte de estímulo para os jovens de toda a Europa, complementado por uma rede de Comissões Nacionais e Locais de Juventude, estreitamente ligadas às, e apoiadas pelas, suas Assembleias Espirituais Nacionais e Locais. Agora é a altura para se construir sobre essas realizações, focando claramente todos os esforços no propósito central de levar a Mensagem de Bahá'u'lláh a uma população espiritual- mente faminta.
A primeira tarefa das vossas Assembleias Espirituais Nacionais, imediatamente a seguir ao Ridván, será a de formular, em consulta com os Conselheiros, os pormenores do Plano de Quatro Anos, país a país. A participação das Assembleias Espirituais Locais e de crentes individuais no desenvolvimento dos seus próprios planos locais, e no seguimento das linhas de acção que serão claramente delineadas, será essencial para o sucesso no cumprimento dos propósitos elevados deste estágio da implementação do Plano Divino de 'Abdu'l-Bahá.
A Europa é um continente muito variado, e cada uma das vossas Assembleias Nacionais irá estudar, cuidadosamente, os processos e feitos necessários ao avanço da Causa de Deus na sua área, durante os próximos quatro anos. Cada uma deve ter em consideração a situação actual da sua comunidade, o território em que trabalha, e as áreas de potencial colaboração com outras comunidades Bahá'ís. Deve merecer especial atenção a obtenção de reconhecimento oficial naqueles países onde as instituições da Fé ainda não estão legalmente estabelecidas, bem como o estabelecimento de Assembleias Espirituais Nacionais em alguns dos países independentes, e ilhas principais, tais como as Faraó, que ainda as não têm. Há, contudo, certos elementos de uma visão ainda mais ampla, e que devem ser considerados na medida em que são aplicáveis a países específicos, a grupos de países, ou a todo o continente.
Há áreas que necessitam desesperadamente de pioneiros e professores viajantes; vem-nos à mente, por exemplo, o trabalho entre os Sami e os outros povos das regiões árticas e sub-árticas que se estendem a norte até Spitsbergen. Meditamos sobre o significado do ensino da Fé nas ilhas do Mediterrâneo, do Atlântico e do Mar do Norte; sobre a importância continental dos povos Ciganos, que começaram a mostrar-se tão receptivos à chamada de Bahá'u'lláh; sobre a oportuni- dade para as comunidades Bahá'ís europeias demonstrarem a natureza salutar dos Ensinamentos, relativamente a todos os tipos de minorias; sobre as tarefas específicas descritas pelo amado Guardião como sendo o destino de certas comunidades, e as suas responsabilidades em terras distantes onde as suas línguas são faladas; sobre as implicações do progresso da Fé em Itália, onde se pode encontrar "o coração e a fortaleza da mais importante, mais antiga e poderosa Igreja da Cristandade"; sobre a necessidade de aumentar rapidamente o número de centros Bahá'ís em vastas áreas da Ucrânia e da Rússia europeia; e, para além disto, sobre as responsabilidades e oportunidades especiais da comunidade Bahá'í da Federação Russa, a maioria de cujo território se situa na Ásia, e deve continuar a beneficiar da colaboração das comunidades vizinhas da Ásia Central, do Sul e do Leste, bem como das do Alasca, Canadá e Estados Unidos. Estes são apenas alguns exemplos dos desafios que vos esperam nos anos que se seguem.
O objectivo central do Plano de Quatro Anos, um avanço significativo do processo de entrada em grupos, tem um especial significado para a Europa. Não devem ter quaisquer dúvidas — é um processo que pode progredir por toda a Europa, tanto no ocidente quanto no oriente. Todos devem reconhecer que a entrada em grupos é um estágio inevitável no desenvolvimento da Causa. A natureza do processo está esclarecida na compilação sobre o assunto, de onde se torna evidente que o resultado desejado, uma entrada em grupos continuada, não pode ser conseguida através duma mera série de esforços espasmódicos e descoordenados, por muito entusiásticos que sejam. Confiança; unidade de visão; um planeamento sistemático, realístico, mas audacioso; a aceitação do facto que se cometerão erros, e a vontade de aprender a partir desses erros; e, acima de tudo, confiança na orientação e nas confirmações de Bahá'u'lláh — farão progredir este processo.
O estabelecimento de institutos de treino em várias localidades é enfatisado no Plano de Quatro Anos, porque os métodos actuais, se bem que sejam válidos, não são adequados, por si só, para enfrentar os desafios deste novo estágio no crescimento da Causa. O carácter e a estrutura dos institutos de treino deve ser adaptado às condições de cada país e região; certamente que o seu tipo na Europa não será igual ao dos institutos de treino das áreas rurais da Índia. As suas funções essenciais, contudo, serão as mesmas. Promoverão uma firme aceitação da identidade Bahá'í naqueles que neles participarem: a capacidade de ver o mundo e as suas condições sob o ponto de vista dos Ensinamentos, em vez de o fazerem do ponto de vista das suas nacionalidades ou antecedentes não-Bahá'ís. Ajudarão a desenvolver, em cada participante, um profundo amor por Bahá'u'lláh, uma boa compreensão dos Seus Ensinamentos essenciais, e uma consciência da importância do desenvolvimento da vida espiritual de cada indivíduo através da oração, meditação e imersão nas Escrituras Sagradas. Cobrirão também assuntos práticos, tais como métodos de ensinar a Fé, pois há demasiadas pessoas que, por falta de confiança nas suas capacidades para o fazer, hesitam em transmitir a Mensagem. A transformação que um tal aprofundamento na Fé produz inflamará, certamente, os corações de cada um dos amigos com o desejo de partilhar esta Mensagem com os que os rodeiam, e esta é a semente de todo o sucesso no ensino. Os que participaram em institutos de treino serão capazes de ajudar os outros Bahá'ís, novos e velhos, a aumentar o seu potencial para o ensino, e assim a aumentar grandemente os recursos humanos da Causa, na qual cada crente é um ensinante.
A esfera do ensino da Fé pelos amigos na Europa deve aumentar; deve ser diversificada, espontâ- nea e individual por um lado, e focalizada, unida e mutuamente apoiada por outro. Deve ser, simultaneamente, inspirada e prática, e deve, acima de tudo, ser possuidora duma fé serena no poder de Bahá'u'lláh. Devem alargar o campo do vosso trabalho de ensino, de modo a incluir tanto as pessoas do campo quanto as massas que trabalham nas cidades; tanto as pessoas de baixo nível de educação quanto os intelectuais nas localidades onde existem universidades. Devem conscientemente abordar todos os estratos da sociedade, adaptando os vossos métodos, literatura e materiais audiovisuais a cada audiência. O coração e a mente ambos necessitam de ser alimentados; a força espiritual e a clareza intelectual devem ambos ser reconhecidos como elementos vitais do trabalho de ensino. Distinguiram-se na utilização das artes para a proclama- ção, expansão e consolidação da Fé; esta é uma chave para abertura de muitas portas, e deve ser encorajada e desenvolvida. A vossa unidade, entusiasmo, confiança e perseverança, fortalecidas e guiadas pelo poder da oração, não podem deixar de funcionar como um canal para as confirma- ções divinas, que será como um íman para as almas em busca.
Da nossa parte, oraremos ardentemente no Sagrado Limiar para que vocês, que ganharam vitórias tão históricas nos vossos países e por todo o mundo, entrem, durante o Plano de Quatro Anos, num estágio de ainda maiores realizações, pressagiando as glórias ainda inimagináveis que estão destinadas a revelar-se durante o século vinte e um.
Com nossos corações transbordando de gratidão à Abençoada Beleza, reconhecemos as abundantes manifestações de Sua graça durante o Plano de Três Anos, o qual completa seu curso com o advento deste Festival do Ridván. O espírito vitalizador do Ano Santo, que deu ímpeto ao lançamento do Plano no Ridván de 1993, permeou este período de esforço concentrado, tornando nossa comunidade mundial mais consolidada, mais flexível, mais madura, e mais confiante que antes. Ao mesmo tempo, o prestígio da comunidade atingiu novas alturas. Embora este Plano não tenha terminado com um destaque de uma dramática e numérica expansão, ainda assim ocorreu um crescimento significativo de seus membros em muitos países. O fato é que os resultados levaram a uma comunidade qualitativamente enriquecida -- uma comunidade preparada para aproveitar as possibilidades imediatas para o progresso da Fé.
O magnificente progresso dos projetos no Monte Carmelo é algo proeminente entre as conquistas mensuráveis deste período. Na verdade, a despeito de numerosas dificuldades, o estágio de realizações previsto em nossa mensagem que anunciou o Plano de Três Anos é inteiramente evidente. Todas as fases de construção foram iniciadas. A estrutura do Centro para o Estudo dos Textos Sagrados e a Extensão do Edifício dos Arquivos Internacionais foi eregida, e o trabalho nesses edifícios avançou ao ponto do início do trabalho de sua parte externa e término da parte interna. O soerguimento da sede permanente do Centro Internacional de Ensino, a terceira estrutura atualmente em construção no Arco, progride rapidamente. Sete patamares abaixo do Santuário do Báb estão já concluídos, antevendo a esplendorosa visão desde a base até o cume da Montanha Sagrada de Deus. Um público atento fica abismado ante a visão da beleza da ornamentação natural que se espraia sobre aquele lado da montanha.
A realidade física do progresso até agora tão maravilhosamente alcançado é prova de uma conquista ainda mais significativa, a saber, a unidade de propósito efetuada através de nossa comunidade global no seguimento deste gigantesco e coletivo empreendimento. A intensidade do interesse e o apoio que ele evocou expressam-se em um fluxo sem precedente de contribuições, refletindo um grau de sacrifício que bem atesta a qualidade de fé e generosidade dos corações dos amados de Bahá'u'lláh em todo o planeta. Tais contribuições para os Projetos do Monte Carmelo cobriram a meta de três anos de setenta e quatro milhões de dólares, e marcam ainda outra mensurável e excepcional realização, inspirando confiança que o apoio financeiro necessário para esses projetos continuará até seu término, previsto para o final do século.
Os sinais de progresso durante os últimos três anos foram evidentes em um amplo e variado campo. Os esforços destacados para expandir e consolidar a comunidade, as crescentes atividades de desenvolvimento social e econômico, e o impulso sem precedente no trabalho de assuntos externos combinam-se para retratar uma comunidade dotada de novas capacidades.
Na arena do ensino, houve um aumento geral de atividades, como demonstra a formação de doze novas Assembléias Espirituais Nacionais durante o curso do Plano, e pela onda destacada de pioneirismo e viagens de ensino. Os fiéis em muitos países foram galvanizados pelo novo enfoque sugerido no apelo de pioneirismo liberado durante o Plano. O número de pioneiros, de e para vários países, foi elevado, tendo havido uma verdadeira torrente de instrutores viajantes atuando tanto interna como externamente. Enfoques sistemáticos de atividades coletivas de ensino e de bem arquitetados projetos de ensino de longo prazo foram frutíferos e mais evidentes que no passado em muitos países.
A energia e a criatividade dadas aos vários desenvolvimentos na expansão e consolidação devem muito ao espírito de empreendimento demonstrado pelo Centro Internacional de Ensino. Seu constante direcionamento e encorajamento aos Corpos Continentais de Conselheiros; sua recomendação de novos métodos para a distribuição de pioneiros, conforme endossados pela Casa Universal de Justiça no apelo de pioneiros liberado nos primeiros meses do Plano, e sua ajuda regular aos Comitês Continentais de Pioneiros em seus deveres; sua concentrada atenção às necessidades educacionais da comunidade, conforme expressada em sua interação com os Conselheiros relativamente à inclusão em projetos de ensino de programas de aprofundamento para novos bahá'ís, a criação de cursos e workshops para treinamento em diferentes capacidades, o treinamento de professores de crianças, e a multiplicação de aulas para crianças, seu estímulo para que esforços sejam feitos no sentido do estabelecimento de institutos de treinamento em diferentes partes do mundo -- tudo isso produziu ressonantes resultados. Crédito principal deve também ser dado ao Centro de Ensino pela influência que exerceu, através dos Conselheiros, para a adoção de programas de literatura básica em um crescente número de países. Através de tais programas, alguns poucos títulos essenciais à propagação da Fé e aprofundamento dos crentes foram selecionados, impressos em grandes quantidades e tornado acessíveis a custos reduzidos. O destacado progresso na evolução desta instituição vital operando no Centro Mundial foi palpável na preparação e condução da Conferência dos Conselheiros em dezembro último, que iniciou o curso para o trabalho desses destacados dignitários da Fé durante os anos imediatamente à frente.
Um desenvolvimento relevante foi o notável aumento na aceitação de responsabilidades pelos crentes indígenas1 para o trabalho de ensino e consolidação em seus próprios países. Em áreas bastante tumultuadas, como Angola, Cambódia, Libéria, Serra Leone, os amigos deram provas de importantes vitórias, seja no seguimento de atividades de ensino, que resultaram em registros numericamente significativos, como no estabelecimento e reativação de Assembléias Bahá'ís, ou ainda com o início e manutenção persistente de projetos de desenvolvimento; Em áreas com Assembléias Espirituais Nacionais recentemente formadas, tais como em países do antigo Bloco Oriental, os amigos demonstraram uma admirável capacidade para administrar os assuntos da Causa. Um destaque deste período foi o surgimento de vigor, coragem e criatividade em comunidades insulares bahá'ís através do mundo. As categorias das atividades foram amplas, envolvendo o levantamento de instrutores locais, treinamento e envio de dezenas de instrutores viajantes para ilhas vizinhas, a inauguração de escolas primárias, as múltiplas oportunidades para a proclamação da Fé, o patrocínio de eventos com a participação de influentes personalidades oficiais e de influência. O fato de que em anos recentes muitos líderes governamentais de nações insulares tenham visitado o Centro Mundial Bahá'í e indicativo da vitalidade das atividades dos bahá'ís nessas pequenas terras espalhadas pelos sete mares. Vistos em conjunto, todos os exemplos, acima mencionados, das atitudes e dos esforços dos amigos em diferentes cenários, demonstram um elevado comprometimento com o trabalho de ensino e uma crescente maturidade e flexibilidade que refletem a profundidade da fé que motivam os bahá'ís de diferentes populações.
JUVENTUDE
Consoante com essas observações estão as destacadas contribuições da juventude na expansão e consolidação. Suas atividades assumiram novas dimensões durante o período de três anos. Impelida pelas conferências juvenis e outras reuniões de seu interesse, a juventude, em todo o mundo, investiu um tempo imenso, muita energia e zelo no trabalho de ensino como instrutores viajantes, dentro e fora de seus países, e como grupos em projetos coletivos de ensino: e, assim fazendo, estimularam centenas de novas declarações e a formação de muitas Assembléias Espirituais Locais; o envolvimento da juventude na música e nas artes como meios de proclamar e ensinar a Causa, distinguiu seus esforços em muitos lugares; a difusão da dança e das oficinas teatrais foi particularmente eficaz; a participação da juventude em assuntos externos abriu novas possibilidades para a Fé neste campo; o comprometimento com ano de serviço foi mais amplamente demonstrado; ao mesmo tempo, houve um aumento notável no número de jovens adquirindo treinamento formal e realizações acadêmicas, profissionais e excelência vocacional -- cuja somatória é indicativa de que os jovens estão fazendo mais no serviço direto da Fé, enquanto que, ao mesmo tempo, contribuem para o desenvolvimento geral da sociedade.
Sinais da consolidação da comunidade foram também discerníveis no maior envolvimento dos amigos no desenvolvimento social e econômico, particularmente no campo da educação. Em um exemplo destacado, um governo solicitou aos bahá'ís a assumirem a responsabilidade pela administração de sete escolas públicas, e eles o fizeram com o apoio do Escritório de Desenvolvimento Social e Econômico do Centro Mundial. Digno de nota e que Comunidades Bahá'ís africanas em exílio, devido à inquietação política em seus países natais, continuaram a desenvolver projetos agrícolas e outros, os quais cresceram ao ponto de lhes dar auto-sustento. Esforços para melhorar a condição das mulheres ganharam ímpeto em muitos dos países, nos quais, além da participação bahá'í em projetos patrocinados por outras organizações, as instituições bahá'ís criaram comitês e destinaram pessoal para atender aos interesses das mulheres. O Escritório da Comunidade Internacional Bahá'í para o Avanço das Mulheres emergiu como um símbolo desta ascendência.
Em alguns países, igualmente, houve significativa participação bahá'í em programas patrocinados pelos governos para a melhoria das condições de saúde; em outros casos, grupos bahá'ís iniciaram tais programas e levaram-nos até o final. O trabalho no desenvolvimento social e econômico foi também destacado pelo firme estabelecimento e consolidação de um número de importantes projetos e organizações. Três projetos pilotos de alfabetização foram iniciados como um passo inicial em uma campanha de alfabetização que o Escritório de Desenvolvimento Social e Econômico pretende estender através do mundo. A iniciação e o envolvimento dos bahá'ís em projetos de desenvolvimento resultaram também em proclamação da Fé, ao atraírem a participação do público e o interesse da mídia em geral.
ASSUNTOS EXTERNOS
Um impulso no trabalho de assuntos externos excedeu a todos os registros anteriores em um mesmo período deu fomento à proclamação da Causa. Um prodígio de esforços em todas as partes do mundo redundou em uma muito maior visibilidade da Fé do que foi obtida anteriormente, e a um conseqüente soerguimento do prestígio da comunidade bahá'í internacional. As linhas gerais do progresso foram evidentes na facilidade com que as comunidades bahá'ís, grandes e pequenas, patrocinaram ou participaram de eventos públicos; na emergência dos bahá'ís como uma força na sociedade, reconhecida por organizações governamentais e não-governamentais e muitas pessoas proeminentes; no pronto acesso à mídia. Na verdade, a ampla cobertura dada a eventos bahá'ís e o interesse de parte da mídia de comunicação impressa e eletrônica foram além do esperado.
No ritmo acelerado de atividades pelo mundo, determinados acontecimentos específicos se destacaram: a freqüência com que altos funcionários públicos convidam os bahá'ís para participar ou ajudar em eventos ou projetos; as iniciativas exitosas dos bahá'ís em influenciar ações governamentais; o estabelecimento de programas acadêmicos bahá'ís e cursos em faculdades e universidades, e a adoção de material curricular para escolas públicas; o uso das artes por instituições, grupos e indivíduos bahá'ís, em eventos de proclamação.
Durante 1995, dois eventos destacados das Nações Unidas exemplificam a crescente realidade de uma emergente unidade de pensamento nos assuntos do mundo, e os mesmos tiveram a atenção concentrada e participação ativa da comunidade bahá'í. Primeiro, a Cúpula Mundial para Desenvolvimento Social, em Copenhague durante o mês de março, que envolveu 250 amigos de mais de 40 países, os quais demonstram um esforço impressionante para compartilhar os Ensinamentos com os participantes da Cúpula e do Fórum paralelo das Organizações Não-Governamentais.
Foi nessa ocasião que a declaração "A Prosperidade da Humanidade, produzida pela Comunidade Internacional Bahá'í, através de seu Escritório de Informação Pública, foi pela primeira vez distribuída e discutida. Atividades seqüenciais em todo o mundo incluíram a realização de conferências e seminários, como também a distribuição da declaração. Segundo, a Quarta Conferência Mundial da Mulher, e o concomitante Fórum de ONG's realizado em Pequim, em setembro, atraiu a participação de mais de 500 bahá'ís do mundo inteiro, além da delegação oficial da Comunidade Internacional bahá'í. Naquele mesmo ano, um terceiro evento, a comemoração do Qüinquagésimo Aniversário das Nações Unidas, motivou o Escritório das Nações Unidas da Comunidade Internacional bahá'í a produzir e distribuir uma declaração intitulada "Momento Decisivo para todas as nações", contendo propostas para o desenvolvimento daquela organização mundial.
Também de particular destaque entre as atividades de assuntos externos foram duas ocasiões envolvendo a proeminente participação de Amatu'l-Bahá Ruhiyyih Khánum. Na última primavera ela chefiou a delegação de quatro representantes bahá'ís oficiais à Cúpula sobre a Aliança entre Religiões e Conservação, patrocinada por Sua Alteza Real o Príncipe Philip, e realizada no Castelo de Windsor. Durante outubro, Ruhiyyih Khánum foi a oradora principal no Quarto Diálogo Internacional sobre a Transição para uma Sociedade Global, realizada sob os auspícios da UNESCO (Organização Cultural, Científica e Educacional das Nações Unidas), e organizada pela Cátedra Bahá'í para a Paz Mundial e o Departamento de História da Universidade de Maryland.
Também não podemos deixar de mencionar outros marcos significativos do período em revista. Uma edição do Kitáb-i-Aqdas em original árabe foi publicada com, pela primeira vez, notas em persa, suplementando o texto como foi feito na edição em inglês. A Lei do Huqúqu’lláh tornou-se mais profundamente enraizada nos corações dos fiéis através do mundo, e durante o ano final do Plano, o Fideicomissário do Huqúqu’lláh, Mão da Causa de Deus, 'Ali-Muhammad Varqá, passou a residir na Terra Santa. Este passo importante significa também que todas as três Mãos da causa -- Amatu'l-Bahá Rúhíyyih Khánum, sr. 'Ali-Akbar Furutan, e Dr. Varqá -- estão agora residindo no centro Mundial, trazendo inspiração aos peregrinos e visitantes, e aos amigos que servem no Centro Mundial.
É em face de tais antecedentes de realizações animadoras que embarcamos, neste Ridván, em um Plano de Quatro Anos que irá nos levar ao Ridván do ano 2.000. Nós, sincera e amorosamente, conclamamos nossos irmãos e irmãs de todas as terras a unirem-se a nós em uma mobilização de esforços que irá assegurar às gerações do século vinte e um, que rapidamente se aproxima, um legado abundante e duradouro.
O Plano de Quatro Anos objetiva uma realização principal: um avanço significativo no processo de entrada em tropas. Conforme já declaramos anteriormente, tal avanço deverá ser alcançado através de um progresso acentuado nas atividades e no desenvolvimento do crente individual, das instituições e da comunidade local.
A expressão "avanço no processo de entrada em tropas" incorpora o conceito que as circunstâncias atuais exigem e as oportunidades existentes permitem um crescimento continuado da comunidade mundial bahá'í em uma larga escala; que este impulso é necessário em face às condições do mundo; que os três participantes constituintes da construção da Ordem de Bahá'u'lláh -- o indivíduo, as instituições, e a comunidade -- podem promover tal crescimento, primeiro, aceitando espiritual e mentalmente sua possibilidade, e, então, trabalhando no sentido de abraçar massas de novos seguidores, colocando em ação os meios para efetuar seu treinamento e desenvolvimento espiritual e administrativo, e nesse sentido multiplicando o número de instrutores e administradores ativos e instruídos, cujo envolvimento no trabalho da Causa irá assegurar um fluxo constante de novos aderentes, uma evolução ininterrupta das Assembléias Bahá'ís, e uma firme consolidação da comunidade.
Mais ainda, para acelerar o processo implica que ele já está em andamento e que as comunidades locais e nacionais encontram-se em diferentes estágios do mesmo. Todas as comunidades recebem agora a incumbência de tomar ações e manter esforços para alcançar um nível de expansão e consolidação de acordo com suas possibilidades. O indivíduo e as instituições, embora operando em esferas distintas, são convocados a se levantarem para atender às exigências deste tempo crucial da vida de nossa comunidade e dos destinos de toda a humanidade.
INDIVÍDUO
O papel do indivíduo é de importância singular no trabalho da Causa. E o indivíduo que manifesta a vitalidade da Fé sobre a qual o sucesso do trabalho de ensino e o desenvolvimento da comunidade dependem. A determinação de Bahá'u'lláh de cada indivíduo ensinar a Sua Fé confere uma irrecorrível responsabilidade que não pode ser transferida ou assumida por qualquer instituição da Causa. O indivíduo, unicamente, pode exercer aquelas capacidades que incluem a habilidade de tomar iniciativas, aproveitar oportunidades, criar amizades, interagir pessoalmente com outros, construir relacionamentos, conquistar a cooperação dos outros em serviços comuns à Fé e à sociedade, e converter em ação as ações (decisões) tomadas pelos corpos consultivos. É dever do indivíduo "considerar todos os meios de contato que pode utilizar em suas tentativas pessoais para captar a atenção, manter o interesse e aprofundar a Fé daqueles aos quais busca trazer para o rebanho de sua Fé."
Para otimizar o uso dessas capacidades, o indivíduo conta e usufrui de seu amor por Bahá'u'lláh, do poder do Convênio, da dinâmica da oração, da inspiração e educação decorrentes da leitura regular e do estudo dos Textos Sagrados, e das forças de transformação que operam sobre sua alma à medida em que ele se esforça para conduzir-se de acordo com as leis e os princípios divinos. Além desses, o indivíduo, tendo recebido o dever de ensinar a Causa, e dotado com a capacidade de atrair bênçãos particulares prometidas por Bahá'u'lláh: "Se qualquer um abrir os lábios neste Dia" -- a Abençoada Beleza afirma, -- "e fizer menção do nome de seu Senhor, as hostes da inspiração Divina sobre ele descerão do céu de Meu nome, o Onisciente, a Suma Sabedoria. Sobre ele haverá de baixar também a Assembléia do Alto, cada um erguendo um cálice de pura luz."
Shoghi Effendi enfatiza a absoluta necessidade da iniciativa e da ação individuais. Ele explica que sem o apoio do indivíduo, "ao mesmo tempo sincera, contínua e generosa", qualquer meio ou plano de sua Assembléia Espiritual Nacional está "fadado ao fracasso." O propósito do Plano Divino do Mestre estará "impedido"; mais ainda, a força sustentadora do próprio Bahá'u'lláh "será retirada de todos e de cada indivíduo que falha, a longo prazo, em levantar-se e cumprir com sua parte." Portanto, no mais íntimo e vital de todo progresso a ser feito está o crente individual, que possui o poder de execução que somente ele pode liberar, através de sua própria iniciativa e ação continuada. Quanto ao sentimento de inadequação que algumas vezes impede a iniciativa individual, em uma carta escrita em seu nome, o Guardião aconselha: "Como principal dentre esses, você menciona a falta de coragem e iniciativa de parte dos fiéis, e um sentimento de inferioridade que impede a eles de se dirigirem ao público. São precisamente tais fraquezas que ele deseja que os amigos superem, pois elas não somente paralisam seus esforços, mas na verdade servem para apagar a chama da Fé em seus corações. A menos que todos os amigos se conscientizem de que cada um deles é capaz, em sua própria medida, de transmitir a Mensagem, eles jamais poderão esperar alcançar a meta que foi colocada diante deles por um Mestre amoroso e sábio... Cada um é potencialmente um instrutor. Ele deve apenas utilizar aquilo que Deus lhe deu e, assim, provar que é fiel à sua incumbência."
INSTITUIÇÕES
Quanto às instituições, a entrada em tropas atuará sobre elas na mesma proporção com que elas atuem sobre esse processo. A evolução das Assembléias Bahá'ís, locais e nacionais, no tempo presente exige um novo estado mental da parte de seus membros, como também de parte daqueles que os elegem, pois a comunidade bahá'í está engajada em um imenso processo histórico que está entrando num período crítico. Bahá'u'lláh proveu para que as instituições do mundo operem em uma Ordem delineada para canalizar as forças de uma nova civilização. Progresso no sentido dessa gloriosa realização, exige uma grande e contínua expansão da Comunidade bahá'í, para que uma esfera de ação adequada seja provida para a maturação dessas instituições. Este e um assunto de importância imediata para os apoiadores sinceros de Bahá'u'lláh em todas as terras.
Para que tal expansão possa ser estimulada e alcançada, as Assembléias Espirituais devem soerguer-se a um novo estágio no exercício de suas responsabilidades como canais de guia divina, planejadores do trabalho de ensino, promotores do desenvolvimento de recursos humanos, construtores de comunidades, e amorosos pastores das multidões. Elas podem alcançar essas expectativas aumentando a habilidade de seus membros em se aconselharem juntos, de conformidade com os princípios da Fé, e consultar com os amigos sob sua jurisdição, incrementando o espírito de serviço, colaborando espontaneamente com os Conselheiros Continentais e seus auxiliares, e cultivando suas relações externas. Particularmente, o progresso na evolução das instituições precisa ser manifestado na multiplicação de localidades nas quais o funcionamento da Assembléia Espiritual aumente a capacidade dos crentes individuais de servirem a Causa e propicie ação unificada. Em suma, a maturidade da Assembléia Espiritual deve ser medida não somente pela regularidade de suas reuniões e pela eficiência de seu funcionamento, mas também pela continuidade do crescimento do número de bahá'ís, pela efetividade da interação entre a Assembléia e os membros da comunidade, pela qualidade da vida espiritual e social da comunidade, e pelo senso geral de vitalidade de uma comunidade no processo de desenvolvimento dinâmico e sempre crescente.
COMUNIDADE
A comunidade, como algo distinto do indivíduo e das instituições, assume características e identidade próprias, à medida que cresce em tamanho. Este é um desenvolvimento necessário, para o qual muita atenção é exigida, tanto com respeito aos lugares onde o ingresso em larga escala tem ocorrido, como na expectativa de mais numerosos exemplos de entrada em tropas. Uma comunidade é, obviamente, mais que a soma de seus membros, e uma unidade abrangente de civilização, composta de indivíduos, famílias e instituições que são os iniciadores e encorajadores de sistemas, agências e organizações trabalhando juntas com um propósito comum para o bem-estar das pessoas tanto dentro como além de suas fronteiras; é uma composição de uma diversidade de participantes que interagem e que estão alcançando uma unidade, em uma infatigável busca do progresso social e espiritual. Uma vez que os bahá'ís, em todas as partes, estão bem no início do processo de construção de comunidades, esforços enormes devem ser devotados às tarefas em mão.
Conforme já dissemos em uma mensagem anterior o florescimento da comunidade, especialmente a nível local, demanda um aprimoramento significativo nos modelos de conduta: aqueles modelos pelos quais a expressão coletiva das virtudes dos membros individuais e o funcionamento da Assembléia Espiritual são manifestos na unidade e camaradagem da comunidade, e no dinamismo de suas atividades e crescimento. Isto exige a integração dos elementos componentes -- adultos, jovens e crianças -- em atividades espirituais, sociais, educacionais e administrativas e seu engajamento em planos locais de ensino e desenvolvimento. Implica em uma vontade coletiva e senso de propósito para perpetuar a Assembléia Espiritual através das eleições anuais. Envolve a prática da adoração coletiva de Deus. Portanto, e essencial à vida espiritual da comunidade que os amigos realizem reuniões devocionais regulares nos centros bahá'ís locais, quando existentes, ou em outro local, incluindo as casas dos amigos.
Institutos Permanentes
Para alcançar as possibilidades de expansão e consolidação implícitas na entrada em tropas, um esforço determinado e a nível mundial para desenvolver recursos humanos precisa ser feito. O empenho dos indivíduos para realizar classes de estudo em seus lares, o patrocínio pelas instituições de ocasionar cursos de instrução, e as atividades informais da comunidade, embora importantes, não são adequadas para a educação e treinamento de uma comunidade em rápida expansão. Portanto, é de suma importância que uma atenção sistemática seja dada para a criação de métodos para a educação dos crentes, em grandes números, nas verdades fundamentais da Fé e para o treinamento e ajuda a eles para servirem a Causa, dentro dos talentos que Deus lhes deu. Não pode haver demora no estabelecimento de institutos permanentes, designados para proverem programas de treinamento bem organizados, formalmente conduzidos e dentro de um esquema de regularidade. Prover ao instituto as instalações físicas é algo naturalmente necessário, mas pode não exigir um edifício próprio para funcionar.
Este assunto exige uma intensificação da colaboração entre os Conselheiros Continentais e as Assembléias Espirituais Nacionais. Pois o sucesso desses institutos de treinamento dependerá, em uma medida muito grande, do envolvimento ativo dos Conselheiros Continentais e dos membros do Corpo Auxiliar em sua operacionalização. Particularmente, será necessário aos membros do Corpo Auxiliar ter um relacionamento de trabalho bem íntimo com os institutos, e, naturalmente, com as Assembléias Espirituais Locais cujas comunidades irão beneficiar-se dos programas do instituto, uma vez que os institutos devem ser considerados como centros de aprendizagem, e já que sua característica harmoniza-se com, e provê o campo de ação para o exercício das responsabilidades educacionais dos membros do Corpo Auxiliar, seu envolvimento íntimo no funcionamento do instituto, devem agora tornar-se uma parte das crescentes funções desses colaboradores graduados da Fé. Aproveitar os talentos e habilidades de um crescente número de fiéis será também crucial para o desenvolvimento e execução dos programas do instituto.
Considerando que o termo "instituto" assumiu vários usos na comunidade bahá'í, uma palavra de esclarecimento faz-se necessária. Os próximos quatro anos irão representar um período extraordinário na história de nossa Fé, um ponto de mutação da magnitude de uma época memorável. O que se pede dos amigos em todo o mundo e o seu comprometimento, seus recursos materiais, suas habilidades e seu tempo para o desenvolvimento de uma rede de institutos de treinamento em uma escala como jamais foi tentada. Esses centros de instrução terão como meta um resultado muito prático, a saber, a preparação de grandes números de fiéis que sejam treinados para levar avante e facilitar o processo de entrada em tropas com eficiência e amor.
"Concentrai vossas energias na propagação da Fé de Deus", Bahá'u'lláh assim instrui a Seus servos, adicionando, "Quem é digno de tão alta vocação que se levante e a promova. Quem não puder, deverá designar alguém que possa proclamar em seu lugar esta Revelação..." Assim como alguém deputiza outro para ensinar em seu lugar, cobrindo as despesas de um pioneiro ou de um instrutor viajante, pode-se deputizar um instrutor que sirva em um instituto, o qual é, na realidade, um instrutor de instrutores. Para fazer isso, pode-se fazer contribuições ao Fundo Continental Bahá'í, como também para os Fundos: Local, Nacional e Internacional, assinalando o propósito definido de sua contribuição.
Em todos os seus esforços para alcançar o objetivo do Plano de Quatro Anos, os amigos são também solicitados a dar maior atenção ao uso das artes, não somente para proclamação, mas também para o trabalho de expansão e consolidação. As artes gráficas e as artes dramáticas, bem como a literatura, tem exercido, e podem exercer, um papel de destaque para expandir a influência da Causa. Ao nível de arte popular, esta possibilidade pode ser trabalhada em qualquer parte do mundo, seja em vilas, aldeias ou em cidades. Shoghi Effendi nutria grande esperança pelas artes como um meio de atrair a atenção para os Ensinamentos. Uma carta escrita em seu nome a um indivíduo, assim transmite o ponto de vista do Guardião: "Chegará o dia quando a Causa expandir-se-á como um relâmpago, quando seu espírito e ensinamentos serão apresentados em palcos ou através das artes e da literatura como um todo. A arte pode melhor despertar sentimentos nobres, em vez de uma racionalização fria, especialmente entre as massas da população."
Enquanto os amigos e instituições em toda parte dirigem suas energias para implementar as exigências do Plano, o trabalho nos grandes projetos do Monte Carmelo continuarão até seu término previsto para o final do século. Ao final do Plano no Ridván do ano 2.000, os edifícios para o Centro de Estudo dos Textos e a Extensão do Edifício dos Arquivos estarão em operação, do Centro Internacional de Ensino terá avançado ao estágio de sua conclusão final. A parte da estrada pública que agora interrompe o caminho dos patamares acima do santuário do Báb terá sido rebaixado e uma larga ponte de conexão com seus próprios jardins terá sido construída; cinco dos patamares superiores também estarão concluídos. Os remanescentes quatro patamares superiores e dois na base da montanha estarão em um estágio avançado de desenvolvimento. Outros esforços especiais serão trabalhados no Centro Mundial também. Atenção será dada a assuntos tais como a aplicação universal adicionais do Kitáb-i-Aqdas, a preparação de um novo volume em inglês de Escritos selecionados de Bahá'u'lláh, o desenvolvimento adicional das funções do centro Internacional de Ensino, e a definição de medidas para aumentar o número de peregrinos e visitantes ao Centro Mundial.
A comunidade bahá'í mundial irá expandir seus esforços tanto no desenvolvimento social e econômico, como em assuntos externos, e assim continuar a colaborar diretamente com as forças conducentes ao estabelecimento de ordem no mundo. Aperfeiçoando sua capacidade Coordenadora, o Escritório de Desenvolvimento Social e Econômico irá ajudar na construção, conforme os recursos e oportunidades permitam, do Progresso já alcançado em centenas de projetos de desenvolvimento existentes no mundo. Na arena de assuntos externos, os esforços objetivarão influenciar o processo no sentido da paz mundial, particularmente através do envolvimento da comunidade na promoção dos direitos humanos, da condição da mulher, da prosperidade global e desenvolvimento moral. No seguimento desses temas, o Escritório das Nações Unidas da Comunidade Internacional Bahá'í buscará novas formas para reforçar os laços entre os bahá'ís e as Nações Unidas. De forma semelhante, o Escritório de Informação Pública irá ajudar as instituições bahá'ís a utilizar esses temas para uma maior proclamação da Fé. A defesa dos direitos dos bahá'ís no Irã e esforços crescentes para emancipação da Fé naquele país e em outros onde a Fé foi proscrita, constituirão parte vital de nossas negociações com organizações governamentais e não-governamentais. Em todos esses assuntos, os amigos bahá'ís e as instituições são convocados a estar alertas quanto à importância de atividades em assuntos externos, e dar a elas renovada atenção.
A formação, neste Ridván, de duas Assembléias Espirituais Nacionais, confere um início propício ao Plano de Quatro Anos. Estamos muito felizes ao anunciar que nossos dois representantes às Convenções Nacionais inaugurais são a Mão da Causa de Deus Amatu'l-Bahá Rúhíyyih Khánum, para Moldávia; e o sr. Fred Schechter, Conselheiro membro do Centro Internacional de Ensino, para S. Tomé e Príncipe. Lamentavelmente, devido circunstâncias inteiramente fora de seu controle, as Assembléias Espirituais Nacionais de Burundi e Rwanda não podem ser reeleitas este ano. O número dessas instituições no mundo permanecem, consequentemente, em 174.
Ridván do ano 2.000, o ponto no qual o Plano de Quatro Anos deverá estar concluído, ocorrerá muitos meses antes do final do século vinte. Naquela junção do tempo, o mundo bahá'í olhará em retrospectiva para apreciar os extraordinários desenvolvimentos e assombrosas realizações que terão distinguido os anais da Causa de Bahá'u'lláh durante aquele momentoso período -- um período que 'Abdu'l-Bahá designou de "século de luz." Não menor do que as realizações a serem então reconhecidas, estarão a conclusão dos atuais projetos no Monte Carmelo, os quais, juntos com outros edifícios naquela montanha sagrada, serão destacados como um monumento ao progresso que a Ordem Administrativa terá alcançado até aquele tempo da Idade Formativa. O ponto focal de tais apreciações será, que Deus o permita, a realização no Centro Mundial de um evento de vulto para marcar o término dos edifícios no Arco e a abertura dos Patamares do Santuário do Báb para o público.
Bem-amados amigos, entramos neste Plano em meio à turbulência de um período de transição acelerada. Os processos gêmeos decorrentes do impacto da Revelação de Bahá'u'lláh estão rapidamente em ação, ganhando um impulso que, nas palavras de Shoghi Effendi, "traz a um clímax as forças que estão transformando a face de nosso planeta". Um, é um processo integrativo; o outro, é de ruptura. Decorrente da "fermentação universal" criada por esses processos, a paz emergirá em estágios, através dos quais os efeitos unificadores de uma crescente conscientização de cidadania mundial tornar-se-á manifesta.
Nesse sentido, os recentes acontecimentos mundiais têm sido, paradoxalmente, tanto chocantes como encorajadores. De um lado, a desordem dos assuntos humanos produz uma gama diária de horrores que entorpece os sentidos; por outro lado, os líderes mundiais estão freqüentemente tomando ações coletivas que, a um observador bahá'í demonstra uma tendência a um enfoque comum pelas nações para resolver os problemas do mundo. Considere-se, por exemplo, a freqüência incomum das ocasiões globais nas quais esses líderes têm se reunido desde o Ano Santo há quatro anos passados, tais como aquele que comemorou o Qüinquagésimo Aniversário das Nações Unidas, ao qual o comparecimento de chefes de estado e chefes de governo assegurou seu comprometimento com a paz mundial. Dignas de nota, também, são a disposição e espontaneidade com que esses líderes governamentais têm atuado juntos em resposta a uma variedade de crises em diferentes partes do mundo. Tais tendências coincidem com os apelos crescentes de círculos iluminados clamando por atenção à possibilidade existente de se alcançar alguma forma de governança global. Não poderíamos ver nessas ocorrências que rapidamente se desenvolvem a ação da Mão da Providência, na verdade, o próprio prenúncio da ocasião monumental prevista em nossas Escrituras?
Embora o estabelecimento da Paz Menor não seja dependente de nenhum plano ou ação bahá'í, e mesmo que ela não represente a meta final à qual a humanidade está destinada a alcançar na Idade Áurea, nossa comunidade tem a responsabilidade de conceder ímpeto espiritual ao processo conducente àquela paz. A necessidade, neste preciso tempo, é de tal forma intensificar nossos esforços na construção do Sistema Bahá'í para atrairmos as confirmações de Bahá'u'lláh e assim invocar uma atmosfera espiritual que irá resultar na aceleração desses processos. Dois desafios principais se nos defrontam: um, é montar uma campanha de ensino na qual a maioria dos membros de nossa comunidade esteja entusiástica, sistemática e pessoalmente envolvida, e na qual a ativação de um extensivo programa de treinamento assegure o desenvolvimento de uma massa de recursos humanos; o outro, é completar os projetos de construção no Monte Carmelo, para o qual todos os sacrifícios devem ser feitos para prover uma generosa profusão de recursos materiais. Esses focos gêmeos, se resolutamente perseguidas, fomentarão as condições para a liberação de forças acumuladas que irão produzir uma mudança no direcionamento dos assuntos humanos em todo o planeta.
Embora curto o caminho para a paz, ele será tortuoso embora promissor o evento esperado que determinará seu curso, ele deve amadurecer através de longo período de evolução, com seus concomitantes testes, contratempos e conflitos, para o momento quando tiver emergido, sob a influência direta da Fé Divina, como a Paz Máxima. No entretempo, as pessoas em todas as partes enfrentarão freqüentemente o desespero e o espanto antes de chegar a um reconhecimento da transição em progresso. Nós, que fomos iluminados pela nova Revelação, temos a Palavra sagrada para nos dar segurança, um Plano Divino para nos guiar, uma história de bravura para nos encorajar. Portanto, busquemos inspiração não somente na Palavra que temos em alta estima, mas também nos feitos de heroísmo e sacrifício que ainda hoje brilham resplandecentes na terra onde nasceu nossa Causa.
Por cerca de dezessete anos, nossos perseguidos irmãos no Irã têm demonstrado uma constância de Fé e coragem que tem produzido uma vasta proclamação da Fé, forçando-a a sair da obscuridade. Aqui, então, está uma evidência viva em nosso próprio tempo dos potenciais de crise e vitória. Praza a Deus que não demore muito o tempo em que nossos irmãos iranianos sejam libertados do jugo que suportam, e adentrem as glórias e deslumbramentos de uma vitória que somente a Abençoada Beleza pode conceder. Sua experiência é um sinal e um exemplo a nós todos, onde quer que vivamos; pois, finalmente, a oposição, conforme nos disse o Mestre, se mostrará felina em todos os continentes. Embora possa mostrar-se de forma diferente de lugar a lugar, sem dúvida será intensa. Mas, graças à misericórdia fortalecedora de Bahá'u'lláh, e à demonstração de firmeza daqueles nobres amigos, saberemos como enfrentar os assaltos do inimigo destemidamente. Na verdade, o Senhor das Hostes prometeu conceder a Seu povo um triunfo surpreendente e decisivo.
Enquanto a humanidade se vê dividida e atormentada pelas ruínas infligidas sobre ela por uma civilização que está fora de controle, mantenhamos nossas cabeças e nossos corações focalizados nas tarefas divinas colocadas diante de nós. Pois decorrente dessa agitação, as oportunidades serão abundantes para serem exploradas "para o propósito de espalharmos ampla e vastamente o conhecimento do poder redentor da Fé de Bahá'u'lláh e para alistar novos recrutas no exército cada vez maior de Seus seguidores". Este Plano, ao qual estamos agora comprometidos, é estabelecido em um dos mais críticos tempos da vida do planeta. É previsto para preparar a nossa comunidade para enfrentar as mudanças aceleradas que estão ocorrendo no mundo em volta de nós, e para colocar a comunidade em uma posição tanto para suportar o peso dos testes concomitantes e os desafios respectivos, como para tornar mais visível um modelo de funcionamento e um exemplo ao qual o mundo pode volver-se, na transição tumultuosa pela qual passa.
Assim, este Plano assume um lugar especial no desenrolar da história bahá'í e do mundo. Aqueles de nós que estão atentos à visão da Fé são particularmente privilegiados por estarem conscientemente engajados nos esforços que visam estimular e finalmente fortalecer tais processos.
Que todos vocês se levantem para participar das tarefas deste momento crucial. Que cada um deixe registrada sua marca em um curto espaço de tempo tão carregado de potencialidades e esperança para toda a humanidade. Para que não se distraiam ou se preocupem com os dramáticos acontecimentos desta era de transição, tenham sempre em mente o conselho de nosso infalível guia, Shoghi Effendi: "Não cabe a nós, fracos mortais que somos, tentarmos atingir, em tão crítica etapa da longa e variada história do gênero humano, uma compreensão precisa e satisfatória dos sucessivos passos que devem conduzir uma humanidade sangrenta, miseravelmente esquecida de seu Deus e desatenta a Bahá'u'lláh, de seu calvário à sua ressurreição final. Não cabe a nós, testemunhas viventes da potência predominante de Sua Fé, duvidarmos -- nem por um momento sequer, e nada importando a negrura da miséria que amortalha o mundo -- do poder de Bahá'u'lláh de forjar, com o martelo de Sua Vontade e o fogo da tribulação, sobre a bigorna desta era angustiada, e na forma especial concebida pela Sua mente, estes fragmentos dispersos e mutuamente destrutivos em que um mundo perverso se converteu, fundindo-os em uma só unidade, sólida e indivisível, dotada de capacidade de executar Seu desígnio para os filhos dos homens. Cabe-nos, sim, o dever -- não nos importando a confusão da cena, nem a perspectiva sombria do momento atual, nem a escassez dos recursos a nosso dispor -- de trabalharmos serenamente, prestando nosso quinhão de apoio, confiantes e incansáveis, de qualquer modo que circunstâncias nos permitirem, a operação das forças dispostas e guiadas por Bahá'u'lláh, que deverão conduzir a humanidade para fora do vale da miséria e da vergonha, até as mais sublimes alturas de poder e glória."
Nesta época das épocas, saudamos vocês com profunda alegria pela crescente atividade em toda a comunidade bahá’í durante o ano recém findo, e com ardorosa expectativa pelo que precisa e pode ser realizado durante o último ano do Plano de Três Anos. Sentimos tanto preocupação como esperanças em face do desespero que assedia líderes de nações e os povos em busca de soluções para os prementes problemas sociais. Na verdade, tal desespero equivale a um clamor universal pelos Ensinamentos de Bahá’u’lláh; na realidade, um desafio e uma promessa que nenhum indivíduo ou instituição bahá’í conscienciosos pode ignorar.
Nenhuma ocasião demonstrou mais vividamente esta perspectiva melancólica do que a recente Conferência de Cúpula para o Desenvolvimento Social, a última de uma série de reuniões internacionais de líderes mundiais convocados pelas Nações Unidas. Entretanto, por menor que seja a influência imediata de tais eventos nas políticas dos governos, ainda que a grande maioria da população do mundo desconsidere-os ou deles tenha consciência, sua ocorrência sucessiva indica, a qualquer observador bahá’í, um movimento gradual em direção ao cumprimento final da vontade de Bahá’u’lláh de que os governantes das nações se encontrem para consultar e decidir sobre questões pendentes com que se defronta uma sociedade cada vez mais global.
De forma propícia, naquela momentosa oportunidade em Copenhagem, um impressionante esforço bahá’í, envolvendo 250 amigos de mais de 40 países, foi organizado para familiarizar os participantes da Cúpula e os do Fórum das ONG’s a ela ligado, quanto aos remédios prescritos pelo Médico Divino. Este esforço estendeu-se além da Conferência de Cúpula e até agora continua em muitos lugares através do mundo. Aplaudimos com sincera gratidão as instituições bahá’ís, as agências e os indivíduos que produziram este caudal de ações, antes, durante e depois da Cúpula, pois seguramente isso demonstra tanto o avanço adicional de nossa comunidade mundial em influenciar o processo na direção da Paz Menor, como uma multiplicação de oportunidades para uma difusão mais ampla da Mensagem reformadora de Bahá’u’lláh. À medida que tais eventos mundiais ocorrem com maior freqüência, e a comunidade bahá’í segue ao encalço de suas metas com intensidade cada vez maior, podemos ver mais claramente o estreitamento da distância entre os processos paralelos sobre os quais Shoghi Effendi escreveu há várias décadas passadas: um, que leva à união política das nações, e o outro, à união final dos corações em uma fé comum.
Fazemos estas observações na constatação de um encorajador desenvolvimento da comunidade bahá’í durante o segundo ano do Plano de Três Anos. Ainda mais emocionante do que o avanço ocorrido nas atividades de assuntos externos a níveis local e nacional, são as evidências de uma mudança qualitativa na resposta dos crentes em todas as partes do chamado para o ensino. Uma compreensão mais profunda deste dever individual inescapável está implícita no crescimento das atividades de ensino, uma situação encorajadora resultante de diversos fatores estimulantes, os quais, reunidos, são um bom augúrio para a ocorrência, longamente esperada, da entrada de tropas de novos crentes. Dentre esses fatores estão: a atenção que tem sido dada à compilação sobre a entrada em tropas, à medida que surge em um número crescente de idiomas; a influência da movimentação dos Conselheiros Internacionais e Continentais através do globo; a evolução no funcionamento dos membros do Corpo Auxiliar e seus ajudantes; os efeitos da ênfase que tem sido dada à educação das crianças; e o vigor da juventude iniciando projetos de ensino e se envolvendo em uma grande gama de outras atividades bahá’ís.
O fortalecimento crescente das Assembléias Espirituais, que são chamadas a enfrentar inúmeros desafios enquanto se esforçam primariamente para concentrar-se nas demandas do trabalho de ensino, é conducente a este panorama positivo. Estamos especialmente conscientes do peso das responsabilidades arcado pelas Assembléias Espirituais Nacionais à medida que as comunidade sob sua jurisdição tornam-se mais diversificadas em sua composição e mais complexas em suas demandas quanto à guia e ajuda que esperam dessas instituições.
A impressão conjunta dos vários estágios de desenvolvimento alcançados pela comunidade, dá a entender que um grande esforço está sendo devotado ao tema triplo do Plano, que requer o aumento da vitalidade da Fé dos crentes individualmente, um desenvolvimento muito grande dos recursos humanos da Causa, e a promoção do funcionamento apropriado das instituições bahá’ís locais e nacionais. Mas, como ainda há muito para ser feito ao longo dessas linhas, é exigida dos indivíduos e das instituições uma resposta ainda mais notável, dado que nossa comunidade deve lutar contra as devastações de uma decadência moral desenfreada, levantar um exército maciço de almas consagradas para responder a todas as demandas do ensino e para administrar os assuntos da Fé, e tornar nossas instituições capacitadas a desincumbirem-se das tarefas que um repentino crescimento no tamanho da comunidade certamente irá exigir delas.
Os seguintes requisitos, especialmente dirigidos aos indivíduos e às Assembléias Espirituais Locais, são fundamentais a qualquer resposta efetiva aos desafios imediatos que a comunidade enfrenta: de um lado, está a iniciativa que é dever e privilégio do indivíduo tomar quanto ao ensino da Causa e obtenção de um entendimento mais profundo do propósito e das exigências da Fé. Paralelo com o exercício de tal iniciativa, está a necessidade da participação do indivíduo nos esforços coletivos, tais como o funcionamento e projetos da comunidade. De outro lado, está o papel da Assembléia Espiritual Local de dar as boas-vindas, encorajar e harmonizar as iniciativas dos crentes individualmente no grau máximo possível; existe também a responsabilidade da Assembléia de arquitetar ou promover planos que utilizem os talentos e habilidades dos membros individuais de sua comunidade, e que envolvam os indivíduos em ações coletivas tais como projetos de ensino e desenvolvimento, institutos e outras atividades de grupo. Os efeitos dos esforços conscientes para alcançarem estes requisitos inseparáveis irão expandir e consolidar a comunidade e criar um clima de ação unificada.
Durante o último ano, houve um crescimento muito acentuado de visitas ao Centro Mundial de parte de altos funcionários governamentais, dignitários diversos e representantes da mídia, demonstrando a crescente importância do centro espiritual e administrativo da Fé aos olhos do mundo. Tal ocorrência pareceu enfatizar uma tendência no sentido de maior familiaridade dos governos das nações com o desenvolvimento do centro de uma Fé Mundial. Olhando essa tendência, daqui da Montanha de Deus, o local dos atuais projetos de construção, e considerando-a em conjunção com o desenvolvimento que ocorre nas comunidade bahá’ís locais e nacionais, podemos apreciar mais adequadamente a realidade emergente da visão projetada por Shoghi Effendi quando explicou as implicações do soerguimento dos edifícios que irão constituir a sede administrativa mundial da Fé de Bahá’u’lláh. “Este vasto e irresistível processo” – disse ele – “sincronizar-se-á com dois não menos importantes desenvolvimentos – o estabelecimento da Paz Menor e a evolução das instituições bahá’ís locais e nacionais.” É uma visão, a qual, dado o estado em que o mundo se encontra, torna imperativo o término dos projetos do Monte Carmelo conforme previsto.
Esses projetos estão avançando a uma velocidade extraordinária, impressionando peregrinos, turistas e residentes locais, pela sua magnitude e grandiosidade cada vez mais aparente. O trabalho de construção está ocorrendo em todas as estruturas ao mesmo tempo. O trabalho nos sete patamares abaixo e nos cinco acima do Santuário do Báb está com força total. Durante este ano foram assinados contratos de construção em número maior do que em anos anteriores, incluindo o outorgado recentemente a uma firma italiana para o suprimento do mármore para os edifícios do Arco. Claramente, o trabalho ganhou um ímpeto que não permite atraso. Por isso, idêntico ímpeto no fluxo de contribuições é imprescindível, já que os quarenta milhões de dólares remanescentes, necessários ao cumprimento da meta do Plano de Três Anos de setenta e quatro milhões de dólares, terão de ser supridos até o Ridván de 1996.
O novo ano começa auspiciosamente com a formação, neste Ridván, de cinco Assembléias Espirituais Nacionais. Nossos representantes às Convenções Nacionais inaugurais são: Mão da Causa de Deus, Amatu’l-Bahá Rúhiyyih Khánum, para a Armênia e Georgia; a Mão da Causa de Deus, ‘Alí Muhammad Vargá, para Belarus e Sicília; Conselheiro Hushang Ahdiéh, para Eritréa. Ainda mais, durante este período as comunidades de Bofutatswana, Ciskei, África do Sul e Transkei, serão unidas sob a jurisdição de uma Assembléia Espiritual Nacional da África do Sul, que reflete a recente reunificação política daquela região. Como resultado do acima mencionado, o número de Assembléias Espirituais Nacionais em todo o mundo, elevar-se-á de 172 para 174.
Queridos colaboradores: Além da necessidade de ganharmos nossas metas, a presente difícil situação que aflige a humanidade exige que redobremos nossas ações. A nuvem de desespero pendente sobre os destinos de um mundo desordenado é também precursora da chuva primaveril que pode aliviar a sede espiritual e material de todos os povos. Tem apenas que ser borrifada através de ações de ensino, constantes e confiantes. A realização de tais atos, embora dependente quanto ao reforço das funções das instituições bahá’ís, depende, primariamente e em última instância, da iniciativa dos bahá’ís individualmente.
Não permitam que auto crítica excessiva ou qualquer sentimento de incapacidade, inabilidade ou inexperiência, sejam um impecilho para vocês, nem lhes causem qualquer temor. Sepultai vossos temores nas promessas de Bahá’u’lláh. Não afirmou Ele que sobre qualquer um que mencione Seu Nome descerão as “hostes da inspiração divina”, e que sobre tal pessoa também descerão o “Concurso do Alto, cada um carregando nas mãos um cálice de pura luz”? Adentrem, pois, na arena onde todos os Seus amados são também chamados, e igualmente desafiados e abundantemente abençoados. Pois ensinar, o próprio Bahá’u’lláh afirma, é fazer o “mais meritório de todos os atos.” E, neste momento extraordinário da história do planeta, nada é de maior importância do que convidar pessoas de todos os tipos e de qualquer talento para a mesa do banquete do Senhor das Hostes.
Ao enviarmos a vocês esta mensagem, claramente diante de nós está uma visão de vitórias incontáveis esperando para serem alcançadas. Temos certeza que vocês podem conseguir uma miríade delas neste espaço de tempo remanescente do Plano de Três Anos. Devem apenas esforça-se sinceramente para isso, a fim de prepararem o palco para o próximo plano global a ser lançado no Ridván de 1996. Naquela oportunidade, terá sido mobilizada, então, uma campanha de alcance mundial que irá assegurar um adequado crescendo às realizações de um século considerado por ninguém menos que ‘Abdu’l-Bahá como um período que terá deixado traços que irão durar para sempre.
Com amorosas saudações,
Já se passou um ano do Plano de Três Anos, um ano no qual o tumulto do mundo gerou, nos corações e nas mentes, tanto esperança como temor, tanto otimismo como desalento, tanto admiração pela coragem das pessoas como vergonha pela crueldade na qual a humanidade pode mergulhar. Em meio a essas provações os seguidores de Bahá’u’lláh prosseguem avante firmemente, com visão clara e com confiança, construindo a estrutura do Reino de Deus, infundindo na sociedade um novo espírito e mostrando a todos os povos o efeito revitalizador dos Ensinamentos divinos.
No Centro Mundial, o dia 23 de maio de 1993 presenciou a abertura de um novo período qüinqüenal dos membros do Centro Internacional de Ensino. Em nossa primeira reunião conjunta, aplaudimos suas múltiplas iniciativas durante o período anterior, e os instamos a lhes dar desenvolvimento maior. Destaca-se entre essas iniciativas a orientação dada aos Conselheiros Continentais para promoverem consultas a nível seja local seja nacional entre as instituições bahá’ís, provocando o início e a manutenção de processos de crescimento da comunidade bahá’í. Outra iniciativa, foi o esclarecimento progressivo sobre diferentes abordagens do trabalho de ensino. À medida em que o ano transcorria, essas ações intensificaram o ímpeto dado para o desenvolvimento da Fé e de suas instituições pelos Conselheiros, pelos membros do Corpo Auxiliar e seus ajudantes reforçando o discernimento e o encorajamento que dão às Assembléias Espirituais Nacionais e Locais e aos bahá’ís individualmente.
A reputação crescente da Fé aos olhos do mundo e a atenção que isto está atraindo para o Centro Mundial ressaltam a importância de se completar a construção dos patamares do Santuário do Báb e dos edifícios do Centro Administrativo Mundial da Causa de Bahá’u’lláh. Desde a divulgação do apelo especial ao mundo bahá’í para levantar setenta e quatro milhões de dólares para este projeto, durante o transcurso do Plano de Três Anos, a resposta tem sido animadora, e é nossa calorosa esperança que a continuidade desse espírito de sacrifício resultará na rápida concretização desta meta, e assegurará o ininterrupto progresso do trabalho, atraindo para a Montanha Sagrada de Deus o olhar admirado tanto de visitantes como de residentes.
O estudo do Kitáb-i-Aqdas está iluminando a vida da massa dos bahá’ís. A conscientização da importância de apoiarem os princípios da Fé e de obedecerem às suas leis é cada vez maior. A aplicação universal da lei do Huqúqu’lláh tem gerado uma entusiástica resposta. A conscientização individual dos amigos de ensinarem a Fé está crescendo. À medida em que se desincumbirem de suas responsabilidades espirituais e aprendem a depender mais das confirmações de Bahá’u’lláh, descobrem que sua fé ganha nova vitalidade e seus corações renovada confiança. Estas todas são áreas onde a ação de cada um não necessita de esperar por estímulo ou por ajuda. Sozinho, e contando unicamente com o poder do Todo-Poderoso, cada bahá’í é desafiado a desenvolver estas forças espirituais que irão contribuir incomensuravelmente para a evolução da comunidade.
Os recursos humanos da Causa estão sendo acrescidos de duas maneiras. Pessoas de capacidade estão sendo levadas a abraçar a Fé, reforçando as fileiras daqueles que já estão servindo. Estes últimos, por sua vez, têm aumentado sua experiência e adquirido maior capacitação através de um estudo mais profundo dos Ensinamentos e através de sua expressão na ação. Reconhecendo a necessidade de um aprofundamento mais sistemático do entendimento dos Ensinamentos e de sua aplicação na sociedade, os amigos aumentaram a utilização do estudo e do trabalho em grupo e de institutos, com notável êxito. Neste próximo ano, esses dois processos complementares – atrair pessoas de capacidade e aumentar nossas próprias habilidades – devem ser ampliados ainda mais, estimulando a ação de cada um e o desenvolvimento harmonioso de um vasto campo de atividades para a promoção da Fé.
À medida em que as potencialidades dos bahá’ís individualmente se manifestam, as instituições bahá’ís locais e nacionais estão se tornando capacitadas para elevar a qualidade de vida de suas comunidades e para conceber e implementar programas criativos. Em muitas áreas as Assembléias Espirituais Locais colaboram no ensino da Fé em determinada região. As Assembléias Nacionais, da mesma forma, têm desenvolvido projetos inovadores para aproveitar as oportunidades decorrentes de acontecimentos externos à Causa. Alguns exemplos de tais atividades, em campos muito diferentes, foram o Projeto de Carta-Aberta, na Albânia; a reação à extraordinária receptividade das autoridades e da população em geral nas Repúblicas de Sakha e Buryat, na Sibéria; e o acordo assinado entre a Assembléia Espiritual Nacional das Ilhas Marshall e o governo local do Atol Majuro, em resposta ao pedido das autoridades nacionais de que os bahá’ís assumissem a responsabilidade pelo funcionamento de cinco escolas públicas primárias.
A evolução das instituições bahá’ís locais e nacionais tornou possível maior descentralização na administração do trabalho. Para que este processo benéfico se expanda, porém, o pré-requisito crucial, em muitos países, é a rápida melhoria do funcionamento das Assembléias Espirituais Locais. Isto exige uma atenção muito especial de todos os bahá’ís. Essas instituições bahá’ís locais, ordenadas no próprio Kitáb-i-Aqdas, constituem um reservatório de força e de guia que irão ampliar a efetividade do trabalho da Causa à medida em que adquirem maturidade.
Vivemos em meio a populações que necessitam desesperadamente da Mensagem de Bahá’u’lláh. É nosso dever apresentá-la de forma lúcida e convincente a tantas pessoas quanto for possível. A escuridão e o sofrimento em volta de nós não somente são sinais de uma carência, mas se nos apresentam como uma oportunidade que não poderíamos perder. Transmitir a mensagem é apenas o primeiro passo. Precisamos, em seguida, assegurar que ela está sendo entendida e aplicada, pois, conforme lemos em uma das cartas escritas em nome do Guardião: “Enquanto o público não vir na Comunidade Bahá’í um verdadeiro modelo, em ação, de algo melhor do que já conhece, não irá responder à Fé em números elevados.” Quando as pessoas abraçam a Causa, elas devem, então, através das Escrituras, desenvolver um relacionamento entre elas, assim como com seus concidadãos, para criarem gradativamente uma verdadeira comunidade bahá’í, luz e refúgio para os desnorteados.
Após os gloriosos eventos da Idade Heróica da Fé, a entrada em tropas dos povos do mundo na Causa de Deus ocorreu primeiro na África, durante o ministério de Shoghi Effendi, espalhando-se então para outras áreas. Pouco a pouco, as comunidades bahá’ís daquelas regiões estão aprendendo através da experiência e estão desenvolvendo métodos e programas que objetivam atrair esses numerosos bahá’ís e uni-los em comunidades atuantes, e para estabelecer bases fortes para um crescimento continuado. Para apoiá-los em seus esforços, e para ajudar os bahá’ís em outros países a iniciarem e manterem este processo, bem como para dirimir mal-entendidos que inevitavelmente surgem diante de um conceito tão desafiador, foi divulgada uma compilação intitulada “Promovendo a entrada em tropas”. O estudo e a aplicação dos princípios e abordagens nela descritos irão, sem dúvida alguma, ajudar cada instrutor e cada comunidade bahá’í, seja em uma área onde a entrada em tropas tem sido uma realidade por muitos anos, ou em outras onde ainda nenhum sinal desse processo tenha aparecido. Com respeito à última, a compilação irá ajudar a convencer os bahá’ís individualmente da realidade e validade deste processo, e possibilitará às comunidades bahá’ís de se prepararem espiritual e materialmente para este avanço, de desejarem ansiosamente a sua ocorrência, de darem aqueles passos que irão promover seu início e garantirem as medidas que irão perpetuar seu crescimento.
O notável crescimento no campo da colaboração internacional durante o ano passado, o estabelecimento de pioneiros e a movimentação de instrutores viajantes, uniram ainda mais coesamente a estrutura da comunidade bahá’í. Na vanguarda de tais realizações, Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum empreendeu uma árdua viagem de estímulo aos bahá’ís e de proclamação da Fé, cobrindo a Rússia e outros países que anteriormente faziam parte da União Soviética, desde os Estados Bálticos, a oeste, até a Sibéria, a leste, desde as repúblicas da Ásia Central, ao sul, até São Petersburgo e Iakutsk, ao norte.
Neste Ridván serão realizadas sete Convenções Nacionais inaugurais. Nossos representantes nesses eventos serão a Mão da Causa de Deus Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum para a eleição da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Camboja, em Phnom Penh, e para a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís da Mongólia, em Ulan Batar; a Mão da Causa, ‘Ali Muhammad Várqá, para a eleição da Assembléia Espiritual Regional dos Bahá’ís da Eslovênia e da Croácia, em Liubliana; a Conselheira Loretta King para a eleição da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Cazaquistão, em Alma Ata, e para a eleição da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís de Quirguistão, em Bichkek; e o Conselheiro Shapoor Monadjem para a eleição da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Tadjiquistão, em Duchanche e para a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Uzbequistão, em Tachkent. A atual Assembléia Espiritual Regional da Ásia Central, com sua sede em Achkhabad, torna-se agora a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Turcomenistão.
O final do século se aproxima rapidamente. Temos tão pouco tempo e tanto a fazer. Convocamos cada seguidor da Causa de Bahá’u’lláh para consagrar o máximo de seus esforços para as duas tarefas primordiais: ensinar a Fé a cada alma sedenta, e prover os meios materiais para o término dos monumentais projetos em andamento no Monte Carmelo. Quaisquer que sejam as condições externas da humanidade no decorrer deste ano, a comunidade bahá’í deve juntar forças, demonstrar mais claramente o caráter distintivo de seu modo de vida, lançando-se confiantemente a proclamar e a ensinar sua mensagem e atrair sobre si, em medida sempre crescente, a ajuda plena de confirmações das Hostes do Concurso Supremo. Em qualquer aspecto deste trabalho, é o indivíduo bahá’í quem segura nas mãos as chaves para a vitória.
Chegamos ao Rei dos Festivais sob o fulgor inalterado das maravilhosas bênçãos do Ano Santo que acabamos de atravessar, confirmados, renovados e energizados em nossas sagradas atividades. Pois foi um período em que a Beleza de Abhá derramou sobre Sua comunidade mundial a radiância de Sua graça com tal efulgência que investiu de extraordinário sucesso os esforços de Seus seguidores nas comemorações de um aniversário duplo tão significativo, com o centenário de Sua Ascensão e inauguração de Seu Convênio. Foi a pausa memorável que produziu uma proclamação do Nome Mais Sagrado que repercutiu em toda a Terra como nunca antes; mas o que tão claramente foi um fenômeno externo, foi notadamente um reflexo da obtenção interior de uma compreensão de nossa relação com Bahá’u’lláh, a mais profunda até agora alcançada. A apreciação mais ampla, por nós mesmos, da universalidade da comunidade, de sua personificação do primeiro e todo abrangente princípio de Sua Fé, deixou uma nova e irresistível impressão em nossos corações; os efeitos de tal conscientização foram demonstrados de forma destacada na comemoração na Terra Santa em maio último, e mais amplamente no Congresso Mundial em novembro último, como se para confirmar nossa certeza, nestes tempos desesperadamente atribulados, de que o mundo da humanidade está se encaminhando inexoravelmente para seu ainda indefinível destino de unidade e paz. Na verdade, durante o Ano Santo fomos transportados nas asas do espírito a um cume do qual vimos a glória, que rapidamente se aproxima, da promessa infalível do Senhor de que toda a humanidade um dia será unida.
Os emocionantes detalhes dos eventos ocorridos durante o ano são por demais numerosos para serem descritos aqui, pois as expressões do Espírito Santo foram universalmente sentidas, imbuindo as atividades dos amigos de uma força misteriosa. Que seja suficiente, então, relembrar tais destaques como a reunião, em maio último, do maior número de bahá’ís a participar de um evento na Terra Santa; o circungirar do Santuário de Bahá’u’lláh por representantes de virtualmente todas as nações; a presença da maioria dos Cavaleiros de Bahá’u’lláh ainda vivos na ocasião da colocação do Rol de Honra à porta de entrada do Santuário Mais Sagrado; o tamanho sem precedente do Congresso Mundial e a vasta variedade de seus participantes, incluindo um enorme grupo de jovens, que se engajaram em seu próprio programa suplementar; a procissão dos representantes das raças e nações do mundo naquela ocasião espetacular; a transmissão via satélite que ligou o Congresso e o Centro Mundial com todos os continentes. Foram esses destaques de um raro tipo de experiência e imortalizaram a fama das comemorações centenárias.
Os inumeráveis e criativos esforços empreendidos pelos amigos em todo o mundo, desde vilas remotas a grandes cidades, as comemorações desses importantes aniversários, ilustraram outra vez o grau profundo de consolidação alcançado pela Fé de Bahá’u’lláh e geraram o trabalho de ensino em muitas áreas com resultados surpreendentes e incomuns. A publicidade sem paralelo concedida aos propósitos e atividades do Ano Santo através da mídia massiva em grandes e pequenos países, a atenção dada por corpos legislativos e autoridades oficiais ao centenário, as demonstrações de reconhecimento e apreço à Fé por órgãos governamentais, o envolvimento de representantes da Comunidade Internacional Bahá’í em importantes eventos globais, incluindo a Conferência das Nações Unidas para o Meio-Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho último, em relação com a qual um monumento público com uma inscrição dos escritos de Bahá’u’lláh e uma grande gravação do Máximo Nome foi inaugurado – tais ocorrências foram indicações claras de que o perfil da comunidade se elevou aos olhos do público.
À parte de todos esses eventos e realizações de grande destaque, mas de magnitude ainda maior devido suas implicações de vasto alcance para a inteira raça humana, foi o lançamento no Naw-Rúz da tradução em inglês, com anotações, do Kitáb-i-Aqdas, o Livro Mais Sagrado. Acercamo-nos, então, uma etapa mais, do tempo previsto por ‘Abdu’l-Bahá: “Quando as leis do Livro Mais Sagrado forem aplicadas” – disse o Mestre – “... a paz universal erguerá sua tenda no centro da terra, e abençoada Árvore da Vida crescerá e se expandirá a um ponto tal que estenderá sua sombra sobre o Oriente e o Ocidente.”
O ano centenário foi também um período em que a situação no mundo em geral tornou-se mais confusa e paradoxal: houve simultaneamente sinais de ordem e caos, de promessa e frustração. Em meio às convulsões do atual estado de coisas a nível global, mas com sentimentos de deslumbramento e alegria, coragem e fé que o Ano Santo causou em nossos corações, nós, neste Ridván, no centésimo qüinquagésimo ano de nossa Fé, estamos engajados num Plano de Três Anos. Sua brevidade é compelida pelas correntes rapidamente mutantes do tempo. Mas o objetivo principal do Plano é indispensável para o futuro da Causa e da humanidade. É o próximo estágio no desenvolvimento da Carta divina do ensino escrita pelo Centro do Convênio. O Plano será uma medida de nossa determinação em responder às imensas oportunidades deste momento crítico na evolução social do planeta. Através de dedicação resoluta em busca de seus objetivos declarados, e da completa realização de suas metas, como melhor se adaptem às circunstâncias de cada comunidade nacional, o caminho tornar-se-á claro para uma projeção adequada do papel da Fé em relação aos inevitáveis desafios que se colocam diante de toda a humanidade, neste final do século vinte, rapidamente evanescente e tão pleno de destino.
Uma expansão maciça da comunidade bahá’í precisa ser alcançada muito além de todos os registros passados. A tarefa de espalhar a Mensagem à generalidade da humanidade, em aldeias, cidades, metrópolis, precisa ser rapidamente ampliada. A necessidade de tal realização é crítica, pois sem ela não se proverá aos órgãos laboriosamente formados da Ordem Administrativa a esfera de ação para poderem desenvolver e demonstrar adequadamente sua inerente capacidade de atender às necessidades gritantes da humanidade em sua hora de desespero cada vez mais intenso. Neste sentido, a mutualidade do ensino e administração deve ser completamente estendida e amplamente enfatizada, pois um reforça o outro. Os problemas da sociedade que afetam nossa comunidade, e aqueles que naturalmente surgem de dentro da própria comunidade, sejam eles de natureza social, espiritual, econômica ou administrativa, serão resolvidos à medida que nossos números e recursos se multipliquem, e quando, em todos os níveis da comunidade
os amigos desenvolvam a habilidade, disposição, coragem e determinação de obedecer às leis, aplicar os princípios e administrar os assuntos da Fé em conformidade com os preceitos divinos.
O novo Plano gira em torno de um tema triplo: aumentar a vitalidade da Fé dos crentes individualmente, desenvolver grandemente os recursos humanos da Causa, e promover o funcionamento adequado das instituições bahá’ís locais e nacionais. Isto objetiva enfocar os requisitos de sucesso à medida que se vai ao encalce das múltiplas metas do Plano nestes tempos turbulentos.
Em contraste com os sinais evidentes da decadência moral que dia-a-dia está corroendo os alicerces da vida civilizada, estas palavras de Bahá’u’lláh assumem um caráter de urgência crucial: “A vitalidade da crença dos homens em Deus esmorece em todas as terras: nada senão Seu remédio salutar jamais a poderá restaurar. A corrosão da irreligiosidade carcome as vísceras da sociedade humana; que outra coisa senão o Elixir de Sua potente Revelação poderá purificá-la e revivificá-la?” Tais palavras têm implicações particulares para as ações de qualquer um que tenha reconhecido o Senhor da Era. Uma conseqüência crucial deste reconhecimento é uma crença que impele à aceitação de Seus mandamentos. A profundidade de crença é assegurada pela transformação interior, aquela aquisição salutar de caráter moral e espiritual que é o resultado da obediência aos princípios e leis divinas. Para essa finalidade, o lançamento do Kitáb-i-Aqdas em inglês, com anotações, e sua esperada publicação em outros importantes idiomas, provê um poderoso suprimento de guia divina para alcançar-se a vitalidade da Fé que é essencial para o bem-estar espiritual e felicidade dos indivíduos, e para o fortalecimento da estrutura da comunidade. Não menos essencial para nutrir essa vitalidade é o cultivo de um senso de espiritualidade, aquele sentimento místico que une o indivíduo a Deus e é alcançado através da meditação e da oração.
O treinamento dos amigos, e os esforços que exerçam através de sério estudo individual para adquirir conhecimentos da Fé, aplicar seus princípios e administrar seus assuntos, são indispensáveis para o desenvolvimento dos recursos humanos necessários ao progresso da Causa. Mas só o conhecimento não é suficiente; é vital que seja dado treinamento de uma forma que inspire amor e devoção, fomente a firmeza no Convênio, impulsione o indivíduo a uma participação ativa no trabalho da Causa e a tomar iniciativas sólidas na promoção de seus interesses. Esforços especiais para atrair pessoas de capacidade à Fé darão também muito resultado em prover os recursos humanos que tanto se necessita neste momento. Além disso, esses esforços irão estimular e fortalecer a habilidade das Assembléias Espirituais em desincumbir-se de suas graves responsabilidades.
O funcionamento apropriado dessas instituições depende em grande parte dos esforços de seus membros no sentido de familiarizarem-se com seus deveres e aderirem escrupulosamente aos princípios em sua conduta pessoal e no desempenho de suas responsabilidades oficiais. De relevante importância, também, são sua decisão de remover de seu meio todos os traços de alienação e tendências sectárias, sua habilidade em conquistar a afeição e o apoio dos amigos a seus cuidados, e de envolver tantos indivíduos quanto possível no trabalho da Causa. Através de seu esforço constante para melhorar sua atuação, as comunidades que eles guiam irão refletir um padrão de vida que trará honra à Fé e irá, como grata conseqüência, reascender a esperança entre os membros da sociedade, que se encontram crescentemente desiludidos.
Enquanto as Assembléias Espirituais Nacionais, com o decidido apoio dos Conselheiros Continentais, determinam o curso a ser seguido neste curto período de tempo, o Centro Mundial ocupar-se-á da coordenação de atividades extensamente diversificadas em todo o planeta, dando orientação adicional aos assuntos externos da Fé, à medida que a Comunidade Internacional Bahá’í for sendo levada a tratar mais intensamente de questões mundiais. Fará isso e, ao mesmo tempo, dará continuidade com deliberada velocidade aos gigantescos projetos de construção da Montanha Sagrada de Deus, que constituem parte de um processo claramente vislumbrado por Shoghi Effendi, como sincronizando com dois outros desenvolvimentos não menos significativos: o estabelecimento da Paz Menor e a evolução das instituições bahá’ís locais e nacionais. Ao final do Plano, todas as fases restantes da construção dos projetos do Monte Carmelo terão sido colocadas em ação: a armação estrutural do Centro Internacional de Ensino, do Centro para o Estudo dos Textos e a Ampliação do Edifício dos Arquivos Internacionais terão sido erguidas e sete patamares abaixo do Santuário do Báb terão sido completados.
A dramática expansão do trabalho da Causa nos últimos anos e os acontecimentos esperados durante este novo Plano, exigem recursos materiais que não têm sido adequados já há algum tempo, mesmo contando ter havido aumentos substanciais nas contribuições aos Fundos Bahá’ís. As crises econômicas tão amplamente divulgadas parecem destinadas a piorar, mas nem os prementes problemas econômicos, nem qualquer outro que a humanidade enfrenta, poderão ser finalmente solucionados, a não ser que a Causa de Bahá’u’lláh receba a devida atenção de parte das nações e dos povos, e a menos que venha a contar com o necessário apoio material de seus membros declarados. Possam os amigos em toda parte considerar, junto com suas instituições bahá’ís e individualmente, sem temer as incertezas, os perigos e a escassez financeira que afligem as nações, o que deve ser agora feito por cada um e por todos, para suprir esta inescapável e sagrada responsabilidade que sobre eles pesa.
Nosso apelo para uma ação imediata, redobrada e contínua em todos os aspectos do Plano é dirigido primariamente ao crente individualmente, de qualquer localidade, que possui dentro de si mesmo as condições de iniciativa que asseguram o sucesso de qualquer empreendimento bahá’í global, e “sobre quem, em última análise” – como nosso amado Guardião claramente afirmou: “depende o destino da comunidade inteira”. As metas do Plano de Três Anos não serão ganhas facilmente, mas elas precisam ser alcançadas magnificentemente, qualquer que seja o sacrifício. Não deverá haver, portanto, qualquer hesitação ou demora de parte dos indivíduos ou das Assembléias Espirituais em trabalhá-las, para que não se avolumem, desatendidos, os problemas da humanidade, ou que o surgimento de crises internas nos retardem. Que seja sempre lembrado que conseguimos nossas vitórias através de testes e dificuldades; nós transformamos crise em vantagem para o progresso, aproveitando a oportunidade que provê, a fim de mostrarmos a viabilidade e o poder decisivo de nossos princípios. No avanço à frente da Causa de Deus, crise e vitória têm sempre se alternado, e sempre provaram ser o elemento principal de seu progresso. Enquanto saboreamos os triunfos do Ano Santo, não esqueçamos a realidade desta experiência recorrente. Lembremos também de que nossas bênçãos ocorrem na proporção de nossos desafio, como repetidamente demonstrado em nossa gloriosa história.
Amigos queridos: Não fiqueis desalentados, nem desencorajados. Buscai coragem na segurança das leis e ordenanças de Deus. Estas são as horas mais escuras antes do romper do dia. A paz, como prometido, virá ao final da noite. Ide avante para chegar à alvorada!
Neste período de Ridván – destacado por seus esplendores inerentes e pelo início de dias extraordinários e momentosos – nossos corações vibram maravilhados, e nos prostramos em homenagem ao Rei de Glória, por Cuja graça pudemos chegar a uma conjuntura auspiciosa na história de Sua Causa.
Do ápice do triunfo do Plano de Seis Anos, agora findo, chegamos ao limiar do Ano Santo, agora iniciado, atônitos só em pensar nos significados inigualáveis que estão associados à comemoração daquela ocasião santificada, há cem anos atrás, quando Bahá’u’lláh, o Prometido de todas as eras, despediu-Se desta vida terrena. O Sol da Verdade Se pôs, entretanto, apenas para começar a brilhar eternamente do “Reino de glória imperecível”, a partir de então derramando o fulgor de Seu poder regenerativo sobre o mundo inteiro. Havia partido deste plano Aquele que é o Autor de uma Revelação de “inconcebível grandeza”, na qual “todas as Revelações do passado atingiram sua consumação mais alta e final”; o Iniciador de um novo Ciclo Universal “que há de abranger um período de pelo menos quinhentos mil anos”; o Fundador de uma Ordem Mundial, um “Sistema único, maravilhoso – cujo igual jamais foi testemunhado por olhos mortais”. Além disso, Ele foi o Ponto do Alvorecer do Dia de Deus, o “Dia em que os mais excelentes favores de Deus manaram sobre os homens”. São estas as realizações superlativas nas quais nossas contemplações estão focadas durante este aniversário especial, que ocorre neste momento crucial dos assuntos da humanidade.
Tão imbuídos estamos nas sagradas recordações evocadas por este Ano Santo, que nada menos podemos fazer do que convidar a todos para que façam uma pausa para entrar neste período de reflexão, neste tempo de renovada consagração, neste estágio de preparação para tarefas ainda por serem realizadas, alturas ainda por serem atingidas, esplendores ainda por serem desvendados. Pois, se nos voltamos para contemplar cem anos de uma história sem paralelo de ininterrupto progresso, também miramos para o futuro, com seus muitos séculos de cumprimento gradual do propósito divino – cumprimento este que, conforme tem demonstrado a experiência, é crescentemente trazido à realidade através dos avanços sistemáticos de Planos e dos assombrosos saltos e investidas das épocas.
De fato o portal contíguo que conduz a este propício Ano Santo é a galeria de novos horizonte aberta pelo triunfo do Plano de Seis Anos, que coincidiu com a fase inicial da quarta época da Idade Formativa de nossa Fé. No todo, não se trata tanto de um triunfo de conquistas numéricas, apesar de o alcance da expansão, em muitos lugares e em momentos particulares, ter sido extraordinário. É um triunfo que se tornou manifesto através de uma nova variedade de vitórias, de novos pontos de partida, de iniciativas inovadoras e de maduros desenvolvimentos institucionais, todos de tal natureza que gravaram com o selo do sucesso os sete objetivos principais do Plano. Conquanto seja impossível enumerar os resultados do Plano nestas poucas páginas, ainda assim os principais aspectos dos avanços feitos nesse período extraordinariamente dinâmico merecem ser destacados. A comunidade bahá’í passou por uma perceptível mudança durante os últimos seis anos. Sem dúvida, as principais indicações disso podem ser discernidas pelos amigos em todas as partes, e podem ser resumidas como segue:
Um: A Fé de Bahá’u’lláh está representada em todos os países da Terra. A repentina mudança no clima político, indubitavelmente devido à intervenção do Plano Maior de Deus, abriu vastas regiões à penetração dos ensinamentos divinos, principalmente na ex-União Soviética e nos países do bloco oriental. As oportunidades criadas por essa mudança tornaram possível o estabelecimento de Cavalheiros de Bahá’u’lláh nos últimos territórios virgens remanescentes da Cruzada Mundial de Dez Anos de Shoghi Effendi. Elas também impeliram o lançamento, no Ridván de 1990, do Plano Adicional de Dois Anos para aquelas regiões. Esse Plano suplementar foi de um êxito espetacular, não apenas em termos da expansão nos muitos países envolvidos, mas também pela diversidade das camadas sociais representadas pelos novos crentes nesses mesmos países, pelo volume e variedade de literatura bahá’í publicada e pelo rol de instituições bahá’ís estabelecidas durante aquele curto tempo. O mundo bahá’í foi altamente estimulado por esses progressos, e vários países, em outras partes, registraram êxitos significativos no trabalho de ensino. Os dados já disponíveis ao Centro Mundial indicam que mais de 1,5 milhões de almas ingressaram na Causa durante o Plano de Seis Anos. De particular interesse foi o projeto especial de ensino realizado na Guiana durante três anos, o qual resultou num crescimento do tamanho da comunidade bahá’í até alcançar cerca de seis por cento da população do país.
Dois: A proclamação da Fé em todo o mundo alcançou um estágio inteiramente novo. A campanha de proclamação lançada em 1967 por inspiração do centésimo aniversário da Proclamação de Bahá’u’lláh aos reis e governantes da humanidade, a qual ganhou ímpeto adicional em 1979 com a onda de perseguição à comunidade bahá’í iraniana, agora alcançou um âmbito muito mais amplo com a distribuição de “A Promessa da Paz Mundial”. Reis, rainhas, presidentes, primeiros-ministros, legisladores, juristas, eruditos, instituições e diversas organizações ficaram cientes da Mensagem de Bahá’u’lláh. As energias criativas pelas quais as comunidades em todas as partes forma treinadas na divulgação da Causa tornaram-se uma das forças-motrizes do Plano e, numa medida considerável, estimularam o interesse das instituições, líderes do pensamento e meios de comunicação de massa pelas soluções que a Fé tem a oferecer a um mundo estranhamente desordenado. As Assembléias Espirituais Nacionais e Locais inspiradas pelo impacto das medidas por elas adotadas para a proclamação da Fé, e também pelo que resultou de seus esforços contínuos para defender a severamente perseguida comunidade bahá’í iraniana – demonstraram, e continuam a demonstrar, notável audácia e originalidade no trato com o público. Isso se torna evidente pelos seus inúmeros contatos com funcionários em todos os níveis de governo, por sua associação com uma gama cada vez mais ampla de organizações, e pela crescente facilidade com que se dão seus contatos com os meios de comunicação de massa.
Três: Em dezembro de 1986, a dedicação do Templo-Mater do Subcontinente indiano para a utilização devocional pública acrescentou uma nova força às atividades de ensino e proclamação da Fé. Sendo um prédio de rara beleza e excelência, o “Templo-Lótus”, conquistou ampla aclamação, ao mesmo tempo em que exerceu atração extraordinária sobre grande número de visitantes. Sua fama como uma maravilha arquitetônica difundiu-se com rapidez, assim como sua influência espiritual. Não é exagero dizer que, dentro todas as Casas de Adoração Bahá’í, este Templo é hoje, sozinho, o mais efetivo instrutor silencioso da Fé. Ele atrai, anualmente, mais visitantes que todos os demais visitantes que todos os demais Templos juntos, com uma média diária de 20.000 pessoas. Entre seus visitantes, provindos de muitas terras, estão algumas das mais proeminentes pessoas do mundo. O Templo é fonte de interesse para a mídia, tendo sido apresentado em programas de televisão, inclusive na Rússia e na China. A influência de seu sucesso em todos esses aspectos contribuiu imensamente para a grande difusão do conhecimento da Fé entre o público.
Quatro: A adicional saída da Fé da obscuridade manifesta-se de maneiras distintivas. Nos círculos eruditos, em obras de referência e na mídia, a Fé está sendo cada vez mais citada como uma das “principais” ou “mais importantes” religiões mundiais. A cobertura das atividades da Fé pelos veículos de informação pública cresceu grandemente através dos esforços intensificados dos amigos nas atividades de proclamação. Porém, mais importante que isso é o fato de que os meios de comunicação de massa estão demonstrando um interesse independente na comunidade bahá’í e estão, por iniciativa própria, iniciando os contatos com ela em várias partes do mundo. A exposição de segmentos influentes do público às idéias bahá’ís em áreas como a paz, o meio-ambiente, a condição da mulher, a educação e a alfabetização, induziu uma resposta que, de forma crescente, apela para que os bahá’ís participem junto a outros numa série de projetos ligados a governos ou organizações não governamentais.
Além disso, tal exposição está criando na mente do público a percepção de que a Fé tem respostas para os problemas atuais e, dessa forma, gerando a expectativa de que a comunidade bahá’í deveria desempenhar um papel mais ativo nos assuntos públicos. O êxito notável das atividades do Escritório do Meio-Ambiente da Comunidade Internacional Bahá’í, estabelecido durante o Plano, ilustra amplamente a natureza desses desenvolvimentos. Ademais, o relacionamento formal que a Comunidade Internacional Bahá’í estabeleceu com a Rede de Conservação e Religião do Fundo Mundial para a Natureza e com a Conferência Mundial sobre Religião e Paz, em conjunção com numerosas de tais relações estabelecidas por Assembléias Espirituais Nacionais e Locais em suas respectivas jurisdições, reflete uma tendência no aparecimento gradual da Fé como uma entidade a ser levada em conta. No conjunto, o ímpeto da campanha ramificada de proclamação provocou uma ressonância pública a respeito da Fé, ao ponto de se poder dizer que a Fé é conhecida pelas mais significativas instituições públicas e mais proeminentes pessoas da Terra.
Cinco: Os projetos bahá’ís de desenvolvimento sócio-econômico multiplicaram grandemente em número e conquistaram muito crédito para a comunidade pelos exemplos do poder da iniciativa grupal e da ação consultiva voluntária que foram estabelecidos em numerosos locais. As atividades neste campo envolveram mais de mil projetos nas áreas de educação, agricultura, saúde, alfabetização, meio-ambiente, e elevação da condição da mulher. Em vários casos, os projetos beneficiaram-se da coloboração ou da ajuda de governos e organizações não-governamentais internacionais, como, por exemplo, os projetos para a elevação da condição da mulher em que se engajaram cinco Assembléias Espirituais Nacionais e que conta com a assistência financeira para o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (UNIFEM), e aqueles projetos em outros campos que recebem ajuda dos governos canadense, indiano, alemão e norueguês. Alguns dos projetos têm sido tão notáveis em suas realizações que conquistaram a atenção pública por terem sido alvo de declarações formais de mérito e prêmios da parte de governos e de entidades não governamentais internacionais.
Seis: As atividades da juventude assumiam um caráter especial, moldado pela idéia de um ano de serviço da juventude. O envolvimento da juventude no Plano de Seis Anos como pioneiros de curta duração, instrutores viajantes e participantes de projetos teve um profundo efeito no trabalho de ensino como um todo, e serviu para alertar os esforços no desenvolvimento econômico e social que está sendo tentado por um crescente número de comunidades nacionais e locais. Os jovens tiveram muito a ver com as muitas vitórias ganhas nos países comunistas. Seu trabalho em projetos de desenvolvimento sócio-econômico atraiu, em alguns casos, a atenção de governos e organizações dedicadas ao desenvolvimento. A criação do Conselho Europeu da Juventude Bahá’í serviu para galvanizar as atividades dos jovens, que reforçaram intensamente o avanço do ensino naquele continente durante os anos finais do Plano. Uma característica significativa das atividades dos jovens foi o seu envolvimento, como voluntários de curto prazo vindos de todas as partes do planeta, no trabalho do Centro Mundial, onde seus serviços têm sido de inestimável valor.
Sete: Os avanços feitos na consolidação do sistema administrativo bahá’í se tornam evidentes pelo acentuado aprimoramento no desenvolvimento interno e nos esforços de trabalho colaborativo de seus dois braços. As amadas e intrépidas Mãos da Causa de Deus, fiéis à lealdade que dedicam ao seu amado Guardião, perseveram em seus serviços incomparáveis, e causam admiração na comunidade com seus poderes de recuperação. O crescimento, em confiança e força, dos Corpos de Conselheiros e seus auxiliares, apoiados por um Centro Internacional de Ensino reforçado e vigoroso, garantiu às Assembléias Espirituais, as quais eles são incumbidos de estimular e aconselhar, um amparo indispensável ao bem-estar do inteiro sistema; ao mesmo tempo, a abertura do leque de atividades das Assembléias Espirituais Nacionais e Locais, elas próprias incumbidas de guiar os destinos de suas comunidades, ampliou de modo significativo a base daquele sistema. De maneira concomitante, o trabalho dessas instituições facilitou e fomentou a evolução da Ordem Administrativa. Ainda mais do que isso: elas demonstraram uma energia criativa que dá bons augúrios quanto à contínua maturação de todas elas.
Oito: Os grandes projetos de construção na Montanha de Deus, preditos por Bahá’u’lláh na Epístola do Carmelo, inaugurados por ‘Abdu’l-Bahá com a construção do Sepulcro do Báb e levados adiante nos planos de Shoghi Effendi, ingressaram numa nova fase. O trabalho iniciou em maio de 1990 com o reforço e a extensão do terraço principal do Santuário do Báb, passo inicial para tornar realidade a concepção arquitetônica que cumprirá a visão de ‘Abud’l-Bahá de Terraços que se estenderão do sopé ao cume da montanha. Em setembro do ano seguinte, foram feitas escavações para a construção do Centro para o Estudo dos Textos e para a Ampliação do Edifício dos Arquivos Internacionais, obras que serão seguidas pela construção de outros prédios no Arco, a saber: os prédios para o Centro Internacional de Ensino e, no devido tempo, a Biblioteca Internacional Bahá’í.
Todos esses desenvolvimentos deixaram evidente que o potencial acumulado para o progresso adicional da comunidade bahá’í é incalculável. A situação modificada, dentro das nações e entre elas, bem como os muitos problemas que afligem a sociedade, aumentam esse potencial. A impressão que causa tal modificação é que a Paz Menor de perto se aproxima. Entretanto, tem havido um recrudescimento simultâneo das forças de natureza contrária. Junto com a nova onda de liberdade política, que resultou do colapso dos baluartes do comunismo, surgiu uma explosão de nacionalismo. O crescimento concomitante do racismo em muitas regiões tornou-se já um assunto de séria preocupação mundial. Essas atitudes estão combinadas com uma erupção de fundamentalismo religioso que está envenenando os mananciais da tolerância. O terrorismo é algo freqüente. A incerteza generalizada quanto à condição da economia indica uma profunda desordem na administração dos assuntos materiais do planeta, condição esta que apenas agrava o sentimento de frustração e futilidade que afeta a esfera política. A deterioração das condições do meio-ambiente e da saúde de populações imensas é uma causa de alarme. E, no entanto, um elemento dessa modificação são os espantosos avanços na tecnologia da comunicação, que tornam possível a rápida transmissão de informação e idéia de uma a outra parte do mundo. É contra o pano de fundo de tais “processos simultâneos – o surgir e o cair, a integração e a desintegração, a ordem e o caos, com suas reações contínuas e recíprocas” que se apresentam uma miríade de novas oportunidades para o próximo estágio no desenvolvimento do Plano Divino do Amado Mestre.
Com a proximidade do Ano Santo, a influência da Revelação de Bahá’u’lláh parece Ter assumido o caráter de um evento impetuoso e contínuo que sopra por entre as estruturas arcaicas da velha ordem mundial, fazendo cair poderosos pilares e limpando o terreno para novas concepções de organização social. O chamado à unidade, à uma nova ordem mundial pode ser escutado de muitas direções. A mudança da sociedade mundial é caracterizada por uma velocidade prodigiosa. Uma característica dessa mudança é que ela é repentina, abrupta, o que parece ser conseqüência de alguma força misteriosa – incontida, violenta, ameaçadora e aflitiva. Os aspectos positivos dessa mudança revela uma abertura não-comum para conceitos globais e para o movimento rumo à colaboração em nível internacional e regional; uma propensão das partes envolvidas em conflito de optarem por soluções pacíficas; uma busca por valores espirituais. Até mesmo a própria comunidade do Maior Nome está experimentando os efeitos rigorosos desse vento revificador, à medida em que ele areja as formas de pensamento de todos nós, renovando, clarificando e ampliando nossas perspectivas quanto ao propósito da Ordem de Bahá’u’lláh na esteira do sofrimento e do tumulto da humanidade.
A situação do mundo, enquanto nos apresenta um desafio crucial da maior urgência, traz à mente a encorajadora visão global de Shoghi Effendi com respeito às perspectivas da Ordem Administrativa durante o segundo século da Era Bahá’í, de cujo ponto medial rapidamente nos aproximamos. Em 1946 ele escreveu: “O segundo século está destinado a testemunhar um estupendo alinhamento para o combate e uma notável consolidação das forças que operam a favor do desenvolvimento mundial daquela Ordem, bem como os primeiros movimentos daquela Ordem Mundial, da qual o atual Sistema Administrativo é, ao mesmo tempo, o precursor, o núcleo e o padrão – uma Ordem que, na medida em que lentamente se cristaliza e irradia suas influências benéficas sobre o inteiro planeta, irá proclamar, a um só tempo, a maioridade da inteira espécie humana, assim como a maturidade da própria Fé, a progenitora daquela Ordem”.
A atenção às ocasiões especiais dentro do Ano Santo seguramente nos capacitará a realizar as tarefas urgentes do próximo estágio de evolução do Plano Divino. Este período comemorativo oferece uma demarcação condizente entre as glórias e triunfos dos últimos cem anos e os brilhantes prêmios ainda por serem conquistados. Já no princípio, com corações cheios de alegria e gratidão, damos boas-vindas à expansão e consolidação adicionais da Ordem Administrativa, que advirão da formação de doze Assembléias Espirituais Nacionais e Regionais neste Ridván. Quão marcante é o fato de que o número dessas Assembléias é igual ao número total de Assembléias Espirituais Nacionais que existiam por ocasião do lançamento da Cruzada Mundial de Dez Anos em 1953! Essa é uma evidência gratificante da rapidez de expansão da Ordem Administrativa em menos de quarenta anos. Com essas novas Assembléias, e levando em conta a absorção do Siquim pela Índia e a ruptura da Administração Bahá’í pela situação inconstante na Libéria, o número de Assembléias Espirituais Nacionais que tomarão parte na Sétima Convenção Internacional Bahá’í no próximo Ridván alcançará um total de 165.
Ficamos satisfeitos em anunciar que as seguintes Mãos da Causa de Deus comparecerão, como nossos representantes, a seis das Convenções inaugurais. Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum estará presente nas Convenções da Bulgária e da Polônia; O Sr. ‘Alí Akbar Furútan comparecerá àquelas dos Países Bálticos e da Hungria; e o Dr. ‘Alí-Muhammad Varqá estará presente na da Groelândia, e da Ucrânia, Biolo-Rússia e Moldávia. Nas demais Convenções nossos representantes serão Conselheiros: Sr. George Allen na República do Congo; Dr. Farzam Arbad para a Ásia Central; Sr. Rolf von Czékus em Angola; Sra. Parvin Djoneidi, Níger; Sr. Hartmut Grossman, Albânia; e Sr. Mas’ud Khamsí, Azerbaijão.
Daqui a apenas algumas semanas, nos sagrados recintos do Santuário de Bahá’u’lláh, uma reunião de objetivo solene acontecerá para assinalar o centésimo aniversário da Ascensão do Desejo das Nações. A lista contendo o Rol de Honra dos Cavalheiros de Bahá’u’lláh terá sido depositada, na manhã anterior, 28 de maio, assim como foi indicado por nosso amado Guardião, junto à porta de entrada do Sacrário interior do Santuário Mais Sagrado, para lá permanecer como um símbolo da vitória histórica que foi a recompensa da inquebrantável determinação dos amantes da Abençoada Beleza, os quais, em resposta à conclamação da poderosa Cruzada de Dez Anos, fincaram o estandarte de Sua Fé em territórios virgens do mundo inteiro.
Subseqüentemente, em novembro, durante o segundo Congresso Mundial Bahá’í, as hostes de Bahá se reunirão aos milhares em Nova Iorque para exprimir – num ato altamente simbólico em nome de seus irmãos em todo o mundo – seu respeito ao Convênio que Bahá’u’lláh legou, e para evocar a memória daquele que foi nomeado como seu Centro e que exaltou aquela metrópole ao conceder-lhe a denominação de “Cidade do Convênio”. Lá também demonstrarão o poder da unidade que o Convênio é destinado a assegurar a todos os povos do mundo. Será um momento de capital importância para a comunidade bahá’í sob o olhar atento do mundo inteiro.
Esses dois eventos internacionais são essenciais para os encontros de propósitos similar nos quais participarão os amigos de todos os cantos do mundo. O caráter espiritual dessa participação e a maneira digna com que se dará seguramente atrairão confirmações do alto e influenciarão profundamente as forças construtivas que estão atuando por toda a Terra.
Outra fonte de bênçãos à qual por longo tempo temos dirigido nossas esperanças também haverá de tornar-se manifesta. Bahá’u’lláh escreveu: “Enquanto na prisão revelamos um Livro ao qual demos o título de “O Mais Sagrado Livro.” Formulamos nele leis e o adornamos com os mandamentos de teu Senhor, Quem exerce autoridade sobre todos os que estão nos céus e na Terra.” Portanto, é com plena cognição de seus superlativo significado que vos informamos da publicação, durante o decorrer deste ano, da tradução para o inglês, com anotações, do Kitáb-i-Aqdas – a Carta Magna da futura civilização mundial, que Bahá’u’lláh revelou na Casa de ‘Údí Khammár, em Akká, cerca de 120 anos atrás.
E agora em meio às ávidas expectativas provocadas pelos dois grandes eventos comemorativos e pela publicação iminente do Livro-Mater da Revelação Bahá’í, a Lei do Huqúqu’lláh entra em vigor como parte das práticas constantes dos membros de toda nossa comunidade mundial. Que as prometidas bênçãos divinas associadas à ativação dessa sagrada lei possam chover sobre os amados do Senhor em todas as terras.
Um ano carregado com acontecimentos de tão sagrada significação está destinado a produzir conseqüências de uma potência inimaginável. O resultado imediato, entretanto, é impossível de prever, nem se pode especular sobre ele de maneira proveitosa. Em vez disso, deveríamos dirigir nossos pensamentos para o significado das ocasiões solenes para cuja celebração este ano foi reservado. Pois o propósito do Ano Santo não se cumpre tão somente através de comemorações públicas, apesar de toda a dignidade que elas terão. Essencial para seu propósito é a oportunidade que oferece para a reflexão interior por parte de cada indivíduo bahá’í. Em verdade, este é um tempo especial para um encontro marcado da alma com a Fonte de sua luz e guia, tempo para volver-se a Bahá’u’lláh, para tentar obter uma apreciação mais profunda de Seu propósito, para renovar a lealdade a Ele. Este é um tempo para recolhimento ao mais íntimo de nosso ser, para a morada do Espírito de Bahá, aquele recôndito ao qual Ele nos convida ao dizer: “Volva teus olhos a ti mesmo, a fim de que, dentro de ti, Me possas encontrar, forte, poderoso, O que Subsiste por Si Próprio.” Este é um tempo para consagração ao Convênio, para dedicação ao dever, para revitalizar a energia para o ensino, o “mais meritório de todos os atos”.
Como a ajuda mais preeminente para vossas reflexões e ações, vós ireis, sem dúvida, recorrer à percepção interior e à inspiração que emanam de palavras Suas como estas: “Sou Eu o Sol da Sabedoria e o Oceano do Conhecimento. Dou alento aos esmorecidos e revifico os mortos. Sou a luz que guia, que ilumina o caminho.” “Por Minha vida! Não foi por Minha própria vontade que Me revelei, senão que Deus, por Sua própria escolha, Me manifestou.” “Vim à sombra das nuvens de glória, investido por Deus de uma soberania invencível.” “Quem não Me possui, está destituído de todas as coisas. Afastai-vos de tudo o que há na terra e não busqueis outro senão a Mim.” “Ama-Me, a fim de que Eu te possa amar. Se não Me amas, de modo algum pode Meu amor te atingir. Sabe isto, ó servo.” “A Beleza Antiga consentiu em ser confinada por grilhões, para que a humanidade fosse livrada de sua escravidão; aceitou o encarceramento nesta irredutível Cidadela, a fim de que o mundo inteiro atingisse a verdadeira liberdade. Até a última gota, sorveu Ele da taça da tristeza, para que todos os povos da terra alcançassem a perene felicidade e se tornassem plenos de alegria.”
Seja o que for que nossas reflexões íntimas ou nossa resposta ao dever nos levem a realizar, de uma coisa devemos nos assegurar: que o Nome dAquele que Concede Vida ao Mundo seja conhecido em toda a Terra, entre grandes e pequenos. Levando em conta que já se passou todo um século desde a Ascensão da Abençoada Beleza, e tendo em mente o peso esmagador dos males que oprimem os povos do mundo, e percebendo que um verdadeiro grito de angústia está sendo emitido nos mais altos brados pelos corações daqueles que anseiam por alguma esperança de alívio, nós, Seus servos confessos, não podemos nem vacilar nem falhar neste dever urgente e primordial. Pois Ele, Bahá’u’lláh, é a Suprema Manifestação, o Unificador e Redentor de toda a humanidade, o Manancial da Justiça, o Bem-Amado imortal; pois, conforme Sua própria proclamação infalível, “Ele, o Incondicionado, já veio, nas nuvens da luz, para vivificar todas as coisas criadas com as brisas de Seu Nome, o Mais Misericordioso, e para unificar o mundo e reunir todos os homens em torno desta Mesa que foi enviada e baixou do céu”. Levemos Seu Nome, com dignidade, àqueles que precisam abraçá-Lo.
Quão louvável seria se, imbuídos do desejo de blasonar amplamente Seu Nome, e como demonstração de nosso amor especial pela Beleza de Abhá, pudéssemos, cada um de nós, montar uma campanha pessoal de ensino, de modo que a força e os resultados coletivos disso, em todo o mundo, trariam a um retumbante desfecho as sagradas cerimônias deste Ano Santo e preparariam o palco para o lançamento do iminente Plano de Três Anos, no Ridván de 1993!
Finalmente, é altamente apropriado, nesta hora, recordarmos a declaração que Bahá’u’lláh faz no Mais Sagrado Livro de Sua vontade para nós quanto à natureza de nossas reações ao Seu passamento: “Não vos consterneis, ó povos do mundo,” escreveu Ele, “quando o Sol de Minha Beleza se puser e o céu de Meu tabernáculo se ocultar de vossos olhos. Levantai-vos para promover Minha Causa e enaltecer Minha Palavra entre os homens. Estamos convosco em todos os tempos e vos fortalecemos com o poder da verdade. Somos nós, verdadeiramente, Todo-Poderoso. Quem Me tiver reconhecido, levantar-se-á e Me servirá com uma determinação tal que os poderes da terra e do céu não lhe poderão frustar o propósito.”
Amados amigos, não esqueceremos de suplicar, junto ao Sagrado Limiar, que, de Seu refúgio de esplendor imortal, a Abençoada Beleza preencha as almas de cada um de vós com o sopro revitalizador de Seu poder celestial.
Nenhuma língua terrena pode exprimir a gratidão que sentimos pelas extraordinárias dádivas concedidas pela Abençoada Beleza à Sua comunidade mundial e ao Centro Mundial de Sua Fé durante o ano que acaba de findar. Curvamos a cabeça em humildade diante das admiráveis evidências de Sua graça sustentadora e Seu poder que a tudo compele.
O enorme perigo que, como resultado dos conflitos no Oriente Médio, envolveu a Terra Santa durante a última parte do ano, foi superado sem suspender ou mesmo afetar seriamente o funcionamento da administração bahá’í. A situação foi um lembrete tocante do contraste entre o Sistema de Bahá’u’lláh – em silencioso e firme desenvolvimento, distintamente integrador – e o caráter turbulento da Era da Transição, “cujas tribulações”, Shoghi Effendi assevera, “são as precursoras daquela Era de gloriosa felicidade que há de encarnar o propósito supremo de Deus para toda a humanidade”. Foi outro dos “ominiosos sinais a proclamar simultaneamente as agonias de uma civilização em desintegração, e as dores do parto daquela Ordem Mundial – aquela Arca da salvação humana – que deverá, forçosamente, erguer-se sobre suas ruínas”.
As forças que uniram as reações saneadoras de tantas nações à súbita crise nesta região demonstraram, acima de qualquer dúvida, a necessidade do princípio da segurança coletiva, prescrito por Bahá’u’lláh há mais de um século como meio de resolver conflitos. Embora a estrutura internacional prevista por Ele para a plena aplicação deste princípio ainda esteja longe de ser adotada pelos governantes da humanidade, um largo passo rumo à consulta delineada para as nações pelo Senhor da Era foi, dessa forma, dado. Quão esclarecedoras são as palavras de Bahá’u’lláh que prenunciam a futura reorientação das nações:
“Sede unidos, ó concurso de soberanos do mundo”, escreveu, “pois, desta
forma, a tempestade da discórdia será dissipada entre vós, e vossos povos
encontrarão sossego. Se algum dentre vós lançar-se em armas contra outro,
levantai-vos todos contra ele, pois isso nada mais é que justiça manifesta.”
Na verdade, de qualquer direção que observarmos, o poder da Revelação de Bahá’u’lláh está visivelmente em ação no mundo. No chamado por uma nova ordem mundial, que ecoou como um refrão nas declarações de líderes políticos e pensadores influentes, mesmo quando eles próprios eram incapazes de definir seus pensamentos com precisão, podemos discernir o despertar vagaroso da humanidade para o propósito maior de Sua Revelação. Que tal chamado tenha partido tão insistentemente do líder daquela república que está destinada, nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, a ser “a primeira nação a estabelecer o alicerce da concórdia internacional”, e a “liderar todas as nações espiritualmente” é um sinal da eficácia e da aceleração de dois processos simultâneos, um exterior e o outro interior à Causa, que estão destinados, diz-nos Shoghi Effendi, a culminar “em uma única gloriosa consumação”.
Dentro da Causa, os sinais das assombrosas realizações no âmbito do Plano de Seis Anos, embora não necessariamente conforme projetadas no início, são abundantes. Impressionantes exemplos são evidentes no curso das transformações fenomenais que ocorrem na União Soviética e em seus antigos países satélites. Apenas um ano após o restabelecimento da Assembléia Espiritual Local de Moscou, a Assembléia Espiritual Nacional da União Soviética está para ser formada. De forma semelhante, pouco mais de um ano desde as mudanças políticas revolucionárias na Romênia, o governo reconheceu a comunidade bahá’í como uma associação religiosa com o direito de divulgar os ensinamentos de Bahá’u’lláh; lá também uma Assembléia Espiritual Nacional será estabelecida neste Ridván. A rápida expansão da Fé na Tchecoslováquia levou à decisão, tomada apenas nas últimas semanas, de também estabelecer uma Assembléia Espiritual Nacional naquele país. Ao mesmo tempo, na área do Caribe, a Assembléia Espiritual Nacional das Ilhas Leeward Ocidentais será formada como resultado da divisão do grupo das Ilhas Leeward em duas unidades administrativas regionais. Com essas quatro bem-vindas formações, o número de Assembléias Espirituais Nacionais chega a 155.
É com alegria que anunciamos que três Mãos da Causa de Deus irão representar a Casa Universal de Justiça nesses históricos eventos: Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum na Romênia, o Sr. ‘Alí Akbar Furútan na União Soviética e o Dr. ‘Alí-Muhammad Varqá na Tchecoslováquia. A Conselheira Ruth Pringle será a representante nas Ilhas Leeward Ocidentais.
Outro exemplo da crescente autoridade da Causa de Bahá’u’lláh junto à opinião pública vem da Alemanha, onde o Tribunal Constitucional Federal, a mais alta autoridade jurídica do país, tomou uma decisão de importância capital para o reconhecimento da Fé. Diversas cortes inferiores tinham recusado registrar os estatutos de uma Assembléia Espiritual Local, sob a alegação de que a autoridade outorgada à Assembléia Espiritual Nacional naquele documento violava o princípio legal que exige a autonomia de todas as associações legalmente registradas. As questões envolvidas são de fato complexas, e não cabe detalhá-las aqui. Basta dizer que o Tribunal Constitucional Federal acatou o recurso da Assembléia Espiritual Local, em uma longa e meticulosa decisão, na qual, entre outras coisas, assegura o direito da comunidade bahá’í de obter autoridade legal inteiramente nos moldes ordenados nas escrituras da Fé Bahá’í, e afirma que sua natureza de religião reconhecida está inquestionavelmente confirmada por seu próprio caráter, pelo conhecimento público e pelo testemunho de eruditos de religiões comparadas. Tão significativo foi o veredicto aos olhos do próprio Tribunal que este tomou a iniciativa rara de emitir uma declaração à imprensa para explicar sua decisão. Este extraordinário fato terá implicações para a comunidade bahá’í muito além das fronteiras da Alemanha unida.
Ainda outro exemplo da crescente apreciação pública com relação às penetrantes perspectivas da Causa envolve a República da África do Sul, onde a Assembléia Espiritual Nacional, aproveitando as iniciativas do governo para resolver o antigo problema do apartheid, decidiu submeter seus pontos de vista para a redação de uma constituição para o país. O presidente da Comissão de Legislação Sul-Africana, o juiz que atuou em nome do governo, o qual recebeu as recomendações da Assembléia Espiritual Nacional através de uma delegação designada pela instituição, comentou que os bahá’ís eram o único grupo até aquele momento cujas idéias haviam oferecido uma base espiritual e moral para a constituição.
Quaisquer que sejam os efeitos individuais de qualquer um desses desenvolvimentos – bem como de outros como a participação de um representante da Comunidade Internacional Bahá’í como o único orador não-budista convidado a falar em uma reunião pública realizada em conjunto com a Conferência Budista Asiática para a Paz na Mongólia; a menção específica dos bahá’ís pelo Papa João Paulo II em uma recepção durante sua recente visita a Burundi; a inclusão oficial da Fé Bahá’í no rol das religiões comuns em Tuvalu; a Exposição Internacional sobre Educação para a Paz promovida pela Assembléia Espiritual Nacional brasileira, com a participação de 23 embaixadas e instituições educacionais – uma coisa é abundantemente clara: o impacto cumulativo por todo o globo afirma o emergir da Fé da obscuridade. Tais provas de crescente reconhecimento público do verdadeiro caráter e das ricas potencialidades da comunidade bahá’í são um aspecto distintivo do avanço da Fé na quarta época da Idade Formativa.
Ao contemplarmos esses maravilhosos sinais e prodígios, não podemos resistir ao impulso de expressar nosso profundo amor e reconhecimento aos Conselheiros Continentais e aos seus Corpos Auxiliares, que estimulam e reforçam os esforços que possibilitaram a consecução de tão estupendos desenvolvimentos como os citados, e cuja atuação, mais especialmente, impulsiona o ímpeto dinâmico do trabalho de ensino, que é fundamental para todos os sucessos da comunidade. Sentimo-nos extremamente felizes e encorajados pelos vigorosos passos iniciais dados pelos Corpos de Conselheiros ao inaugurarem o novo período de seus indispensáveis e altamente apreciados serviços ao mundo bahá’í. As novas iniciativas às quais, com o entusiástico encorajamento e esplêndido apoio do Centro Internacional de Ensino, eles agora dirigem suas energias são um augúrio para uma condução gratificante do Plano de Seis Anos. Sejam seus esforços energicamente apoiados pelo aumento, a partir do Dia do Convênio deste ano, do número de membros do Corpo Auxiliar para 846 – 90 a mais que o número atual. A comunidade em todo o mundo certamente receberá com prazer o vigor que essa ação trará ao alcance e à qualidade dos deveres espirituais atribuídos aos membros do Corpo Auxiliar e seus ajudantes, cuja atuação junto às bases da comunidade é uma garantia da contínua expansão e consolidação de nossa gloriosa Fé.
O magnífico progresso do Plano de Seis Anos ilumina-nos o espírito e exalta-nos as esperanças. Todos menos um dos anos do Plano já se passaram, obteve-se um avanço poderoso para alcançar seus sete objetivos principais. Nossa comunidade transformou-se radicalmente do que era no início do Plano, em 1986. Expandiu-se e desenvolveu-se enormemente. Está mais diversificada, mais dinâmica, mais distintiva. Ao entrarmos no derradeiro ano do Plano de Seis Anos, um horizonte de perspectivas emocionantes encontra-se diante de nós:
A preparação da longamente esperada tradução inglesa, com comentários, do Kitáb-i-Aqdas, o Livro das Leis, o Livro Mais Sagrado, o Livro-Mater da Revelação de Bahá’u’lláh, estará concluída – uma realização monumental que, por si só, levará a um novo estágio na evolução do mundo bahá’í, coroando, desta forma, as conquistas do Plano de Seis Anos.
Iniciar-se-ão a terraplenagem dos patamares inferiores do Santuário do Báb e as escavações no terreno do Centro de Estudos dos Textos e do anexo do edifício dos Arquivos internacionais, inaugurando uma nova fase desses empreendimentos poderosos e incalculavelmente significativos na Montanha Sagrada de Deus.
O encerramento do Plano assinalará o início do Ano Santo de 1992-1993, uma pausa consciente de um ano para permitir aos Seus seguidores prestarem a devida atenção ao Centenário da Ascensão de Bahá’u’lláh e da inauguração de Seu Convênio de unificação mundial. Como já foi anunciado, importantes comemorações estão sendo planejadas para refletir o caráter distintivo e a importância, de impacto mundial, das duas ocasiões:
A primeira, a reunião dos representantes do mundo bahá’í, juntamente com os Cavaleiros de Bahá’u’lláh, em Bahjí, nos recintos da Mansão, de onde o espírito liberado de Bahá’u’lláh alçou vôo ao trono de Sua soberania celestial, e nos arredores do Santuário Mais Sagrado, onde o Rol de Honra dos Cavaleiros de Bahá’u’lláh será depositado, como um gesto indicativo da resposta dos que O amam ao Seu chamado para difundir Seus ensinamento por toda a Terra. Lá, em Bahjí, tal reunião dedicar-se-á a um ato solene de adoração, cujas leituras sagradas serão em breve compartilhadas com as comunidades bahá’ís em todas as partes, para que as utilizem em suas próprias comemorações, o que unificará a experiência devocional do mundo bahá’í inteiro durante essa comemoração centenária.
A Segunda: O Congresso Mundial a realizar-se de 23 a 26 de novembro de 1992, em Nova Iorque, cidade em que o Amado Mestre revelou as implicações de Sua posição de Centro indicado do Convênio de Bahá’u’lláh e por Ele designada como a Cidade do Convênio. No mundo inteiro, as comunidades bahá’ís irão promover eventos auxiliares apropriados para engrandecer o objetivo do Congresso, que é o de comemorar o centenário da inauguração do Convênio de Bahá’u’lláh e proclamar Seus propósitos e poder unificador. O corolário dessas atividades será a ampla distribuição de uma declaração sobre Bahá’u’lláh, preparada a nosso pedido pelo Escritório de Informação Pública, a qual servirá tanto como fonte de estudo e inspiração para os próprios bahá’ís, quanto como publicação informativa para apresentação ao público. Destas e de outras formas, a comunidade do Máximo Nome esforçar-se-á para proclamar o Nome de Bahá’u’lláh em todo o globo e torná-lo conhecido e eminente na consciência das pessoas de todos os quadrantes.
Tal excepcional confluência de realizações iminentes – a publicação do Kitáb-i-Aqdas, o progresso da construção dos edifícios do Monte Carmelo, a conclusão do Plano de Seis Anos, o início do Ano Santo – anima as expectativas do mundo bahá’í, prepara o palco para esforços mais grandiosos que os já empreendidos e direciona-nos a todos à abertura de uma nova fase da história. Parece adequado, então, que a sagrada lei – que permite a cada um de nós expressar seu sentimento pessoal de devoção a Deus em um ato de consciência profundamente pessoal que promove o bem comum, que liga diretamente cada crente com a Instituição Central da Fé, e que, acima de tudo, assegura aos obedientes e sinceros a graça inefável e as bênçãos abundantes da Providência – seja, nesta conjuntura favorável, abraçada por todos os que professam sua Fé na Suprema Manifestação de Deus. Com humildade diante de nosso soberano Senhor, anunciamos agora que, a partir do Ridván de 1992, o início do Ano Santo, a Lei do Huqúqu’lláh, o Direito de Deus, será universalmente aplicável. Todos são amorosamente chamados a observá-la.
Nossos tão queridos irmãos e irmãs: Observem como o Bem-Amado tem respondido às nossas súplicas. Vejam como Ele tem enriquecido nossas vidas com novos irmãos e novas instituições em terras até então fechadas à Sua Palavra curadora. Considerem com que potência Suas prescrições divinas estão sendo afirmadas como diretrizes para a conduta das nações, grandes como pequenas. Tão abundantes bênçãos certamente têm imbuído vocês de coragem indômita e confiança para enfrentar um desafiador, porém brilhante, futuro. Na verdade, vocês embarcaram neste auspicioso ano preparados para o triunfo final do Plano de Seis Anos.
Possam vocês continuar, através de seus abnegados feitos em Seu serviço, a ser abençoados do inesgotável tesouro de Seu amor e carinhosa proteção.
Tendo-se concluído um ano de extraordinárias realizações, encontramo-nos agora no limiar da última década deste radiante século vinte enfrentando um futuro imediato de desafios imensos e de oportunidades deslumbrantes. A rapidez dos eventos durante o ano passado é indicativa da aceleração, com a aproximação do centenário da Ascensão de Bahá’u’lláh, das forças espirituais liberadas com o advento de Sua missão revolucionante. É uma aceleração que, por sua repentinidade e impacto amplamente transformador sobre o pensamento social e sobre as entidades políticas, desperta sentimentos de satisfação quanto aos seus efeitos imediatos e, de perplexidade quanto ao seu verdadeiro significado e resultado inevitável, e que levou os editores de um famoso jornal, pasmados ao sentirem-se privados de explicações, atribuírem sua ocorrência à obra de uma “Mão Invisível”.
Para os seguidores de Bahá’u’lláh em todo o mundo não pode haver dúvida alguma quanto à Fonte Divina e a intenção clara desses acontecimentos singulares. Regozijemo-nos, pois, ante os sinais maravilhosos da misericórdia da graça abundante de Deus. O alto nível do ensino e dos ingressos informados no último Ridván tem sido mantido, e novos campos de ensino foram abertos desde o Leste Europeu até o Mar da China. Com o estabelecimento, há poucas semanas, de dois Cavaleiros de Bahá’u’lláh na Ilha Sakhalin, uniu-se ao rebanho bahá’í o último território restante daqueles indicados por Shoghi Effendi em seu Plano Global de Dez Anos. A re-criação durante o Ridván passado da Assembléia Espiritual Local de Ishqabád, a recente eleição da de Cluj, na Romênia, a primeira nova Assembléia no “Bloco Oriental”, o restabelecimento e a formação durante este Ridván de Assembléias Espirituais Locais em outras partes da União Soviética e em outros países da Europa Oriental – todas estas conquistas e oportunidades imediatas afirma nossa chegada a um marco significativo na Quarta Época da Idade Formativa. A Ordem Administrativa abarca agora uma comunidade de uma diversidade muito mais ampla que anteriormente. São tais eventos prodigiosos que nos levam a anunciar recentemente um Plano de Ensino adicional, de dois anos, que é agora lançado oficialmente e para o qual pedimos sua atenção urgente e diligente.
Quão assombrosas, quão transcendentais têm sido as atividades que levaram avante a comunidade em apenas um ano para esta etapa de sua evolução! Ao refletirmos sobre as maravilhas das confirmações de Bahá’u’lláh, nossos corações volvem-se com amor e gratidão para as Mãos da Causa de Deus em todas as partes, as quais, como porta-estandartes da comunidade, têm sempre mantido soerguidos seus emblemas de luz contra a escuridão da época. Com imbatível espírito, perseveram no cumprimento, sob todas as circunstâncias e onde quer que se encontrem, de suas tarefas, divinamente outorgadas, de estimular, edificar e aconselhar seus membros vastamente espalhados e que se multiplicam rapidamente. Em face da nova situação no mundo bahá’í, é com alegria que mencionamos alguns exemplos no ano passado da associação das Mãos da Causa no desenvolvimento ocorrido na Europa e na Ásia. Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khánum, em uma longa viagem ao Extremo Oriente, representou a Casa Universal de Justiça na formação da Assembléias Espiritual Nacional de Macau; passou algum tempo com o Cavaleiro de Bahá’u’lláh na Mongólia onde, logo em seguida, o primeiro nativo declarou sua fé em Bahá’u’lláh; e devotou muita atenção aos amigos em diferentes partes da República Popular da China, onde o seu filme “Expedição Luz Verde” foi exibido na televisão. O Sr. Collis Featherstone concentrou muita energia revigorando os amigos longamente sofridos da guerra arrasadora do Vietnã. Neste preciso momento, o Sr. Alí-Akbar Furútan está visitando a União Soviética, a qual ele foi forçado a deixar durante a perseguição da Fé lá ocorrida; agora, ele regressa para o cumprimento triunfante do desejo expressado a ele por nosso bem-amado Guardião há cerca de sessenta anos passados.
Igualmente, os Conselheiros membros do Centro Internacional de Ensino não tardaram em responder às oportunidades para estimular e ampliar o clima de progresso agora evidente em todas as partes do mundo. Através da visão unificada de crescimento para a qual convocaram os Corpos Continentais de Conselheiros e seus eficientes, dedicados e abnegados auxiliares, uma nova vitalidade pode ser sentida na expansão e consolidação da Fé em todo o mundo. Os Conselheiros Continentais merecem profunda gratidão da inteira comunidade bahá’í, ao aproximar-se o fim de seu atual período de serviço de cinco anos, distinguidos por suas destacadas realizações.
Assim como a comunidade ampliou suas ramificações internamente, também expandiu suas relações, influência e interesses externos em uma variedade de formas, algumas até espantosas em sua amplitude e em seu potencial. Alguns exemplos serão suficientes: Através do Escritório do Meio-Ambiente recém estabelecido, a Comunidade Internacional Bahá’í, por sua própria iniciativa e em colaboração com outras organizações ambientais, reinstituiu a Reunião anual da Carta Florestal Mundial, instituição fundada em 1945 pelo famoso Richard St. Barbe Baker; desde então o Escritório do Meio-Ambiente tem sido convidado para participar de importantes eventos promovidos por organizações internacionais preocupadas com as questões ambientais.
A Comunidade Internacional Bahá’í está envolvida no trabalho do Grupo-Tarefa sobre o Analfabetismo, sob a égide da UNESCO, e foi convidada a participar da Conferência Mundial sobre Educação para Todos realizada na Tailândia, na qual seu representante foi solicitado a assumir uma variedade de tarefas altamente destacadas e importantes que trouxeram proeminência para a comunidade bahá’í. Ações estão sendo tomadas, encorajadas por um alto funcionário do governo de Fijí, para a abertura, em Suva, de uma filial do Escritório das Nações Unidas da Comunidade Internacional Bahá’í para a área do Pacífico. A Universidade de Maryland nos Estados Unidos anunciou sua decisão de estabelecer uma “Cátedra Bahá’í para a Paz Mundial” em seu Centro de Desenvolvimento Internacional e Controle de Conflitos, o que fará surgir um grande aumento nos esforços acadêmicos para o exame da Causa de Bahá’u’lláh. Quase ao mesmo tempo, a Assembléia Espiritual Nacional da Índia anunciava que um acordo fora feito para estabelecer uma Cátedra para Estudos Bahá’ís na Universidade de Indore.
Os esforços contínuos para assegurar a emancipação dos bahá’ís no Irã evoluíram para um novo estágio. Pela primeira vez o representante das Nações Unidas pôde oficialmente encontrar-se em solo iraniano com um representante da proscrita comunidade bahá’í. O resultado da entrevista foi registrado em um relatório para a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas que em sua recente sessão em Genebra adotou novamente resolução mencionando os bahá’ís do Irã. Como ação corolária de importância de vasto alcance, o Congresso dos Estados Unidos aprovou por unanimidade uma resolução pedindo a emancipação da comunidade bahá’í iraniana e definindo os passos a serem tomados pelo governo dos Estados Unidos nesse sentido; resolução similar está sendo considerada pelo Senado.
Na Terra Santa, os preparativos para a execução dos projetos de construção no Monte Carmelo receberam um impulso definitivo. É causa de profunda satisfação o fato de que, na véspera do Naw-Rúz, a Comissão Distrital de Planejamento da Cidade, depois de delicadas e complexas negociações, decidiu aprovar o plano submetido pelo Centro Mundial Bahá’í. Isto prepara o terreno para a autorização final das licenças de construção.
Amigos queridos, apenas dois anos nos separam da conclusão do Plano de Seis Anos e do início, no Ridván do Ano Santo de 1992, daquele tempo especial quando iremos fazer uma pausa para analisar o registro tumultuoso de eventos que nos levaram ao Centenário da Ascensão de Bahá’u’lláh, e para refletirmos, com a solenidade devida, sobre o propósito redentor da vida do Ser mais precioso que jamais inalou o sopro da vida neste planeta.
Na expectativa deste marco importante na história bahá’í, planos têm sido colocados em ação para dois principais eventos mundiais: um, a reunião na Terra Santa de uma ampla representatividade de crentes de todo o globo para participarem de uma condigna comemoração daquela comovedora consumação nas imediações do Santuário Mais Sagrado. Um componente desta comemoração, simbólica da transcendente e vitoriosa influência do Espírito liberto de Bahá’u’lláh, será a colocação, sob o solo da porta de entrada de Seu Santuário, de um invólucro contendo a iluminada Lista de Honra dos Cavaleiros de Bahá’u’lláh, uma listagem iniciada por Shoghi Effendi durante o seu Plano de Dez Anos com os nomes daquelas almas intrépidas que se levantaram para conquistar, em Nome de seu Senhor, os territórios virgens mencionados naquele Plano. Isto terá levado a uma conclusão apropriada, depois de cerca de quatro décadas, de uma intenção expressada pelo próprio amado Guardião. Os Cavaleiros de Bahá’u’lláh ainda vivos serão convidados para testemunharem este evento.
O outro evento será o Congresso Mundial Bahá’í para celebrar o centenário da inauguração do Convênio legado à posteridade por Bahá’u’lláh para o meio seguro de salvaguarda da unidade e da integridade de Sua Ordem de abrangência mundial. Deverá ocorrer em Novembro de 1992 em Nova Iorque, o lugar designado como a Cidade do Convênio por Ele Que é seu Centro designado e que previu que “Nova Iorque tornar-se-á um lugar abençoado do qual o chamamento para a firmeza no Convênio e Testamento de Deus será transmitido para todas as partes do mundo”.
Eventos correlatos a níveis locais e nacionais serão combinados com estas duas ocasiões primordiais para dar livre curso aos sentimentos mais íntimos dos bahá’ís e para imprimir junto ao público o fato profundo do aparecimento no mundo do Senhor do Convênio e dos objetivos e realizações de Sua sublime missão. Na verdade, já existem planos em andamento para montar uma campanha intensiva para projetar Seu Nome em todo o globo.
Os amigos em toda parte devem agora orientar-se para os significados desses aniversários gêmeos. Devem estar espiritualmente preparados através da oração e do estudo dos Ensinamentos, para obterem um conhecimento mais profundo do grau e do propósito de Bahá’u’lláh e do significado básico de Seu poderoso Convênio. Tal preparação encontra-se mesmo no mais íntimo de seus esforços para efetuar uma transformação em suas vidas, individual e coletiva. Que todos os amigos – cada homem, mulher e jovem – demonstre através da elevada qualidade de sua vida íntima e caráter privado, o espírito unificado de sua associação uns com os outros, a retidão de sua conduta em relação a todas as pessoas, e a excelência de suas realizações, que eles pertencem a uma comunidade verdadeiramente iluminada e exemplar; que seu Mais Amado, cuja Ascensão estarão comemorando, não teve Sua Vida sofrida na terra em vão. Que esses requisitos sejam o modelo de seus esforços para ensinar Sua Causa, a marca característica de suas homenagens ao Rei dos Reis.
Nossos queridos e valiosos colaboradores: É um tempo como este, de profunda expectativa para nós, que a sociedade humana se encontra em uma fase crítica de sua transição para o caráter previsto para ela pelo Senhor da Época. Os ventos de Deus estão soprando, derrubando velhos sistemas, adicionando ímpeto ao profundo desejo de uma nova ordem nos assuntos humanos e abrindo o caminho para o hasteamento da bandeira de Bahá’u’lláh em terras das quais havia sido excluída até agora. A rapidez das mudanças que estão ocorrendo aumenta as expectativas que inspiram nossos sonhos na década derradeira do século vinte. A situação é ao mesmo tempo um presságio brilhante e um desafio muito pesado.
É um presságio da profunda mudança na estrutura da sociedade atual cuja consecução tem implicações com a Paz Menor. Embora esperançosos sejam os sinais, não podemos esquecer que a passagem escura da Era da Transição ainda não foi inteiramente alcançada; ainda é longa, escorregadia e tortuosa. Pois impera ainda a irreligiosidade e o materialismo continua desenfreado. O nacionalismo e o racismo ainda influenciam traiçoeiramente os corações humanos, e a humanidade permanece cega com relação às bases espirituais da solução de suas aflições econômicas. Para a comunidade bahá’í a situação representa um desafio particular, pois o tempo corre rápido e temos sérios compromissos a honrar. Os mais imediatos são os seguintes: Um, ensinar a Causa de Deus e construir suas instituições divinamente ordenadas no mundo inteiro, com sabedoria, coragem e urgência; e o outro, completar no Monte Carmelo as construções dos Patamares do Santuário do Báb e os edifícios remanescentes do Arco do Centro Administrativo Mundial da Fé. Um exige ação decidida, persistente e confiante de parte do crente individual. O outro, requer uma profusão liberal de fundos. Ambos estão intimamente relacionados.
Durante os últimos dois anos, quase um milhão de almas entraram na Causa. As constantes ocorrências de entrada em tropas em diferentes lugares contribuíram para esse crescimento, chamando a atenção para a visão de Shoghi Effendi que moldura nossa percepção das gloriosas possibilidades futuras no campo de ensino. Pois ele asseverou que o processo da “entrada em tropas de pessoas de diferentes nações e raças no mundo bahá’í....será o prelúdio daquela hora longamente esperada quando uma conversão em massa de parte dessas mesmas nações e raças, e como resultado direito de uma cadeia de eventos, momentosos e possivelmente catastróficos em sua natureza, os quais não podem ainda nem sequer ser visualizados, irão subitamente revolucionar os destinos da Fé, desarranjar o equilíbrio do mundo e reforçar mil vezes a força numérica como também o poder material e a autoridade espiritual da Fé de Bahá’u’lláh.” Temos todo o incentivo para crer que aumentarão os ingressos em larga escala, envolvendo vila após vila, cidade após cidade, de um país para outro. Contudo, não é para nós esperarmos passivamente pelo cumprimento final da visão de Shoghi Effendi. Nós, os poucos que somos, colocando toda a nossa confiança na providência de Deus e considerando como um privilégio divino os desafios que estão à nossa frente, devemos caminhar para a vitória com os planos que temos.
Uma expansão de pensamento e de ação em certos aspectos de nosso trabalho realçaria nossas possibilidades de sucesso no cumprimento dos comprometimentos anteriormente mencionados. Uma vez que a mudança, mudança cada vez mais rápida, é uma característica constante da vida nos dias atuais, e desde que o nosso crescimento, tamanho e relacionamento externo exigem muito de nós, nossa comunidade precisa estar preparada para adaptar-se. Em um sentido, isto significa que a comunidade precisa tornar-se mais proficiente para gerir uma grande variedade de ações sem perder a concentração que deve manter nos objetivos fundamentais do ensino, ou seja, expansão e consolidação. É exigida uma unidade na diversidade de ações, uma condição na qual diferentes indivíduos concentrar-se-ão em diferentes atividades, reconhecendo o efeito salutar do trabalho conjunto no crescimento e desenvolvimento da Fé, porquanto uma pessoa não pode fazer tudo e todos não podem fazer a mesma coisa. Este entendimento é importante para a maturidade que a comunidade está sendo forçada a alcançar, devido às muitas exigências que dela são requeridas.
A ordem trazida por Bahá’u’lláh tem a intenção de guiar o progresso e resolver os problemas da sociedade. Nossos números são ainda muito diminutos para efetuar uma demonstração adequada das possibilidades inerentes ao sistema administrativo que estamos construindo, e a eficácia deste sistema não será completamente reconhecido sem uma vasta expansão do número de crentes. Com a situação prevalecente no mundo, a necessidade de efetuar tal demonstração torna-se mais premente. É demasiadamente óbvio que até mesmo aqueles que são contra os defeitos da velha ordem e que inclusive se disporiam a demoli-la, estão eles mesmos destituídos de qualquer alternativa viável para coloca-la em seu lugar. Tendo em vista o fato da Ordem Administrativa existir para tornar-se um modelo para a sociedade futura, a visibilidade de tal modelo será um sinal de esperança para aqueles que se desesperam.
Até o momento, conseguimos uma diversidade maravilhosa no grande número de grupos étnicos representados na Fé, e tudo deve ser feito para fortificá-la através de um maior número de ingressos dentre grupos já representados e a atração de membros de grupos ainda não alcançados. No entanto, existe ainda outra categoria de diversidade que precisa ser construída e sem a qual a Causa não será capaz de adequadamente corresponder aos desafios que sobre ela se impõem. A totalidade de seus membros, independente da variedade étnica, deve agora abarcar um número crescente de pessoas de capacidade, incluindo pessoas de realizações e proeminência nos vários campos da atividade humana. O registro de números significativos de tais pessoas é um aspecto indispensável do ensino às massas, um aspecto que não pode mais ser negligenciado e que precisa ser consciente e deliberadamente incorporado em nosso trabalho de ensino, de forma a ampliar suas bases e acelerar o processo de entrada em tropas. Tão importante e oportuna é a necessidade de ação neste assunto que somos impelidos a solicitar aos Conselheiros Continentais e às Assembléias Espirituais Nacionais para devotarem séria atenção a ela em suas consultas e planos.
Os assuntos da humanidade chegaram a uma etapa na qual far-se-ão mais e mais chamados à nossa comunidade para ajudar, através de conselhos e medidas práticas, a resolver problemas sociais críticos. É um serviço que faremos com prazer, mas isso significa que nossas Assembléias Espirituais Locais e Nacionais têm que manter-se escrupulosamente fiéis aos princípios. Com a atenção pública cada vez mais focalizada sobre a Causa de Deus, torna-se imperativo para as instituições bahá’ís aprimorar seu desempenho, através de uma mais íntima identificação com as verdades fundamentais da Fé, através de uma maior conformidade com o espírito e a forma da administração bahá’í e através de uma confiança mais incisiva nos efeitos benéficos da consulta apropriada, de forma que as comunidades que elas guiam reflitam um modelo de vida que oferece esperança para os membros desiludidos da sociedade.
Que existem indicações de que a Paz Menor não pode estar muito distante, que as instituições locais e nacionais da Ordem Administrativa estão crescendo firmemente em experiência e influência, que os planos para a construção dos edifícios administrativos remanescentes no Arco estão em um estágio adiantado – que estas condições alentadoras tornam mais discernível a concretização da sincronização dinâmica prevista por Shoghi Effendi, nenhum observador honesto pode negar.
Como uma comunidade claramente na vanguarda das forças construtivas em operação no planeta, e como uma que tem acesso a conhecimento comprovado, ocupemo-nos com os assuntos de nosso Pai. Ele, de Seus gloriosos retiros no alto, liberará efusões generosas de Sua graça sobre nossos humildes esforços, assombrando-nos com as incalculáveis vitórias de Seu poder conquistador. É pelas incessantes bênçãos de tal Pai que continuaremos a suplicar em favor de todos e de cada um de vocês no Sagrado Umbral.
A corrente espiritual que causou tão eletrizantes efeitos na Convenção Internacional Bahá’í do último Ridván transmitiu-se por toda a comunidade mundial, levando seus membros, tanto no Oriente como no Ocidente, a proezas em atividades e realizações de ensino nunca antes alcançadas em nenhum período de um ano. O elevado grau de declarações, por si só, é prova disso, pois cerca de meio milhão de novos crentes já foram registrados. Os nomes de lugares tão distantes entre si, como Índia e Libéria, Bolívia e Bangladesh, Taiwan e Peru, Filipinas e Haiti, saltam em evidência ao contemplarmos os crescentes sinais da entrada em tropa instada em nossa mensagem de um ano atrás. Essas comparações são sinais alentadores da ainda maior aceleração por vir, na qual todas as comunidades nacionais, qualquer que seja o estágio atual de seus esforços de ensino, ver-se-ão afinal envolvidas.
Olhamos em retrospectiva as estupendas ações ocorridas neste tão curto espaço de tempo com sentimentos de humilde gratidão e esperanças ainda maiores. Uma dessas ações foi a aprovação do projeto arquitetônico concebido pelo Sr. Fariburz Sahba para os Patamares do Santuário do Báb, que lança um novo estágio para a realização da visão do Mestre e do Guardião do caminho ao longo do qual reis e governantes irão galgar as encostas do Monte Carmelo para prestar homenagem diante do túmulo do Arauto Mártir de Bahá’u’lláh. Outras realizações incluem: a aprovação pelas autoridades centrais de Moscou do pedido feito por um grupo de bahá’ís de Ishqbad para a restauração da Assembléia Espiritual Local daquela cidade; o início das providências para a abertura de um Centro no Bloco Oriental; o estabelecimento de uma filial do Escritório de Informação Pública da Comunidade Internacional Bahá’í em Hong-Kong, com vistas ao tempo em que a Fé possa ser proclamada na China Continental.
Outras notáveis dessas realizações são: o bem-sucedido co-patrocínio pela Comunidade Internacional Bahá’í do programa “Arte pela Natureza”, em Londres, realizado para ajudar o trabalho do Fundo Mundial para a Natureza; a assinatura de um acordo em Genebra que estabelece relações formais de cooperação entre a Organização Mundial de Saúde e a Comunidade Internacional Bahá’í; a aprovação oficial de um currículo bahá’í para escolas públicas em New South Wales, Austrália; a onda imensa de visitantes do Tempo de Nova Delhi, cujo total alcança cerca de quatro milhões desde a inauguração do edifício em dezembro de 1986, e inclui um número extraordinário de altos funcionários de governos e outras pessoas proeminentes de muitas terras, entre as quais a China, a União Soviética e países do Bloco Oriental. Esses fatos, somados a numerosos outros destaques de apenas este último ano, incorporam-se à lista geral de realizações até agora ocorridas no Plano de Seis Anos, apresentando um retrato dinâmico da acelerada atividade que se observa em todo o mundo bahá’í.
Nenhuma referência a tão maravilhoso progresso poderia deixar de reconhecer o impacto social e espiritual decorrente do episódio – que já se estende por uma década – da perseguição infligida com excessos tão cruéis aos nossos companheiros de Fé do Irã. Somente no futuro serão reconhecidas todas as conseqüências de seu sacrifício, mas podemos claramente reconhecer sua influência no extraordinário sucesso na proclamação da Fé e no estabelecimento de boas relações com autoridades governamentais e importantes organizações não governamentais no mundo inteiro. É, pois, com profunda gratidão e alegria que anunciamos a libertação da grande maioria dos prisioneiros bahá’ís no Irã. Mesmo com tal regozijo, não podemos esquecer que ainda estão por ser conquistadas a completa emancipação da comunidade bahá’í iraniana e a certeza do pleno gozo dos direitos humanos de todos os seus membros, em todos os sentidos.
No júbilo do momento presente, damos calorosas boas-vindas às duas novas Assembléias Espirituais Nacionais que estão sendo formadas neste Ridván: a de Macau, no sudeste asiático, e a de Guiné-Bissau, na África Ocidental.
Longe, na escuridão da confusão que desintegra a sociedade atual, há uma luminosidade, ainda muito fraca mas discernível, da tendência, lenta mas definitiva, que levará à culminação dos três processos paralelos previstos pelo amado Guardião, a saber: o surgimento da Paz Menor, a construção dos edifícios do Arco do Monte Carmelo e a evolução das Assembléias Espirituais Locais e Nacionais. Na verdade, ao longo do Plano de Seis Anos, durante esta quarta época da Idade Formativa, e particularmente durante o ano recém-findo, essa luminosidade, ainda tão distante, tornou-se mais próxima. Pois quem poderia imaginar, mesmo no início deste Plano, as mudanças repentinas de atitude de parte de líderes políticos de algumas das mais conturbadas áreas do planeta, que os têm levado a recuar de posições aparentemente irredutíveis – mudanças que, nos últimos meses, levaram editorialistas a perguntar: “Estará a paz irrompendo?”. A qualquer observador consciente da Fonte divina de tais fatos, este desenvolvimento deve certamente ser encorajador, embora as circunstâncias precisas do estabelecimento da Paz Menor não nos sejam conhecidas; mesmo o tempo exato das fases de seu desdobramento é algo que está oculto no Grande Plano Divino.
Os dois outros processos, no entanto, são diretamente influenciados pelo grau no qual os seguidores de Bahá’u’lláh cumprem tarefas claramente delineadas. Há boas razões para ter coragem. Pois não foram aprovados os projetos arquitetônicos dos edifícios remanescentes do Arco e iniciadas as especificações detalhadas que possibilitarão sua construção como esplêndidas estruturas monumentais? Não temos testemunhado o fortalecimento crescente das Assembléias Espirituais Locais e Nacionais em sua capacidade de conceber e executar planos, em sua habilidade em tratar com autoridades governamentais e organizações sociais, em responder aos anseios do público por seus serviços e colaboração com outros em projetos de desenvolvimento social e econômico? Não são essas Assembléias reforçadas pelo apoio alerta e amoroso dos Conselheiros Continentais, de seus membros do Corpo Auxiliar e seus ajudantes, todas essas energias vitalizadoras coordenadas eficientemente pelo Centro Internacional de Ensino – uma instituição cujo corpo ampliado de integrantes já demonstrou uma vivacidade, uma visão e uma versatilidade que evocam calorosa admiração?
Por mais tentador que seja estendermo-nos nos aspectos positivos de nosso progresso, melhor será buscarmos estímulo neles que repousarmos sobre nossas realizações. Prossigamos, portanto, firmes e confiantes, aproveitando as magníficas oportunidade que a combinação e o conjunto desses processos e eventos em andamento trazem para a concretização dos interesses imediatos de nossa sagrada Causa. Esses interesses, podemos estar seguros, estão identificados nos principais objetivos do Plano de Seis Anos, em cuja Segunda metade agora ingressamos, inteiramente conscientes da aproximação, não muito distante, do Ano Santo, 1992-1993, e de suas significativas comemorações.
A par com o impulso cada vez mais amplo do ensino, devemos dar continuidade, por todas as formas possíveis, a projetos da mais crucial importância. Prossegue o trabalho de preparação da publicação em inglês do Kitáb-i-Aqdas, o Livro-Mater da Revelação Bahá’í. Devem-se tomar providências agora para uma condigna comemoração na Terra Santa do Centenário da Ascensão de Bahá’u’lláh. Os planos para o Congresso Mundial de 1992, em Nova Iorque, devem continuar a progredir dentro do cronograma previsto. Ademais, uma atenção sistemática adicional precisa ser dada à eliminação definitiva do analfabetismo na comunidade bahá’í, uma conquista que, mais que qualquer outra coisa, tornará acessível a Palavra Sagrada a todos os amigos, reforçando, assim, seus esforços para viver a vida bahá’í, ao apoio às iniciativas para a conservação do meio ambiente, de um modo que se harmonize com o ritmo de vida de nossa comunidade.
Com relação aos projetos no Monte Carmelo, o Escritório da Gerência do Projeto foi estabelecido e está-se constituindo um corpo de funcionários técnicos. Testes geológicos nos locais de construção dos edifícios previstos estão por começar – um passo preliminar para as escavações do solo, tão aguardadas por todo o mundo bahá’í. Assim, aproveitamos a oportunidade para informar-lhes da urgência do suprimento dos fundos necessários, tanto para o início da construção como para a sua continuidade, uma vez iniciada.
Todas essas necessidades devem ser, e certamente serão, atendidas mediante a reconsagrada participação de cada membro consciencioso da Comunidade Bahá’í e, especialmente, através do comprometimento pessoal de cada um com o trabalho de ensino. Tão fundamentalmente importante é esse trabalho para assegurar as bases do êxito de todos os empreendimentos bahá’ís e para levar avante o processo de entrada em tropas, que sentimo-nos impelidos a adicionar uma palavra de ênfase para sua consideração. Não é suficiente proclamar a mensagem bahá’í, por mais essencial que seja tal ação. Não basta expandir as listas de registro de bahá’ís, por vital que seja tal trabalho. As almas têm de ser transformadas, e desta forma consolidadas as comunidades e alcançados novos modelos de vida. A transformação é o propósito essencial da Causa de Bahá’u’lláh; porém depende da vontade e do esforço do indivíduo alcançá-la, em obediência ao Convênio. Para o progresso desta transformação vital, que representa a frutificação da existência humana, é necessário adquirir o conhecimento da vontade e do propósito de Deus, por meio da leitura e do estudo regulares da Palavra Sagrada.
Amados amigos: o ímpeto gerado pelas realizações do ano que passou reflete-se não somente nas oportunidades para uma notável expansão da Causa, mas também num vasto campo de desafios – momentosos, insistentes, variados – que se conjugam de forma tal que trazem exigências em medida sem precedentes sobre nossos recursos materiais e espirituais. Temos de estar preparados para atendê-las. Chegamos, nesta metade do Plano de Seis Anos, a um momento histórico prenhe de esperanças e possibilidades – um momento no qual tendências importantes do mundo tornam-se mais intimamente alinhadas com os princípios e objetivos da Causa de Deus. A premência sobre nossa comunidade, que a compele para o cumprimento de sua missão de âmbito mundial é, portanto, estupenda.
Nossa principal resposta deve ser ensinar – ensinar a nós mesmos e ensinar aos demais – em todos os níveis da sociedade, por todos os meios possíveis e sem mais demora. O amado Mestre, em uma exortação ao ensino, disse que: “somente após a luz irradiar-se é que pode seu fulgor dissipar a escuridão reinante”. Avante, pois, e sejam os “acendedores das velas apagadas”.
Nosso duradouro amor, nosso imbatível encorajamento e nossas orações, fervorosas e constantes, acompanham vocês, aonde quer que vão, o que quer que façam no serviço ao nosso Bem-Amado Senhor.
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Nesta resplendente, festiva estação, saudamos a todos vocês com um espírito de renovada esperança.
Uma linha prateada no quadro da escuridão que envolveu a maior parte deste século, ilumina agora o horizonte. Ela é discernida nas novas tendências que impelem os processos sociais em ação através do mundo, nas evidências de um curso acelerado em direção da paz. Na Fé de Deus, é a força crescente da Ordem de Bahá’u’lláh, à medida que seu estandarte se ergue a mais grandiosas alturas. É uma força que atrai. Os veículos de comunicação dão uma atenção cada vez maior à comunidade bahá’í mundial; autores reconhecem sua existência em um crescente número de artigos, livros e obras de referência, sendo que um dos mais altamente respeitados recentemente mencionou a Fé como a religião mais amplamente disseminada depois do Cristianismo. Uma extraordinária demonstração do interesse por esta comunidade, de parte de governos, autoridades civis, personalidades proeminentes e organizações humanitárias, é cada vez mais manifesta. Não somente as leis e princípios da comunidade, sua organização e modo de vida estão sendo investigados para aliviar problemas sociais e ajudar na realização de atividades humanitárias.
Uma vibrante conseqüência desses desenvolvimentos favoravelmente conjugados, é o surgimento de um novo padrão de oportunidades para crescimento e consolidação ainda maiores de nossa comunidade mundial. Abriram-se novas perspectivas para o ensino da Causa em todos os níveis da sociedade. Estas são comprovadas pelos resultados iniciais que estão surgindo das novas iniciativas de ensino que se desenvolvem em muitos lugares, à medida que mais e mais comunidades nacionais testemunham os primórdios daquela entrada em tropas prometida pelo amado Mestre, e que Shoghi Effendi disse levaria à conversão em massa. As possibilidades imediatas que se nos oferecem, graças a esta oportuna situação, compelem-nos à expectativa de que uma expansão da Comunidade do Máximo Nome, como nunca até agora aconteceu, está, em verdade, bem próxima.
A centelha que deflagrou o crescente interesse pela Causa de Bahá’u’lláh foi a heróica demonstração de firmeza e paciência dos amados amigos do Irã, que levou a comunidade bahá’í mundial a realizar um persistente e cuidadosamente orquestrado programa de apelos à consciência do mundo. Este vasto empreendimento, que envolveu a inteira comunidade, atuando de forma unida através de sua Ordem Administrativa, foi acompanhado por atividades igualmente vigorosas e visíveis, de parte da comunidade, em outras esferas, que foram enumeradas separadamente. Não obstante, somos impelidos a mencionar que um resultado importante desse esforço grandioso é o nosso reconhecimento de um novo estágio nos assuntos externos da Causa, caracterizado por um evidente amadurecimento das Assembléias Espirituais, em seu crescente relacionamento com organizações governamentais e não-governamentais, e com o público em geral.
Este reconhecimento motivou a realização de uma reunião na Alemanha, em novembro último, de representantes nacionais bahá’ís para assuntos externos, da Europa e da América do Norte, juntamente com representantes executivos dos escritórios da Comunidade Internacional Bahá’í, com o objetivo de alcançar uma coordenação maior de seu trabalho. Este foi um passo preliminar no sentido de reunir mais e mais Assembléias Espirituais Nacionais em uma rede internacional, funcionando harmonicamente, capaz de levar a cabo empreendimentos globais nesse campo que está em rápida expansão. Relacionado com estes desenvolvimentos está o significativo feito do reconhecimento internacional concedido à Fé, através de sua aceitação formal, em outubro último, como membro da Rede de Conservação e Religião, de parte do renomado Fundo Mundial para a Natureza.
Em um dos mais negros períodos de prolongada opressão dos bem-amados, resolutamente firmes amigos no Irã, Shoghi Effendi foi levado a confortá-los, enviando-lhes uma carta de extraordinária visão: “É o derramamento do sangue sagrado dos mártires na Pérsia” – escreveu – “que nesta era iluminada, nesta resplendente e preciosa era bahá’í, irá transformar a face da terra em um elevado céu, e, como revelado nas Epístolas, soerguerá o tabernáculo da unidade da humanidade no próprio coração do mundo, revelará aos olhos dos homens a realidade da unidade da raça humana, estabelecerá a Paz Maior, fazendo deste reino inferior um espelho para o Paraíso de Abhá, trazendo à existência, sem sombra de dúvida, diante de todos os povos do mundo, a verdade do verso: “... o dia quando a Terra será transformada em uma outra Terra”. Reflexões como esta, aduzindo tais maravilhosas conseqüências futuras, decorrentes dos horríveis sofrimentos aos quais nossos amigos iranianos estão sujeitos, iluminam a oportunidade e o desafio com que todos nos defrontamos neste momento crucial nos destinos da Causa.
Os grandes projetos já lançados devem prosseguir até serem terminados. Os Patamares abaixo e acima do Santuário do Báb e o Arco sobre o Monte Carmelo devem ser concluídos, cumprindo a gloriosa visão do florescimento da sagrada montanha de Deus; o Segundo Congresso Mundial deve ser realizado na Cidade do Convênio, para comemorar o centésimo aniversário da inauguração daquele Convênio; o trabalho, que progride firmemente, de tradução e anotações do Kitáb-i-Aqdas, o Livro Mais Sagrado, deve culminar com sua publicação; o interesse demonstrado pelos amigos na Lei do Huqúqu’lláh deve ser cultivado; os pioneiros e instrutores viajantes devem partir; as despesas da Causa devem ser cobertas; todos os objetivos do Plano de Seis Anos devem ser alcançados.
Mas o objetivo supremo de todas as atividades bahá’ís é o ensino. Tudo o que tem sido feito, ou que será feito, gira em torno desta atividade central, que é a “principal pedra angular da própria fundação”, à qual todo o progresso da Causa é devido. O presente desafio exige ensino em uma escala e de uma qualidade, variedade e intensidade que ultrapassam todos os esforços atuais. O tempo é este, antes que a oportunidade se perca diante das fases rapidamente mutáveis de um mundo frenético. Que não se imagine ser o oportunismo o motivo essencial que desperta este senso de urgência. Existe uma razão primordial: é a lamentável e difícil situação que aflige as massas da humanidade, sofredoras e tumultuadas, famintas de retidão, mas “destituídas de discernimento para ver Deus com seus próprios olhos, ou ouvir Sua melodia com seus próprios ouvidos”. Elas precisam ser alimentadas. A visão deve ser restaurada, onde a esperança foi perdida; a confiança construída, onde a dúvida e a confusão são abundantes. Nestes e outros aspectos, “A Promessa da Paz Mundial” destina-se a abrir o caminho. Sua entrega aos líderes governamentais nacionais tendo sido virtualmente completada, seu conteúdo deve agora ser transmitido, por todos os meios possíveis, aos povos em toda parte, de todas as áreas de atividade humana. Esta é uma parte necessária do trabalho de ensino em nosso tempo, e deve ser mantida com vigor imbatível.
O ensino é o alimento do espírito; traz vida para almas adormecidas e soergue o novo céu e a nova terra; levanta o estandarte de um mundo unificado; assegura a vitória do Convênio e faz com que aqueles que dão suas vidas a ele alcancem a felicidade superna do beneplácito de seu Senhor.
Cada crente individual – homem, mulher, jovem e criança – é convocado para este campo de ação; pois é da iniciativa, da vontade decidida do indivíduo em ensinar e servir, que depende o sucesso da inteira comunidade. Fundamentados no poderoso Convênio de Bahá’u’lláh, sustentados pelas orações diárias e leitura dos Textos Sagrados, fortalecidos por um contínuo esforço para obter uma compreensão mais profunda dos Ensinamentos divinos, iluminados por um constante empenho para relacionar esses Ensinamentos aos assuntos da atualidade, nutridos pelo cumprimento das leis e princípios de Sua grandiosa Ordem Mundial, todos os bahá’ís podem alcançar crescentes medidas de sucesso no ensino.
Em suma, o triunfo final da Causa está assegurado por aquela “única e somente única coisa”, tão destacadamente enfatizada por Shoghi Effendi, ou seja: “a extensão na qual nossa própria vida íntima e caráter privado espelhem, em seus inúmeros aspectos, o esplendor daqueles princípios eternos proclamados por Bahá’u’lláh.”
Queridos amigos, vocês são chamados pelo Mais Amado, a Abençoada Beleza, como “o consolo do olho da criação”, como “as suaves águas das quais deve depender a própria vida de todos os homens” nós lhes instamos, com toda a sinceridade, do mais profundo de nossa convicção com relação à oportunidade do tempo, para que deixem de lado toda preocupação de menor importância e que dirijam suas energias para o ensino de Sua Causa – para proclamá-la, expandi-la e consolidá-la. Vocês podem trabalhar com total confiança de que este nítido campo de progresso aberto diante de vocês deriva da operação daquela “força nascida de Deus”, que “vibra na realidade mais íntima de todas as coisas criadas”, e que “agindo assim como uma espada de dois gumes, está, sob os nossos olhos, separando, de um lado os antigos laços que por séculos mantiveram unida a estrutura da sociedade humana, e está liberando, por outro lado, os vínculos que ainda agrilhoam a infante e ainda não emancipada Fé de Bahá’u’lláh.”
Não tenham medo, ou dúvidas. O poder do Convênio ajudará a vocês e os fortalecerá, removendo todos os obstáculos de seu caminho. “Ele, verdadeiramente, ajudará todo aquele que O ajude, e lembrará cada um que Dele se lembre.”
Vocês têm nossa permanente promessa de ardorosas e constantes orações por vocês todos.
G:SecNacTEXTOS extos especiais raduções cujcuj ano 145.080.doc
O lançamento do Plano de Seis Anos no Ridván de 1986 coincidiu com a abertura de uma nova época – a quarta – no desenvolvimento orgânico da Idade Formativa de nossa Fé. As instituições administrativas desta crescente Causa de Deus tinham já começado a mostrar sinais de uma maturidade mais acentuada, ao mesmo tempo em que emergiam, da obscuridade protetora de seus primeiros dias, para a arena mais ampla da atenção pública. Esses processos gêmeos foram assinalados por um desenvolvimento de vasto alcance na vida interna da comunidade bahá’í e por uma atividade externa de uma magnitude sem precedente em toda a sua história.
O primeiro foi a delegação de responsabilidade, pela qual todas as comunidades nacionais, através de suas Assembléias Espirituais Nacionais, em consulta com os Conselheiros, Assembléias Espirituais Locais e a generalidade dos crentes, foram solicitadas a formular, pela primeira vez, seus próprios objetivos para serem alcançados durante o novo Plano. Esta expectativa de maturidade, que desafia as comunidades nacionais, foi respondida pela formulação de seus planos nacionais, submetidos ao Centro Mundial para coordenação dentro do Plano de Seis Anos, de abrangência mundial.
O segundo foi o levantamento unido da inteira comunidade bahá’í mundial para a distribuição da declaração “A Promessa da Paz Mundial”, lançada em outubro de 1985, aos povos do mundo. Chefes de Estados, grande número de membros de governos nacionais, diplomatas, professores, sindicalistas, líderes religiosos, membros eminentes nas áreas do poder judiciário, da polícia, do direito, da medicina, e de outras profissões, membros de autoridades locais, clubes e associações, e milhares de outros indivíduos receberam a declaração. Estima-se que mais de um milhão de cópias, em cerca de setenta idiomas, foram distribuídas até agora. Estas duas atividades sozinhas reforçaram fortemente a força crescente e a maturidade da comunidade bahá’í mundial e deram a ela uma imagem pública mais claramente definida e facilmente reconhecível.
Outros fatores contribuíram bastante para a entrada rápida da Fé no palco do mundo. Na verdade, parece que cada atividade do vasto Exército da Vida é agora observada e comentada por algum setor público, desde a Assembléia Geral das Nações Unidas até às pequenas, e mesmo remotas, comunidades locais.
A firmeza dos crentes persas, severamente testados, continua a ser a fonte desta atenção mundial, que cada vez mais vem sendo focalizada sobre a Fé. Embora as execuções brutais de mártires heróicos sejam agora menos freqüentes, os tormentos e as privações, a difamação e a pilhagem da comunidade longamente perseguida continua – mais de 200 encontram-se ainda nas prisões – dando aos representantes da Comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas base firme para fortes e persistentes apelos, os quais têm aumentado a preocupação da própria Assembléia Geral e resultado em representações ao Governo Iraniano em favor dos indefesos bahá’ís, de parte da Comissão dos Direitos Humanos e de inúmeras nações poderosas, incluindo os vários países que constituem a Comunidade Européia.
Tudo isso tem mantido nossa amada Fé sob observação internacional, um interesse que cresceu não somente pela circulação da Declaração da Paz, mas também pelas atividades, que se expandem rapidamente, no campo do desenvolvimento econômico e social, e que vão desde a inauguração e operação de estações de rádio – das quais sete agora estão no ar – a escolas, programas de alfabetização, ajuda em projetos agrícolas, e o patrocínio de pequenas mas valiosas realizações em vilarejos, em muitas partes do mundo.
As comunidades bahá’ís nacionais organizaram e levaram a efeito com sucesso conferências entre religiões, seminários sobre paz, simpósios sobre racismo e outros assuntos para os quais temos contribuições específicas a fazer, freqüentemente alcançando ampla publicidade e o interesse de destacados líderes da sociedade. A juventude bahá’í, inspirada e elevada pela visão e idealismo da “nova raça de homens”, tem, através de suas muitas reuniões, atraído grande número de outros jovens e galvanizado seus próprios membros para dirigirem suas vidas no sentido do serviço em muitos campos, nos quais rica colheita aguarda o dedicado servidor bahá’í.
Somando-se a esta rapidamente florescente associação de nossos concidadãos com as atividades bahá’ís, uma das realizações magnificentes e de grande destaque foi o término e a dedicação do grandioso Templo Bahá’í de Nova Delhi, que recebeu, nos primeiros trinta dias após sua inauguração, mais de 120.000 visitantes. Este símbolo de pureza, proclamando a Unidade de Deus e de Seus Mensageiros, naquela terra de miríades de diferentes crenças religiosas, assinala adequadamente o poder e a grandeza com os quais foram dotados estes portentosos dias da Causa sagrada de Deus.
O cenário está preparado para um crescimento universal, rápido e maciço da Causa de Deus. O desafio básico e imediato é o trabalho para a realização das metas do Plano de Seis Anos, cujas etapas preliminares já foram iniciadas. O importantíssimo trabalho de ensino deve ser continuado com criatividade, persistência e sacrifício, assegurando o ingresso de um número cada vez maior de membros, os quais irão prover a energia, os recursos e a força espiritual para possibilitar à Causa amada cumprir condignamente com sua parte na redenção da humanidade. Para reforçar este processo, as metas internacionais do Plano foram definidas, determinando centenas de projetos de ajuda entre assembléias, a nova formação da Assembléia Espiritual Nacional do Zaire, no Ridván de 1987, e o estabelecimento, no decorrer do Plano, de novas Assembléias Espirituais Nacionais, das quais as de Angola, Guinea, Guiné-Bissau , e Macau, já foram aprovadas. Durante o primeiro ano do Plano de Seis Anos, 338 pioneiros, guiados pelas necessidades definidas em planos anteriores, já se levantaram e se estabeleceram em 119 países. Um novo apelo está sendo preparado, detalhes do qual serão anunciados em breve. Projetos de serviço para a juventude bahá’í, em emergentes países do mundo, são agora pedidos, e devem ser promovidos e facilitados. As Assembléias Espirituais Nacionais são solicitadas a organizarem, em consulta mútua e com a ajuda dos Corpos Continentais de Conselheiros, os meios mais apropriados para assegurar o serviço efetivo daqueles que responderem ao chamado.
Já foram iniciados os preparativos para o sagrado ano de 1992, quando se comemorará o centenário de Ascensão da Abençoada Beleza e o surgimento do Convênio. É apropriado, então, que o Convênio de Bahá’u’lláh, que liga o passado e o futuro através de estágios progressos para o cumprimento da antiga promessa de Deus, deva ser o tema principal do Plano de Seis Anos. A concentração neste tema nos permitirá a todos obter uma compreensão mais profunda do significado e do propósito de Sua Revelação, “Uma Revelação” – nas palavras do Guardião – “aclamada como a promessa e a glória culminante de séculos e eras passadas, como a consumação de todas as Dispensações do Ciclo Adâmico, inaugurando uma era de pelo menos mil anos de duração, um ciclo destinado a durar não menos que cinco mil séculos, assinalando o fim da Idade Profética e o início da Idade do Cumprimento, insuperável como nenhuma outra no ministério de seu Autor e na fecundidade e esplendor de Sua missão...”
As questões que tal estudo concentrado deve responder, sem dúvida alguma incluirão o significado do Convênio Bahá’í, sua origem e qual deve ser nossa atitude para com ele.
Sempre presente em nossa contemplação dessas profundas questões, está a magnética figura de ‘Abdu’l-Bahá, o Centro do Convênio, o Mistério de Deus, o perfeito Exemplar, cuja infalível interpretação dos Textos Sagrados e iluminados exemplos de sua aplicação na conduta pessoal, derramam luz sobre um modo de vida que devemos diligentemente esforçarmo-nos para seguir. Durante o transcurso do Plano de Seis Anos, o 75º aniversário de Sua visita ao Ocidente será comemorado com celebrações condignas e atividades de proclamação. Simultaneamente, será comemorado o 50º aniversário do primeiro Plano de Sete Anos nas Américas, lançado em 1937 sob a guia de Shoghi Effendi, e que, colocando em ação a execução sistemática do grande Plano de ‘Abdu’l-Bahá para a conquista espiritual do planeta, marcou a abertura da primeira época do Plano Divino.
Grandes e maravilhosas tarefas nos desafiam como nunca antes. Exigem igualmente grandes e maravilhosos sacrifícios, dedicação e devoção concentrada de cada um de nós. No momento, o Fundo Internacional Bahá’í está totalmente sem recursos para sustentar a tremenda expansão agora exigida em todas as inúmeras atividades da comunidade bahá’í mundial. O registro do Plano de Sete Anos, recém concluído, é testemunha de nossa capacidade para suprirmos as crescentes demandas da Causa. O heroísmo dos amados amigos no Irã, a pronta resposta de 3.694 dedicados pioneiros ao chamado feito para se levantarem para este serviço essencial, a incessante atividade dos instrutores, administradores, comunidade locais e crentes individuais através do inteiro organismo desta embrionária ordem mundial, dotaram este crescente Exército da Vida com novas forças e capacidades. À medida que adentramos no futuro podemos estar certos de Sua sempre presente misericórdia, e seguros da vitória final de nossos esforços no estabelecimento de Seu Reino neste mundo atribulado.
A Primavera Divina está rapidamente adiantando-se e todos os átomos da terra estão respondendo à influência vibrante da Revelação de Bahá’u’lláh. As evidências desta nova vida estão claramente manifestas no progresso da Causa de Deus. Ao contemplarmos, embora momentaneamente, o desdobrar de seu crescimento, podemos seguramente reconhecer com admiração e gratidão o irresistível poder d’Aquela Mão Onipotente que guia seus destinos.
Este progresso acelerou-se notavelmente durante o plano de Sete Anos, testemunhado pela realização de muitos empreendimentos através do mundo bahá’í e por desenvolvimentos vitais no próprio coração da Causa. A restauração e abertura à peregrinação da ala sul da Casa de ‘Abdu’lláh Pashá; a conclusão e ocupação da Sede da Casa Universal de Justiça; a aprovação de planos detalhados quanto aos edifícios restantes ao redor do Arco; o aumento de membros e expansão de responsabilidades do Centro Internacional de Ensino e do Corpo Continental de Conselheiros; o estabelecimento de escritórios de Desenvolvimento Social e Econômico e de Informação Pública; a dedicação do Templo Mater. do Pacífico, e o progresso dramático na construção do Templo da Índia; a expansão do trabalho de ensino através do mundo, resultando na formação de vinte e três novas Assembléias Espirituais Nacionais, aproximadamente 8.000 novas Assembléias Espirituais Locais, a abertura de mais de 16.000 novas localidades e a representação na comunidade bahá’í de 300 novas tribos; a edição de 2.196 novas publicações, 898 das quais são edições do Texto Sagrado, e o enriquecimento da literatura bahá’í com produção em 114 novos idiomas; o lançamento de 737 novos projetos de desenvolvimento social e econômico; três novas estações de rádio, com três adicionais a serem inauguradas brevemente. Estes são feitos proeminentes que despontam em um Plano que será relembrado por ter sido o que selou a terceira época da Idade Formativa.
A abertura daquele Plano coincidiu com o recrudescimento de uma perseguição selvagem à comunidade bahá’í no Irã, um esforço deliberado para eliminar a Causa de Deus da terra de seu nascimento. A firmeza heróica dos amigos persas tem sido o motivo principal de uma tremenda atenção internacional concentrada sobre a Causa, trazendo-a finalmente à agenda da Assembléia Geral das Nações Unidas, e, junto com uma publicidade mundial em toda a mídia, causando a sua emergência da obscuridade que caracterizou e abrigou o primeiro período de sua vida. Este processo dramático impeliu a Casa Universal de Justiça a dirigir uma Declaração sobre a Paz dos Povos do Mundo e preparar sua entrega aos Chefes de Estado e a generalidade dos governantes.
Paralelamente a estes eventos marcantes tem havido um notável desdobramento de um crescimento orgânico na maturidade das instituições da Causa. O desenvolvimento de capacidade e responsabilidade por parte delas e a contínua delegação às mesmas, de maior autonomia, tem sido fomentada pelo encorajamento de cooperação mais íntima entre os braços gêmeos da Ordem Administrativa. Este processo caminha a largos passos à medida que as Assembléias Espirituais Nacionais e Conselheiros consultam em conjunto para formular, pela primeira vez, as metas nacionais de um plano internacional de ensino. Juntos eles as devem cumprir. Juntos eles devem implementar os objetivos mundiais do Plano de Seis Anos aplicáveis à cada país. Este significativo desenvolvimento é uma digna abertura da quarta época da Idade Formativa e inicia um processo que irá indubitavelmente caracterizar esta época à medida que aumentem o vigor e a influência das comunidades nacionais e quanto estas sejam capazes de difundir em seus próprios países o espírito de amor e unidade social, que é a marca autêntica da Causa de Deus.
As metas a serem alcançadas no Centro Mundial incluem a publicação de uma tradução inglesa fartamente comentada do Kitáb-i-Aqdas e de textos relacionados ao mesmo, educação do mundo bahá’í com relação à lei do Huqúqu’lláh, seguimento aos planos para a construção dos edifícios restantes do Arco, e a ampliação das bases de relações internacionais da Fé.
Os principais objetivos mundiais do Plano já foram remetidos às Assembléias Espirituais Nacionais e Corpos Continentais de Conselheiros para suas mútuas consultas e implementação.
Queridos amigos, à medida que o mundo passa por seu momento mais sombrio antes da alvorada, a Causa de Deus, mas do que nunca luzindo com esplendor, prossegue vigorosamente àquele glorioso romper do dia quando o Estandarte Divino será desfraldado e o Rouxinol do Paraíso entoará sua melodia.
A saída da obscuridade, que foi um aspecto tão marcante da Causa de Deus durante os primeiros cinco anos do Plano de Sete Anos, foi acompanhada de mudanças, tanto externas quanto internas, que afetaram a comunidade bahá’í mundial. Externamente, existem sinais de uma cristalização da imagem da Causa junto ao público – grandemente desinformado, embora favorável – enquanto que internamente uma confiança e maturidade crescentes são patentes pela habilidade administrativa que tem aumentado, pelo desejo das comunidades bahá’ís em prestar serviço ao corpo mais amplo da humanidade e pelo profundo entendimento da relevância da Mensagem divina para os problemas atuais. Ambos esses aspectos de mudança devem ser levados em consideração ao entrarmos na terceira e última fase do Plano de Sete Anos.
O ano que recém terminou foi eclipsado pela contínua perseguição aos bahá’ís no Irã. Eles foram forçados a dispersar sua estrutura administrativa, foram perseguidos, despojados de seus bens, demitidos dos empregos, deixados sem lar e a seus filhos foi recusada educação. Cerca de seiscentos homens, mulheres e crianças encontram-se agora nas prisões, a alguns sendo negado qualquer contato com seus amigos e parentes, outros sujeitos a torturas e todos sob pressão para renegarem sua fé. Sua firmeza heróica e exemplar tem sido o motivo principal para tirar a Causa da obscuridade e traz consolo para seus corações saber que seu sofrimento resulta em avanços sem precedentes no ensino e proclamação da Mensagem divina a um mundo desesperadamente carente de seu poder curador. Para essa finalidade abraçam o serviço final do martírio. Nossa obrigação é muito clara. Não podemos decepcioná-los agora. Ações de sacrifício no ensino e promoção da Causa de Deus devem seguir-se a cada nova ocorrência de publicidade que surge de suas perseguições. Seja esta a nossa mensagem a eles, de amor e união espiritual.
Na esfera internacional, as amadas Mãos da Causa, crescendo sempre em nosso amor e admiração, têm, sempre que sua saúde lhes permitem, continuado a levantar e encorajar os amigos e a promover a unidade e a marcha avante do exército da vida. O Centro Internacional de Ensino, operando de sua sede mundial, tem provido aos Corpos Continentais de Conselheiros uma liderança e orientação de característica amorosa e sábia. Sua esfera de serviço foi imensamente ampliada com a determinação de novas responsabilidades e pelo aumento do número de seus Conselheiros para sete. Os dedicados serviços dos Conselheiros em todos os continentes, habilmente apoiados pelos membros do Corpo Auxiliar, têm sido valiosos no desenvolvimento da saúde espiritual e integridade da comunidade mundial. A fim de desenvolver ainda mais este órgão vital da Ordem Administrativa, foi decidido estabelecer um período de cinco anos de serviços àqueles designados para os Corpos Auxiliares, começando em 26 de novembro de 1986. O trabalho da “Comunidade Internacional Bahá’í”, em seu relacionamento com as Nações Unidas, alcançou crescente reconhecimento para nossos princípios e propósitos sociais, e, em alguns casos – notavelmente nas sessões sobre direitos humanos – a participação bahá’í foi espetacular, novamente resultado do heroísmo do amigos persas. O escritório de Genebra foi consolidado e o corpo de funcionários ampliado, para dar conta de suas atividades em expansão. A despeito dos difíceis problemas enfrentados, a construção das Casas de Adoração da Índia e da Samoa prosseguiram satisfatoriamente, devendo a última ser dedicada e aberta à adoração pública entre 30 de agosto e 3 de setembro de 1984, quando a Casa Universal de Justiça será representada pela Mão da Causa Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum. Imediatamente após a Convenção Internacional no último Ridván, duas novas Assembléias Espirituais Nacionais foram formadas, em Santa Lúcia e Dominica. Duas novas estações de rádio serão inauguradas este ano, a Rádio Bahá’í da Bolívia, em Caracollo, e a WLGI, estação de rádio bahá’í no Instituto Louis Gregory, nos Estados Unidos. O número de Bahá’ís em onze países, todos no Terceiro Mundo, e nove deles em comunidades localizadas em ilhas, alcançaram ou superaram o índice de um por cento da população total.
Durante os meses finais da segunda fase do Plano de Sete Anos, uma resposta generosa foi dada pelos crentes e instituições igualmente, a um apelo que mostrou as necessidades crescentes do Fundo Internacional. Estamos confiantes que contribuições firmes e regulares durante a fase final do Plano tornarão possível que suas metas e objetivos sejam totalmente alcançados.
A entrada da Causa no cenário mundial é visível através de muitas declarações públicas nas quais temos sido caracterizados como “cidadãos modelares”, “gentis”, “obedecedores da lei”, “não culpados de qualquer ofensa política ou crime”; todas excelentes mas completamente inadequadas até agora no que diz respeito à realidade da Fé, e a oportunidade deve ser aproveitada. Persistentemente, esforços cada vez maiores devem ser feitos para levar ao conhecimento dos líderes do mundo, em todos os campos da atividade humana, a verdadeira natureza da Revelação de Bahá’u’lláh como a única esperança para a pacificação e unificação do mundo. Simultaneamente com tal programa deve haver vigorosa e persistente continuidade do trabalho de ensino, de forma que possamos ser vistos como uma comunidade crescente, enquanto que a vivência universal, pelos amigos, das leis bahá’ís relacionadas à vida pessoal, será uma assertiva de como é completo o modo de vida bahá’í, despertando o desejo de nele participarem. Por todos esses meios a imagem pública da Fé transformar-se-á, gradual mas constantemente, em algo mais próximo de seu verdadeiro caráter.
O surgimento do zelo em todo o mundo bahá’í pela exploração de nova dimensão do desenvolvimento social e econômico é ao mesmo tempo encorajador e enaltecedor para todas as nossas esperanças. Esta energia dentro da comunidade, cuidadosa e sabiamente dirigida, sem dúvida alguma trará uma nova era de consolidação e expansão, a qual, por sua vez, atrairá uma atenção ainda mais generalizada, de forma que ambos os aspectos da mudança na comunidade bahá’í mundial atuarão um sobre o outro e serão mutuamente impelidos.
Um elemento básico na cuidadosa e sábia direção necessária é alcançar a vitória no Plano de Sete Anos, dando grande atenção ao desenvolvimento e fortalecimento das Assembléias Locais. Grandes esforços deverão ser feitos para encorajá-las a desincumbirem-se de seus deveres primários de reunir-se regularmente, realizar as Festas de 19 Dias, observar os Dias Sagrados, organizar aulas para crianças, encorajar a prática de orações em família, adotar projetos de extensão de ensino, administrar o fundo bahá’í e constantemente encorajar e liderar suas comunidades em todas as atividades bahá’ís. A igualdade entre homens e mulheres não é, no tempo presente, aplicada universalmente. Naquelas áreas onde a tradição da desigualdade ainda impede seu progresso, devemos tomar a liderança na prática deste princípio bahá’í. As senhoras e as jovens bahá’ís devem ser encorajadas a participarem nas atividades administrativas, espirituais sociais de suas comunidades. A juventude bahá’í, que está agora prestando um serviço devotado e exemplar na linha de frente do exército da vida, deve ser encorajada, até mesmo enquanto está se equipando para seu futuro serviço, para criar e executar seus próprios planos de ensino entre seus contemporâneos.
Agora, ao entrarmos na fase final de dois anos do Plano de Sete Anos, regozijamo-nos em anunciar a adição de nove novas Assembléias Espirituais Nacionais: três na África, três nas Américas, duas na Ásia e uma na Europa, elevando o número total para 143. Cinco mais serão estabelecidas no Ridván de 1985. São elas: Diskei, Mali e Moçambique, na África; e nas ilhas Cook e Carolina Ocidental, na Australásia. Assim, o Plano será encerrado com um mínimo de 148 Assembléias Espirituais Nacionais. Por aquele tempo, planos deverão ser aprovados para ser completado o arco dos Jardins Monumentais no Monte Carmelo, incluindo a localização e os projetos dos três edifícios remanescentes a serem construídos em volta daquele arco.
Não pode haver dúvida que o progresso da Causa de agora em diante será caracterizado por um crescente relacionamento com as agências, atividades, instituições e líderes individuais do mundo não-bahá’í. Iremos alcançar ainda maior desenvolvimento nas Nações Unidas, tornando-nos mais conhecidos nas deliberações dos governos, uma figura familiar junto aos veículos de divulgação, um assunto de interesse para acadêmicos e, inevitavelmente, a inveja de instituições decadentes. Nossa preparação para e em resposta a essa situação deve ser um aprofundamento contínuo em nossa Fé, uma adesão inabalável aos seus princípios de não envolvimento em política partidária e isenção de preconceitos, e, acima de tudo, um entendimento crescente de suas verdades fundamentais e relevância para o mundo moderno.
Acompanhando esta mensagem do Ridván encontra-se um chamado para 298 pioneiros estabelecerem-se em 79 comunidades nacionais, e mensagens específicas a cada uma das atuais 143 comunidades nacionais. Elas são fruto de estudo intensivo e consultas pela Casa Universal de Justiça e Centro Internacional de Ensino, e revelam as metas a serem ganhas e os objetivos a serem alcançados por todas as comunidades nacionais, de forma que o Ridván de 1986 possa testemunhar sua conclusão com uma vitória gloriosa deste Plano altamente significativo. Terá percorrido seu curso durante um período de confusão mundial sem precedentes, dando testemunho da vitalidade, do irresistível poder social criativo da Causa de Deus, destacando-se em fragrante contraste com o declínio acelerado nos destinos da generalidade da humanidade.
Queridos amigos, as graças e a proteção com as quais a Abençoada Beleza está nutrindo e abrigando o nascente organismo de Sua nova ordem mundial, neste violento período de transição e provação, asseguram ampla certeza das vitórias que estão por vir se nós apenas seguirmos o caminho de Sua orientação. Ele recompensará nossos humildes esforços com efusões de graça, que trazem não somente o progresso da Causa, como também a certeza e felicidade aos nossos corações, de forma que possamos em verdade olhar para nossos vizinhos com faces brilhantes e iluminadas, confiantes que é decorrente de nossos serviços agora que resultará aquele abençoado futuro que nossos descendentes herdarão, glorificando a Bahá’u’lláh, o Príncipe da Paz, o Redentor da humanidade.
A aceleração que se pôde observar, durante a última década, dos dois processos descritos por nosso amado Guardião: a desintegração da velha ordem e o progresso e consolidação da nova Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, bem pode ser considerada, por futuros historiadores, como uma das características destacadas deste período. O recente aumento ocorrido nesta mesma aceleração é ainda mais notável. Tanto dentro como fora da Causa de Deus, forças poderosas estão em operação para levar a sua culminação as tendências gêmeas deste portentoso século. Entre as muitas evidências que revelam este processo podem citar-se, de um lado, o aumento contínuo da ilegalidade, terrorismo, confusão econômica, imoralidade e o perigo crescente da proliferação de armas de destruição; e, de outro, a expansão mundial divinamente impulsionada, a consolidação e o rápido aparecimento da própria Causa à luz da atenção dos assuntos mundiais, um processo que acaba de ser coroado com a maravilhosa floração no Monte Carmelo, a montanha de Deus, cuja primavera Divina está agora florescendo tão majestosamente.
Durante os últimos cinco anos, a dialética histórica de triunfo e desastre atuou simultaneamente dentro da Causa de Deus. O exército da luz suportou a perda de seis Mãos da Causa de Deus e as ondas da perseguição cruel que novamente engolfou a longamente sofrida comunidade no Irã, e que resultou no arrasamento da casa do Báb, na demolição da casa ancestral de Bahá’u’lláh em Takur, e no martírio de dezenas de almas valentes. No entanto, tais desastres despertaram novas energias nos corações dos amigos, alimentaram as raízes profundas da Causa e deram origem a uma grande colheita de vitórias marcantes. Dentre elas, as principais são a conclusão vitoriosa do Plano de Cinco Anos; o lançamento do Plano de Sete Anos, agora no final de sua segunda fase, e uma proclamação sem precedentes da Fé para Chefes de Estado, parlamentos e parlamentares, ministros e funcionários de governos, líderes do pensamento e pessoas proeminentes em várias profissões, resultando em uma mudança de atitude de parte dos veículos de comunicação em massa, que agora se aproximam cada vez mais de nós para obterem informações sobre a Causa.
A estes movimentos devem ser adicionadas as comemorações mundiais do qüinquagésimo aniversário do falecimento da Folha Mais Sagrada; a conclusão da restauração do andar superior da Casa de ‘Abdu’lláh Páshá, e sua abertura, nestes mesmos dias, para seus primeiros visitantes; a ocupação pela Casa Universal de Justiça de sua Sede permanente, em cumprimento da grande profecia contida na Epístola do Carmelo; o progresso constante na construção do primeiro Mashriqu’l-Adhkár das Ilhas do Pacífico, em Samoa, e o Templo-Mater do sub-continente indiano, em Nova Delhi.
Entre os aspectos destacados do trabalho de ensino e consolidação figuram os resultados contínuos e eficazes da participação de mais de dezesseis mil crentes de todas as partes do mundo nas cinco Conferências Internacionais; campanhas intensivas de ensino realizadas com o apoio de todos os níveis da comunidade e fazendo uso do entusiasmo e da capacidade da juventude bahá’í; o estabelecimento da segunda emissora de rádio da América do Sul; o restabelecimento das Assembléias Espirituais Nacionais de Uganda e Nepal, e a formação de nove novas Assembléias Espirituais Nacionais, duas das quais a serem eleitas durante o mês de maio deste ano, elevando o total dessas Casas Secundárias de Justiça a 135.
Acima e além de tudo isso, destaca-se a unidade de ação alcançada pela comunidade mundial bahá’í em seus esforços para ganhar o apoio público para os muito amados, grandemente admirados, cruelmente assediados crentes iranianos, uma unidade manifestada ainda mais por uma efusão de fundos para substituir as generosas contribuições anteriores, e um ressurgimento de dedicação pessoal raramente vistos em escala tão universal e que promete muitíssimo mais para o futuro.
A crescente maturidade de uma comunidade religiosa mundial, evidenciada por todos esses processos é destacada ainda mais pelo fato de que várias comunidades nacionais estão participando da vida social e econômica de seus países, exemplificada pela fundação de escolas tutelares, pelo surgimento de emissoras de rádio, pela promoção de programas de desenvolvimento rural e realização de projetos médicos e agrícolas. A estas iniciativas deve ser adicionada a indubitável perícia adquirida, como resultado da crise iraniana, no tratamento com organizações internacionais, governos nacionais e com os meios de comunicação em massa – os elementos reais da sociedade com a qual deve colaborar cada vez mais para a realização da paz no mundo.
Um horizonte mais amplo se abre diante de nós, iluminado por uma crescente e universal manifestação das potencialidades inerentes da Causa para ordenar os assuntos humanos. Sob esta luz podem perceber-se não somente nossas tarefas imediatas, mas, com menor claridade, novas tarefas e empreendimentos que logo teremos de enfrentar. No momento, devemos completar os objetivos do Plano de Sete Anos, prestando grande atenção aos aspectos do desenvolvimento espiritual interior, que se manifestarão em uma maior unidade entre os amigos e no funcionamento “harmonioso, vigoroso e eficiente” das Assembléias Espirituais Nacionais e Locais, tal como desejava o Guardião.
Não temos dúvida que a comunidade mundial bahá’í realizará todas estas tarefas e avançará para novas conquistas. Os poderes liberados por Bahá’u’lláh atendem às necessidades do tempo. Devemos, portanto, ter plena confiança de que a nova pulsação de energia agora vibrando em toda a Causa, torna-la-á capaz de enfrentar os desafios futuros de ajudar, na medida que o permitam a maturidade e os recursos, no desenvolvimento da vida social e econômica dos povos; de colaborar com as forças que conduzem ao estabelecimento da ordem no mundo; de influir na exploração e usos construtivos da tecnologia moderna e, por todos esses meios, aumentar o prestígio e o progresso da Fé e elevar as condições da humanidade em geral.
É o momento de regozijar-se. O Sol de Bahá’u’lláh ascende pelos céus, mostrando cada vez mais claro o contraste existente entre o desalento e desespero, as frustrações e o aturdimento do mundo, com a radiância, a confiança, a alegria e a certeza de Seus amantes. Alegrai vossos corações. O Dia de Deus chegou.
Triunfos de inestimável significação para o desenvolvimento da Causa de Deus, muitos deles como resultados direto do heroísmo constante dos amados persas, em face das selvagens perseguições que têm sofrido, caracterizam o ano que agora finda. O efeito desses acontecimentos é oferecer tais oportunidades áureas para o ensino e maior proclamação, que poderão levar somente à conversão em grande escala e a um prestígio crescente, se forem aproveitadas de forma entusiasta e vigorosa.
Progresso alentador na construção dos “Mashriqu’l-Adhkárs” da Índia e da Samoa Ocidental, a inauguração da Segunda emissora de rádio bahá’í da América Latina, no Peru; o estabelecimento do escritório europeu da Comunidade Internacional Bahá’í em Genebra, os constantes progressos na segunda fase do Plano de Sete Anos, a expansão encorajadora da sistematizada educação bahá’í das crianças, o sacrifício e a efusão generosa de fundos de parte de um número crescente de amigos, tudo dá testemunho das abundantes confirmações com que Bahá’u’lláh recompensa os esforços devotados de Seus amados em todas as partes do mundo. A atenção mundial dada à Fé nos meios de divulgação abriram de par em par as portas para a proclamação massiva da Mensagem Divina, e o tratamento amistoso que tem recebido nos conselhos mais elevados da humanidade, com as resultantes ações tomadas por governos soberanos e autoridades internacionais, não têm precedente na história bahá’í.
Tudo isso, queridos amigos, é de bom augúrio para o próximo ano, que é rico em eventos bahá’ís: o qüinquagésimo aniversário do falecimento da Folha Mais Sagrada, que será comemorado nas cinco conferências internacionais e com a publicação de um livro, compilado pelo Centro Mundial, consistindo de textos referentes a ela e uma centena de suas próprias cartas; ocorrerá a mudança da Casa Universal de Justiça para sua Sede permanente; em novembro, o vigésimo quinto aniversário do falecimento de nosso Amado Guardião, coincidirá com o ponto médio do Plano de Sete Anos; e o ano terminará com a 5ª Convenção Internacional, quando os membros das Assembléias Espirituais Nacionais de todo o mundo virão à Haifa para eleger a Casa Universal de Justiça.
As destacadas e valiosas atividades das amadas Mãos da Causa são uma fonte de orgulho e alegria para o mundo bahá’í inteiro. A adoção de responsabilidades mais amplas por parte de cada Corpo Continental de Conselheiros está aprovando ser um êxito total, e expressamos nossos calorosos agradecimentos e apreço ao Centro Internacional de Ensino e a todos os Conselheiros, pela grande contribuição que estão fazendo, em medida crescente, para a estabilidade e o desenvolvimento da embrionária Ordem Mundial de Bahá’u’lláh.
Quanto à juventude bahá’í, herdeiros dos heróicos primeiros crentes, e que agora estão apoiados sobre seus ombros, convocamos a redobrarem seus esforços, neste dia de amplo interesse pela Causa de Deus, para entusiasmar seus contemporâneos com a Mensagem Divina e assim se prepararem para o dia em que eles mesmos serão crentes veteranos capazes de levarem avante quaisquer tarefas que lhes sejam designados. Oferecemo-lhes esta passagem da Pena de Bahá’u’lláh:
“Bendito seja aquele que na flor de sua juventude e no apogeu de sua vida, se levante para servir a Causa do Senhor do início e do fim, e adorne seu coração com o Seu amor. A manifestação de tal graça é maior que a Criação dos céus e da terra. Benditos os que são constantes e ditosos os que são firmes.”
O nascente sol da Revelação de Bahá’u’lláh está tendo agora seu efeito visível sobre o mundo, e sobre a própria comunidade bahá’í. Oportunidades, há longo sonhadas para o ensino, e ajudadas por copiosas confirmações, desafiam neste momento, em número sempre crescente, a cada bahá’í individualmente, a cada Assembléia Espiritual Local e Nacional. As poderosas sementes plantadas por ‘Abdu’l-Bahá estão começando a germinar dentro da Ordem divinamente criada e que o Amado Guardião expôs e firmemente estabeleceu. A humanidade está flagelada, quase de joelhos, assustada e sem guia, faminta pelo pão da vida. Este é nosso dia de serviço. Temos o pão celestial para oferecer. As pessoas estão desiludidas com as teorias políticas, sistemas e ordens sociais, todos deficientes. Elas anseiam, consciente e inconscientemente, pelo amor de Deus e à reunião com Ele. Nossa resposta a este crescente desafio deve ser um poderoso e súbito crescimento de ensino eficaz, compartilhando o fogo divino que Bahá’u’lláh incendiou em nossos corações, até que uma conflagração surgida de milhões de almas, acesas com o fogo de Seu amor, testemunhem que o Dia pelo qual os Principais Luminares de nossa Fé tão ardentemente oraram, está finalmente amanhecendo.
The successes of the initial phase of the Seven Year Plan are heartening evidence of the Divine care with which the growth of the Cause of God is so lovingly invigorated and sheltered. This still infant Cause, harassed and buffeted over these two years by relentless enemies, experiencing in swift succession a number of sharply contrasting crises and victories, surrounded by the increasing turmoil of a disintegrating world, has raised its banner, reinforced its foundations, and extended the range of its administrative institutions.
The resurgence of bitter and barbaric persecution of the Faith in the land of its birth, the passing to the Abha Kingdom of five Hands of the Cause of God, the darkening of the horizons of the world as the sombre shadows of universal convulsions and chaos extinguish the lights of justice and order, are among the factors which have chiefly affected the conditions and fortunes of the worldwide army of God.
The Bahá'í community in the Cradle of the Faith, having witnessed the destruction of its holiest Shrine, the sequestration of its Holy Places, confiscation of its endowments and even personal properties, the martyrdom of many of its adherents, the imprisonment and holding without trial or news of the members of its National Spiritual Assembly and other leading figures of its community, the deprivation of the means of livelihood, vilification and slander of its cherished tenets, has stood staunch as the Dawn-Breakers of old and emerged spiritually united and steadfast, the pride and inspiration of the entire Bahá'í world. In all continents of the globe, their example and hapless plight has led the friends to proclaim the Name of Bahá'u'lláh as never before, personally, locally, and through all the media of mass communication. The Bahá'í world community, acting through its representatives at the United Nations and through its National Spiritual Assemblies, has brought to the attentive of governments and world leaders in many spheres the tenets and character of the Faith of God. The world's parliaments, its federal councils, its humanitarian agencies have considered the Bahá'í Cause and in many instances have extended their support and expressed their sympathy.
In the midst of this time-and energy-consuming activity on behalf of our beloved Persian brethren, the community of the Most Great Name, far from lessening its pursuit of the objectives of the initial phase of the Seven Year Plan, has promoted them with increasing vigour. Added to the burning desire of the friends everywhere to show their love for their brethren in Persia by teaching the Cause with redoubled fervour, has been the further inspiration to teach derived from the loss of the beloved Hands of the Cause, an inspiration which has been fostered by the travels of those dear Hands still able to extend this loving service to the believers.
The broadening, during this opening phase of the Seven Year Plan, of the foundations of the Boards of Counsellors and the consolidation of the thirteen zonal Boards to five continental ones have greatly reinforced this vital institution of the Faith. It has been further developed by the setting of a specified term of office for Continental Counsellors, as was envisaged in the original appointments.
Progress on the Seat of the Universal House of Justice and on the Temples of India and Samoa has continued. Six new National Spiritual Assemblies will be formed during this Ridván: two in Africa, that of South West Africa/Namibia with its seat in Windhoek and that of Bophuthatswana with its seat in Mmabatho; three in the Americas, Bermuda with its seat in Hamilton, the Leeward Islands with its seat in St. John's, Antigua, and the Windward Islands with its seat in Kingstown, St. Vincent; one in the Pacific, namely that of Tuvalu with its seat in Funafuti; and the National Spiritual Assembly of Uganda will be reconstituted. To those to be formed during the remainder of the Seven Year Plan, the following have been added: two in Africa, Equatorial Guinea with its seat in Malabo, Somalia with its seat in Mogadishu, and one in Asia, that of the Andaman and Nicobar Islands with its seat in Port Blair.
Increases in the total number of Local Spiritual Assemblies and localities have been registered during the opening phase, and Bahá'í communities in all parts of the world have demonstrated greater unity and maturity in their collective activities.
The second phase of the Seven Year Plan, now opening, will last for three years and will be followed by the final phase of two years, ending at Ridván 1986. The twenty-fifth anniversary of the passing of our beloved Guardian will occur during the second year of the second phase of the Plan and that same year will also witness the fifth anniversary of the passing of the Greatest Holy Leaf. The House of Justice plans to issue a compilation of letters to her and of statements about her by Bahá'u'lláh, `Abdu'l-Bahá, and the beloved Guardian, and of her own letters.
All National Spiritual Assemblies have been sent the goals assigned to their communities for the second phase, for the prosecution of which the Bahá'í world community now stands poised and ready. Among the major developments envisioned during this phase are: Occupation by the Universal House of Justice of its permanent Seat on the slopes of Mount Carmel above the Arc;
Completion of the Temple in Samoa and continued progress on the work of the Temple in India;
Further development of the functions of the International Teaching Centre and the Boards of Counsellors, with special reference to the promotion of the spiritual, intellectual, and social life of the Bahá'í community;
The holding, during the first nine months of 1982, of five international conferences, in Lagos, Nigeria; Montreal, Canada; Quito, Ecuador; Dublin, Ireland; and Manila, the Philippines, this last one taking place at the mid-point of an axis, referred to by the beloved Guardian, whose poles are Japan and Australia;
Preparation of architect's plans for the first dependency of the European Mashriqu’l-Adhkár, namely, a Home for the Aged, and an increase in the number of national and local Haziratu'l-Quds; the latter, which will be particularly in rural areas, are to be acquired or built through the efforts of the local friends;
Acquisition of six new Temple sites, five in Africa and one in Australasia; and of five new national endowments, four in Africa and one in the Americas;
Formation of two Publishing Trusts, one in the Ivory Coast and one in Nigeria;
A great increase in the production of Bahá'í literature in an increasing number of languages, the ultimate aim being to enable every believer to have some portion of the Sacred Text available in his native tongue;
Completion of three more radio stations in South America;
Great attention to the development and consolidation of Local Spiritual Assemblies throughout the world;
Development of Bahá'í community life with special attention to the Bahá'í education of children and the spiritual enrichment of communities;
The settlement of 279 pioneers in 80 countries during the first year of the second phase.
Liberal and increased contributions to the various Funds of the Faith will be essential if the above-mentioned tasks are to be successfully pursued. Furthermore, the now observable emergence from obscurity of our beloved Faith will impose the necessity of new undertakings involving large calls on the Funds. The growing awareness of the friends throughout the world in the past few years that the Funds of the Faith are indeed the life-blood of its activities is a heartening augury for the future. We are confident that this awareness will increase, that more National Spiritual Assemblies will make great strides towards financial independence, that national budgets will be met, and the Bahá'í International Fund will receive an ever-increasing outpouring of contributions enabling that Fund to keep pace with the ever-increasing international needs of the Faith.
Beloved friends, the world moves deeper into the heart of darkness as its old order is rolled up. Pursing our objectives with confidence, optimism, and an unshakable resolve, we must never forget that our service is a spiritual one. Mankind is dying for lack of true religion and this is what we have to offer to humanity. It is the love of God, manifest in the appearance of Bahá'u'lláh, which will feed the hungry souls of the world and eventually lead the peoples out of the present morass into the orderly, uplifting, and soul-inspiring task of establishing God's Kingdom on earth.
The successful launching of the Seven Year Plan and the advances made in the first year of its opening phase mitigate, in some degree, the disasters and calamities which, in the past year, have assailed the struggling Faith of God. The newest wave of persecution unleashed against us in the Cradle of our Faith has been compounded by Divine decree afflicting the entire Bahá'í world community. In the full tide of their brilliant services to the Faith of God, and within the short span of twenty weeks three Chief Stewards of Bahá'u'lláh's embryonic World Order, the Hands of the Cause of God Enoch Olinga, Rahmatu'llah Muhajir and Hasan Balyuzi were summoned to the Abha Kingdom, leaving the rest of us bereft and shocked by the enormity of our loss and the tragic brutality of the circumstances attending the murder of beloved Enoch Olinga and members of his family.
In Iran, the confusion which has seized the whole country opened the way for the fierce and inveterate enemies of the Faith, unrestrained by any effective authority, to indulge their fanatical hatred. The Holy House of the Bab has been demolished and proposals have been made to erase its very site. The Siyah-Chal and Bahá'u'lláh's Home in Tihran have been seized, together with all other Holy Places and properties. One member of the National Spiritual Assembly and two of the Local Spiritual Assembly of Tihran have been kidnapped and the whereabouts of two of them is still unknown, while the third is still in prison. Also, a Counsellor and some friends who are associated with the National Office or are members of the Local Spiritual Assembly of Tihran have been imprisoned. Bahá'ís have been heavily pressed to recant their faith and in one case a believer, who refused to do so, followed the glorious path of the martyrs and was executed. Beyond all this a campaign of vilification and false charges has been conducted against the friends in an effort to make them the scapegoat of unrestrained mobs.
And yet, as ever in the Cause of God, the beneficent operation of the dialectic of disaster and triumph is clearly apparent. The unwavering faith of the dearly-loved, severely-tested, ever-steadfast Persian Bahá'í community, guided by the heroic stand and example of its National Spiritual Assembly, supported and inspired by the Counsellors and their Auxiliary Board members, has effected a spiritual revitalization of the beloved friends. They have united as one man to present a front of refulgent spirituality and assurance and appear, as one observer reports, like a dazzling community of eager, uplifted, radiant new believers.
Nor is the influence of their response to the sufferings engulfing them confined to their homeland. From farthest east to farthest west, from pole to pole, wherever the Standard of Bahá'u'lláh has been implanted, the friends have felt the impulse of sacrifice and risen to assume that enormous share of the work of the Faith in the fields of teaching, pioneering and financial contribution which the Persian friends, for the time being, are no longer able to shoulder.
The wonderful love aroused in Bahá'í hearts everywhere by the sudden, untimely passing of the beloved Hands of the Cause has moved the believers to dedicate themselves anew with increased ardour and self-sacrifice to the promotion of the work to which all the Hands of the Cause of God have dedicated their lives.
The world-wide response of the friends to these tragedies is the more heartening in view of the clear warnings voiced by `Abdu'l-Bahá and the beloved Guardian of the fierce and widespread opposition which the increasing growth of the Cause of God will arouse. There is no doubt of this. Shoghi Effendi called attention to "the extent and character of the forces that are destined to contest with God's holy Faith", and supported his argument with "these prophetic and ominous words" from `Abdu'l-Bahá: "HOW GREAT, HOW VERY GREAT IS THE CAUSE! HOW VERY FIERCE THE ONSLAUGHT OF ALL THE PEOPLES AND KINDREDS OF THE EARTH! ERE LONG SHALL THE CLAMOUR OF THE MULTITUDE THROUGHOUT AFRICA, THROUGHOUT AMERICA, THE CRY OF THE EUROPEAN AND OF THE TURK, THE GROANING OF INDIA AND CHINA, BE HEARD FROM FAR AND NEAR. ONE AND ALL THEY SHALL ARISE WITH ALL THEIR POWER TO RESIST HIS CAUSE. THEN SHALL THE KNIGHTS OF THE LORD, ASSISTED BY HIS GRACE FROM ON HIGH, STRENGTHENED BY FAITH, AIDED BY THE POWER OF UNDERSTANDING, AND REINFORCED BY THE LEGIONS OF THE COVENANT, ARISE AND MAKE MANIFEST THE TRUTH OF THE VERSE: 'BEHOLD THE CONFUSION THAT HATH BEFALLEN THE TRIBES OF THE DEFEATED!'"
The beloved Guardian expatiated at length upon this theme and its inevitable outcome: "Stupendous as is the struggle which His words foreshadow, they also testify to the complete victory which the upholders of the Greatest Name are destined eventually to achieve."
Now, therefore, it is our sacred duty to make the utmost use of our freedom, wherever it exists, to promote the Cause of God while we may. The surest way to do this and to win the good-pleasure of Bahá'u'lláh is to pursue, with dedication and unrelenting vigour, the goals of whatever Plan is in force, for Bahá'u'lláh has stated: "To assist Me is to teach My Cause."
A good start has been made with the Seven Year Plan. At the World Centre of the Faith the uninterrupted progress in raising the Seat of the House of Justice, repairing and refurbishing the House of 'Abdu'llah Pasha, further extension of the gardens surrounding the Haram-i-Aqdas at Bahji, and the initiation of a general reorganization of the work of the World Centre to accommodate its ever-growing needs and make use of the most up-to-date technological developments, have taken place.
In the international sphere the enthusiasm with which the friends everywhere greeted the launching of the Seven Year Plan and girded themselves to achieve the goals of the first two-year phase, their generous and sacrificial outpouring of funds, the confident and sustained efforts exerted to carry forward the two sacred enterprises initiated in the Indian subcontinent and at the heart of the vast Pacific Ocean, the constant activity of the Bahá'í International Community in fostering its relations with the United Nations, the great increase in the number of children's Bahá'í classes and the innumerable victories won in the teaching field, recorded by the establishment of the world-wide community of the Most Great Name in over 106,000 localities, all testify to the unassailable, and indeed ever-increasing vigour of the Cause of God.
The number of pioneers and travelling teachers who have entered the field during the first year of the Seven Year Plan, and the increase in the number of national communities which have sent them out are highly encouraging. This stream of pioneers and travelling teachers must be increased and more widely diffused, and we fervently hope that, at the very least, all those pioneers filling the assigned goals of the first phase of the Seven Year Plan will be at their posts by Ridván 1981.
In the field of proclamation unprecedented publicity has been accorded the Cause of God, chiefly as a result of the persecutions in Iran. In addition significant gains have been made in the Bahá'í radio operation in South America, where short wave transmission has greatly extended the range of Radio Bahá'í in Otavalo, Ecuador, and where a new station is being established in Puno, in Peru, on the shores of Lake Titicaca. Both these achievements offer immeasurable new opportunities for the teaching, proclamation and consolidation of the Cause in that area.
In 88 languages of the world the supply of Bahá'í literature has been enriched, while three new languages have been added to bring to 660 the number of those in which Bahá'í material is available.
The National Spiritual Assembly of Transkei with its seat in Umtata will be formed at Ridván 1980. At Ridván 1981 six new National Spiritual Assemblies will be formed; two in Africa, Namibia with its seat in Windhoek, and Bophuthatswana with its seat in Mmabatho; three in the Americas, the Leeward Islands with its seat in St. John's, Antigua, the Windward Islands with its seat in Kingstown, St. Vincent, and Bermuda with its seat in Hamilton; one in Australasia, Tuvalu with its seat in Funafuti. With great joy we announce the re-formation of the National Spiritual Assembly of Uganda, to take place at Ridván 1981.
In the course of the coming year, the Universal House of Justice, in consultation with the International Teaching Centre, will review the accomplishments of the initial phase and will then announce to all National Spiritual Assemblies the goals towards which they should strive in the next stage of the Seven Year Plan.
During this final year of the initial phase National Spiritual Assemblies are urged to continue their wise and dignified approaches to people prominent in all areas of human endeavour in order to acquaint them with the nature and spirit of the Faith and to win their esteem and friendship. At the same time vigorous campaigns must be continually mounted to proclaim more and more directly and to as large audiences as possible the existence and basic principles of the Faith of God. Now is the time, as all human endeavours to repair the old order only result in deeper and deeper confusion, to proclaim constantly and openly the claims of the Faith and the redemptive power of Bahá'u'lláh.
The marvellous momentum generated at the beginning of the Plan and now propelling the Bahá'í world community forward to the achievement of the immediate objectives of the initial phase must be maintained and indeed accelerated, so that firm foundations in the spiritual life of the community may be laid and its forces gathered for the winning of the specific tasks with which it will be challenged in the major part of the Plan.
Our hearts go out in love and admiration to the friends in Iran and in gratitude to the believers throughout the world for their spontaneous defence of their persecuted brethren and their shouldering of the load which must, at all costs, be borne.
REGOZIJAMO-NOS DESTACADOS EVENTOS E REALIZAÇÕES MARCANDO ANO CENTRAL PLANO CINCO ANOS: PUBLICAÇÃO EM INGLÊS SELEÇÃO ESCRITOS ABENÇOADO BÁB ABRINDO AOS OLHOS SEGUIDORES OCIDENTAIS FÉ UM TESOURO INESTIMÁVEL SUAS IMORTAIS PALAVRAS, UMA BÊNÇÃO QUE SEM FALTA LEVARÁ CORAÇÕES MAIS PRÓXIMOS AINDA JOVEM PROFETA MÁRTIR; REALIZAÇÃO TRIUNFANTE OITO CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS, PROCLAMANDO NOME CAUSA DEUS PERANTE UM PÚBLICO RECEPTIVO, CONSOLIDANDO AINDA MAIS LAÇOS LIGANDO AMIGOS TODAS TERRAS, RESULTANDO SURGIMENTO INTENSA ATIVIDADE ENSINO PIONEIRISMO, DANDO CONSCIÊNCIA URGENTE DESAFIO APRESENTADO PELAS METAS PLANO NESTE PERÍODO CRÍTICO; PROFUNDAMENTE SIGNIFICATIVA VISITA AO TÚMULO AMADO GUARDIÃO DO PRIMEIRO MONARCA REINANTE A ACEITAR FÉ BAHÁ’U’LLÁH; SAÍDA ANTIGOS OCUPANTES CASA ‘ABDU’LLÁH PÁSHÁ PERMITINDO FÉ OBTER POSSE LUGAR SAGRADO RECENTEMENTE ADQUIRIDO, INICIANDO PROCESSO RESTAURAÇÃO PREPARAÇÃO PARA ABERTURA EVENTUAL VISITA DE PEREGRINOS; CHEGADA HAIFA PRIMEIRAS QUATRO CONSIGNAÇÕES MÁRMORE E INÍCIO CONSTRUÇÃO SEDE CASA UNIVERSAL JUSTIÇA MONTE CARMELO; NOMEAÇÃO TRÊS CONSELHEIROS ADICIONAIS AMÉRICA DO NORTE. CENTRAL E AUSTRALÁSIA; CONSECUÇÃO META ESTABELECIMENTO NO PONTO CENTRAL PLANO MAIORIA PIONEIROS CONVOCADOS DURANTE PRIMEIRA FASE ACOMPANHADA GRANDE FLUXO INSTRUTORES VIAJANTES INTERNACIONAIS; RESURGIMENTO DRAMÁTICO TRABALHO ENSINO NO BERÇO DA FÉ POR CENTROS INDIVIDUAIS SOB PLANOS LOCAIS; FINALMENTE, ELEIÇÃO NESTE RIDVÁN SEIS NOVOS PILARES CASA UNIVERSAL JUSTIÇA, ASSEMBLÉIAS ESPIRITUAIS NACIONAIS DO ALTO-VOLTA NA ÁFRICA, DAS ANTILHAS FRANCESAS NO CARIBE, DE SURINAME E GUIANA FRANCESA NA AMÉRICA DO SUL, DAS ILHAS MARSHALL E DAS NOVAS HÉBRIDAS NO OCEANO PACÍFICO, E DA GRÉCIA NA EUROPA, ELEVANDO NÚMERO TOTAL DE ASSEMBLÉIAS ESPIRITUAIS NACIONAIS A 123 AS QUAIS TOMARÃO PARTE NA QUARTA ELEIÇÃO CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA NA TERRA SANTA DURANTE RIDVÁN 1978.
CONVENÇÕES NACIONAIS EM 1978 REALIZAR-SE-ÃO NO FIM DE SEMANA ANTERIOR OU POSTERIOR 23 DE MAIO FESTA DECLARAÇÃO BÁB. CONVOCADA FORMAÇÃO NAQUELA ÉPOCA MAIS SEIS ASSEMBLÉIAS ESPIRITUAIS NACIONAIS: BURUNDI E MAURITÂNIA NA ÁFRICA, DAS BAAMAS NA AMÉRICA, OMAN E QATAR NA ÁSIA, E DAS ILHAS MARIANAS NO PACÍFICO.
PRESENTE RÍTMO CRESCIMENTO COMUNIDADE PROMETE ACELERAÇÃO PROCESSO ENTRADA EM TROPAS SUA DIFUSÃO NOVAS ÁREAS NOS IMPELE FORTALECER AINDA MAIS OS CORPOS AUXILIARES CUJOS SERVIÇOS TÃO VITAIS DESENVOLVIMENTO SADIO COMUNIDADE. ANUNCIAMOS AUTORIZAÇÃO AUMENTAR EM 297 MEMBROS CORPOS AUXILIARES, TOTAL 675, DOS QUAIS 279 SÃO MEMBROS CORPO AUXILIAR PARA PROTEÇÃO E 396 PARA PROPAGAÇÃO DA FÉ.
NOS PRIMEIROS DIAS DE JUNHO DE 1877 BAHÁ’U’LLÁH DEIXOU CIDADE ‘AKKÁ E ESTABELECEU RESIDÊNCIA EM MAZRA’IH. PARA MARCAR CENTENÁRIO DESTE TÉRMINO CONFINAMENTO ANTIGA BELEZA DENTRO PAREDES CIDADE PRISÃO CONVOCAMOS SEUS SEGUIDORES TODAS TERRAS DEVOTAREM FESTA DEZENOVE DIAS DE NÚR COMEMORAÇÃO HISTÓRICO EVENTO, REDEDICANDO-SE ÀS URGENTES TAREFAS DIANTE DELES, PARA QUE ENERGIAS CONTIDAS SUA PRECIOSA FÉ POSSAM SER LIBERADAS PARA ALCANÇAR NÚMERO AINDA MAIOR ALMAS SEDENTAS NUM CÍRCULO CADA VEZ MAIS AMPLO SEUS COMPANHEIROS HUMANOS.
O MAIOR DESAFIO PERANTE SEGUIDORES BAHÁ’U’LLÁH ÚLTIMOS DOIS ANOS PLANO ESTÁ NOS CAMPOS EXPANSÃO CONSOLIDAÇÃO. NECESSÁRIO ENORME AUMENTO SERVIÇO CRENTES INDIVIDUAIS DE CUJOS ATOS DEPENDE BASICAMENTE TODO PROGRESSO. IMPETO GERADO PELAS CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS DEVE SER ACELERADO SEM DEMORA E ESPÍRITO LIBERADO DEVE PENETRAR EM TODAS COMUNIDADES. GRANDE DESENVOLVIMENTO DEVE ACONTECER NO ENSINO ENTUSIASTA REALIZADO COM CONFIANÇA, IMAGINAÇÃO E PERSEVERANÇA POR JOVENS E VELHOS, RICOS E POBRES, INSTRUÍDOS E ILETRADOS, SEJA EM CASA OU VIAJANDO; PARTICULARMENTE EXORTAMOS MULHERES BAHÁ’ÍS, CUJAS CAPACIDADES EM MUITAS TERRAS AINDA VASTAMENTE NÃO UTILIZADAS E CUJO POTENCIAL DE SERVIÇO CAUSA TÃO GRANDE, PARA LEVANTAREM E DEMONSTRAREM PAPEL IMPORTANTE QUE IRÃO DESEMPENHAR EM TODOS CAMPOS SERVIÇO FÉ.
BÊNÇÃOS EM ABUNDÂNCIA ESPERANDO DESCER DO CONCURSO SUPREMO, QUE OS AMIGOS DE DEUS SIGAM AVANTE COM ESPÍRITOS RESOLUTOS E RADIANTES EM TODOS CONTINENTES ILHAS PARA LEVAREM MENSAGEM DE BAHÁ’U’LLÁH ÀS ALMAS ANSIOSAS, GANHAREM FIDELIDADE DELAS PARA SUA CAUSA, ASSEGURANDO ESMAGADORA VITÓRIA PLANO NO QUAL ESTÃO AGORA EMPENHADOS, É NOSSA GRANDE ESPERANÇA E ARDENTE ORAÇÃO NO SAGRADO LIMIAR.
O processo divinamente impulsionado, descrito pelo nosso querido Guardião em tão majestosas palavras, que começou há seis mil anos nos albores do ciclo adâmico e que está destinado a culminar “na fase em que a luz da Fé triunfante de Deus, brilhando com todo seu poder e glória, terá permeado e engolfado a todo planeta”, está agora entrando na sua décima e última parte.
A cruzada de Dez Anos, concluída recentemente com clarinadas de vitória e de júbilo, constituiu toda a nona parte desse processo. Ela testemunhou o avanço vertiginoso da Causa de Deus num poderoso esforço de uma década a um ponto em que foram alicerçadas as bases da Ordem Administrativa em todo mundo, preparando assim o caminho para o despertar das multidões que deverá ser a característica do progresso futuro da Fé.
Desde o início desta Dispensação, os apelos mais urgentes do Verbo de Deus, proclamados sucessivamente pelo Báb e por Bahá’u’lláh, foram para que se ensinasse a Causa.. ‘Abdu’l-Bahá, em Suas próprias palavras, “passou os Seus dias e noites na promoção da Causa e exortando as pessoas a servirem”. Shoghi Effendi, no desempenho da sagrada missão que lhe foi conferida, erigiu a Ordem Administrativa da Fé, que já estava Incrustada nas Sagradas Escrituras e a forjou em um instrumento de ensino para executar todo Plano Divino de ‘Abdu’l-Bahá através de sucessivos planos nacionais, internacionais e globais. Ele previu com nitidez, que na “tremendamente longa” décima parte do processo já referido, uma série de planos serão lançados pela Casa Universal de Justiça e que se estenderão por “épocas sucessivas tanto da Era Formativa, como da Era Áurea da Fé”.
O primeiro destes planos está agora diante de nós. Começando com o Ridván de 1964, enquanto a memória do glorioso Jubileu de 1963 ainda está viva nos nossos corações, ele deve produzir, durante os seus nove anos de duração, uma expansão enorme da Causa de Deus e uma participação universal de todos os crentes na vida dessa Causa.
No Centro Mundial da Fé as tarefas do Plano incluirão:
a publicação de um extrato e uma codificação do Kitáb-i-Aqdas, o Mais Sagrado Livro;
a formulação da constituição da Casa Universal de Justiça;
o desenvolvimento da instituição das Mãos da Causa de Deus, em consulta com o conjunto das Mãos da Causa, com o objetivo de ampliar para o futuro a sua função específica de proteção e de propagação;
a continuação da colheita e da classificação das Sagradas Escrituras Bahá’ís como também dos escritos de Shoghi Effendi;
esforços continuados para a emancipação da Fé de doutrinas religiosas e para seu reconhecimento como religião independente;
a preparação de um plano para desenvolvimento adequado e embelezamento de toda área de propriedades Bahá’ís que circundam os Santos Sepulcros;
ampliação dos jardins existentes no Monte Carmelo;
desenvolvimento das relações entre a Comunidade Bahá’í e as Nações Unidas;
a realização de Conferências Oceânicas e Inter-Continentais;
1) a coordenação de planos mundiais para comemorar em 1967/68 o centenário da Proclamação de Bahá’u’lláh aos reis e governantes que girou em torno de Sua revelação do Suriy-i-Muluk em Adrianópolis.
Para a Comunidade Mundial o Plano prevê
1) a abertura de setenta territórios virgens e a re-fixação de vinte e quatro;
2) a elevação do número de Assembléias Espirituais Nacionais, os pilares que sustentam a Casa Universal de Justiça, para cento e oito, nove vezes o número daquelas eu inauguraram a primeira histórica Cruzada Mundial em 1953;
3) o aumento do número de Assembléias Espirituais Locais para mais de treze mil e setecentos, espalhadas pelos territórios e ilhas do mundo, sendo que pelo menos um mil e setecentas devem estar legalmente registradas;
4) o número de localidades, onde residem Bahá’ís deve ultrapassar de cinqüenta e quatro mil;
5) a construção de mais dois Mashriqu’l-Adhkárs, um na Ásia e um na América Latina;
6) a aquisição de trinta e dois Institutos de Ensino, cinqüenta e dois Házíratu’l-Quds, cinqüenta e quatro propriedades nacionais e terrenos para sessenta e dois futuros Templos;
7) reconhecimento amplo dos Dias Sagrados Bahá’ís e do Matrimônio Bahá’í pelas autoridades civis;
8) a tradução de literatura em mais cento e trinta e três línguas e o aumento de literatura nos idiomas mais importantes nos quais já se fizeram traduções;
9) o estabelecimento de quatro novas Editoras Bahá’ís e
10) um incremento substancial nos recursos financeiros da Fé
O vigoroso desenvolvimento da Causa requer que esta grande expansão seja acompanhada dos dedicados esforços de cada crente no ensino da Fé, no modo Bahá’í de viver, na contribuição aos Fundos e particularmente num contínuo esforço para compreender cada vez mais a significação da Revelação de Bahá’u’lláh. Nas palavras de nosso amado Guardião: “Uma coisa e exclusivamente essa assegurará infalivelmente o triunfo certo desta sagrada Causa e esta é a extensão pela qual nós estivermos espelhando com a nossa vida íntima e com o nosso próprio caráter os múltiplos aspectos do esplendor que emana dos princípios eternos que foram proclamados por Bahá’u’lláh.
Expansão e participação universal são os objetivos gêmeos desta fase inicial da Segunda época do Plano Divino e todas as metas estabelecidas para as sessenta e nove Comunidades Nacionais servem a esses dois propósitos. O processo da cooperação entre Assembléias Espirituais Nacionais, já iniciado pelo amado Guardião, será aplicado durante este Plano em mais de duzentos projetos específicos e reforçará ainda mais essa cooperação que tenderá a Ter importância proeminente nos estágios futuros da Era Formativa.
Mais uma vez, queridos amigos, nós estamos entrando na luta, mas com forças incomparavelmente maiores do que aquelas que começaram a Cruzada Mundial em 1953. A àquele pequeno contingente de doze comunidades nacionais, agora batalhadoras veteranas, foram adicionadas cinqüenta e sete novas legiões, cada uma sob o comando de uma Assembléia Espiritual Nacional, cada uma destinada a tornar-se veterana desta e de futuras campanhas. Aquela Cruzada começou com pouco mais de seiscentas Assembléias Espirituais Locais, das quais a maioria estava localizada na Pérsia, na América do Norte e na Europa. Agora as frentes domésticas compreendem quase quatro mil e seiscentas Assembléias Espirituais Locais espalhadas por todos os continentes e ilhas do mundo. Nós estamos começando este Plano com um impulso tremendo, exemplificado pela adição desde o último Ridván de mais de quatro mil centros novos e treze Assembléias Espirituais Nacionais e com o início, em vários países, de alistamento de contigentes inteiros na Causa de Deus, profetizado por ‘Abud’l-Bahá e tão ansiosamente antecipado por Ele.
Os Porta-Estandartes deste Plano de Nove Anos são aquelas mesmas almas, divinamente escolhidas, experimentadas e vitoriosas que também levaram os estandartes da Cruzada Mundial, as Mãos da Causa de Deus, cujo conselho e cuja cooperação foi de valor inestimável na elaboração deste Plano de Nove Anos. Ajudados pelos seus “representantes, assistentes e conselheiros”, os membros dos Corpos Auxiliares, eles inspirarão e protegerão o exército de Deus, o conduzirão através de cada brecha até os limites dos recursos disponíveis e sustentarão aquelas comunidades que precisam se movimentar por caminhos adversos e cheios de obstáculos, para que em 1973, as celebrações do centenário da Revelação do Mais Sagrado Livro possam ser executadas adequadamente por uma comunidade mundial vitoriosa, firmemente estabelecida e organicamente unida e que esteja dedicada ao serviço de Deus e ao triunfo final de Sua Causa.
Que cada uma das sessenta e nove comunidades, portanto, assuma a sua responsabilidade, de saída pondere sobre o modo melhor de realizar a tarefa dentro do tempo indicado, faça com que se levantem os seus pioneiros, que se consagre ao trabalho ininterrupto e que se dedique à sua missão. Esta é agora a oportunidade de ouro. Sejam quais forem as convulsões e sofrimentos que uma era materialista e agastada de Deus ainda possa provocar neste mundo, por mais trágicos que sejam os efeitos que provem do encerramento da ordem presente, segundo os planos e esforços da comunidade do Mais Sagrado Nome, nós precisamos aproveitar as oportunidades desta hora e avançar confiantes em que todas as coisas estão na Sua poderosa mão e que, se nós apenas nos dedicarmos à parte que nos toca, a vitória total e incondicional será inevitavelmente nossa.
A época resplandecente do Ridván está à porta, e das alturas atingidas pela comunidade do Maior Nome vislumbram-se perspetivas brilhantes no horizonte. Foi percorrido um longo caminho: surgiram novos programas de crescimento, e embora devam aparecer ainda mais umas centenas nos próximos doze meses, os esforços, para pôr em marcha o padrão de atividade necessário, já começaram em quase todos os agrupamentos requeridos para atingir a meta dos 5.000, solicitada no Plano de Cinco Anos. Os programas existentes estão a ganhar força, muitos deles mostrando mais claramente o que significa a Causa de Deus expandir-se mais no panorama social de um agrupamento e dentro de um bairro ou de uma aldeia. Os caminhos, que conduzem à expansão e à consolidação sustentáveis em larga escala, estão a ser seguidos com passos mais firmes, frequentemente, com uma juventude corajosa a marcar o ritmo. São cada vez mais evidentes as formas assumidas pelo poder de construção de sociedades da Fé em ambientes diferentes, e estão a tornar-se gradualmente mais visíveis as características determinantes, que devem vir a assinalar o desenvolvimento ulterior do processo de crescimento.
O chamado para levar a cabo e apoiar este trabalho é dirigido a cada seguidor de Bahá'u'lláh, e suscita uma resposta em cada coração que sofre com a condição miserável do mundo, de cujas circunstâncias lamentáveis muitas pessoas são incapazes de se libertar. Pois, a resposta mais construtiva de todo o crente preocupado com os inúmeros males de uma sociedade desordenada é, afinal, a ação sistemática, determinada e altruísta, empreendida dentro da estrutura do Plano. Ao longo do último ano, tornou-se ainda mais claro, em diferentes países e de diferentes maneiras, que está gasto e exaurido o consenso à volta dos ideais que tradicionalmente uniam e ligavam um povo. Já não consegue oferecer uma proteção segura contra uma variedade de ideologias interesseiras, intolerantes e nocivas que se alimentam do descontentamento e do ressentimento. Com um mundo em conflito que parece cada vez menos seguro de si próprio, os proponentes destas doutrinas destrutivas são cada vez mais ousados e insolentes. Lembramos o veredito inequívoco da Pena Suprema: “Apressam-se em direção ao Fogo do Inferno, supondo erroneamente que seja luz.” Os líderes bem-intencionados das nações e as pessoas de boa vontade são deixados a lutar para repararem as fraturas evidentes da sociedade, impotentes para impedir a sua propagação. Os efeitos de tudo isto não são visíveis apenas nos conflitos imediatos ou no colapso da ordem. Na desconfiança que opõe vizinho contra vizinho e que destrói os laços familiares, no antagonismo de tanto do que passa por discurso social, no à-vontade com que os apelos a ignóbeis motivações humanas são usados para ganhar poder e acumular riqueza – em tudo isto, estão dissimulados sinais inconfundíveis de que está gravemente minada a força moral que sustém a sociedade.
No entanto, é tranquilizador saber que no meio da desintegração, está a ganhar forma uma nova espécie de vida coletiva que dá expressão prática a tudo o que é divino nos seres humanos. Temos observado que, especialmente nos locais onde tem sido mantida a intensidade no ensino e nas atividades de construção de comunidades, os amigos têm conseguido proteger-se das forças do materialismo que ameaçam minar as suas preciosas energias. E não só, eles, gerindo as múltiplas solicitações do seu tempo, nunca perdem de vista as tarefas sagradas e urgentes que jazem à sua frente. É necessário haver um cuidado semelhante com as necessidades da Fé e com os melhores interesses da humanidade em todas as comunidades. Nos casos em que foi estabelecido um programa de crescimento num agrupamento que ainda não tinha sido anteriormente aberto, vemos como a agitação inicial das atividades surge do amor por Bahá'u'lláh que existe no coração de um crente empenhado. Não obstante os graus de complexidade que eventualmente devem ser tidos em conta à medida que a comunidade cresce, todas as atividades começam com esta simples onda de amor. É com este fio vital que se constrói o padrão de esforço paciente e concentrado, ciclo após ciclo, para apresentar as ideias espirituais às crianças, jovens e adultos; promover um sentimento de adoração através de reuniões de oração e devoção; estimular conversas que iluminem o entendimento; introduzir cada vez maiores números de pessoas a uma vida de estudo da Palavra Criativa e à sua tradução em ações; desenvolver, em conjunto com outros, a capacidade de servir; e de se acompanharem mutuamente no exercício daquilo que aprenderam. Queridos amigos, amados da Beleza de Abhá: Oramos fervorosamente por vós de cada vez que nos encontramos perante o Seu Sagrado Limiar, para que o vosso amor por Ele vos dê força para consagrarem as vossas vidas à Sua Causa.
As perspetivas promissoras que emergem dos agrupamentos, e dos seus centros de intensa atividade, onde as dinâmicas de vida comunitária abrangeram grandes números de pessoas, merecem uma menção especial. Sentimo-nos satisfeitos ao constatar que se estabeleceu nesses bairros uma cultura de apoio mútuo, baseada em companheirismo e serviço humilde, que possibilita que mais e mais almas sejam trazidas sistematicamente para o âmbito das atividades comunitárias. Na verdade, num número de circunstâncias cada vez maior, o movimento de uma população em direção à visão de Bahá'u'lláh para uma nova sociedade, já não é uma mera possibilidade fascinante mas sim, uma realidade emergente.
Desejamos dirigir algumas palavras adicionais aqueles de vós, em cujas vizinhanças os progressos claros ainda estão por ocorrer e que anseiam pela mudança. Tenham esperança. Não será sempre assim. A história da nossa Fé não está cheia de relatos de começos pouco promissores e de resultados maravilhosos? Quantas vezes os feitos de uns poucos crentes – novos ou velhos – ou de apenas uma família, ou até mesmo de uma alma solitária, quando confirmados pelo poder da assistência divina, foram bem-sucedidos no desenvolvimento de comunidades vibrantes em ambientes aparentemente inóspitos? Não pensem que o vosso caso específico seja inerentemente diferente. A mudança num agrupamento, quer seja uma vitória rápida ou difícil, não advém de uma abordagem estereotipada nem de uma atividade casual; procede do ritmo de ação, reflexão e consulta e é impulsionada por planos que são fruto da experiência. Além disso, sejam quais forem os seus efeitos imediatos, o serviço ao Bem-Amado é, em si próprio, uma fonte de alegria permanente para o espírito. Animem-se, também, com o exemplo dos vossos irmãos espirituais no Berço da Fé, com o modo como a sua atitude construtiva, a sua resiliência como comunidade e a sua firmeza na promoção do Verbo Divino estão a alterar a sua sociedade ao nível do pensamento e da ação. Deus está convosco, com cada um de vós. Nos doze meses remanescentes do Plano, que cada comunidade avance da sua posição atual para uma posição mais forte.
O importante trabalho de expansão e consolidação cria um alicerce sólido para os empreendimentos a que o mundo bahá'í está a ser chamado para desempenhar em muitos outros campos. No Centro Mundial Bahá'í, estão a intensificar-se os esforços para catalogar e indexar metodicamente o conteúdo de milhares de Epístolas que constituem esse legado infinitamente precioso, os Textos Sagrados da nossa Fé, que nos foi confiado para benefício de toda a humanidade, no sentido de acelerar a publicação de volumes de Escritos, tanto na sua língua original como a sua tradução para o inglês. Os esforços para estabelecer oito Mashriqu'l-Adhkárs, Lugares sagrados erigidos para a glória de Deus, continuam em bom ritmo. O trabalho dos assuntos externos a nível nacional tem ganhado uma eficácia notória e é cada vez mais sistemático, estimulado ainda mais pela emissão de um documento, enviado há seis meses às Assembleias Espirituais Nacionais, que se baseia na experiência considerável adquirida nas duas últimas décadas e proporciona uma estrutura alargada para o desenvolvimento destes esforços no futuro. Entretanto, foram abertos dois novos Escritórios da Comunidade Internacional Bahá’í em Adis Abeba e Jacarta, em complemento dos seus Escritórios nas Nações Unidas, sediados em Nova Iorque e Genebra e do seu Escritório em Bruxelas, alargando a oferta de oportunidades para as perspetivas da Causa serem oferecidas, a nível internacional, em África e no Sudoeste Asiático. Frequentemente impelidas pelas exigências do crescimento, um conjunto de Assembleias Nacionais está a aumentar a sua capacidade administrativa, visível na gestão ponderada dos seus recursos disponíveis, nos seus esforços para se familiarizarem intimamente com as condições das suas comunidades e na atenção para assegurar que o funcionamento dos seus Escritórios Nacionais é cada vez mais sólido; a necessidade de sistematizar o impressionante conjunto de conhecimento acumulado nesta área levou à criação do Escritório para o Desenvolvimento de Sistemas Administrativos, no Centro Mundial. Em muitos países, continuam a multiplicar-se de várias formas as iniciativas no campo da ação social, proporcionando muitas descobertas sobre como a sabedoria entesourada nos Ensinamentos pode ser aplicada para melhorar as circunstâncias sociais e económicas; este campo é tão promissor que nos levou a estabelecer um Corpo Consultivo, constituído por sete membros, do Escritório para o Desenvolvimento Socioeconómico, representando a próxima etapa de evolução deste Escritório. Três membros do Corpo irão servir simultaneamente na equipa coordenadora do Escritório e residir na Terra Santa. Neste Ridván, então, ao mesmo tempo que vemos tanto para ser feito, também vemos muitos prontos para o fazer. Em milhares de agrupamentos, bairros e aldeias, estão a brotar novas fontes de fé e de certeza, animando os espíritos dos que são tocados pelas suas águas vivificantes. Em alguns lugares, o fluxo é de um riacho constante, noutros, já é um rio. Agora não é o momento para nenhuma alma vaguear nas margens – que todos contribuam para a onda que avança.
Já passaram três anos completos desde que se iniciou o atual estágio de desenvolvimento do Plano Divino, um empreendimento que liga os seguidores de Bahá'u'lláh uns aos outros num esforço espiritual unificado. Apenas dois anos separam os amigos de Deus da data da sua conclusão. Os dois movimentos essenciais que continuam a impelir o processo de crescimento – o fluxo constante de participantes através da sequência de cursos do instituto de capacitação e o movimento dos agrupamentos ao longo de um continuum de desenvolvimento – foram ambos imensamente reforçados pela efusão de energia libertada pelas conferências de juventude que se realizaram o ano passado. O aumento de capacidade que o mundo Bahá’í adquiriu para mobilizar grandes números de jovens para o campo do serviço pode agora produzir mais frutos. Neste período remanescente, impõe-se com urgência a tarefa crucial de se fortalecerem os atuais programas de crescimento e de se iniciarem novos. A comunidade do Maior Nome está bem posicionada para, antes de expirar este período, acrescentar aos agrupamentos onde tais programas já emergiram os dois mil que faltam para cumprimento da meta.
Como nos alegra constatar que este empreendimento está a ser vigorosamente avançado em vastas regiões espalhadas pelo planeta, numa diversidade de circunstâncias e de cenários, em agrupamentos que já ascendem a cerca de três mil. Muitos agrupamentos estão num ponto em que o impulso está a ser gerado graças à implementação de um pequeno número de simples linhas de ação. Noutros, após uma sucessão de ciclos de atividade, aumentou o número de indivíduos que tomam a iniciativa na estrutura do Plano e o nível de atividade ganhou intensidade; à medida que, graças à experiência, se promove a qualidade do processo de educação espiritual, as almas são mais prontamente atraídas para participarem nele. De vez em quando pode ocorrer uma paragem nas atividades ou um obstáculo a bloquear o caminho; a consulta para descobrir o que conduziu a esse impasse, combinada com paciência, coragem e perseverança, permite que se volte a ganhar impulso. São cada vez mais os agrupamentos onde o programa de crescimento está a aumentar em alcance e complexidade, em proporção ao aumento de capacidade dos três protagonistas do Plano – o indivíduo, a comunidade e as instituições da Fé – para criar um ambiente de apoio mútuo. E apraz-nos constatar que, tal como esperávamos, existe um número de agrupamentos cada vez maior onde uma centena ou mais de indivíduos está a facilitar o envolvimento de um milhar ou mais de outros na organização de um padrão de vida, espiritual, dinâmico e transformador. Subjacente a este processo está, desde o início, um movimento coletivo direcionado para a visão de prosperidade material e espiritual definida por Aquele que é o Vivificador do Mundo. Mas quando estão envolvidos números tão grandes, torna-se percetível o movimento de uma população inteira.
Este movimento é especialmente evidente nos agrupamentos onde está para ser estabelecido um Mashriqu’l-Adhkár local. A título de exemplo, referimos Vanuatu. Os amigos que residem na ilha de Tanna, fizeram um esforço supremo para aumentar a consciencialização sobre a planeada Casa de Adoração e, das mais diversas maneiras, já envolveram mais de um terço dos 30.000 habitantes da população da ilha, numa conversa ampla sobre a sua significância. A aptidão para manter conversas elevadas entre tantas pessoas foi refinada ao longo de anos de experiência a partilhar os ensinamentos de Bahá'u'lláh e a alargar o âmbito de um instituto de capacitação vibrante. Em particular, os grupos de pré-jovens da ilha estão a prosperar, incentivados pelo apoio dos chefes de aldeia, que constatam como os participantes estão espiritualmente empoderados. Encorajados pela unidade e dedicação que existe entre eles, estes jovens não só afastaram o langor da passividade do seu seio, como também, através de diversos projetos práticos, arranjaram maneira de trabalhar para a melhoria da sua comunidade e, em resultado disso, galvanizaram para a ação construtiva, não só os seus pais, como outras pessoas de todas as idades. Entre os crentes e a sociedade em geral, está a ser reconhecida a graça de se poderem volver para a Assembleia Espiritual Local para procurarem orientação e a resolução de situações difíceis e, por sua vez, as decisões das Assembleias Espirituais são cada vez mais caracterizadas pela sabedoria e sensibilidade. Tudo isto indica que, quando os elementos da estrutura de ação do Plano se combinam num todo coerente, o impacto na população pode ser profundo. E é neste contexto de contínua expansão e consolidação – o trigésimo ciclo do programa intensivo de crescimento terminou recentemente – que os amigos exploram ativamente, em conjunto com os restantes habitantes da ilha, o significado de um Mashriqu’l-Adhkár, um "centro coletivo para as almas dos seres humanos” vir a ser erguido no seu meio. Os ilhéus de Tanna, com o apoio ativo dos líderes tradicionais, ofereceram nada menos do que uma centena de propostas para o projeto do Templo, demonstrando o quanto a Casa de Adoração capturou as imaginações e abriu perspetivas fascinantes sobre a influência que haverá de exercer nas vidas vividas à sua sombra.
Este relato tocante tem a sua contrapartida em numerosos agrupamentos avançados, onde as implicações dos ensinamentos de Bahá'u'lláh estão a emergir para influenciar as condições de vida em bairros e aldeias. Nesses locais, o povo, cada vez mais consciente da Pessoa de Bahá'u'lláh, está a aprender através da reflexão sobre a experiência, da consulta e do estudo, a agir de acordo com as verdades entesouradas na Sua Revelação, de tal modo que o crescente círculo de família espiritual está cada vez mais intimamente ligado pelos laços da adoração e do serviço coletivos.
De muitas maneiras, as comunidades que avançaram mais estão a traçar um caminho atrativo que outras podem seguir. No entanto, seja qual for o nível de atividade num agrupamento, é a capacidade de aprendizagem entre os amigos locais, no seio de uma estrutura comum, que fomenta o progresso ao longo do caminho do desenvolvimento. Todos têm um papel a desempenhar neste empreendimento; o contributo de cada um serve para enriquecer o todo. Os agrupamentos mais dinâmicos são aqueles em que, independentemente dos recursos que a comunidade possui ou do número de atividades realizado, os amigos compreendem que a sua tarefa é identificar o que é necessário para que o progresso ocorra – a capacidade nascente que precisa de ser nutrida, a nova destreza que deve ser adquirida, os iniciadores de um esforço incipiente que deve ser acompanhado, o espaço para reflexão que deve ser cultivado, o empreendimento coletivo que deve ser coordenado – e que depois encontram maneiras criativas para que o tempo e os recursos necessários fiquem disponíveis para o alcançar. O facto de cada conjunto de circunstâncias apresentar os seus desafios próprios, está a possibilitar que cada comunidade não se limite apenas a beneficiar com o que está a ser aprendido no resto do mundo bahá’í, como também a contribuir para esse corpo de conhecimento. A consciência desta realidade liberta cada pessoa da procura infrutífera por uma fórmula rígida para a ação, embora ainda permita que as perceções obtidas em diferentes cenários contribuam para o processo de crescimento, à medida que este ganha forma nos ambientes próximos de cada um. Toda esta abordagem é completamente incompatível com conceitos limitadores de “êxito” ou “fracasso” que produzem frenesim ou paralisam a volição. É preciso desprendimento. Quando o esforço é exercido apenas por amor a Deus, então tudo o que ac
Nos Escritos da nossa Fé há tantas passagens a descrever a relação entre o esforço exercido e a ajuda celestial concedida em resposta: "Se ao menos envidardes esforços" – assegura o Mestre nas Suas Epístolas – "decerto que esses esplendores fulgurarão, essas nuvens de mercê verterão chuva, esses ventos vivificadores bafejarão e soprarão, e esse almíscar docemente perfumado será disseminado por todas as regiões." Nas nossas visitas frequentes aos Sagrados Santuários, rogamos fervorosamente ao Todo-Poderoso em vosso nome para que Ele vos sustenha e fortaleça, para que as vossas iniciativas para alcançar os que ainda não estão familiarizados com os divinos ensinamentos e confirmá-los na Sua causa sejam abundantemente abençoadas e para que a vossa confiança nos Seus ilimitados favores seja inabalável. Nunca estais ausentes das nossas orações e nunca cessaremos de nos relembrar dos vossos consagrados atos de fidelidade. À medida que contemplamos os imperativos que os seguidores da Abençoada Beleza têm pela frente ao longo dos próximos dois anos, o enfático chamado do Mestre para a ação é um estímulo para o espírito: "Rompei os véus, removei os obstáculos, ofertai as águas vivificadoras, e indicai o caminho da salvação."
“O Livro de Deus está aberto de par em par e a Sua Palavra convoca até Ele o género humano.” A Pena Suprema, com estas palavras tão emocionantes, descreve o advento do dia da união e da colheita. Bahá’u’lláh continua: “Inclinai os vossos ouvidos, ó amigos de Deus, para a voz d'Aquele a Quem o mundo injuriou, e segurai‐ vos a qualquer coisa que enalteça a Sua Causa.” Mais à frente, Ele exorta os Seus seguidores: “Com a maior amizade e em espírito perfeitamente fraternal, aconselhai‐ vosjuntos e dedicai os preciosos dias das vossas vidas aomelhoramento domundo e à promoção da Causa d'Aquele que é o Senhor Antigo e o Soberano de todos.”
Bem‐amados colaboradores: Esta vívida proclamação vem à mente espontaneamente quando constatamos os vossos esforços consagrados em todo o mundo, em resposta ao apelo de Bahá’u’lláh. A esplêndida resposta às suas convocações pode ser testemunhada em todos os lados. Aqueles que fazem uma pausa para refletir no desenvolvimento do Plano Divino, não podem ignorar o modo como o poder possuído pelo Verbo de Deus cresce nos corações de mulheres e homens, de crianças e jovens, num país a seguir ao outro, num agrupamento a seguir ao outro.
Uma comunidade mundial está a refinar a sua aptidão para ler a sua realidade imediata, analisar as suas possibilidades, e aplicar criteriosamente os métodos e os instrumentos do Plano de Cinco Anos. Tal como se esperava, a experiência acumula‐se mais rapidamente nos agrupamentos onde as fronteiras de aprendizagem estão a ser conscientemente promovidas. Nesses locais são bem conhecidos os meios que possibilitam a um número cada vez maior de indivíduos o fortalecimento da sua capacidade de servir. Um instituto de capacitação vibrante funciona como pilar dos esforços da comunidade para fazer avançar o Plano e as competências e aptidões desenvolvidas graças à participação nos cursos do instituto são implementadas em campo, o quanto antes. Através das suas interações sociais do dia‐a‐dia, algumas pessoas encontram almas que estão abertas à exploração de assuntos espirituais, realizada num diversificado conjunto de circunstâncias; outras estão em posição de responder à recetividade numa pequena localidade ou num bairro,talvez porse terem mudado para a zona. Números de pessoas cada vez maiores levantam‐se para arcar com as responsabilidades, engrossando as fileiras dos que servem como facilitadores, animadores e professores das crianças; dos que administram e coordenam; ou dos que, de um outro modo, se esforçam para apoiar o trabalho de terceiros. O compromisso dos amigos com a aprendizagem encontra expressão através da constância nassuas própriasiniciativas ou da predisposição para acompanharterceiros nas deles. Além disso, são capazes de ter em mente com firmeza as duas perspetivas complementares do padrão de ação que se desenvolve no agrupamento: uma delas, os ciclostrimestrais de atividades – a pulsação rítmica do programa de crescimento – e a outra, as etapas distintas de um processo de educação para as crianças, para os pré‐ jovens e para os jovens e adultos. Embora compreendendo claramente a relação que liga estas três etapas, os amigos estão conscientes que cada uma possui as suas dinâmicas próprias, osseusrequisitos próprios e o seu mérito próprio. Acima de tudo, estão conscientes da operação de poderosas forças espirituais, cujo funcionamento pode ser discernido tanto nos dados quantitativos que refletem o progresso da comunidade, como num conjunto de relatos que narram as suas realizações. O que é especialmente promissor é que muitas destas características proeminentes e distintivas que caracterizam os agrupamentos mais avançados são igualmente evidentes nas comunidades que estão emestágios de desenvolvimento anteriores.
À medida que a experiência dos amigos foi adquirindo maior profundidade, aumentou a sua capacidade para promover um padrão de vida rico e complexo, que engloba centenas ou mesmo milhares de pessoas, no seio do agrupamento. Quão satisfeitos estamos ao notar as muitas perceções que os crentes estão a adquirir com assuasiniciativas. Por exemplo, eles compreendemque o desenvolvimento gradual do Plano, ao nível do agrupamento, é um processo dinâmico, necessariamente complexo e que não é susceptível de simplificações. Eles constatam como avança à medida que aumenta a sua aptidão tanto de elevar o número de recursos humanos como de coordenar e organizar adequadamente as ações dos que se levantam. Os amigos apercebem‐se que à medida que essas capacidades são promovidas, passa a ser possível integrar um conjunto de iniciativas cada vez maior. De igual modo, eles reconhecem que, ao introduzir‐se uma nova componente, esta exige uma maior atenção durante algum tempo, masisso, de modo algum, minimiza a importância dos outros aspetos dos seus empreendimentos de construção de comunidades. Pois, compreenderam que se a aprendizagem é o seu modo de funcionamento, eles devem estar atentos ao potencial proporcionado por qualquer instrumento do Plano que demonstre ser especialmente adequado a um determinado momento e,se necessário, investir maior energia no seu desenvolvimento; isso não significa, no entanto, que todas as pessoas devem estar ocupadas com os mesmos aspetos do Plano. Os amigos também aprenderam não ser necessário que o foco principal da fase de expansão de todos os ciclos do programa de crescimento seja direcionado para o mesmo fim. Por exemplo, as condições podem exigir que, num determinado ciclo, a atenção vise principalmente o convite para as almas aceitarem a Fé através de esforços intensivos de ensino,realizadostanto porindivíduos como coletivamente; numoutro ciclo, o foco pode ser amultiplicação de uma atividade nuclear específica.
Além disso, os amigos estão conscientes da existência de bons motivos para que o trabalho da Causa prossiga a diferentes ritmos em diferentes locais – trata‐se, afinal, de um fenómeno orgânico – e sentem‐se alegres e encorajados com cada instância de progresso que constatam. Na realidade, reconhecem o benefício que advém da contribuição de cada indivíduo para o progresso do todo, e assim o serviço prestado por cada um, de acordo com as circunstâncias da sua vida pessoal, é acarinhado por todos. Os encontros para refletir são cada vez mais vistos como ocasiões onde a totalidade dos esforços da comunidade são alvo de deliberação séria e estimulante.Os participantes aprendem o que foi realizado em termos globais, compreendem osseus próprios serviços a partir dessa perspetiva, e aumentam o seu conhecimento sobre o processo de crescimento quando absorvem os conselhos das instituições e se apoiam na experiência dos seus companheiros de Fé. Essa experiência também é partilhada em muitos outros espaços que estão a emergir para consulta entre os amigos intensivamente envolvidos em empreendimentos específicos, seja por estarem a prosseguir uma linha de ação comum ou a servir numa determinada zona do agrupamento. Todas estas perceçõessão contextualizadas na apreciação mais geral de que o progresso é maisfacilmente alcançado num ambiente imbuído de amor – onde os defeitossão olhados com tolerância, os obstáculossão ultrapassados com paciência e as abordagens comprovadas são aceites com entusiasmo. E é assim que, graças à sábia orientação das instituições e das agências da Fé que funcionam em diferentes níveis, as iniciativas dos amigos, apesar de modestas individualmente, colidem num esforço coletivo para assegurar que a recetividade ao chamado da Abençoada Beleza é prontamente identificada e eficazmente nutrida. Um agrupamento nestas condições é evidentemente aquele onde as relações entre o indivíduo, as instituições e a comunidade – ostrês protagonistas do Plano – estão a evoluirsolidamente.
Neste cenário de próspera atividade, há uma perspetiva que merece uma menção particular. Na mensagem que vos dirigimos há três anos, expressámos a esperança que, nos agrupamentos com um programa intensivo de crescimento em curso, os amigos se iriam esforçar para aprender mais sobre as maneiras de construção de comunidades, desenvolvendo centros de intensa actividade em bairros e pequenas localidades. As nossas esperanças foram ultrapassadas, pois até mesmo em agrupamentos onde o programa de crescimento ainda não atingiu intensidade, os esforços de alguns amigos para iniciar atividades nucleares entre os residentes de pequenas áreas geográficas demonstraram a sua eficácia diversas vezes. Esta abordagem, na sua essência, centra‐se na resposta aos ensinamentos de Bahá’u’lláh da parte de populações que estão prontas para a transformação espiritual que a Sua Revelação promove. Através da participação no processo educacional promovido pelo instituto de capacitação, eles são encorajados a rejeitar o torpor e a indiferença inculcados pelas forças da sociedade e, ao invés, a prosseguir padrões de ação que comprovadamente mudam a vida. Nos bairros e nas pequenas localidades onde esta abordagem foi avançada durante alguns anos e onde os amigos mantiveram o seu foco, resultados notáveis estão a tornar‐se evidentes de forma gradual e segura. A juventude está empoderada para assumir responsabilidade pelo desenvolvimento dos mais jovens ao seu redor. As gerações mais velhas apreciam a contribuição da juventude para os assuntos de toda a comunidade nas consultas significativas. A disciplina cultivada pelo processo educacional da comunidade desenvolveu capacidade de consulta tanto nos jovens como nos mais velhos, e novos espaços emergem para conversas com propósito. Todavia, a mudança não está confinada apenas aos bahá’ís e àqueles que estão envolvidos nas atividades nucleares promovidas pelo Plano, de quem é razoável esperar a adopção de novas formas de pensar com o decorrer do tempo. O próprio espírito do lugar é afetado. Uma atitude devocional ganha forma no seio de uma grande faixa da população. As expressões da igualdade entre homem e mulher tornam‐se mais pronunciadas. A educação das crianças, sejam meninas ou meninos, recebe maior atenção. O carácter dosrelacionamentos dentro dasfamílias – moldado por pressupostosseculares – está a ser percetivelmente alterado.Umsentido de dever para com a sua comunidade imediata e o seu entorno físico está a tornar‐se prevalente. Até a praga do preconceito, que faz uma sombra perniciosa em cada sociedade, começa a darlugar à atrativa força de unidade. Resumidamente, o trabalho de construção de comunidade no qual os amigos estão envolvidos influencia aspetos da cultura.
À medida que a expansão e a consolidação progrediram constantemente, ao longo do último ano, também se desenvolveram outros importantes campos de atividade, frequentemente em estreito paralelismo. Como um primeiro exemplo, os avanços ao nível da cultura, testemunhados em algumas pequenas localidades e bairros, devem‐ se, em grande medida, àquilo que foi aprendido com o envolvimento bahá’í em ação social. O nosso Gabinete de Desenvolvimento Socio‐económico preparou recentemente um documento que destila trinta anos de experiência acumulada neste campo, desde que o Gabinete foi estabelecido no Centro Mundial Bahá’ì. Entre as observações que profere, refere que os esforços de envolvimento em ação social recebem um ímpeto vital do instituto de capacitação. Isso não se deve apenas ao aumento de recursos humanos que promove. As perceções, qualidades e competências espirituais, cultivadas pelo processo de instituto, demonstraram ser tão cruciais para a participação na ação social como para a contribuição para o processo de crescimento Além disso, explica como as distintas esferas de realizações da comunidade bahá’í são governadas por uma estrutura conceptual comum, em constante evolução, composta por elementos que se reforçam mutuamente, embora possam assumir expressões diversas em diferentes domínios de ação. O documento que descrevemos foi partilhado recentemente com as Assembleias Espirituais Nacionais a quem convidamos, em consulta com os Conselheiros, a considerar de que modo os conceitos que explora podem ajudar a promover os esforços existentes em ação social que prosseguem sob os seus auspícios e a aumentar a consciência desta dimensão significativa do empreendimento bahá’í. Isto não deve ser interpretado como um apelo geral a atividades generalizadas neste campo – a emergência da ação social acontece naturalmente à medida que a comunidade em desenvolvimento se fortalece – mas é oportuno que os amigos reflitam mais profundamente nas implicações dassuasiniciativas para transformar a sociedade. A vaga de aprendizagem que a ocorrer neste campo aumenta as necessidades doGabinete de Desenvolvimento Socio‐económico e estão a ser tomadas medidas para assegurar que o seu funcionamento se desenvolva substancialmente.
Uma característica especialmente notável dos últimos doze mesesfoi a frequência com que a comunidade bahá’í foi identificada, num amplo conjunto de contextos, com os esforços de produzir a melhoria da sociedade, em colaboração com pessoas com os mesmos anseios. Líderes de pensamento a diferentes níveis, do campo internacional até às bases da vida daslocalidades, afirmaramestar conscientes que os bahá’ís não só têm o bem‐estar da humanidade no coração, como possuem uma conceção convincente do que precisa ser feito e dos meios eficazes para realizar as suas aspirações. Estas expressões de apreço e apoio também vieram de alguns quadrantes inesperados. Por exemplo, mesmo no berço da Fé, apesar dos obstáculos imensos colocados pelo opressor no seu caminho, os Bahá’ís recebem cada vez maior reconhecimento pelas implicações profundas que a sua mensagem contem para o estado da sua nação, e respeito pela sua determinação inquebrantável de contribuir para o progresso da sua terra natal.
Osofrimento suportado pelosfiéis no Irão, especialmente nas décadas após a mais recente onda de perseguições, impeliu os seus irmãos e irmãs noutros países a levantarem‐se em sua defesa. Entre os legados inestimáveis que a comunidade mundial bahá’í adquiriu, em consequência da sua paciência, mencionamos um: a impressionante rede de agências especializadas a nível nacional que provaram ser capazes de desenvolver relações com governos e organizações da sociedade civil de forma sistemática. Em simultâneo, os processos dos Planos sucessivos refinaram a aptidão da comunidade de participar nos discursos prevalecentes nos espaços em que ocorrem – desde conversas pessoais até fóruns internacionais. O envolvimento neste tipo de iniciativas, junto às bases da sociedade, constrói‐se naturalmente através da mesma abordagem orgânica que caracteriza o aumento constante do envolvimento dos amigos em ação social, e não há necessidade especial de o estimular. No entanto, este é cada vez mais foco de atenção, a nível nacional, dessas mesmas agências dedicadas, que já estão a funcionar em dúzias de comunidades nacionais, e está a continuar segundo o padrão familiar e frutífero de ação, reflexão, consulta e estudo. Para promover tais esforços, para facilitar a aprendizagem neste domínio e para assegurar que os passos dados são coerentes com os outros empreendimentos da comunidade bahá’í, decidimos estabelecer recentemente o Gabinete de Discurso Público no Centro Mundial Bahá’í. Iremos pedir‐lhe que apoie as Assembleias Espirituais Nacionais neste campo através da promoção e coordenação gradual de atividades e da sistematização da experiência.
Um progresso igualmente encorajador está a ocorrer também noutras áreas. Em Santiago, no Chile, onde o Templo Mater da América do Sul está a ser erigido, o trabalho de construção prossegue a bom ritmo. A construção em betão dos alicerces, da cave e do túnel de serviço está concluída, assimcomo das colunas que irão suportar a superestrutura. É cada vez maior a antecipação associada a este projecto, e um sentimento de expetativa semelhante está a agitar os sete países onde vão ser erguidos Mashriqu’l‐Adhkárs nacionais e locais. Em cada um deles, os preparativos já iniciaram e as contribuições que os crentes estão a fazer para o Fundo dos Templosjá começaram a ser usadas; no entanto, considerações práticas tais como, localização, projeto e recursos, representam apenas um aspecto do trabalho realizado pelos amigos. Fundamentalmente, o seu empreendimento é espiritual, um tipo de empreendimento no qual toda a comunidade participa. O Mestre refere‐se aos Mashriqu’l‐Adhkárs como “o íman das confirmações divinas”, “os poderosos alicerces do Senhor”, e o “firme pilar da Fé de Deus”. Onde quer que seja estabelecido irá ser naturalmente um componente integral do processo de construção das comunidades que o rodeiam. Nos locais onde uma casa de adoração vai aparecer, a consciência desta realidade está a aprofundar‐se entre as fileiras e grupos de crentes, que reconhecem que a sua vida coletiva deve refletir cada vez mais a união entre serviço e adoração que o Mashriqu’l‐Adhkár personifica.
Em cada frente, vimos a comunidade bahá’í progredir firmemente, aumentar a compreensão, desejosa de adquirir perceções a partir da experiência, pronta a assumir novos desafios se os recursos o permitirem, ágil na sua resposta a imperativos recentes, consciente da necessidade de assegurar coerência entre os vários campos das atividades em que se envolve, totalmente dedicada ao cumprimento da sua missão. O seu entusiasmo e a sua devoção são evidentes no tremendo fervor gerado com o anúncio da convocação das 95 conferências de juventude espalhadas pelo mundo feito há cerca de dois meses. Sentimo‐nos gratificados, não só com a reação dos própriosjovens, como também pelas expressões de apoio dosseus companheiros de Fé, que apreciam omodo como osjovensseguidores de Bahá’u’lláh agem como um estímulo vital para todo o corpo da Causa.
Estamos cheios de esperança com as provas sucessivas que constatamos: a divulgação da mensagem de Bahá’u’lláh, o âmbito da Sua influência, e a consciência cada vez maior quanto aos ideais que consagra. Neste período de aniversários, relembramos o “Dia de suprema felicidade”, separado deste Ridván por um século e meio, quando a Beleza de Abhá proclamou a Sua Missão pela primeira vez aos Seus companheiros no Jardim de Najíbíyyih. Desde esse lugarsantificado, o Verbo de Deus seguiu para todas as cidades e todas as costas, chamando a humanidade para um encontro com o seu Senhor. E, desse séquito inicial de intoxicados amantes de Deus, floresceu uma comunidade diversa, de floresmatizadas no jardimque Ele criou. A cada dia que passa, é cada vez maior o número de almas despertas que se voltam em súplica para o Seu Santuário, o lugar onde nós, em honra por esse abençoado Dia, em sinal de gratidão por cada graça outorgada à Comunidade do Maior Nome,reclinamos as nossas cabeças emoração no Sagrado Santuário.
No meio da tarde do décimo primeiro dia do festival do Ridván, há cem anos, ‘Abdu’l-Bahá, ante uma audiência de várias centenas de pessoas, ergueu um machado e cortou o relvado que cobria o terreno do Templo em Grosse Pointe, ao norte de Chicago. Aqueles que haviam sido convidados a junto com Ele limpar o solo naquele dia primaveril eram de diversas origens – noruegueses, indianos, franceses, japoneses, persas, indígenas americanos, para citar apenas alguns. Era como se a Casa de Adoração, ainda por construir, estivesse realizando os desejos do Mestre, expressados na véspera da cerimônia, em relação a tal edifício: “que a humanidade possa encontrar um lugar de reunião” e “que a proclamação da unicidade da humanidade seja anunciada de seus recintos de santidade”.
Seus ouvintes naquela ocasião, e todos os que O ouviram no decorrer de Suas viagens ao Egito e ao Ocidente, devem ter entendido apenas vagamente as profundas implicações de Suas palavras para a sociedade, para seus valores e preocupações. Ainda hoje, pode alguém ter a pretensão de ter vislumbrado qualquer coisa senão uma insinuação, distante e nebulosa, a respeito da futura sociedade que a Revelação de Bahá’u’lláh está destinada a erigir? Pois que ninguém suponha que a civilização em direção à qual os ensinamentos divinos impelem o gênero humano resultará simplesmente de ajustes à ordem atual. Longe disso. Numa palestra proferida alguns dias depois de ter Ele lançado a pedra fundamental do Templo-Mãe do Ocidente, ‘Abdu’l-Bahá afirmou que “Um dos resultados da manifestação das forças espirituais é que o mundo humano tomará uma nova configuração social” que “a justiça de Deus se manifestará em todos os afazeres humanos”. Esta e incontáveis outras elocuções do Mestre às quais a comunidade bahá’í está se volvendo repetidas vezes neste período centenário, elevam a percepção da distância que separa a sociedade, como ela é organizada atualmente, da estupenda visão que Seu Pai conferiu ao mundo.
Infelizmente, a despeito dos louváveis esforços de indivíduos bem intencionados em todas as terras, que trabalham para a melhora das condições da sociedade, os obstáculos que impedem a realização de tal visão parecem, para muitos, intransponíveis. Suas esperanças se perdem em premissas errôneas a respeito da natureza humana, as quais de tal maneira permeiam a estrutura e as tradições de boa parte da vida atual a ponto de terem alcançado a posição de um fato estabelecido. Essas premissas parecem não fazer qualquer concessão ao extraordinário repositório de potencial espiritual disponível a qualquer alma iluminada que a ele recorra; em vez disso, buscam justificativa nas deficiências da humanidade, cujos exemplos diariamente reforçam um senso comum de desespero. Desse modo, um véu de múltiplas camadas de falsas premissas obscurece uma verdade fundamental: A condição do mundo reflete uma distorção do espírito humano, não sua natureza essencial. O propósito de todo Manifestante de Deus é alcançar uma transformação tanto na vida interior como nas condições externas da humanidade. E esta transformação ocorre naturalmente à medida que um crescente contingente de pessoas, unidas pelos preceitos divinos, coletivamente procura desenvolver capacidades espirituais para contribuir a um processo de transformação social. De modo similar à dura terra golpeada pelo mestre há um século, as teorias predominantes desta era podem à primeira vista parecer imunes à alteração, porém, sem dúvida desvanecer-se-ão, e através das “chuvas vernais das graças de Deus”, as “flores da verdadeira compreensão” brotarão frescas e formosas.
Rendemos graças a Deus que, através da potência de Sua Palavra, vocês – a comunidade de Seu Nome Supremo – estão cultivando ambientes em que a verdadeira compreensão pode florescer. Mesmo aqueles que sofrem aprisionamento devido a Fé, através de seu indizível sacrifício e firmeza, estão fazendo florescer em corações compassivos os “jacintos do conhecimento e sabedoria”. Em todo o globo, almas ansiosas estão sendo engajadas no trabalho de construção de um novo mundo através do cumprimento sistemático das provisões do Plano de Cinco Anos. Suas características foram tão bem compreendidas que não sentimos a necessidade de aqui fazer quaisquer comentários adicionais a respeito. Nossas súplicas, oferecidas no limiar de uma Providência Toda-Generosa, são para que o auxílio do Concurso Supremo seja concedido a cada um de vocês por contribuírem para o progresso do Plano. Nosso fervoroso desejo, estimulado por testemunhar seus consagrados esforços no decorrer do último ano, é que intensificarão a segura aplicação do conhecimento que estão adquirindo através da experiência. Agora não é hora para se conterem; há demasiadas pessoas que permanecem inconscientes do novo alvorecer. Quem, a não ser vocês, pode transmitir a mensagem divina? “Por Deus”, afirma Bahá’u’lláh, referindo-se à Causa, “esta é a arena da perspicácia e do desprendimento, da visão e do enaltecimento, onde cavaleiro algum pode galopar, exceto os valorosos paladinos do Misericordioso, os quais romperam todos os laços com o mundo da existência.”
Observar o mundo bahá’í em atividade é contemplar um panorama deveras brilhante. Na vida do indivíduo bahá’í, que acima de tudo deseja convidar outros à comunhão com o Criador e a prestar serviço à humanidade, pode-se encontrar sinais de transformação espiritual destinada a toda alma pelo Senhor dos Tempos. No espírito que anima as atividades de toda comunidade bahá’í dedicada a incrementar a capacidade de seus membros, jovens e velhos, bem como de seus amigos e colaboradores, para servir ao bem-estar comum, pode-se perceber um indício de como uma sociedade alicerçada nos ensinamentos divinos poderá vir a se desenvolver. E naqueles agrupamentos avançados, nos quais há abundância de atividades regidas pela estrutura do Plano, e onde há extrema urgência na necessidade de assegurar coerência entre as linhas de ação, as estruturas administrativas em desenvolvimento oferecem vislumbres, por mais tênues que sejam, de como as instituições da Fé virão a assumir, gradativamente, uma extensão mais ampla de suas responsabilidades para promover o bem-estar e progresso humanos. Evidentemente, então, o desenvolvimento do indivíduo, da comunidade e das instituições encerra imensa promessa. Mas, além disso, observamos com alegria especial o modo como as relações unindo esses três elementos são marcadas por tão carinhosa afeição e apoio mútuo.
Em contraste, as relações entre os três atores correspondentes no mundo em geral – o cidadão, a nação e as instituições da sociedade – refletem a discórdia que caracteriza o turbulento estágio de transição da humanidade. Não dispostos a atuar como partes interdependentes de um todo orgânico, eles estão enredados em uma luta pelo poder que a final prova ser fútil. Quão diferente a sociedade que ‘Abdu’l-Bahá retrata em inúmeras Epístolas e palestras – na qual as interações cotidianas, tanto quanto as relações de estado, são moldadas pela consciência da unicidade do gênero humano. Relacionamentos imbuídos dessa consciência estão sendo cultivados por bahá’ís e seus amigos em aldeias e vizinhanças, no mundo todo; delas se pode detectar a pura fragrância da reciprocidade e da cooperação, da concórdia e do amor. Em meio a tal cenário despretensioso, está emergindo uma alternativa visível ao conhecido conflito da sociedade. Assim, torna-se evidente que o indivíduo que deseja exercer a autoexpressão de forma responsável participa ponderadamente da consulta dedicada ao bem comum e rejeita a tentação de insistir em opiniões pessoais; uma instituição bahá’í, valorizando a necessidade de uma ação coordenada, canalizada para finalidades proveitosas, não visa controlar, mas sim estimular e encorajar; a comunidade que deve vir a se responsabilizar pelo seu próprio desenvolvimento, reconhece como um recurso inestimável a unidade resultante de um engajamento sincero nos planos delineados pelas instituições. Sob a influência da Revelação de Bahá’u’lláh, as relações entre esses três elementos estão sendo dotadas de novo entusiasmo, nova vida; coletivamente, elas constituem uma matriz na qual uma civilização espiritual mundial, que leva a marca da inspiração divina, amadurece gradualmente.
A luz da Revelação está destinada a iluminar toda esfera de empenho; em cada uma, as relações que sustentam a sociedade têm que ser remodeladas; em cada uma, o mundo busca exemplos de como os seres humanos devem ser uns para com os outros. Oferecemos para sua consideração, dado o seu visível papel na geração do furor em que tantas pessoas foram recentemente envolvidas -- a vida econômica da humanidade, na qual a injustiça é tolerada com indiferença e o ganho desproporcional é considerado como emblema do sucesso. Tão profundamente entrincheiradas estão tais atitudes perniciosas que é difícil imaginar como algum indivíduo poderia sozinho alterar os padrões predominantes que regem os relacionamentos neste campo. Contudo, certamente existem práticas que um bahá’í evitaria, tais como a desonestidade em seus negócios ou a exploração econômica de outros. A fiel adesão às admoestações divinas exige que não haja contradição entre sua conduta econômica e sua crença como bahá’í. Aplicando em sua vida aqueles princípios da Fé que se relacionam à probidade e equidade, uma única alma pode sustentar um padrão muito acima do baixo limiar pelo qual o mundo se autoavalia. A humanidade está cansada, carente por um padrão de vida ao qual possa aspirar; confiamos em que vocês fomentem comunidades cuja conduta dê esperança ao mundo.
Na nossa mensagem do Ridván de 2001, indicamos que em países onde o processo de entrada em tropas estivesse suficientemente avançado e as condições nas comunidades nacionais fossem favoráveis, aprovaríamos o estabelecimento de Casas de Adoração em âmbito nacional, cujo surgimento se tornaria um aspecto da Quinta Época da Idade Formativa da Fé. Com extremo regozijo, anunciamos agora que serão erguidos Mashriqu’l-Adhkárs nacionais em dois países: a República Democrática do Congo e Papua Nova Guiné. Neles, os critérios que estabelecemos foram demonstravelmente preenchidos e a resposta de seus povos às possibilidades criadas pela atual série de Planos não foi nada menos que notável. Com a construção em andamento do último dos templos continentais em Santiago, o lançamento de projetos para a construção das Casas de Adoração nacionais oferece ainda outra evidência gratificante da penetração da Fé de Deus no solo da sociedade.
Um passo adicional é possível. O Mashriqu’l-Adhkár, descrito por ‘Abdu’l-Bahá como “uma das instituições mais vitais do mundo”, une dois aspectos essenciais e inseparáveis da vida bahá’í: adoração e serviço. A união desses dois aspectos reflete-se também na coerência existente entre os aspectos de construção de comunidade do Plano, especialmente o florescimento de um espírito de devoção que encontra expressão em reuniões para oração e um processo educacional que desenvolve capacidade para serviço à humanidade. A correlação entre adoração e serviço é especialmente pronunciada naqueles agrupamentos ao redor do mundo onde as comunidades bahá’ís cresceram significativamente em tamanho e vitalidade, e onde o engajamento em ação social é evidente. Algumas delas foram designadas como centros para a disseminação da aprendizagem de modo a nutrir a habilidade dos amigos em avançar o programa de pré-jovens em regiões associadas. A capacidade de manter esse programa, conforme indicamos recentemente, também estimula o desenvolvimento de círculos de estudo e aulas para crianças. Desse modo, além de seu objetivo básico, o centro de aprendizagem fortalece todo o esquema de expansão e consolidação. É nesses agrupamentos que, nos anos vindouros, a emergência de um Mashriqu’l-Adhkár local poderá ser contemplada. Com os corações transbordantes de gratidão à Beleza Antiga, regozijamo-nos em informá-los que estamos entrando em consulta com as respectivas Assembleias Espirituais Nacionais quanto à construção da primeira Casa de Adoração local em cada um dos seguintes agrupamentos: Battambang, Camboja; Bihar Sharif, Índia; Matunda Soy, Quênia; Norte del Cauca, Colombia; e Tanna, Vanuatu.
Para apoiar a construção dos dois Mashriqu’l-Adhkárs nacionais e dos cinco locais, decidimos estabelecer um Fundo de Templos no Centro Mundial Bahá’í em benefício de todos esses projetos. Os amigos em todas as partes são convidados a contribuir de modo sacrificial para esse fundo, conforme os seus recursos permitam.
Amados colaboradores: O solo fendido pela mão de ‘Abdu’l-Bahá cem anos atrás deve ser novamente fendido em mais sete países, sendo isso apenas um prelúdio para o dia em que, em obediência à ordem de Bahá’u’lláh, em cada cidade e aldeia será erigido um edifício para a adoração do Senhor. Desses Pontos do Alvorecer da Lembrança de Deus irradiar-se-ão os raios de Sua luz e soarão os hinos em Seu louvor.
Ao iniciar-se este glorioso período, nossos olhos se iluminam ao contemplarmos o recém desvelado esplendor da cúpula dourada que coroa o excelso Santuário do Báb. Restaurado conforme o sublime esplendor projetado por Shoghi Effendi, esse augusto edifício novamente brilha para a terra, para o mar e para o céu, de dia e à noite, atestando a majestade e a santidade dAquele Cujos sagrados restos mortais nele se abrigam.
Este momento de júbilo sincroniza-se com a finalização de um auspicioso capítulo no desenvolvimento do Plano Divino. Resta somente uma única década do primeiro século da Idade Formativa, os primeiros cem anos que se passarão à benévola sombra da Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá. O Plano de Cinco Anos que ora se encerra é sucedido por outro cujas características já se tornaram objeto de intenso estudo em todo o mundo bahá’í. De fato, não poderíamos sentirmo-nos mais gratos com a reação à nossa mensagem dirigida à Conferência dos Corpos Continentais de Conselheiros e à mensagem do Ridván de doze meses atrás. Não satisfeitos com um entendimento fragmentário de seus conteúdos, os amigos estão se referindo a essas mensagens mais e mais vezes, individualmente e em grupos, em reuniões formais e espontâneas. Seu entendimento é enriquecido pela participação ativa e instruída nos programas de crescimento que estão sendo estimulado s em seus agrupamentos. Consequentemente, a comunidade bahá’í por todo o mundo absorveu conscientemente em poucos meses o que é necessário para impulsioná-la para um início confiante rumo à próxima década.
Durante o mesmo período, em vários continentes se sucederam momentos de revolta política e tumulto econômico abalando governos e povos. Sociedades foram levadas à beira da revolução e, em casos dignos de nota, ao seu limite. Líderes estão percebendo que nem armas e nem riquezas garantem segurança. Onde as aspirações dos povos não foram realizadas, houve imensa indignação. Lembramo-nos de quão incisivamente Bahá’u’lláh admoestou os governantes do mundo: “Vossos povos são vossos tesouros. Acautelai-vos para que vosso governo não viole os mandamentos de Deus, e não entregueis vossos tutelados às mãos do ladrão.” Uma palavra de advertência: Não importa quão cativante seja a demonstração de fervor do povo por mudança, deve-se lembrar que há interesses que manipulam o rumo dos acontecimentos. E, enquanto o remédio prescrito pelo Médico Divino não for administrado, as tribulações desta época hão de persistir e se intensificar. Um observad or atento do tempo presente prontamente reconhecerá a acelerada desintegração - vacilante, porém inexorável - de uma ordem mundial lamentavelmente defeituosa.
No entanto, discernível também é sua contraparte, o processo construtivo que o Guardião relacionou à “nascente Fé de Bahá’u’lláh” e descreveu como “o precursor da Nova Ordem Mundial que aquela Fé em breve deverá estabelecer.” Seus efeitos indiretos podem ser vistos na efusão de sentimentos, especialmente da parte dos jovens, que nascem de um anelo de contribuir para o desenvolvimento social. É uma graça concedida aos seguidores da Beleza Antiga que este anelo, que inexoravelmente emana do espírito humano em todas as terras, seja capaz de encontrar tão eloquente expressão no trabalho que a comunidade bahá’í está realizando em capacitar as diversas populações do planeta para uma ação efetiva. Há algum privilégio que se possa comparar a este?
Para ter uma compreensão deste trabalho, que cada crente se volva para ‘Abdu’l-Bahá, o centenário de Cujas “memoráveis jornadas” ao Egito e ao Ocidente está sendo agora assinalado. Ele expôs incansavelmente os ensinamentos em todos os ambientes sociais: em lares e missões, igrejas e sinagogas, parques e praças públicas, trens e navios, clubes e sociedades, escolas e universidades. Intransigente na defesa da verdade, no entanto infinitamente gentil em Seus modos, Ele aplicou os princípios divinos universais às necessidades da época. A todos, sem distinção – funcionários públicos, cientistas, trabalhadores, crianças, pais, exilados, ativistas, clérigos, céticos – Ele concedeu amor, sabedoria, conforto, qualquer que fosse a necessidade de cada um. Enquanto elevava suas almas, Ele desafiava suas ideias, reorientava suas perspectivas, expandia suas consciências e dava foco às suas energias. Demonstrou, por palavras e atos, tal compaixão e generosidade que os corações eram completamente transformados. Ninguém era excluído. Nossa grande esperança é que uma frequente lembrança das incomparáveis realizações do Mestre, durante este período centenário, inspire e fortaleça Seus sinceros admiradores. Mantenham Seu exemplo diante de seus olhos e dele não se desviem; que seja seu guia instintivo em sua busca do objetivo do Plano. No início do primeiro Plano global da comunidade bahá’í, Shoghi Effendi descreveu em linguagem persuasiva os sucessivos estágios pelos quais a luz divina havia sido acesa no Síyáh-Chal, revestida com a lâmpada da revelação em Bagdá, difundida em países na Ásia e África, assim como brilhara com resplendor adicional em Adrianópolis e posteriormente em ‘Akká, projetara-se para além dos mares aos demais continentes, e pelos quais seria progressivamente difundida pelos países e territórios do mundo. A parte final desse processo ele caracterizou como a “penetração daquela luz... em todos os territórios restantes do globo”, referindo-se a esse como “o estágio em que a luz da triunfante Fé de Deus, brilhando em seu pleno poder e glória, terá sido difundida e abrangido o planeta inteiro.” Embora essa meta esteja longe de ter sido alcançada, a luz já resplandece intensamente em muitas regiões. Em alguns países, ela brilha em todos os agrupam entos. Na terra em que a inextinguível luz foi inicialmente acesa, ela arde brilhante, apesar daqueles que querem apagá-la. Em diversas nações, ela alcança um brilho constante por todo um conjunto de vizinhanças e povoados, à medida que mais e mais velas são acesas em mais e mais corações pela Mão da Providência; ela ilumina sérias conversações em todos os níveis de interação humana; lança seus raios sobre uma miríade de iniciativas para promover o bem-estar de um povo. E, em todas as instâncias ela se irradia de um crente fiel, de uma comunidade vibrante, de uma Assembleia Espiritual amorosa – sendo cada um deles um farol de luz frente à escuridão.
Suplicamos sinceramente, no Sagrado Limiar, que cada um de vocês, portadores da chama imorredoura, possa ser envolvido pelas potentes confirmações de Bahá’u’lláh enquanto transmitem a centelha da fé a outros.
Com corações plenos de admiração pelos seguidores de Bahá’u’lláh, temos o prazer de anunciar que, ao se iniciar este mais jubiloso período do Ridván, em todos os continentes do globo há um novo incremento nos programas intensivos de crescimento, elevando mundialmente o número total para além da marca dos 1500, e assegurando a meta do Plano de Cinco Anos um ano antes de sua conclusão. Prostramos nossas cabeças em sinal de gratidão a Deus por esta impressionante realização, esta notável vitória. Todos aqueles que trabalharam nesse campo apreciarão a graça que Ele conferiu à Sua comunidade, concedendo-lhe um ano inteiro para fortalecer o padrão de expansão e consolidação ora estabelecido em todos os lugares, em preparação às tarefas para as quais será chamada a encarregar-se em seu próximo empreendimento global – um plano de cinco anos de duração, o quinto de uma série com o propósito explícito de avançar o processo de entrada em tropas.
Sentimo-nos impelidos, ao fazermos uma pausa nesta ocasião festiva, a deixar claro que o que evoca tão profundo senso de orgulho e gratidão em nossos corações não é tanto a proeza numérica por vocês alcançada, por mais notável que seja, mas uma combinação de desenvolvimentos no mais profundo nível de cultura, a que estas realizações dão testemunho. O principal entre eles é o aumento que temos notado na capacidade dos amigos de dialogarem com os outros a respeito de assuntos espirituais e de falarem com facilidade sobre a Pessoa de Bahá’u’lláh e Sua Revelação. Eles entenderam bem que ensinar é um requisito básico de uma vida de se dar generosamente.
Em mensagens recentes, expressamos júbilo ao testemunhar o contínuo aumento no ritmo do ensino em todo o mundo. O cumprimento desta obrigação espiritual fundamental pelos indivíduos bahá’ís sempre foi, e continua a ser, uma característica indispensável da vida bahá’í. O que o estabelecimento de 1.500 programas intensivos de crescimento deixou bem claro é o quão corajosas e decididas tornaram-se as fileiras dos crentes em sair do seu círculo imediato de parentes e amigos, prontos para serem guiados pela Mão orientadora do Todo-Misericordioso a almas receptivas em quaisquer regiões que possam residir. Até mesmo as estimativas mais modestas sugerem que hoje há dezenas de milhares de participantes em campanhas periódicas para estabelecer laços de amizade baseados em mútuo entendimento com aqueles que anteriormente eram considerados como estranhos.
Em seus esforços para apresentar as verdades essenciais da Fé clara e inequivocamente, os crentes têm sido grandemente beneficiados pelo exemplo ilustrativo no Livro 6 do Instituto Ruhi. Onde a lógica subjacente a essa apresentação é reconhecida e superado o anseio de transformá-la numa fórmula, ela dá a oportunidade de um diálogo entre duas almas – um diálogo que se distingue pela profundidade do entendimento alcançado e a natureza da relação estabelecida. Na medida em que a conversa prossegue além do primeiro encontro e verdadeiras amizades são estabelecidas, um esforço de ensino direto deste tipo pode se tornar um catalisador de um processo duradouro de transformação espiritual. Não é uma preocupação primordial se o primeiro contato com esses amigos recém encontrados resulta num convite para se alistarem na comunidade bahá’í ou para participarem em uma das suas atividades. O mais importante é que toda alma sinta-se bem-vinda para se unir à comunidade para contribuir na melhora da sociedade, iniciando um caminho de serviço à humanidade no qual, desde o início ou mais adiante, pode ocorrer a declaração formal.
A importância desse desenvolvimento não deve ser subestimada. Em todo agrupamento, uma vez que esteja ocorrendo um padrão consistente de ação, é necessário que se dê atenção a torná-lo mais amplo por meio de uma rede de colegas e conhecidos, ao mesmo tempo em que se concentra energia em pequenos grupos da população - cada um das quais deve se tornar um centro de intensa atividade. Num agrupamento urbano, tal centro de atividade pode ser melhor definido pelos limites de uma vizinhança; num agrupamento de caráter essencialmente rural, um pequeno povoado pode oferecer um espaço social adequado para esse fim. Aqueles que servem em tais ambientes, tanto habitantes locais quanto instrutores visitantes, certamente verão seu trabalho em termos de construção da comunidade. Designar seu esforço de ensino com rótulos como “de porta em porta”, ainda que o primeiro contato possa implicar em contatar os residentes de uma casa sem aviso prévio, não estará fazendo justiça a um processo que visa promover, dentro de uma população, capacidade para assumir seu próprio desenvolvimento espiritual, social e intelectual. As atividades que conduzem esse processo, e às quais amigos recém-encontrados são convidados a se engajar – reuniões que fortalecem o caráter devocional da comunidade; aulas que nutrem os tenros corações e mentes das crianças; grupos que canalizam as energias que brotam dos pré-jovens; círculos de estudos, abertos a todos, que permitem pessoas de vários antecedentes progredirem em pé de igualdade e explorarem a aplicação dos ensinamentos em suas vidas pessoais e coletivas – bem podem necessitar de manutenção por meio de auxílio externo à população local por um período. Espera-se, porém, que a multiplicação dessas atividades centrais logo seja sustentada pelos recursos humanos nativos daquela própria vizinhança ou povoado – por homens e mulheres ansiosos por melhorar as condições materiais e espirituais à sua volta. Um ritmo de vida comunitária deve emergir gradualmente, então, correspondendo à capacidade de um crescente núcleo de indivíduos comprometidos com a visão de Bahá’u’lláh de uma nova Ordem Mundial.
Nesse contexto, a receptividade se manifesta na disposição em participar do processo de construção da comunidade promovido pelas atividades centrais. Em agrupamento após agrupamento onde um programa intensivo de crescimento está atualmente em operação, a tarefa perante os amigos nesse próximo ano é a de ensinar em meio a uma ou mais populações receptivas - utilizando um método direto em sua exposição dos fundamentos de sua Fé - e encontrar aquelas almas que anseiam em deixar a letargia que a sociedade lhes impôs e trabalhar uns com os outros em suas vizinhanças e povoados para iniciar o processo de transformação coletiva. Se os amigos persistirem em seus esforços para aprender os caminhos e métodos de construção de comunidades em pequenos grupos desse modo, estamos certos de que a tão estimada meta de participação universal nos assuntos da Fé avançará enormemente muito em breve.
Para cumprirem este desafio, os crentes e as instituições que os servem deverão fortalecer o processo de instituto no agrupamento, aumentando significativamente dentro de seus limites o número daqueles capazes de agir como tutores de círculos de estudo; pois se deve reconhecer que a oportunidade que agora se abre diante dos amigos de criar uma vida comunitária vibrante em vizinhanças e povoados, caracterizada por um sentimento tão profundo de propósito, somente se tornou possível devido aos cruciais desenvolvimentos que ocorreram ao longo da década passada naquele aspecto da cultura bahá’í que diz respeito ao aprofundamento.
Quando, em dezembro de 1995, convocamos o estabelecimento de institutos de capacitação mundialmente, o padrão mais predominante na comunidade bahá’í para ajudar os crentes individuais a aprofundarem seu conhecimento sobre a Fé consistia principalmente em cursos e aulas ocasionais, de durações variáveis, que tratavam de uma diversidade de assuntos. Aquele padrão havia atendido bem às necessidades de uma comunidade bahá’í emergente de âmbito mundial, ainda relativamente pequena em número e preocupada principalmente com sua expansão geográfica por todo o globo. Na época, entretanto, deixamos claro que uma outra abordagem para o estudo das escrituras deveria tomar forma - uma que estimulasse grandes números de pessoas para o campo de ação a fim de que o processo de entrada em tropas se acelerasse de forma apreciável. Desse modo, pedimos que os institutos de capacitação ajudassem contingentes cada vez maiores de crentes a servir a Causa por meio da provisão de cursos que pudessem transmitir o conhecimento, percepções e habilidades necessárias para cumprir os muitos deveres relacionados à expansão e consolidação aceleradas.
Ler os escritos da Fé e esforçar-se para obter um entendimento mais adequado da importância da estupenda Revelação de Bahá’u’lláh são obrigações que recaem sobre cada um de Seus seguidores. A todos foi ordenado imergir no oceano de Sua Revelação e, de acordo com suas capacidades e tendências, compartilhar das pérolas de sabedoria que aí se encontram. Sob essa luz, aulas locais de aprofundamento, escolas de inverno e verão, e reuniões planejadas especialmente - nas quais indivíduos bahá’ís versados nos escritos podiam compartilhar com os demais percepções a respeito de assuntos específicos - surgiam naturalmente como características importantes da vida bahá’í. Tal como o hábito de leitura diária permanecerá como parte integrante da identidade bahá’í, estas formas de estudo continuarão a manter seu lugar na vida coletiva da comunidade. Mas entender as implicações da Revelação, tanto em termos de crescimento individual como de progresso social, aumenta muito quando estudo e serviço se unem e são realizados em conjunto. Lá, no campo do serviço, o conhecimento é testado, questões surgem da prática, e novos níveis de entendimento são alcançados. No sistema de educação à distância que agora foi estabelecido em país após país – cujos principais elementos incluem círculos de estudo, o tutor e o currículo do Instituto Ruhi – a comunidade mundial bahá’í adquiriu a capacidade de permitir que milhares, ou melhor, milhões estudem os escritos em pequenos grupos com o propósito explícito de traduzir os ensinamentos bahá’ís para a realidade, levando avante o trabalho da Fé para o seu próximo estágio: expansão e consolidação sustentáveis em larga escala.
Que ninguém deixe de apreciar as possibilidades assim criadas. Hoje, a passividade é alimentada pelas forças da sociedade. O desejo de divertimento é nutrido desde a infância com eficiência crescente, cultivando gerações dispostas a serem conduzidas por quem quer que se mostre capaz de apelar para emoções superficiais. Até mesmo em muitos sistemas educacionais os estudantes são tratados como se fossem receptáculos destinados a receber informação. É uma realização de enormes proporções que o mundo bahá’í tenha obtido êxito em desenvolver uma cultura que promove uma maneira de pensar, estudar e agir na qual todos se consideram trilhando um caminho comum de serviço – apoiando uns aos outros e avançando juntos, respeitando a todo momento o conhecimento que cada um tem e evitando a tendência de dividir os crentes em categorias como aprofundados e desinformados. E nisso reside a dinâmica de um movimento irreprimível.
O imperativo é que a qualidade do processo educacional fomentado no âmbito do círculo de estudo aumente consideravelmente no próximo ano, de modo que o potencial de populações locais em criar tal dinâmica seja realizado. Muito recairá, nesse sentido, sobre aqueles que servem como tutores. Deles será o desafio de prover o ambiente previsto nos cursos do instituto, um ambiente conducente à capacitação espiritual de indivíduos que passarão a se ver como agentes ativos de seu próprio aprendizado, como protagonistas de um esforço constante de aplicar o conhecimento para realizar transformação individual e coletiva. Se houver falha nisso, não importa quantos círculos de estudo sejam formados num agrupamento, as forças necessárias para produzir mudança não serão geradas.
Para que o trabalho do tutor alcance graus cada vez maiores de excelência, é preciso lembrar que a responsabilidade primária do desenvolvimento de recursos humanos numa região ou país cabe ao instituto de capacitação. Enquanto se esforça para aumentar o número de seus participantes, o instituto, como uma estrutura – do grupo coordenador, até os coordenadores em diferentes níveis, e os tutores nas raízes - deve dar a mesma ênfase na efetividade do sistema em sua totalidade, pois em última análise ganhos quantitativos permanentes dependem de progresso qualitativo. No nível do agrupamento, o coordenador deve imprimir tanto experiência prática como dinamismo aos seus esforços de acompanhar aqueles que servem como tutores. Deve organizar-lhes reuniões periódicas para refletirem sobre os seus esforços. Eventos organizados para repetir o estudo de segmentos selecionados do material do instituto podem ocasionalmente se mostrar úteis, desde que não inculquem a necessidade de treinamento perpétuo. As capacidades de um tutor se desenvolvem progressivamente à medida que o indivíduo entra no campo da ação e auxilia outros a contribuir para o objetivo da atual série de Planos globais, por meio do estudo da sequência de cursos e da implementação de seus componentes práticos. E, à medida que homens e mulheres de diversas idades passam pela sequência e completam o estudo de cada curso com a ajuda de tutores, outros devem permanecer em prontidão para acompanhá-los em atos de serviço empreendidos de acordo com suas capacidades e interesses – especialmente os coordenadores responsáveis por aulas para crianças, por grupos de pré-jovens e por círculos de estudo - atos de serviço cruciais para a perpetuação do próprio sistema. Assegurar que a medida apropriada de vitalidade esteja pulsando através desse sistema deve continuar a ser objeto de intenso aprendizado intensa aprendizagem em todos os países no decurso dos próximos doze meses.
Há muito tempo, a preocupação com a educação espiritual das crianças tem sido um elemento da cultura da comunidade bahá’í, uma preocupação que resultou em duas realidades coexistentes. Uma, emulando as realizações dos bahá’ís do Irã, caracterizou-se pela capacidade de oferecer aulas sistemáticas - de série em série - a crianças de famílias bahá’ís, geralmente com o objetivo de compartilhar conhecimentos básicos da história e dos ensinamentos da Fé a gerações em formação. Na maior parte do mundo, o número dos que se beneficiaram de tais aulas foi relativamente pequeno. A outra realidade emergiu em regiões onde ocorreram adesões em grande escala - tanto rurais como urbanas. Uma atitude mais inclusiva dominou tal experiência. No entanto, enquanto crianças de todos os tipos de família estavam ao mesmo tempo ansiosas e eram bem-vindas a frequentarem tais aulas bahá’ís, diversos fatores impediam que as aulas fossem conduzidas com a necessária regularidade, ano após ano. Quão satisfeitos estamos em ver essa dualidade - consequência de circunstâncias históricas - começar a se desfazer à medida que amigos treinados pelos institutos em todos os lugares se esforçam em oferecer aulas, abertas a todos, de um modo sistemático.
Esse início promissor deve ser agora vigorosamente prosseguido. Em todo agrupamento com um programa intensivo de crescimento em operação, há necessidade de fazer esforços para sistematizar ainda mais a provisão de educação espiritual a um número crescente de crianças de famílias de muitas origens – um requisito da construção de comunidades que adquire ímpeto em vizinhanças e povoados. Essa será uma tarefa desafiadora, que demanda paciência e cooperação tanto da parte dos pais como das instituições. O Instituto Ruhi já foi requisitado a acelerar planos para a complementação de seus cursos para treinamento de professores de aulas para crianças em diferentes níveis, incluindo as lições correspondentes, começando com as crianças de cinco ou seis anos de idade e prosseguindo com as de dez ou onze, a fim de eliminar a atual brecha entre lições existentes e seus livros-texto para pré-jovens, tais como o “Espírito de Fé” e o vindouro “Poder do Espírito Santo”, que provêm um componente claramente bahá’í para o programa para essa faixa etária. À medida que esses cursos e lições adicionais se tornarem disponíveis, os institutos em todos os países serão capazes de preparar os professores e os coordenadores necessários para colocar em funcionamento, série após série, o núcleo de um programa para a educação espiritual das crianças em torno do qual os elementos secundários podem ser organizados. Enquanto isso, os institutos devem fazer o máximo para prover professores com materiais adequados, dentre outros atualmente existentes, para uso em suas aulas com crianças de várias idades, na medida do necessário.
O Centro Internacional de Ensino ganhou nossa permanente gratidão pelo ímpeto vital que imprimiu aos esforços para assegurar a realização antecipada da meta do Plano de Cinco Anos. Apreciar o grau de energia que ele trouxe a este empreendimento global, seguindo tenazmente o progresso em todos os continentes e colaborando tão intimamente com os Conselheiros Continentais, foi como ter um vislumbre do tremendo poder inerente à Ordem Administrativa. À medida que o Centro de Ensino volve sua atenção com igual vigor a questões relacionadas à eficácia das atividades no nível do agrupamento, sem dúvida dará especial consideração para com a implementação de aulas bahá’ís para crianças. Estamos confiantes que sua análise da experiência adquirida em alguns agrupamentos selecionados nesse próximo ano, representativos de diversas realidades sociais, irradiarão luz sobre questões práticas que possibilitarão o estabelecimento de aulas regulares para crianças de todas as idades em bairros e povoados.
A rápida expansão do programa para o empoderamento espiritual de pré-jovens é ainda outra expressão do avanço cultural na comunidade bahá’í. Enquanto as tendências globais projetam uma imagem desse grupo etário como problemática - perdida nas dores de uma tumultuada mudança física e emocional, indiferente e ensimesmada - a comunidade bahá’í – na linguagem que emprega e nas abordagens que adota – caminha firmemente na direção oposta, vendo, ao invés, altruísmo no pré-jovem, um agudo senso de justiça, anseio por aprender acerca do universo e um desejo de contribuir para a construção de um mundo melhor. Relatos após relatos, nos quais pré-jovens em todos os países do planeta dão expressão aos seus pensamentos como participantes do programa, atestam a validade dessa visão. Há todas as indicações de que o programa emprega sua crescente percepção numa exploração da realidade que os ajuda a analisar as forças construtivas e destrutivas que atuam na sociedade e a reconhecer a influência que essas forças exercem sobre seus pensamentos e ações, aguçando sua percepção espiritual e intensificando seus poderes de expressão e reforçando as estruturas morais que lhes servirão durante sua vida. Numa idade em que o florescimento das capacidades intelectuais, espirituais e físicas se lhes torna acessível, eles recebem as ferramentas necessárias para combater as forças que lhes roubariam sua verdadeira identidade como seres nobres e para trabalhar pelo bem comum.
O fato de que o principal componente do programa explora temas sob uma perspectiva bahá’í, mas não à maneira de uma instrução religiosa, abriu o caminho para sua extensão aos pré-jovens, numa variedade de cenários e circunstâncias. Em muitas de tais instâncias, aqueles que implementam o programa entram confiantes na área de ação social, deparando-se com uma variedade de questões e possibilidades que estão sendo acompanhadas e organizadas num processo global de aprendizagem pelo Escritório de Desenvolvimento Socioeconômico na Terra Santa. O contingente acumulado de conhecimento e experiência já produziu em diversos agrupamentos, espalhados pelo mundo todo, a capacidade de cada um manter mais de mil pré-jovens no programa. Para ajudar outros a avançarem rapidamente nessa direção, o Escritório está estabelecendo uma rede de centros em todos os continentes, com o auxílio de um grupo de crentes, que podem ser utilizados para prover treinamento a coordenadores de grande número de agrupamentos. Essas pessoas-recurso continuam a apoiar os coordenadores após o regresso a seus respectivos agrupamentos, capacitando-os a criar um ambiente imbuído espiritualmente, no qual o programa de pré-jovens pode criar raízes.
Conhecimento adicional certamente acumular-se-á nesse campo de esforços, embora um padrão de ação já esteja claro. Somente a capacidade da comunidade bahá’í limita a amplitude de sua resposta à demanda pelo programa por escolas e grupos civis. Dentro dos agrupamentos que hoje são o foco de um programa intensivo de crescimento há uma ampla gama de circunstâncias - desde aqueles com alguns grupos esporádicos de pré-jovens até aqueles que mantêm um número suficiente a ponto de requerer os serviços de um coordenador dedicado que possa receber apoio constante de um centro para a disseminação da aprendizagem. Para assegurar o crescimento dessa capacidade em todo o espectro desses agrupamentos, estamos requerendo 32 centros de aprendizagem, cada um servindo a cerca de vinte agrupamentos com coordenadores de tempo integral e que estejam funcionando até o final do atual Plano. Em todos os agrupamentos restantes deve-se dar prioridade à criação de capacidade no decorrer do próximo ano para oferecer o programa, multiplicando sistematicamente o número de grupos.
Os progressos que mencionamos até agora – o aumento da capacidade de ensinar a Fé diretamente e entrar numa discussão dotada de propósito sobre temas de relevância espiritual com pessoas de todas as camadas sociais, o desabrochar de uma abordagem de estudo dos escritos casada com a ação, a renovação do comprometimento em prover educação espiritual às crianças nas vizinhanças e povoados de um modo regular, e a expansão da influência de um programa que instile nos pré-jovens o senso de um duplo propósito moral para desenvolverem suas potencialidades inerentes e contribuírem com a transformação da sociedade – são todos eles intensamente reforçados por outro avanço cultural cujas implicações são realmente amplas. Esta evolução da consciência coletiva é discernível na crescente frequência com a qual a palavra “acompanhar” aparece nas conversações entre os amigos, uma palavra que está sendo dotada de novo significado à medida que se integra ao vocabulário comum da comunidade bahá’í. Isso assinala o significativo fortalecimento de uma cultura na qual a aprendizagem é o modo de operação, um modo que promove participação consciente de mais e mais pessoas num esforço unido para aplicar os ensinamentos de Bahá’u’lláh na construção de uma civilização divina que, conforme afirma o Guardião, é a missão primária da Fé. Tal abordagem oferece um admirável contraste aos caminhos espiritualmente falidos e moribundos de uma velha ordem social que tão frequentemente procura subordinar a energia humana através de dominação, por meio de ganância, por meio de culpa ou através de manipulação.
Assim, nos relacionamentos entre os amigos esse desenvolvimento na cultura encontra expressão na qualidade de suas interações. A aprendizagem, como um modo de operação, requer que todos assumam uma postura de humildade - condição em que cada um se esquece de si mesmo, tendo completa confiança em Deus, certo de Seu poder que a tudo sustenta e confiante em Sua infalível assistência, sabendo que Ele, e somente Ele, pode transformar a mariposa em águia, a gota em um ilimitado oceano. E em tal estado, as almas trabalham incessantemente juntas, deleitando-se não tanto com suas próprias realizações, mas com o progresso e o serviço dos demais. É assim que seus pensamentos são sempre centrados em ajudar uns aos outros, escalar as alturas de serviço à Sua Causa e elevar-se ao céu de Seu conhecimento. É isso que vemos no atual padrão de atividade que se desdobra no mundo todo, propagado por jovens e idosos, por veteranos e recém-declarados, trabalhando lado a lado.
Este avanço na cultura não somente influencia as relações entre indivíduos, mas seus efeitos podem também ser sentidos na condução dos assuntos administrativos da Fé. Como a aprendizagem começou a distinguir o modo de operação da comunidade, certos aspectos da tomada de decisão relacionados à expansão e consolidação foram transferidos ao corpo de crentes, permitindo que o planejamento e a implementação melhor atendam a realidade de campo. Especificamente, na agência da reunião de reflexão, foi criado um espaço para aqueles que se dedicam as atividades no nível de agrupamento para se reunirem periodicamente, a fim de alcançar um consenso sobre o seu estágio atual - à luz da experiência e da guia das instituições - e para determinar suas próximas ações. Um espaço semelhante é aberto pelo instituto, provendo oportunidades para aqueles que servem como tutores, professores de aulas para crianças e monitores de grupos de pré-jovens no agrupamento, para se reunirem separadamente e consultarem sobre suas experiências. Intimamente ligados a este processo consultivo, nas raízes da comunidade, estão as agências do instituto de capacitação e do Comitê de Ensino de Área, juntamente com os membros do Corpo Auxiliar, cujas interações conjuntas provêm um outro espaço no qual decisões relativas ao crescimento são tomadas, neste caso, com um maior grau de formalidade. O funcionamento deste sistema no nível de agrupamento, nascido das exigências, aponta para uma importante característica da administração bahá’í: tal como um organismo vivo, ela codificou dentro de si a capacidade de acomodar graus mais e mais elevados de complexidade, em termos de estruturas e de processos, relacionamentos e atividades, à medida que evolui sob a guia da Casa Universal de Justiça.
O fato de as instituições da Fé em todos os níveis – desde o local e regional até o nacional e continental – serem capazes de administrar tão crescente complexidade com destreza cada vez maior é tanto um sinal como uma necessidade da sua sólida maturação. O desenvolvimento dos relacionamentos entre as estruturas administrativas levou a Assembleia Espiritual Local ao limiar de um novo estágio no exercício de suas responsabilidades em difundir a Palavra de Deus, em mobilizar as energias dos crentes e em criar um ambiente espiritualmente edificante. Em ocasiões anteriores explicamos que a maturidade de uma Assembleia Espiritual não pode ser avaliada somente pela regularidade de suas reuniões e a eficiência de seu funcionamento. Em grande medida, sua força deve ser mensurada pela vitalidade da vida espiritual e social da comunidade que ela serve – uma comunidade em crescimento que recebe cordialmente as contribuições construtivas tanto daqueles que são formalmente declarados como daqueles que não são. É gratificante ver que as atuais abordagens, métodos e instrumentos estão provendo os meios para as Assembleias Espirituais Locais, mesmo as recentemente formadas, cumprirem essas responsabilidades à medida que começam a tomar providências para assegurar que os requisitos do Plano de Cinco Anos sejam adequadamente satisfeitos em suas localidades. De fato, o envolvimento apropriado da Assembleia com o Plano se torna crucial em qualquer tentativa de acolher grandes números de pessoas – sendo o mesmo um requisito para a manifestação da completa gama de seus poderes e capacidades.
O desenvolvimento que certamente testemunharemos nas Assembleias Locais nos próximos anos será possibilitado pela crescente força das Assembleias Espirituais Nacionais, cuja capacidade de pensar e agir estrategicamente cresceu notavelmente, especialmente à medida que aprenderam a analisar o processo de fortalecimento das comunidades nas bases, com acuidade e eficiência cada vez maiores e, conforme a necessidade, oferecer ajuda, recursos, encorajamento e orientação amorosa. Nos países em que as condições exigem, elas têm transferido várias de suas responsabilidades relacionadas a isso aos Conselhos Regionais, descentralizando certas funções administrativas, incrementando a capacidade institucional em áreas sob sua jurisdição e promovendo sistemas mais sofisticados de interação. Não é exagero dizer que o completo empenho das Assembleias Nacionais foi essencial para criar o ímpeto final necessário para se alcançar a meta do atual Plano, e esperamos ver maiores progressos nessa direção, na medida em que, juntamente com os Conselheiros, elas exercem, no curso dos críticos e fugazes meses à frente, um esforço supremo preparando suas comunidades para embarcar no próximo empreendimento de cinco anos.
Inquestionavelmente, a evolução da instituição dos Conselheiros constitui um dos mais significativos avanços da Ordem Administrativa Bahá’í da década passada. Essa instituição já deu saltos extraordinários em seu desenvolvimento quando, em janeiro de 2001, os Conselheiros e membros do Corpo Auxiliar reuniram-se na Terra Santa para a conferência que marcou a ocasião em que o Centro Internacional de Ensino ocupou sua sede permanente no Monte Carmelo. Não há dúvida de que as energias liberadas por aquele evento rapidamente impulsionaram a instituição adiante. O grau de influência que os Conselheiros e seus auxiliares têm exercido no progresso do Plano demonstra que eles assumiram seu lugar natural na vanguarda do campo de ensino. Estamos confiantes de que o próximo ano estreitará ainda mais a colaboração entre as instituições da Ordem Administrativa enquanto todas se empenham - cada uma de acordo com suas funções e responsabilidades em evolução - em reforçar o modo de aprendizagem que se tornou uma característica distintiva do funcionamento da comunidade – isso com maior urgência naqueles agrupamentos vivenciando programas intensivos de crescimento.
A Revelação de Bahá’u’lláh é vasta. Ela demanda uma profunda mudança não somente no nível do indivíduo, mas também na estrutura da sociedade. ''Não é o objetivo de cada Revelação”, Ele próprio proclama, “efetuar uma transformação em todo o caráter da humanidade, uma transformação que se manifeste tanto exterior como interiormente, que afete sua vida íntima bem como suas condições externas?” O trabalho que progride em todos os cantos do globo hoje representa o último estágio do contínuo empenho bahá’í em criar o núcleo da gloriosa civilização entesourada em Seus ensinamentos, cuja construção é um empreendimento de infinita complexidade e escala, a qual exigirá da humanidade séculos de empenho para sua frutificação. Não existem atalhos, nem fórmulas. Somente na medida do esforço feito para inspirar-se em percepções advindas de Sua Revelação - para penetrar no conhecimento acumulado da raça humana, para aplicar Seus ensinamentos de modo inteligente na vida da humanidade, e para consultar sobre questões que surgem - é que ocorrerá a necessária aprendizagem e a capacidade será desenvolvida.
Neste processo de longo prazo de capacitação, a comunidade bahá’í dedicou quase uma década e meia para sistematizar sua experiência no campo do ensino, aprendendo a abrir certas atividades a mais e mais pessoas e a sustentar sua expansão e consolidação. Todos são bem-vindos ao acolhimento caloroso da comunidade e para receber o sustento da mensagem vivificadora de Bahá’u’lláh. Certamente, não há maior júbilo para uma alma que anseia pela Verdade do que encontrar abrigo na fortaleza da Causa e obter força da potência unificadora do Convênio. Assim, todo ser humano e todo grupo de indivíduos, independente de ser contado entre Seus seguidores, pode obter inspiração de Seus ensinamentos, beneficiando-se de quaisquer joias de sabedoria e conhecimento que o possam ajudar a enfrentar os desafios que se lhe apresentarem. De fato, a civilização que acena para a humanidade não será alcançada somente através do esforço da comunidade bahá’í. Numerosos grupos e organizações - animados pelo espírito de solidariedade mundial, que é uma manifestação indireta da concepção de Bahá’u’lláh do princípio da unicidade da humanidade - contribuirão para a civilização destinada a emergir da confusão e do caos da sociedade hodierna. Deve ficar claro a todos que a capacidade criada na comunidade bahá’í - através de sucessivos Planos globais - torna-a cada vez mais apta a prestar assistência às diversas e variadas dimensões de construção da civilização, abrindo-lhe novas fronteiras de aprendizagem.
Em nossa mensagem do Ridván de 2008 indicamos que, ao continuarem a trabalhar no nível de agrupamentos, os amigos se veriam cada vez mais envolvidos na vida da sociedade e teriam o desafio de ampliar o processo de aprendizagem sistemático em que estão empenhados para abarcar uma variedade mais abrangente de esforços humanos. Uma rica tessitura de vida comunitária começa a emergir em todo agrupamento à medida que atos de adoração coletiva - entremeados de discussões nos ambientes da intimidade do lar - são entrelaçados com atividades que provêm educação espiritual a todos os membros da população – adultos, jovens e crianças. A consciência social é ampliada naturalmente quando, por exemplo, diálogos animados que se proliferam entre pais sobre as aspirações de seus filhos e projetos de serviço brotam da iniciativa de pré-jovens. Uma vez que os recursos humanos num agrupamento se tornam suficientemente abundantes e o padrão de crescimento é firmemente estabelecido, o envolvimento da comunidade com a sociedade pode, e de fato deve, aumentar. Nesse ponto crucial do desenvolvimento do Plano, quando tantos agrupamentos estão se aproximando de tal estágio, parece apropriado que os amigos em todos os lugares reflitam sobre a natureza das contribuições que suas crescentes e vibrantes comunidades farão para o progresso material e espiritual da sociedade. Nesse sentido, mostrar-se-á proveitoso pensar em termos de duas áreas interligadas de atividade reforçando-se mutuamente: envolvimento em ação social e participação nos discursos predominantes na sociedade.
No decorrer de décadas, a comunidade bahá’í adquiriu muita experiência nessas duas áreas de empenho. Certamente, há muitos bahá’ís que estão engajados, como indivíduos, na ação social e no discurso público por meio de sua ocupação. Diversas organizações não-governamentais, inspiradas pelos ensinamentos da Fé e operando nos níveis regional e nacional, estão trabalhando no campo do desenvolvimento social e econômico para a melhoria das condições de seu povo. Agências de Assembleias Espirituais Nacionais estão contribuindo de várias maneiras para a promoção de ideias conducentes ao bem-estar público. No nível internacional, agências como o Escritório da Comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas estão desempenhando função semelhante. Na medida necessária e desejável, os amigos que trabalham nas raízes da comunidade inspirar-se-ão nessa experiência e posição enquanto se esforçam em tratar dos interesses da sociedade que os rodeia.
Melhor concebida em termos de um espectro de atividades, a ação social pode variar de esforços relativamente informais de duração limitada - executados por indivíduos ou pequenos grupos de amigos - a programas de desenvolvimento social e econômico com elevado nível de complexidade e sofisticação, implementados por organizações de inspiração bahá’í. Independente de seu escopo e escala, toda ação social procura aplicar os ensinamentos e princípios da Fé para melhorar algum aspecto da vida social ou econômica de uma população, não importa quão modestamente. Tais esforços distinguem-se, portanto, pelo seu objetivo de promover o bem-estar material da população, além de seu bem-estar espiritual. A essência dos ensinamentos bahá’ís é que o mundo da civilização, que ora se apresenta no horizonte da humanidade, deve alcançar uma coerência dinâmica entre os requisitos materiais e espirituais da vida. Claramente, este ideal tem implicações profundas para a natureza de qualquer ação social empreendida pelos bahá’ís, quaisquer que sejam seu escopo e amplitude de influência. Embora as condições variem de país para país, e talvez de agrupamento para agrupamento, evocando nos amigos uma variedade de esforços, há certos conceitos fundamentais que todos devem ter em mente. Um é a centralidade do conhecimento em relação à existência social. A perpetuação da ignorância é a mais lamentável forma de opressão; ela reforça os muitos muros de preconceito que permanecem como barreiras para a compreensão da unicidade do gênero humano, simultaneamente a meta e o princípio operacional da Revelação de Bahá’u’lláh.
O acesso ao conhecimento é direito de cada ser humano, e a participação em sua geração, aplicação e difusão, uma responsabilidade que todos devem ombrear no grande empreendimento de construir uma próspera civilização mundial - cada indivíduo de acordo com seus talentos e habilidades. A justiça requer participação universal. Desse modo, embora a ação social implique na provisão de bens e serviços de alguma forma, sua preocupação principal deve ser capacitar uma dada população para que esta participe na criação de um mundo melhor. Mudança social não é um projeto que um grupo de pessoas executa em benefício de outras. O escopo e a complexidade da ação social devem ser proporcionais aos recursos humanos disponíveis numa aldeia ou vizinhança para levar tal ação adiante. Assim, esforços começam melhor numa escala modesta e crescem organicamente quando a capacidade da população se desenvolve. A capacidade certamente alcança novos níveis à medida que os protagonistas da mudança social aprendem a aplicar com eficácia crescente os elementos da Revelação de Bahá’u’lláh, juntamente com os conteúdos e métodos da ciência para sua realidade social. Eles devem se esforçar para interpretar esta realidade de um modo consistente com Seus ensinamentos - vendo em seus semelhantes joias de inestimável valor e reconhecendo os efeitos do processo duplo de integração e desintegração tanto nos corações como nas mentes – e também nas estruturas sociais.
Ação social efetiva serve para enriquecer a participação nos discursos da sociedade, assim como as percepções obtidas no engajamento em certos discursos podem ajudar a esclarecer os conceitos que moldam a ação social. No nível do agrupamento, o envolvimento no discurso público pode variar desde um ato simples, como apresentar ideias bahá’ís nas conversas diárias, até atividades mais formais - como a preparação de artigos e a participação em reuniões dedicadas a temas de interesse social, mudanças climáticas e meio ambiente, governança e direitos humanos - para mencionar apenas alguns. Ela implica também em interações significativas com grupos cívicos e organizações locais em aldeias e vizinhanças.
Em relação a isso, sentimo-nos compelidos a fazer uma advertência: será importante para todos reconhecerem que o valor do envolvimento na ação social e no discurso público não deve ser julgado pela habilidade de obter declarações. Embora esforços nessas duas áreas de atividade bem possam causar um crescimento no tamanho da comunidade bahá’í, eles não são realizados com esse propósito. Sinceridade com relação a isso é um imperativo. Além disso, deve-se ter o cuidado de evitar enfatizar demasiadamente a experiência bahá’í ou dar atenção indevida a esforços nascentes, tais como o programa de empoderamento espiritual de pré-jovens, que é melhor deixá-los amadurecer conforme seu próprio ritmo. A palavra de ordem em todos os casos é humildade. Ao transmitirem entusiasmo acerca de suas crenças, os amigos devem evitar projetar um ar de triunfalismo, que seria inapropriado entre eles próprios, muito menos em outras circunstâncias.
Ao lhes descrever estas novas oportunidades que ora se abrem no nível de agrupamento, não estamos lhes pedindo para alterarem de qualquer modo o seu atual percurso. Nem se deve imaginar que tais oportunidades representam uma arena alternativa de serviço, competindo com o trabalho de expansão e consolidação para os limitados recursos e energias da comunidade. No decorrer do próximo ano, o processo de instituto e o padrão de atividade que ele engendra deve continuar a ser fortalecido, e o ensino deve permanecer como prioridade na mente de todo crente. Envolvimento adicional na vida da sociedade não deve ser buscado prematuramente. Ele virá naturalmente à medida que os amigos em cada agrupamento perseverarem em aplicar as provisões do Plano através de um processo de ação, reflexão, consulta e estudo – e, consequentemente, aprendizagem. O envolvimento na vida da sociedade florescerá à medida que aumentar a capacidade da comunidade em promover seu próprio crescimento e manter sua vitalidade. Ele adquirirá coerência com os esforços para expandir e consolidar a comunidade na medida em que utilizar os elementos da estrutura conceitual que governa a atual série de Planos globais. E contribuirá para o movimento de populações em direção à visão de Bahá’u’lláh de uma civilização mundial próspera e pacífica, na medida em que emprega esses elementos criativamente em novas áreas de aprendizagem.
Queridos amigos, inúmeras vezes o Amado Mestre expressou a esperança de que os corações dos crentes transbordassem de amor uns pelos outros, que não permitissem quaisquer linhas de separação, mas considerassem toda a humanidade como uma família. “A ninguém vede como estranho,” é Sua exortação; “mas vede todos os homens como amigos, pois amor e unidade se tornam difíceis quando fixais vossos olhos na diferença.” Todos os desenvolvimentos examinados nas páginas precedentes são, no mais profundo nível, apenas a expressão do amor universal adquirido através do poder do Espírito Santo. Pois não é o amor a Deus que queima todos os véus do estranhamento e divisão, e harmoniza os corações em perfeita unidade? Não é o Seu amor que os estimula no campo de serviço e os capacita a ver em toda alma a capacidade de conhecê-Lo e adorá-Lo? Não se sentem vocês galvanizados por saber que Seu Manifestante alegremente suportou uma vida de sofrimento pelo Seu amor à humanidade? Olhem para suas próprias fileiras, para seus queridos irmãos e irmãs bahá’ís no Irã. Não exemplificam eles a fortaleza nascida do amor a Deus e do desejo de servi-Lo? Não é sua capacidade de transcender as mais cruéis e amargas perseguições que demonstra a capacidade de milhões e milhões de pessoas oprimidas do mundo de se levantarem e terem uma participação decisiva na construção do Reino de Deus na Terra? Destemidos perante estruturas sociais desagregadoras, apressem-se e levem a mensagem de Bahá’u’lláh a almas ansiosas em cada vizinhança em área urbana, em cada aldeia rural, em cada recanto do globo, atraindo-os à Sua comunidade, a comunidade do Máximo Nome. Vocês jamais deixam de estar presentes em nossos pensamentos e em nossas preces, e continuaremos a implorar ao Todo-Poderoso que os fortaleça com Sua graça maravilhosa.
Há apenas três anos desafiámos o mundo Bahá’í a explorar a estrutura de acção que tinha emergido com grande clareza na conclusão do último Plano mundial. A resposta, tal como esperávamos, foi imediata. Em todo o lado, os amigos ergueram-se cheios de vigor no encalço da meta de estabelecer programas intensivos de crescimento em nada menos que 1500 agrupamentos no mundo inteiro, e o número desses programas começou imediatamente a aumentar. Mas nessa altura ninguém poderia imaginar quão profundamente o Senhor das Hostes, na Sua inescrutável sabedoria, tencionava transformar a Sua comunidade em tão curto período de tempo. Quão determinada e confiante estava a comunidade quando celebrou os seus feitos a meio do actual Plano nas quarenta e uma conferências regionais espalhadas pelo planeta! Que extraordinário contraste providenciou a sua coerência e energia ao desconcerto e confusão de um mundo envolvido numa espiral de crises! Esta era, na verdade, a comunidade dos bem-aventurados a que o Guardião se referira. Esta era uma comunidade conhecedora das imensas potencialidades com que fora dotada e consciente do papel que está destinada a desempenhar na reconstrução de um mundo despedaçado. Esta era uma comunidade em ascensão, sujeita a grave repressão numa parte do planeta, mas, ainda assim, erguendo-se sem temor nem amedrontamento como um todo unido e fortalecendo a sua capacidade para alcançar o propósito de Bahá’u’lláh de libertar a humanidade do jugo da mais horrenda opressão. E, nos quase oitenta mil participantes que assistiram às conferências, vimos neste cenário histórico o emergir de um crente individual supremamente confiante na eficácia dos métodos e ferramentas do Plano e notavelmente destro na sua utilização. Cada uma das almas deste poderoso oceano foi testemunha da potência transformadora da Fé. Cada uma delas foi a prova da promessa de Bahá’u’lláh de ajudar todos aqueles que se erguem com desprendimento e sinceridade para O servir. Cada uma delas proporcionou um vislumbre daquela raça de seres, consagrados e corajosos, puros e santificados, destinados a evoluir ao longo de gerações sob a influência directa da Revelação de Bahá’u’lláh. Nelas vimos os primeiros sinais do cumprimento da nossa esperança expressada no início do Plano de que a influência edificadora da Fé se estenderia a centenas de milhares através do processo de instituto. Tudo indica que no final do período do Ridván o número de programas intensivos de crescimento em todo o mundo ultrapasse os 1000. Que outra coisa podemos fazer no início deste que é o mais alegre dos Festivais senão inclinar as nossas cabeças em humildade perante Deus e dar-lhe graças pela Sua generosidade sem limites para com a comunidade do Maior Nome.
Milhares de milhares, abarcando a diversidade de toda a família humana, estão envolvidos no estudo sistemático da Palavra Criativa num ambiente simultaneamente sério e elevado. À medida que se esforçam por aplicar através de um processo de acção, reflexão e consulta as percepções assim adquiridas, vêem a sua capacidade de servir a Causa elevar-se a novos níveis. Em resposta ao mais íntimo anseio de cada coração de comungar com o seu Criador, realizam actos de adoração colectiva nos mais variados cenários, unindo-se a outros em adoração, despertando susceptibilidades espirituais, e modelando um padrão de vida que se distingue pelo seu carácter devocional. À medida que eles se convidam uns aos outros para as suas casas e realizam visitas a famílias, amigos e conhecidos, envolvem-se em conversas resolutas sobre temas de cunho espiritual, aprofundam o seu conhecimento da Fé, partilham a Mensagem de Bahá’u’lláh, e acolhem números cada vez maiores que se juntam a eles num poderoso empreendimento espiritual. Conscientes das aspirações das crianças do mundo e da sua necessidade de educação espiritual, ampliam consideravelmente as suas iniciativas para envolver contingentes cada vez maiores de participantes em aulas que se tornam centros de atracção para os mais novos e fortalecem as raízes da Fé na sociedade. Auxiliam os pré-jovens a percorrerem etapas cruciais das suas vidas e a tornarem-se capazes de direccionar as suas energias em prol do avanço da civilização. E com a vantagem da maior abundância de recursos humanos, um número cada vez maior entre eles consegue expressar a sua Fé através de um conjunto crescente de realizações que respondem às necessidades da humanidade, tanto na sua dimensão espiritual como material. É este o panorama que se nos apresenta quando nos detemos neste Ridván para observar o progresso da comunidade mundial Bahá’í.
Mencionámos, em diversas ocasiões, que o objectivo da série de planos globais que conduzirão o mundo Bahá’í à celebração do centenário da Idade Formativa da Fé em 2021 será alcançado graças ao progresso acentuado nas actividades e desenvolvimento do crente individual, das instituições e da comunidade. Neste momento, a meio caminho daquilo que constituirá um quarto de século de iniciativas consistentes e focalizadas, as provas do aumento de competências são evidentes em todos os lugares. É especialmente significativo, o impacto cada vez mais amplo do dinamismo que flúi das interacções entre os três participantes do Plano. As instituições, tanto ao nível nacional como local, compreendem com uma clareza cada vez maior como podem criar as condições conducentes à expressão das energias espirituais de um número crescente de crentes na prossecução de um objectivo comum. A comunidade serve cada vez mais como o ambiente no qual a iniciativa individual e a acção colectiva, mediados pelo instituto, podem complementar-se mutuamente de forma a alcançar o progresso. As vibrações que manifesta e a unidade de propósito que anima as suas realizações atraem para as suas fileiras em constante crescimento pessoas de todos os quadrantes da sociedade ansiosas por dedicarem o seu tempo e energias ao bem-estar da humanidade. É bem visível que as portas da comunidade estão muito mais abertas para qualquer alma receptiva entrar e receber amparo da Revelação de Bahá’u’lláh. Não existe melhor testemunho da eficácia das interacções entre os três participantes do Plano que a dramática aceleração no ritmo de ensino que testemunhámos no ano que agora terminou. O avanço ocorrido no processo de entrada em tropas foi verdadeiramente significativo.
No seio destas interacções crescentes, a iniciativa individual está a tornar-se cada vez mais efectiva. Em mensagens anteriores, referimos o ímpeto que o processo de instituto confere ao exercício da iniciativa do crente individual. Os amigos em todos os continentes estão envolvidos no estudo das Escrituras com o objectivo explícito de aprender a aplicar os ensinamentos ao crescimento da Fé. É assinalável o número daqueles que estão hoje em dia a arcar com a responsabilidade da vitalidade espiritual das suas comunidades; energicamente, eles realizam aqueles actos de serviço condizentes com um padrão de crescimento saudável. À medida que perseveram no campo do serviço à Causa, mantendo uma humilde postura de aprendizagem, a sua coragem e bom-senso, sabedoria, zelo e perspicácia, fervor e prudência, determinação e confiança em Deus têm-se combinado para se reforçarem uns aos outros. Nas suas apresentações da mensagem de Bahá’u’lláh e nas exposições das suas verdades, relembram as palavras de Shoghi Effendi de que não devem “hesitar”, nem “vacilar”, de que não devem “insistir exageradamente”, nem “diminuir” a verdade de que são detentores. Não são “fanáticos”, nem “excessivamente liberais”. Graças à sua constância no ensino, aumentaram a sua capacidade de avaliar se a receptividade dos seus ouvintes exige que sejam “cautelosos” ou “arrojados”, se devem “agir com rapidez” ou “avançar com cautela”, se devem utilizar o método “directo” ou “indirecto”.
Aquilo que continuamos a considerar encorajador é o quão disciplinada é esta iniciativa individual. Comunidades em toda a parte estão gradualmente a interiorizar as lições aprendidas com a sistematização, e a estrutura definida pela actual série de Planos confere consistência e flexibilidade às iniciativas dos amigos. Longe de os limitar, esta estrutura permite que eles aproveitem as oportunidades, estabeleçam relações, e traduzam para a realidade a visão do crescimento sistemático. Resumindo, confere forma aos seus poderes colectivos.
À medida que observamos aquilo que foi realizado em todo o planeta, os nossos corações enchem-se de uma admiração especial pelos amigos do Irão, que, sob as mais árduas condições, se ergueram arrojadamente para servir o seu país e que estão a utilizar as suas energias em prol da sua revitalização, apesar das limitações a que estão sujeitos. E dadas as restrições impostas à administração da Fé, eles assumiram individualmente a tarefa de dar a conhecer aos seus compatriotas os ensinamentos de Bahá’u’lláh, envolvendo-os directamente em conversações sobre a Sua mensagem redentora. Assim que começaram a agir, receberam não só um apoio sem precedentes vindo de almas iluminadas, como também se depararam com uma receptividade muito além do que poderiam imaginar ser possível.
Qualquer seguidor de Bahá’u’lláh, consciente das forças de integração e desintegração que operam na sociedade hodierna, vêem a relação entre o aumento de receptividade à Fé em todo o planeta e os fracassos dos sistemas mundiais. De certeza que essa receptividade irá crescer à medida que as agonias da humanidade se intensificarem. Que não persistam dúvidas: o desenvolvimento de competências posto em movimento para responder ao aumento de receptividade está ainda numa fase inicial. A magnitude das necessidades de um mundo caótico irá testar estas competências até ao seu limite nos anos vindouros. A humanidade está acossada pelas forças da opressão, quer geradas por profundos preconceitos religiosos como pelo auge do materialismo desmedido. Os Bahá’ís conseguem discernir as causas destes sofrimentos. “Qual a ‘aflição’ mais penosa”, inquire Bahá’u’lláh, “do que a de uma alma em busca da verdade, desejosa de atingir o conhecimento de Deus, mas que não sabe onde ir ou de onde o buscar?” Não há tempo a perder. Um progresso contínuo deve ser alcançado nas actividades e no desenvolvimento dos três participantes no Plano?
‘Abdu’l-Bahá preconizou “dois chamados” para “o sucesso e a prosperidade” que podem ser ouvidos das “alturas da felicidade do género humano”. Um é o chamado da “civilização”, do “progresso do mundo material”. Compreende as “leis”, “normas”, “artes e ciências”através dos quais a humanidade se desenvolve. O outro é o “chamado que procede de Deus”, do qual depende a eterna felicidade da humanidade. “Este segundo chamado”, o Mestre explica, “tem por alicerces as instruções e exortações do Senhor e os sentimentos altruístas pertencentes ao Reino da virtude que, como uma luz brilhante, fazem resplandecer e radiar a lâmpada da realidade da humanidade. A sua força penetrante é o Verbo de Deus.” À medida que continuardes a trabalhar nos vossos agrupamentos, ficareis mais embrenhados na vida da sociedade que vos rodeia e sereis desafiados a estender o processo de aprendizagem sistemática em que estais envolvidos para abranger uma gama crescente de iniciativas humanas. Quaisquer que sejam as abordagens escolhidas, os métodos adoptados, e as ferramentas utilizadas, precisareis de alcançar o mesmo grau de coerência que caracteriza o padrão de crescimento actualmente em curso.
O crescimento sustentado em agrupamento após agrupamento irá depender das qualidades que distinguem os vossos serviços aos povos do mundo. Tão livres de qualquer traço de preconceito racial, religioso, económico, nacional, tribal, de classe ou cultural, devem ser os vossos pensamentos e acções que até mesmo o estranho veja em vós amigos dedicados. Tão elevado deve ser o vosso padrão de excelência e tão puras e castas as vossas vidas que a influência moral por vós exercida penetre na consciência da comunidade em geral. Apenas se demonstrardes a rectidão de conduta a que as escrituras da Fé convocam todas as almas, podereis vós ser capazes de lutar contra as miríades de formas de corrupção, evidentes ou subtis, que corroem as vísceras da sociedade. Apenas se perceberdes honra e dignidade em qualquer ser humano, independentemente da riqueza ou pobreza, podereis vós ser capazes de defender a causa da justiça. E na medida em que as vossas instituições forem governadas pelos princípios da consulta Bahá’í é que as grandes massas da humanidade poderão refugiar-se na comunidade Bahá’í.
À medida que prosseguirdes, sede confiantes de que o Concurso do alto está a organizar as suas forças pronto para vir em vosso auxílio. As nossas orações contínuas circundar-vos-ão.
O primeiro ano do Plano de Cinco Anos proporciona um testemunho eloquente do espírito de devoção com que os seguidores de Bahá’u’lláh adoptaram a estrutura de acção apresentada na nossa mensagem de 27 de Dezembro de 2005 e do seu compromisso em fazer avançar o processo de entrada em tropas. Onde essa estrutura foi coerentemente aplicada em toda a sua dimensão num agrupamento, um progresso constante está a ser alcançado, tanto em termos de participação dos crentes e dos seus amigos na vida comunitária, como em termos de crescimento numérico, com alguns agrupamentos a registarem centenas de declarações em poucos meses, e dezenas em outros. Vital para este desenvolvimento tem sido a consciencialização crescente sobre a natureza espiritual deste empreendimento, em conjunto com uma maior compreensão dos instrumentos de tomada de decisão que estão definidos pelas características principais do Plano.
Antes do nosso lançamento da actual série de Planos globais focalizados no objectivo único de fazer avançar o processo de entrada em tropas, a Comunidade Bahá’í tinha passado por um estágio rápido de expansão em larga escala em muitas partes do mundo, uma expansão que no final foi impossível de sustentar. Nessa altura, o desafio não foi tanto o engrossar das fileiras da Causa com novos aderentes, pelo menos em populações comprovadamente receptivas, mas em incorporá-los na vida da comunidade e em fazer erguer entre eles um número suficiente dedicado à sua expansão posterior. Tão crucial para a Comunidade Bahá’í foi a resposta a este desafio que fizemos dele a característica central do Plano de Quatro Anos e apelámos às Assembleias Espirituais Nacionais para que dispensassem uma grande parte das suas energias a criar capacidade institucional, sob a forma de institutos de formação, para desenvolver recursos humanos. Indicámos que contingentes cada vez maiores de crentes necessitariam de beneficiar com um programa formal de formação destinado a capacitá-los com conhecimentos e discernimento espiritual, com as competências e capacidades necessários à realização dos actos de serviço que iriam sustentar a expansão e consolidação em larga escala.
Hoje em dia, quando observamos a forma de funcionamento daqueles agrupamentos que estão num forte estado de desenvolvimento, apercebemo-nos que, em todos eles, os amigos têm continuado a fortalecer o processo de instituto, ao mesmo tempo que aprendem a mobilizar o núcleo crescente de apoiantes activos da Fé, a estabelecer um esquema eficiente que coordene os seus esforços, a criar um padrão eficiente de acção unificada a partir das suas iniciativas individuais e empreendimentos colectivos, e a recorrer à análise de informações pertinentes para planearem os ciclos das suas actividades. É demonstrável que eles descobriram a forma de fazer avançar em simultâneo o trabalho de expansão e de consolidação, a chave do crescimento sustentável. Esta evidência irá inspirar certamente todo o crente devotado, para que permaneça resoluto no caminho da aprendizagem sistemática que já foi traçado.
As realizações destes anos de esforços prodigiosos não estão confinadas àqueles agrupamentos onde o trabalho de expansão e consolidação em larga escala está a ser revitalizado desta forma. A abordagem adoptada durante o Plano de Quatro Anos, seguida pelo Plano de Doze Meses e pelo anterior Plano de Cinco Anos, contribuiu para a criação de condições para que os crentes estendam os seus empreendimentos a um círculo alargado de pessoas, envolvendo-os em vários aspectos da vida comunitária. Os benefícios de uma década do processo de desenvolvimento de capacidades dos três participantes nos Planos globais são agora muito evidentes. Em toda a parte, existiu a necessidade de adquirir uma maior compreensão da dinâmica do desenvolvimento de recursos humanos. Em toda a parte, os amigos tiveram de aprender as exigências do crescimento contínuo, a promover a acção sistemática e a evitar distracções, a trazer alguns elementos da tomada de decisão colectiva até às bases da comunidade e a criar comunidades com um sentido de missão, a encorajar a participação universal e a acomodar diferentes segmentos da sociedade nas suas actividades, em particular crianças e pré-jovens, os futuros campeões da Causa de Deus e os construtores da Sua civilização.
Com os alicerces bem fixados, o pensamento principal na mente de cada um e de todos os crentes deve ser o ensino. Até que ponto eles nos seus esforços pessoais ensinam os seus amigos em firesides e depois os envolvem nas actividades nucleares ou utilizam essas actividades como seu instrumento principal de ensino; até que ponto eles, enquanto comunidade, fazem do trabalho com crianças e pré-jovens o impulso inicial num agrupamento ou se se focalizam primeiro nas gerações mais velhas; até que ponto eles, nos seus empreendimentos colectivos, visitam famílias em equipas como parte de uma campanha intensiva ou se visitam os simpatizantes nas suas casas periodicamente durante algum tempo: estas são as decisões que só podem ser tomadas de acordo com as circunstâncias e as possibilidades dos amigos, assim como de acordo com a natureza das populações com as quais interagem. Aquilo que deve ser reconhecido, por todos, independentemente das circunstâncias, é, simultaneamente, a necessidade gritante da humanidade, que privada de alimento espiritual, se afunda cada vez mais em desespero, bem como a urgência da responsabilidade de ensinar que a cada um de nós, como membros da comunidade do Maior Nome, foi confiada.
Bahá’u’lláh ordenou que cada um dos Seus seguidores ensinasse a Causa. São milhares de milhares aqueles que estão a aplicar energeticamente as provisões do Plano para abrirem avenidas que conduzam as almas ao Oceano da Sua Revelação. Esperamos com ansiedade por aquele dia em que o ensino seja a paixão dominante na vida de cada crente e em que a unidade da comunidade seja tão forte, que possibilite que este estado de inflamação, se exprima através de acções incessantes no campo do ensino. Esta é assim a nossa esperança ardente para vós e o objectivo das nossas orações mais fervorosas no Limiar Sagrado.
O Ridván de 2006 é um momento carregado de um espírito de triunfo e expectativa. Os seguidores de Bahá’u’lláh, onde quer que estejam, têm motivo para se sentirem orgulhosos pela magnitude das suas realizações durante o Plano de Cinco Anos que agora terminou. E podem encarar o futuro com aquela confiança que é conferida só àqueles cuja determinação está fortemente revestida pela experiência. Todo o mundo Bahá’í está comovido ao contemplar o alcance do empreendimento de cinco anos que tem pela frente, a profunda consagração que vai exigir e o resultado que está destinado atingir. As nossas orações juntam-se às vossas quando se voltam em agradecimento a Bahá’u’lláh pelo privilégio de poder testemunhar o desenrolar do seu propósito para a humanidade.
Na nossa mensagem de 27 de Dezembro de 2005 aos Corpos Continentais de Conselheiros reunidos na Terra Santa, transmitida no mesmo dia a todas as Assembleias Espirituais Nacionais, delineámos as características principais do Plano de Cinco Anos que se irá estender de 2006 a 2011. Os amigos e as suas instituições foram instados a estudarem a mensagem cuidadosamente, e sem dúvida o seu conteúdo é-vos familiar. Invocamo-vos a todos e a cada um para que concentrem as vossas energias de modo a assegurar que a meta de se estabelecerem, ao longo dos próximos cinco anos, planos intensivos de crescimento em nada menos do que 1500 agrupamentos espalhados pelo mundo, seja coroada de êxito. Que os alicerces para o lançamento do Plano tenham sido erigidos tão rápida e sistematicamente nos meses que se seguiram à partida dos Conselheiros do Centro Mundial é um indicador da avidez com que a comunidade Bahá’í está a agarrar o desafio que se lhe apresenta. Visto não ser necessário acrescentar mais detalhes sobre os requisitos do Plano nesta mensagem, sentimo-nos compelidos a tecer alguns comentários para vossa reflexão sobre o contexto global no qual os vossos esforços individuais e colectivos irão prosseguir.
Há mais de setenta anos, Shoghi Effendi escreveu as suas cartas sobre a Ordem Mundial nas quais ele forneceu uma análise penetrante das forças que operavam no mundo. Com uma eloquência que só ele possuía, descreveu os dois grandes processos postos em movimento pela Revelação de Bahá’u’lláh, um destrutivo e um outro integrador, ambos a impelir a humanidade para a Ordem Mundial que Ele concebeu. Fomos avisados pelo Guardião para não sermos “desencaminhados pela dolorosa lentidão que caracteriza o desenvolvimento da civilização” que está a ser arduamente estabelecida ou para não sermos iludidos “pelas manifestações efémeras de renovada prosperidade que em algumas ocasiões parecem poder refrear a influência desintegradora daqueles males crónicos que afligem as instituições de uma era decadente.” A retrospectiva do curso de acontecimentos das décadas recentes não pode deixar de reconhecer o impulso que adquiriram os processos que ele analisou nessa altura com tamanha precisão.
Basta considerar a profunda crise moral que submerge a humanidade para apreciar até que ponto as forças da desintegração rasgaram o tecido social. As provas de egoísmo, suspeição, medo e fraude, que o Guardião distinguiu com tanta clareza, não se tornaram tão generalizadas ao ponto de serem evidentes até mesmo para o observador casual? A ameaça do terrorismo, de que ele falou, não constitui uma preocupação tão grande no cenário internacional ao ponto de preocupar as mentes de jovens e idosos em todos os cantos do globo? A sede insaciável e a procura febril por vaidades mundanas, riquezas e prazeres não consolidaram o seu poder e influência ao ponto de assumir autoridade sobre valores humanos, tais como, a felicidade, fidelidade e amor? O enfraquecimento da solidariedade familiar e a atitude irresponsável relativa ao casamento não alcançaram tais proporções ao ponto de pôr em perigo a existência desta unidade fundamental da humanidade? “A perversão da natureza humana, a degradação da conduta humana, a corrupção e a dissolução das instituições humanas”, das quais Shoghi Effendi avisou anteriormente, estão a revelar-se tristemente “nos seus aspectos piores e mais repugnantes.”
O Guardião atribui a maior parte da culpa pela decadência moral da humanidade ao declínio da religião como força social. “Se a lâmpada da religião se obscurecer,” chama ele atenção para as palavras de Bahá’u’lláh, “seguir-se-ão caos e confusão, e as luzes da equidade, da justiça, da tranquilidade e da paz deixarão de brilhar.” As décadas que se seguiram à redacção destas cartas presenciaram não apenas uma deterioração continuada na capacidade da religião em exercer influência moral, mas também a traição sofrida pelas massas devido à conduta indigna das instituições religiosas. As tentativas para a revigorarem só deram origem a um fanatismo que, se permanecer descontrolado, pode destruir os alicerces das relações civilizadas entre a população. As perseguições aos Bahá’ís no Irão, recentemente intensificadas, são a prova incontestável da determinação das forças da escuridão em apagar a chama da fé onde quer que esta brilhe com intensidade. Ainda que confiantes no triunfo final da Causa, não nos esqueçamos do aviso do Guardião de que a Fé terá que enfrentar inimigos mais poderosos e insidiosos do que aqueles que a afligiram no passado.
Não há necessidade de tecer grandes comentários quanto à impotência dos estadistas, um outro tema tão brilhantemente analisado pelo Guardião nas suas cartas sobre a Ordem Mundial. O enorme fosso económico entre ricos e pobres, a persistência de velhas animosidades entre nações, o número crescente de pessoas deslocadas, o aumento extraordinário do crime organizado e da violência, o sentimento penetrante de insegurança, a ruptura dos serviços básicos em tantas regiões, a exploração indiscriminada dos recursos naturais – estes são apenas alguns entre muitos sinais da incapacidade dos líderes mundiais em conceber esquemas viáveis que aliviem os males da humanidade. Não significa isto que não estejam a ser feitos esforços bem-intencionados e que estes não se tenham multiplicado década após década. No entanto, estes esforços, ainda que engenhosos, revelam-se incapazes de remover “a causa radical do mal que tão bruscamente destruiu o equilíbrio da sociedade hodierna.” “Nem mesmo” assegura o Guardião, “que o próprio acto de inventar os mecanismos necessários para a unificação política e económica do mundo fosse, em si próprio, o antídoto para o veneno que constantemente mina o vigor das nações e povos organizados.” “De nenhum outro modo,” afirma ele com confiança “senão pela adopção incondicional do Programa Divino” enunciado por Bahá’u’lláh “incorpora o plano delineado por Deus para a unificação do género humano nesta era, acompanhado por uma indomável convicção de que todas as suas providências são de uma eficácia infalível – pode resistir, finalmente, às forças de desintegração interna, as quais, se não forem detidas, haverão de continuar a corroer as vísceras de uma sociedade desesperada.”
Certamente penetrante é a descrição de Shoghi Effendi do processo de desintegração acelerada do mundo. Igualmente impressionante é a precisão com que ele analisa as forças associadas ao processo de integração. Ele fala de uma “difusão gradual do espírito de solidariedade mundial, que está a surgir espontaneamente no tumulto de uma sociedade desorganizada” como uma manifestação indirecta da concepção de Bahá’u’lláh do princípio de unicidade da humanidade. O espírito de solidariedade continuou a espalhar-se ao longo das décadas e, actualmente, o seu efeito é visível num conjunto de desenvolvimentos, da rejeição de preconceitos profundamente enraizados ao despertar da consciência da cidadania mundial, do aumento da consciencialização ambiental aos esforços cooperantes na promoção da saúde pública, da preocupação pelos direitos humanos às diligências em prol da educação universal, do estabelecimento de actividades inter religiosas ao aparecimento de centenas de milhares de organizações locais, nacionais e internacionais envolvidas em algum tipo de acção social.
No entanto, para os seguidores de Bahá’u’lláh os desenvolvimentos mais significativos no processo de integração são os directamente relacionados com a Fé, muitos dos quais foram nutridos pelo próprio Guardião e que progrediram extraordinariamente desde o seu modesto início. Desde o pequeno núcleo de crentes com quem ele partilhava os seus primeiros planos de ensino surgiu uma comunidade mundial presente em milhares de localidades, cada uma das quais com um padrão de actividades bem estabelecido que incorpora os princípios e aspirações da Fé. Dos alicerces da Ordem Administrativa, que ele tão esmeradamente traçou durante as primeiras décadas do seu ministério, ergueu-se uma vasta e unida rede de Assembleias Espirituais Locais e Nacionais que administram diligentemente os assuntos da Causa em mais de cento e oitenta países. Dos primeiros contingentes de membros da Junta Auxiliar para a Propagação e a Protecção da Fé trazidos à existência por ele surgiu uma legião de perto de um milhar de trabalhadores leais que actuam no terreno sob a chefia de oitenta e um conselheiros habilmente guiados pelo Centro Internacional de Ensino. A evolução do Centro Administrativo Mundial da Fé, dentro do recinto do Centro Espiritual Mundial, processo a que o Guardião consagrou tanta energia, atravessou um limiar crucial com a instalação da Casa Universal de Justiça na sua Sede no Monte Carmelo e a conclusão posterior do Edifício do Centro Internacional de Ensino e do Centro de Estudo dos Textos. A instituição do Huqúqu’lláh que progrediu firmemente sob a intendência da Mão da Causa de Deus, Dr. ‘Ali Muhamad Varqá, Fideicomissário nomeado por Shoghi Effendi há cinquenta anos, culmina em 2005 com o estabelecimento de um corpo internacional destinado a promover a aplicação continuada e generalizada desta poderosa lei, uma fonte de bênçãos inestimáveis para toda a humanidade. Os esforços do Guardião para dar mais relevo à Fé nos círculos internacionais deram origem a um amplo sistema de assuntos externos, capaz de defender os interesses da Fé bem como de proclamar a sua mensagem universal. O respeito desfrutado pela Fé nos círculos internacionais, sempre que os seus representantes falam, é um feito notável. A lealdade e a devoção que os membros de uma comunidade que reflecte a diversidade de toda a raça humana evidenciam relativamente ao Convénio de Bahá’u’lláh constituem um depositário de força que nenhum outro grupo organizado pode reivindicar.
O Guardião previu que, nas épocas sucessivas da Idade Formativa, a Casa Universal de Justiça iria lançar um conjunto de empreendimentos mundiais que “iriam simbolizar a unidade e coordenar e unificar as actividades” das Assembleias Espirituais Nacionais. Ao longo do curso de três épocas sucessivas, a comunidade Bahá’í trabalhou assiduamente dentro da estrutura dos Planos globais promulgados pela Casa Universal de Justiça e conseguiu estabelecer um padrão de vida Bahá’í que promove o desenvolvimento espiritual do indivíduo e canaliza as energias colectivas dos seus membros para o despertar espiritual da sociedade. Adquiriu a capacidade de alcançar grandes números de almas receptivas à mensagem, de as confirmar e de aprofundar a sua compreensão dos elementos essenciais da Fé que eles abraçaram. Aprendeu a traduzir o princípio da consulta enunciado pelo Seu Fundador numa ferramenta eficaz para a tomada de decisões colectiva e a educar os seus membros na sua utilização. Criou programas para a educação espiritual e moral dos seus membros mais novos e estendeu-os não só às suas próprias crianças e pré-jovens mas também à comunidade em geral. Com uma vasta gama de talento à sua disposição, criou um rico conjunto de literatura que inclui volumes em muitas línguas dirigidos às suas necessidades internas assim como aos interesses do público em geral. Envolveu-se cada vez mais nos assuntos da sociedade em geral, realizando um conjunto de projectos de desenvolvimento sócio-económico. Em especial desde o início de quinta época em 2001, tem feito progressos significativos na multiplicação dos seus recursos humanos através de um programa de formação que chega às bases da comunidade e descobriu métodos e instrumentos para o estabelecimento de um padrão sustentável de crescimento.
É no contexto da interacção das forças aqui descritas que o avanço imperativo do processo de entrada em tropas deve ser visualizado. O Plano de Cinco Anos que agora se inicia exige que concentrem as vossas energias neste processo e que assegurem que os dois movimentos complementares que estão no seu âmago se acelerem. Esta deve ser a vossa preocupação predominante. À medida que os vossos esforços produzam resultados e a dinâmica do crescimento atinjam um novo nível de complexidade, irão surgir desafios e oportunidades para o próprio Centro Mundial responder nos próximos cinco anos em áreas, tais como, os assuntos externos, o desenvolvimento sócio-económico, a administração e a aplicação das leis Bahá’ís. O crescimento da comunidade já requer que novas medidas sejam tomadas para duplicar o número de peregrinos para quatrocentos por grupo a partir de Outubro de 2007. Existem muitos outros projectos que também serão prosseguidos. Entre estes encontra-se a ampliação dos jardins que rodeiam o Santuário de Bahá’u’lláh, assim como o Jardim de Ridván e Mazra’ih; a restauração do Edifício dos Arquivos Internacionais; reparações estruturais no Santuário do Báb, de que ainda se desconhece a total extensão; e a construção da Casa de Adoração do Chile como previsto pelo Guardião, o último dos Mashriqu’l-Adhkárs continentais. À medida que estes empreendimentos progridem, iremos convocar-vos de vez em quando a pedir apoio, tanto sob a forma de ajuda financeira como de talentos especializados, conscientes de que os recursos da Fé devem, na medida do possível, ser canalizados para os requisitos do Plano.
Queridos Amigos: Não pode ser ignorado que as forças da desintegração aumentam em extensão e poder. É igualmente claro que a comunidade do Maior Nome está a ser guiada pelas Mãos da Providência até ganhar mais força e deve agora crescer em tamanho e aumentar os seus recursos. O percurso determinado pelo Plano de Cinco Anos é claro. Como podemos nós conhecedores dos apuros da humanidade, e conscientes do rumo tomado pela história, não nos levantarmos com todas as nossas capacidades e dedicarmo-nos a este propósito? Acaso não se mantém verídicas ainda hoje as palavras do Guardião de que “o cenário está determinado”, tal como quando ele as redigiu durante o primeiro Plano de Sete Anos? Que as suas palavras ecoem nos nossos ouvidos: “Não há tempo a perder.” “Não há lugar para vacilações.” “Tal oportunidade é insubstituível.” “Tentar, perseverar é assegurar a vitória final e completa.” Fiquem seguros das nossas contínuas orações nos Santuários Sagrados pela vossa guia e protecção.
Os acontecimentos que ocorreram no mundo Bahá’í desde o início da quinta época da Idade Formativa trouxeram-nos uma alegria imensa. Os últimos doze meses não foram excepção. A comunidade Bahá’í continuou o seu avanço sistemático e agora, ao entrar no último ano do Plano de Cinco Anos, encontra-se numa posição de notável vigor – um vigor adquirido graças a esforços enérgicos e deliberados feitos por amigos em todo o mundo para promoverem o processo de entrada em grandes grupos (do inglês “entry by troops”).
Ainda que incapazes de exprimir o significado completo dos desenvolvimentos que ocorreram, as estatísticas dão-nos uma ideia da magnitude que está a ser alcançada. Os recursos humanos da Fé multiplicaram-se de forma consistente. No conjunto, mais de 200 000 pessoas em todo o mundo completaram o Livro 1 do Instituto Ruhí e muitos milhares alcançaram o nível que lhes permite serem efectivamente facilitadores de círculos de estudo, os quais, com uma frequência cada vez maior, se realizam em todas as partes do planeta, mais de 10 000 segundo a última contagem. O número de simpatizantes envolvidos nas actividades nucleares tem continuado a aumentar, tendo ultrapassado os 100 000 há alguns meses atrás. Entretanto, cerca de 150 agrupamentos desenvolveram-se até ao ponto em que já lançaram ou estão prestes a iniciar programas intensivos de crescimento. Tudo indica que este número será substancialmente ultrapassado no final do Plano.
Quando celebramos estas realizações, é preciso reconhecer igualmente os progressos na aprendizagem que as originaram. As campanhas intensivas de instituto, em que se prestaram a devida atenção às práticas exigidas, continuaram a ser o veículo para estimular o crescimento a nível do agrupamento. Assim, à medida que as condições necessárias foram criadas, foram sendo lançados programas sistemáticos para expansão e consolidação da Fé. Foi acumulado um conjunto valioso de conhecimentos sobre a natureza dos programas intensivos de crescimento, e algumas particularidades destes empreendimentos são agora melhor compreendidas. Tais programas tendem em consistir numa série de ciclos, cada um dos quais com vários meses de duração, dedicados à planificação, expansão e consolidação. O desenvolvimento de recursos humanos mantém-se ininterruptamente de um ciclo para o seguinte, assegurando que o processo de expansão para além de ser sustentável ganha progressivamente um impulso cada vez maior. Apesar de ainda haver muitas lições a aprender, a experiência adquirida permite-nos replicar as abordagens num número cada vez maior de agrupamentos espalhados pelo mundo.
É verdadeiramente gratificante verificar que as vitórias alcançadas têm dimensões quer quantitativas quer qualitativas. No núcleo destas realizações jaz a contínua intensificação da vida espiritual das comunidades Bahá’ís em toda a parte. Esta nova vitalidade espiritual explica a participação crescente de pessoas de diferentes origens em reuniões devocionais, aulas para crianças e círculos de estudo que, em muitos casos, resultou no seu reconhecimento de Bahá’u’lláh como sendo a Manifestação de Deus para este Dia e na sua declaração à Fé.
Da mesma maneira, novos desenvolvimentos ocorreram no Centro Mundial. Decidimos que o momento é propício para estabelecer um Corpo Internacional de Fideicomissários do Huqúqu’lláh para guiarem e supervisionarem o trabalho dos Corpos Regionais e Nacionais de Fideicomissários do Huqúqu’lláh espalhados pelo mundo. Irá funcionar em estreita colaboração com o Fideicomissário Chefe, o Mão da Causa de Deus Dr. ‘Alí Muhamad Varqá, podendo beneficiar com o seu conhecimento e conselho no desempenho dos seus deveres. Os três membros agora nomeados para o Corpo Internacional de Fideicomissários são Sally Foo, Ramin Khadem e Grant Kvalheim. A duração da nomeação será determinada mais tarde. Os membros do Corpo não vão transferir a sua residência para a Terra Santa mas vão utilizar os serviços do Gabinete do Huqúqu’lláh no Centro Mundial no desempenho das suas funções.
A todos os níveis e em todas as direcções, a Causa está a alcançar um progresso assinalável – desde os ganhos nas bases em expansão e consolidação, até aos desenvolvimentos institucionais de magnitude internacional. Sinais tão encorajadores da solidariedade crescente da parte da comunidade chegam num momento em que as evidências de declínio na sociedade são, infelizmente, demasiado evidentes. Não é necessário rever aqui as características dos acontecimentos nos quais um mundo desmoralizado está encurralado. No entanto, é preciso não esquecer que são precisamente estas circunstâncias que aumentam a receptividade aos Ensinamentos e que criam novas oportunidades para a sua difusão.
Na nossa mensagem de 26 de Novembro de 1999, referimos uma série de empreendimentos globais concebidos para levar a comunidade Bahá’í ao longo dos últimos anos do primeiro século da Idade Formativa da Fé. Cada Plano, tal como indicámos, iria focalizar-se no objectivo central de avançar o processo de entrada em tropas. O actual Plano de Cinco Anos, o primeiro de uma série, vai terminar daqui a uns escassos doze meses, altura em que iremos convocar os seguidores de Bahá’u’lláh a embarcar num outro Plano de cinco anos de duração. Aquilo que pedimos aos amigos que façam durante o período intermédio, é que empreguem todas as suas energias para colocar em acção a aprendizagem sistemática que está a ser tão vigorosamente promovida pelo Centro Internacional de Ensino. Nenhum Bahá’í deve perder esta oportunidade inestimável proporcionada pelos últimos dias do Plano de reforçar desta maneira os alicerces para o lançamento de um empreendimento ainda mais ambicioso no próximo Ridván. As nossas orações mais fervorosas nos Santuários Sagrados irão cercar-vos.
Já passaram três anos do Plano de Cinco Anos. Os processos postos em marcha no Plano de Quatro Anos, fortalecidos através da atenção especial dada à educação Bahá’í das crianças durante o Plano de Doze Meses, e persistentemente acompanhados durante estes últimos anos, estão agora a satisfazer as elevadas aspirações com que tinham sido lançados. Em todas as partes do mundo os três participantes do Plano – o indivíduo, a comunidade e as instituições – cada um desempenhando um papel distinto, estão a reforçar as acções uns dos outros. As actividades centrais de círculos de estudo, aulas para crianças e reuniões devocionais tornaram-se aspectos essenciais e as realizações reciprocamente realçadas proporcionam maiores sucessos e vigor aos outros elementos da vida comunitária Bahá’í. Os recursos humanos estão a ser aumentados, e as Assembleias Espirituais Locais estão a responder às novas exigências desta vitalidade crescente.
A capacidade construída para a educação Bahá’í das crianças no mundo é extraordinariamente impressionante. Os esforços iniciais para capacitar espiritualmente os pré-jovens estão a ser atingidos com sucesso. O movimento dos agrupamentos de um nível de actividade para outro acima está em bom caminho e, à medida que progride, ao núcleo de crentes declarados junta-se um círculo de pessoas cada vez maior, ainda não Bahá’ís mas entusiasticamente envolvidas nas actividades centrais do Plano. As estruturas para administrar o crescimento intensivo surgem já nalguns agrupamentos avançados. As Assembleias Nacionais, ao responder às necessidades de todos os agrupamentos dos seus países, aprenderam o valor de concentrar atenção especial nalguns agrupamentos prioritários mais prometedores, encorajando-os e desenvolvendo-os até que os recursos humanos erigidos pelos institutos de formação os capacitem a que se tornem centros de crescimento rápido e sustentado.
Tal como se previa, o instituto de formação está a provar ser um motor de crescimento. Ao avaliar as oportunidades e as necessidades das suas respectivas comunidades, a maioria das Assembleias Espirituais Nacionais, escolheram adoptar os materiais desenvolvidos pelo Instituto Ruhi, por entenderem que respondem às necessidades do Plano. Isto teve um benefício colateral, já que os mesmos materiais foram traduzidos em várias línguas e, onde quer que os Bahá’ís viajem, encontram outros amigos que seguem o mesmo caminho e que estão familiarizados com os mesmos livros e métodos.
Uma sociedade internacional caótica, dilacerada por percepções e interesses conflituosos, está a ser assaltada por terrorismo crescente, desordem e corrupção, e desgastada por falhanço económico, pobreza e doença. Impávida perante as contrariedades aparentes, a comunidade Bahá’í está a tornar-se cada vez mais visível, inspirada por uma visão divinamente revelada, construída em fundações sólidas, a crescer em força através de processos que estão em acção. Um exemplo da capacidade do mundo Bahá’í em responder a condições inesperadas ocorreu há um ano atrás, quando perigos múltiplos exigiram o cancelamento da Convenção Internacional Bahá’í; a eleição da Casa Universal de Justiça foi pontualmente realizada e o Plano continuou sem nenhuma falha. Ao mesmo tempo, apesar da perturbação e do caos da vida no Iraque, foi possível contactar os Bahá’ís daquele país e reconstituir as suas Assembleias Espirituais Locais. Agora anunciamos com grande alegria a eleição, neste Ridván, da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Iraque, reconstituída após mais de trinta anos de opressão sufocante, a tomar o seu lugar de direito na comunidade internacional Bahá’í.
Aquilo que o Plano Divino exige de nós nesta etapa é que continuemos confiante e dinamicamente na actual direcção, inabalados pelas tormentas que assolam o mundo da humanidade. Estejam seguros que a Abençoada Beleza guiará os vossos passos e que as Hostes do Concurso Supremo reforçarão cada esforço que façam pelo progresso de Sua Fé.
À medida que o Plano de 5 Anos entra no seu terceiro ano, vai ganhando ímpeto: o registo das realizações durante o ano acabou por superar muito o dos prévios doze meses. O impulso deste ímpeto deve tanto ao aumento de coerência alcançado pelos elementos constituintes do Plano como ao efeito animador do espírito de desassossego que domina o planeta.
As circunstâncias que rodeiam o início deste novo ano administrativo são simultaneamente críticas, desafiadoras e extraordinariamente significativas. Todo o ano transacto foi agitado por uma sucessão de crises que culminaram com a erupção da guerra no Médio Oriente. As implicações não são menos significativas para o progresso da comunidade do Maior Nome que para a evolução de uma sociedade cada vez mais global nas dores duma transição turbulenta. Por necessidade, nem o tempo, a grandeza ou tendências desta dimensão eram previsíveis. Quão veloz aconteceu a actual mudança na corrente das condições do mundo! No conflito resultante, envolvendo tão visivelmente os países nos quais os primórdios da história da Causa tomou forma, traz-nos à memória a advertência de Bahá’u’lláh de que “o equilíbrio mundial foi perturbado devido à influência vibrante desta maior, desta nova Ordem Mundial”. É particularmente digno de registo que os acontecimentos desta crise afectem directamente um território com um legado Bahá’í tão rico como o do Iraque.
As rupturas provocadas por esta e outras situações no mundo sugerem, por um lado, a abertura de um novo capítulo na história da muito estimada mas deploravelmente oprimida comunidade Bahá’í dum país no qual a Manifestação de Deus para este Dia residiu por uma década; e, por outro lado, colidiram com os preparativos para a Nona Convenção Internacional no Centro Mundial da nossa Fé. Mas, apesar do desapontamento, não é razão para desânimo. Quando o Plano Maior de Deus interfere com o Seu Plano Menor, não devem subsistir dúvidas de que na devida altura uma porta será providencialmente aberta a uma oportunidade de possibilidades estelares de avanço dos interesses da Sua Causa gloriosa.
As mágoas, medos e perplexidades suscitadas por este último conflito no desfraldar da Paz Menor intensificaram os sentimentos de mágoa e de ultraje perante as actuais crises que agitam o planeta. As ansiedades da população em todo o globo são ainda publicamente evidenciadas em demonstrações tão intensas que não podem ser ignoradas. As questões protestadas e as emoções que suscitam frequentemente adicionam mais caos e confusão àquilo que esperam resolver com tais manifestações. Para os amigos de Deus, existe explicação evidente para o que está a acontecer; só têm que recordar a visão e os princípios oferecidos pela Fé se quiserem responder eficazmente aos desafios colocados pela extensão de angústia e desânimo. Que se esforcem em compreender mais profundamente os Ensinamentos que são relevantes revendo as cartas de Shoghi Effendi que foram publicadas em A Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, particularmente aquelas intituladas “O Objectivo da Nova Ordem Mundial”, “América e a Paz Maior” e “O Desfraldar duma Civilização Mundial”.
Enquanto o mundo continua o seu curso tumultuoso, o Plano de 5 Anos atingiu a capacidade operacional que permite à nossa comunidade caminhar a passos largos na direcção do seu maior desígnio de avançar no processo de entrada em grupos. Os pormenores da tão encorajadora situação da Fé nos cinco continentes já foram dados a conhecer na nossa carta de 17 de Janeiro, a qual vos convidamos a estudar adicionalmente. Apenas alguns detalhes chave precisam ser agora sublinhados: 179 países concluíram já a sua divisão em Agrupamentos; existem cerca de 17 000 destes viveiros de expansão. As reuniões de reflexão ao nível dos agrupamentos tornaram-se um meio poderoso de unificação do pensamento e da acção entre instituições e localidades; conferiram um estímulo potente às iniciativas institucionais e individuais num espírito de apoio mútuo. O processo de institutos tem demonstrado de forma ainda mais proeminente do que antes a sua influência como força geradora de expansão e consolidação. As actividades nucleares do Plano atingiram uma escala que supera a do ano passado. Como resultado, em todo o mundo um número crescente de amigos são agora activos no trabalho de ensino e administrativo, demonstrando o contagiante espírito de confiança que inspira o entusiasmo dos seus esforços. Os jovens e as crianças têm sido mais sistematicamente envolvidos nos programas da comunidade, e um maior número de não Bahá’ís têm participado em círculos de estudo, reuniões devocionais e aulas para crianças. É deveras encorajador notar que, no curto período desde o início do Plano, em muitas comunidades onde estas três actividades nucleares eram esporádicas estas passaram a ser elementos regulares e multiplicaram-se. Aqui fica uma imagem instantânea de uma comunidade mundial em movimento e focalizada como nunca antes.
Durante o ano passado, à medida que este padrão de crescimento se tornou mais firmemente enraizado pela operacionalidade do Plano, outros desenvolvimentos importantes ocorriam. Na arena dos assuntos externos, as agências da Comunidade Internacional Bahá’í empreenderam actividades demasiado numerosas e variadas para descrever aqui, e de um efeito colectivo demasiado impressionante para que passe sem qualquer menção. O ponto alto de todas as actividades foi a mensagem que, em Abril último, dirigimos aos lideres religiosos do mundo. Esta conferiu um novo impulso à abordagem adoptada pela comunidade Bahá’í a fim de chamar a atenção dos elementos mais influentes da sociedade para assuntos de importância crítica na garantia da paz no mundo. Através dos esforços coordenados do Departamento de Informação Pública da Comunidade Internacional Bahá’í e da pronta eficiência das Assembleias Espirituais Nacionais, a mensagem foi distribuída num curto espaço de tempo às mais altas esferas e escalões das comunidades religiosas de todo o globo. O propósito da iniciativa é o de levar ao conhecimento de todos os interessados para a necessidade urgente de que os lideres religiosos se debrucem sobre o problema do preconceito religioso, que se está firmemente a tornar um perigo cada vez mais sério ao bem estar da humanidade. As reacções imediatas de muitos dos destinatários indicam que a mensagem está a ser seriamente considerada e que até, nalguns sítios, conferiu uma nova perspectiva a actividades inter-religiosas.
No campo do desenvolvimento social e económico atingimos um ritmo que cunha cada vez mais profundamente os efeitos dos esforços institucionais e individuais quer no desenvolvimento interno da comunidade como da colaboração da comunidade com outros. O Departamento do Desenvolvimento Social e Económico relata que durante o segundo ano do Plano oito novas agências de desenvolvimento de inspiração Bahá’í foram estabelecidas, operando em campos tão diversos como o avanço das mulheres, saúde, agricultura, educação infantil e potenciação da juventude.
Na Terra Santa, a tradução Inglesa da Epístola Árabe de Bahá’u’lláh conhecida como Javáhiru’l-Asrár foi publicada sob o título “Gems of Divine Mysteries”. A restauração da Cela de Bahá’u’lláh na prisão de ‘Akká foi completada, e foi iniciado o trabalho no restante do segundo andar da área da cela. Em contrapartida, na próxima época de peregrinação em Outubro, o número de peregrinos em cada grupo aumentará de 150 para 200.
Além disso, os esforços para desenvolver as instituições que operam no Centro Mundial foram especialmente evidentes na evolução continuada da instituição do Huqúqu’lláh sob a distinta liderança do Fideicomissário, a Mão da Causa de Deus ‘Ali Muhammad Varqá. Através da sua sábia iniciativa e empenho constante, o Dr. Varqá inspirou a educação de todos os amigos na lei do Huqúqu’lláh. Na década desde que esta lei foi universalmente aplicada, foi criada uma rede de corpos nacionais e regionais, a qual fornece coordenação e direcção ao serviço de um número crescente de deputados e representantes. O conhecimento desta maior lei espalhou-se rapidamente, e amigos de todos os continentes estão a responder com um espírito de devoção tal, que os Fideicomissários esperam que esta possa tocar também aqueles que ainda não beneficiaram das bênçãos prometidas que fluem da aderência a esta lei.
Nos cerca de dois anos desde que anunciámos a necessidade especial de apoio financeiro para manter, a um padrão adequado, os edifícios e jardins no Centro Mundial, o Fundo de Dotação para o Centro Mundial foi estabelecido. As contribuições ainda não atingiram um nível equivalente às necessidades anuais. No entanto, sentimo-nos obrigados a pôr de lado cinco milhões de dólares de contribuições recebidas como fundo pré-destinado com vista à constituição de um capital fonte de investimento dedicado ao propósito original. Fizemo-lo recorrendo ao Fundo Internacional Bahá’í a fim de suportar as despesas necessárias, suspendendo actividades noutros campos que teriam continuado em circunstâncias normais.
Estamos encantados em anunciar que, em resposta ao apelo feito pela Assembleia Espiritual Nacional do Chile, 185 desenhos conceptuais foram recebidos de arquitectos e designers de todo o mundo para o Templo Mãe da América do Sul a ser construído em Santiago. Uma escolha final será anunciada na devida altura.
Queridos amigos: Gratos pela evidência sólida do progresso feito em toda a dimensão do planeta, confiamos nas confirmações contínuas do nosso Senhor Supremo aos esforços dedicados que se empreendem no enquadramento do Plano de 5 Anos – um Plano designado para responder às necessidades destes tempos. Que a vossa persistência na sua concretização liberte aquelas forças contidas que, através das graças e favores da Beleza de Abhá, possam fazer avançar a passos largos o processo de entrada em grupos em todos os países.
A avalanche de acontecimentos dentro e fora da Fé ao se iniciar a Quinta Época da Idade Formativa oferece um espetáculo que causa assombro. Dentro da Causa, a importância histórica dos eventos ocorridos em maio último marcando a conclusão dos edifícios no Monte Carmelo fascinaram os sentidos, à medida que seu impacto foi instantaneamente transmitido ao redor do planeta através de transmissões via satélite e pela maior cobertura jamais dada a uma celebração bahá’í pelos meios de comunicação. No momento em que as mais recentes evidências no desdobrar tangível da Epístola do Carmelo foram reveladas com esplendor emocionante ante os olhos do mundo a Causa de Bahá’u’lláh saltou para um novo patamar de proeminência em sua contínua emergência da obscuridade. Uma marca indelével foi assim registrada nos anais da Dispensação.
Essa manifestação exterior da vitalidade que anima nossa irreprimível Fé teve sua contrapartida no impulso experimentado pelos processos internos que estão em movimento desde a inauguração, no último Ridván, do Plano de Cinco Anos. Por isso, sentimo-nos movidos a convidar os delegados reunidos nas convenções nacionais e todos os demais seguidores de Bahá’u’lláh no mundo para que se juntem a nós na reflexão sobre alguns importantes destaques da execução do Plano em seu primeiro ano – destaques que seguramente alegrarão os corações e inspirarão confiança nas potencialidades incalculáveis da trajetória definida para o Plano.
Numa animada resposta aos seus requisitos, as Assembléias Espirituais Nacionais envolveram-se numa série de sessões de planejamento junto com Conselheiros Continentais no período que antecedeu ao Ridván, ou logo após. Elas marcaram o compasso para um vigoroso lançamento caracterizado pelos passos tomados para concretizar um novo aspecto do processo de entrada em tropas. Em cada uma das comunidades nacionais, as instituições bahá’ís lançaram-se à tarefa de mapear sistematicamente seus países com o objetivo de parcelar seus territórios em agrupamentos, cada uma delas tendo uma composição e tamanho adequados a uma escala gerenciável de atividades de crescimento e desenvolvimento. Tal mapeamento, conforme já relatado por cerca de 150 países, permite perceber um bem-ordenado padrão de expansão e consolidação. Ele, deste modo, também cria uma perspectiva, ou visão, de um crescimento sistemático que pode ser mantido de agrupamento em agrupamento por toda a extensão de um país. Nesta perspectiva, os agrupamentos virgens, como os territórios virgens identificados em campanhas anteriores, tornam-se as metas para pioneiros de frente interna, enquanto os agrupamentos já abertos enfocam seu desenvolvimento interno ao serem mobilizadas pelo trabalho mutuamente reforçador dos três elementos constituintes do Plano: o indivíduo, as instituições e a comunidade.
É muito encorajador verificar que o progresso desse trabalho está sendo energizado pelo processo dos institutos de capacitação, o qual foi consideravelmente fortalecido no último ano pelas campanhas realizadas em muitos países para aumentar o número de facilitadores capacitados. Onde existe um instituto de capacitação bem estabelecido e funcionando permanentemente, três atividades centrais – círculos de estudo, reuniões devocionais e aulas de crianças – multiplicaram-se com relativa facilidade. Na verdade, a crescente participação de contatos nestas atividades, ao convite de seus amigos bahá’ís, concedeu uma nova dimensão aos seus objetivos, conseqüentemente provocando novas declarações. Esta, certamente, é uma direção altamente promissora para o trabalho de ensino. Estas atividades centrais, que no início foram planejadas para o benefício dos próprios crentes, estão se tornando, de uma maneira natural, portas para a entrada em tropas. Através da combinação dos círculos de estudo, reuniões devocionais e aulas de crianças dentro da estrutura dos agrupamentos, um modelo de coerência através de linhas de ação foi estabelecido e já produz resultados positivos. Sentimo-nos confiantes de que a aplicação deste modelo numa escala mundial oferece imensas possibilidades para o progresso da Causa nos anos vindouros.
Estas perspectivas emocionantes tornaram-se ainda mais viáveis através da imensa energia investida pelo Centro Internacional de Ensino no enriquecimento da compreensão da comunidade mundial a respeito do crescimento sistemático. Aproveitando a oportunidade oferecida pelo recente início de um novo período de serviço dos membros do Corpo Auxiliar, o Centro de Ensino promoveu a realização de 16 conferências regionais de orientação, realizadas nos meses finais do ano. Para cada uma delas dois de seus membros foram enviados. Ao enfocar detidamente o tema “institutos de capacitação e crescimento sistemático”, as conferências, às quais compareceram praticamente todos os membros do Corpo Auxiliar do mundo, concedeu aos seus participantes uma riqueza de informações que, através de seus incansáveis esforços, haverá de permear a total estrutura da comunidade.
Uma comunidade assim ricamente dotada, experiente e focada em um plano de ação divinamente inspirado, contempla um mundo cujos habitantes, desde os eventos de maio de 2001 na Terra Santa, mergulharam ainda mais profundamente num atoleiro de múltiplos distúrbios. Entretanto, é justamente nestas condições aparentemente inóspitas que a Causa está destinada a crescer e onde ela prosperará. “The Summons of the Lord of Hosts” (O Chamado do Senhor das Hostes), o recém liberado volume contendo a tradução inglesa dos textos completos das Epístolas de Bahá’u’lláh aos reis e governantes do mundo, veio como uma lembrança oportuna das terríveis conseqüências advindas do desprezo às Suas advertências contra a injustiça, a tirania e a corrupção. Os violentos choques que se estão abatendo sobre as consciências dos povos em todas as terras enfatizam a urgência do remédio por Ele prescrito. Nós, os grupos esparsos de Seus servos leais, chegamos assim a um tempo de oportunidades irresistíveis – oportunidades para ensinar Sua Causa, para erigir Seu maravilhoso Sistema e para contribuir sacrificialmente com os meios materiais tão urgentemente necessitados dos quais o progresso e a execução de atividades espirituais inevitavelmente depende.
Nossa tarefa inescapável é aproveitarmos os tumultos presentes, sem medo ou hesitação, a fim de difundir e demonstrar a virtude transformadora daquela única Mensagem que pode assegurar a paz no mundo. Acaso a Abençoada Beleza não nos fortaleceu e confirmou com palavras poderosas? “Que os acontecimentos do mundo não vos entristeçam”, é Seu amoroso conselho. “Juro por Deus”, continua Ele, “O mar do júbilo anseia alcançar vossa presença, pois todas as boas coisas foram para vós criadas, e, de acordo com as exigências do tempo, vos serão reveladas.”
Sem serem enredados por nenhuma dúvida, sem serem impedidos por nenhum obstáculo, avancem, portanto, com o Plano em mãos.
Com grande alegria nos nossos corações e elevadas expectativas, chegamos a esta altura do Ridván num tempo de mudança, quando é evidente a presença de um novo estado de espírito entre todos nós. Há uma profunda consciência, circulando na nossa comunidade mundial, do valor do processo, da necessidade do planeamento e da virtude da acção sistemática na promoção do crescimento e no desenvolvimento dos recursos humanos, através dos quais a expansão pode ser sustentada e a consolidação garantida. A coerência do entendimento acerca destes pré-requisitos do progresso não pode ser sobreavaliada, nem pode ser sobrestimada a importância de os perpetuar através de formação bem programada. E assim, a chegada da nossa comunidade a um tal momento de consciência é uma ocasião de grande significado para nós. Estamos profundamente agradecidos à Abençoada Beleza por sermos capazes de reconhecê-lo e aclamá-lo no próprio começo do empreendimento global que está sendo lançado durante estes dias festivos.
O poder da vontade, gerado por esta consciência, caracterizou a conferência dos Conselheiros Continentais e dos membros da Junta Auxiliar que se reuniram na Terra Santa, no passado mês de Janeiro. O acontecimento produziu uma experiência tão luminosa que até sinalizou a entrada da Fé numa nova época, a quinta da sua Idade Formativa. Uma tal frescura de vitalidade como a que foi mostrada neste encontro histórico acabou por ser compreendida como uma manifestação do aumento da qualidade da actividade por toda a comunidade. As diligências feitas, durante o ano passado, pelos requisitos essenciais ao avanço do processo de entrada em tropas, confirmam esta observação. O caminho foi assim desbravado para o Plano de Cinco Anos, o primeiro empreendimento após o entrar na Quinta Época.
Ao aumentar os esforços mais grandiosos do anterior Plano de Quatro Anos, que trouxe à existência mais de 300 institutos de formação, o Plano de Doze Meses atingiu o seu propósito. Ele ganhou significado por via das notáveis respostas que as instituições e os indivíduos deram ao chamamento para uma maior concentração no desenvolvimento espiritual das crianças e no envolvimento dos pré-jovens na vida comunitária Bahá’í. A formação de professores para aulas das crianças e a inclusão dos pré-jovens no processo de instituto tornaram-se uma parte regular da actividade Bahá’í num número de países. Apesar da sua brevidade, o Plano de Doze Meses, teve uma importância que transcendeu os objectivos que lhe estavam especificamente atribuídos. O Plano foi um elo dinâmico entre uma época cheia de acontecimentos importantes na História Bahá’í e as perspectivas imensamente prometedoras de uma nova época, para a qual as suas realizações tão bem prepararam a comunidade. Fica gravado nos nossos registos, também, pelos efeitos duradoiros das actividades da Fé no final do século vinte - um século que merece ser objecto de reflexão por qualquer Bahá’í que deseje compreender as forças tumultuosas que influenciaram a vida do planeta e os processos da própria Causa numa altura crucial na evolução espiritual e social da humanidade. Como auxílio a um esforço tão valioso, foi preparado a nosso pedido e sob nossa supervisão, o documento Século da Luz.
Em muitas ocasiões durante este empreendimento de um ano, as actividades dos assuntos externos da Fé foram particularmente visíveis. Considerem-se, por exemplo, os casos dos representantes Bahá’ís que participaram de forma proeminente nos eventos do milénio, realizados em Maio, Agosto e Setembro a pedido do Secretário Geral das Nações Unidas. As implicações de um envolvimento tão chegado e conspícuo da Comunidade Internacional Bahá’í com os processos da Paz Menor requerem a passagem do tempo para serem compreendidos apropriadamente. Entre outras realizações de destaque esteve o colóquio continental, organizado na Índia, pelo Instituto para os Estudos sobre Prosperidade Global, uma nova organização funcionando sob a égide da Comunidade Internacional Bahá’í. Adoptando o tema “ciência, religião e desenvolvimento”, a conferência realçou a participação das mais importantes organizações não-governamentais da Índia, tanto quanto a das instituições de nomeada tais como UNESCO, UNICEF, WHO e o Banco Mundial. Em Outubro, foi lançado na Internet, o Serviço Noticioso Mundial Bahá’í (BWNS) com a intenção de atingir audiências Bahá’ís e não-Bahá’ís com novas histórias sobre os desenvolvimentos que estão a ocorrer por todo o mundo Bahá’í.
Durante o último ano, as actividades intensivas no Centro Mundial Bahá’í foram, na sua maior parte, tornadas conhecidas aos amigos através de relatórios que incluíram referências a tais acontecimentos como a ocupação pelo Centro Internacional de Ensino da sua sede permanente no Monte Carmelo; a Conferência dos Conselheiros Continentais e dos membros da Junta Auxiliar, que se realizou na Terra Santa no passado mês de Janeiro; e a finalização dos projectos do Monte Carmelo, que estão agora na fase dos acabamentos, em preparação para os eventos da inauguração em Maio. No passado mês de Outubro, pela primeira vez, os peregrinos e visitantes foram recebidos no novo Centro de Recepção, em Haifa, que ficou completamente operacional. Em Bahjí, o embelezamento do sítio sagrado através do desenvolvimento dos seus jardins avançou continuamente; o esforço todavia recebeu um impulso do novo projecto iniciado no ano passado, para construir um Centro de Visitantes, na extremidade norte da propriedade, para além do portão Collins. Com finalização completa marcada para os próximos meses, a estrutura já está erguida e o trabalho progride em todas as áreas, incluindo nos acabamentos e arranjos paisagísticos. As novas instalações melhorarão a capacidade do Centro Mundial para receber números crescentes de peregrinos, visitantes Bahá’ís de curta duração, e visitas especiais.
Para concluir este sumário do ano, rejubilamos ao informar que, após um lapso de tempo de quase três décadas, a Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá’ís da Indonésia foi restabelecida na Convenção Nacional realizada em Jacarta no último Ridván. Uma proibição imposta às actividades Bahá’ís, em Agosto de 1962, restringiu severamente as acções dos Bahá’ís Indonésios por todo aquele tempo, mas eles mantiveram-se firmes e sábios no seu longo sofrimento, até que as circunstâncias mudaram naquele país, resultando no levantamento da proibição. Poderemos nós então atrevermo-nos a esperar que um acontecimento, igualmente feliz, não esteja muito distante no que concerne aos nossos irmãos perseguidos no Irão, Egipto e noutros países?
Queridos Amigos: Daqui a duas décadas o mundo Bahá’í celebrará o centenário do começo da Idade Formativa. Olhamos para trás, para a aurora da Idade a partir da vantagem das realizações que dificilmente poderiam ter sido imaginadas à partida. À nossa frente estão horizontes que incitam, urgentemente, a comunidade a atingir realizações ainda maiores no curto período que nos separa desse centenário. Aquelas alturas podem e devem ser escaladas. O Plano de Cinco Anos, para o qual chamamos a urgente e constante atenção dos amigos, por toda a parte do mundo, tem como propósito vencer este desafio. Ele constitui a primeira de uma série de campanhas que serão prosseguidas durante estes vinte anos. Este Plano marca a próxima fase no objectivo de conseguir um avanço significativo no processo de entrada em tropas. Ele requer uma aceleração deste processo vital e, além disso, insiste na continuidade do esforço sistemático da parte dos três participantes constituintes: o indivíduo, as instituições e a comunidade.
Não é necessário elaborar longamente os requisitos do Plano, porque estes foram apresentados na nossa mensagem aos Conselheiros reunidos na Terra Santa e subsequentemente partilhada com todas as Assembleias Espirituais Nacionais. Logo após a sua conferência, os Conselheiros começaram a consultar com as Assembleias Nacionais acerca da execução do Plano nas suas respectivas jurisdições. A direcção do Plano é por isso conhecida dos amigos, em toda a parte, pois estão em curso os preparativos, locais e regionais, para alcançar o seu objectivo maior. Há agora uma consciência generalizada de que serão feitos esforços para uma maior penetração da Fé, em cada vez mais regiões, dentro dos países. Por exemplo, onde as circunstâncias permitam, as comunidades locais que estejam na proximidade de outras serão mobilizadas para participar em programas intensivos de crescimento. Outras abordagens irão requerer a abertura metódica de novas áreas para as quais pioneiros internos devem ser angariados, no mesmo espírito de consagração que moveu aqueles que se espalharam pelo mundo em tempos mais distantes, para abrir territórios virgem através dos continentes e dos mares. Basta dizer que o processo que anima este empreendimento, divinamente dirigido, irá eventualmente expandir-se à medida que casos relacionados sejam gradualmente incluídos e sistematicamente integrados na sua operação.
Uma característica da Quinta Época será o enriquecimento da vida devocional da comunidade através da construção de Templos de Adoração nacionais, à medida que as circunstâncias nas comunidades nacionais o permitam. O calendário destes projectos será determinado pela Casa Universal de Justiça em relação ao avanço do processo de entrada em tropas dentro dos países. Este desenvolvimento irá desenrolar-se através de etapas sucessivas do Plano Divino de Abdu’l-Bahá. Após o acabamento do Templo Mãe no Oeste, o Guardião iniciou o programa da construção dos templos continentais. Os primeiros dentre estes foram os Mashriqu’l-Adhkárs em Kampala, Sydney e Frankfurt, os quais foram construídos em resposta aos objectivos do Plano de Dez Anos. A Casa Universal de Justiça continuou por estas linhas com a construção dos Templos na cidade do Panamá, Apia e Nova Deli. Mas este estádio continental ainda não está completo: falta ser construído um edifício. É com profunda gratidão e júbilo que anunciamos, neste momento auspicioso, a decisão de prosseguir com este último projecto. Durante o Plano de Cinco Anos, a edificação do Templo Mãe da América do Sul, em Santiago do Chile, começará e assim cumprir-se-á um desejo claramente expresso por Shoghi Effendi.
Entretanto, o tempo é propício para que mais passos sejam dados no Centro Mundial no sentido de desenvolver as funções das instituições que ocupam os novos edifícios no Arco. O Centro Internacional de Ensino, tendo avançado significativamente no seu trabalho, irá agora concentrar a sua atenção, em particular, em organizar o trabalho do Centro de Estudos dos Textos. Enriquecer as traduções para Inglês a partir dos Textos Sagrados será objecto especial desta atenção. O propósito da Instituição é auxiliar a Casa Universal de Justiça a consultar as Sagradas Escrituras e a preparar traduções e comentários sobre os textos autorizados da Fé. Além disso, na Terra Santa, um esforço contínuo será consagrado a descobrir formas de tornar possível um aumento maior do número de peregrinos e visitantes ao Centro Mundial Bahá’í.
Na nossa mensagem de Ridván de há cinco anos, anunciámos a realização de um evento especial no Centro Mundial para marcar o acabamento dos projectos no Monte Carmelo e a abertura dos Terraços do Santuário do Báb ao público. O momento é chegado e nós exultamos em antecipação de dar as boas-vindas aos amigos de, virtualmente, todos os países, a programas que se estenderão por um período de cinco dias, de 21 a 25 de Maio. Estamos também felizes por poder dizer que se estão a dar passos para ligar o mundo Bahá’í aos acontecimentos, através de transmissões ao vivo, pela Internet e por satélite, das quais está sendo dada informação. À medida que o Centro Mundial se concentra nos preparativos, a excitação está a crescer entre o público em Haifa, onde as autoridades municipais encarregaram-se da publicação de um livro com o título “Santuário Bahá’í e Jardins no Monte Carmelo, Haifa, Israel: Uma Viagem Visual” para coincidir com o evento. Além disso, a Autoridade dos Serviços Postais de Israel está a levar a cabo a sua decisão de lançar, ao mesmo tempo, um selo comemorativo com os Terraços. O significado da ocasião reside principalmente na pausa que ela permitirá fazer para passar em revista a distância notável que a Causa cobriu no seu desenvolvimento durante o século vinte. Também será a altura para ponderar as implicações futuras das realizações fenomenais simbolizadas pela edificação das estruturas monumentais na montanha sagrada de Deus - uma edificação que revela os centros administrativo e espiritual da nossa Fé aos olhos do mundo.
Enquanto a nossa comunidade rejubila com estas emocionantes considerações, que cada membro tenha em mente que não há tempo para descansar à sombra dos louros. A condição actual da humanidade é demasiado desesperada para permitir um momento sequer de hesitação na partilha do Sopro da Vida que desceu do céu no nosso tempo. Que não haja então qualquer atraso no avanço do processo, que tem toda a promessa de sucesso em acompanhar à mesa do banquete do Senhor dos Exércitos as almas de todos aqueles que têm fome de verdade.
Possa Ele, que vigia o destino do Seu Sistema Divino guiar e dirigir e confirmar todo o esforço que façais para a realização das tarefas urgentes que estão à vossa frente.
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Curvamos as nossas cabeças em gratidão perante o Senhor dos Exércitos, com os nossos corações a transbordar de alegria, à medida que testemunhamos quão maravilhosa é a diferença que quatro anos fizeram desde o lançamento do Plano global agora concluído neste Festival de Esplendores. Tão marcado foi o progresso conseguido durante este período que a nossa comunidade mundial atingiu alturas das quais podem ser claramente discernidos novos horizontes brilhantes para os seus futuros empreendimentos.
A diferença quantitativa resultou, basicamente, de uma diferença qualitativa mais crucial. A cultura da comunidade Bahá’í conheceu uma mudança. Esta mudança é visível na capacidade ampliada, no padrão metódico de funcionamento e na consequente profundidade da confiança dos três constituintes que participaram no Plano - o indivíduo, as instituições e a comunidade local. Isto é assim porque os amigos se preocuparam, mais consistentemente, com o aprofundamento do seu conhecimento dos Ensinamentos divinos e aprenderam muito - e isto de forma mais sistemática do que antes - acerca de como os aplicar para promulgar a Causa, para organizar as suas actividades individuais e colectivas, e para trabalhar com os seus próximos. Em suma, eles entraram num modo de aprendizagem do qual resultou o prosseguimento de acções com um propósito específico. O propulsor chefe desta mudança foi o sistema de institutos de formação estabelecido com grande rapidez por todo o mundo - um feito que, no campo da expansão e consolidação, se qualifica como o maior legado do Plano de Quatro Anos.
Na capacidade aumentada dos indivíduos para ensinar a Fé, como foi demonstrado pelo ímpeto das iniciativas individuais; na capacidade melhorada das Assembleias Espirituais, Conselhos e comissões para guiar os esforços dos amigos; na introdução de novos padrões de pensamento e acção que influenciaram o comportamento colectivo da comunidade local - em todos estes aspectos o sistema dos institutos de formação demonstrou a sua indispensabilidade como um motor do processo de entrada em tropas. Ao estender a sua operação através de círculos locais de estudo, muitos institutos ampliaram a sua capacidade para cobrir vastas regiões com os seus programas. A Mongólia, por exemplo, estabeleceu 106 círculos de estudo e, como resultado, registou um crescimento significativo no número de novos crentes. Concomitante com estes tipos de desenvolvimentos, os membros da nossa comunidade mundial também prestaram mais atenção a confiar no poder da oração, a meditar na Palavra sagrada, e a receber os benefícios espirituais da participação em reuniões devocionais. É através do funcionamento destes elementos de uma intensa transformação individual e colectiva que o tamanho da comunidade está a crescer. Embora os números de novos crentes tenham ainda só ultrapassado ligeiramente aqueles dos últimos anos, é imensamente gratificante ver que este aumento está agora geograficamente espalhado, está a incluir cada vez segmentos mais amplos da comunidade e está a ter sucesso na integração de novos declarados na vida da Causa.
Uma condição tão salutar, tão promissora da Fé também deve muito, para além de qualquer medida, à influência consultora, ao papel de colaborador e ao trabalho prático da Instituição dos Conselheiros que foi ampliada no que respeita à formação e operação dos institutos de formação e de operação - uma ampliação que reflectiu o estímulo oportuno dado pelo vibrante e sempre alerta Centro Internacional de Ensino.
O tema central do Plano de Quatro Anos - fazer avançar o processo de entrada em tropas - produziu um alto grau de integração de pensamento e acção. Focou a atenção num estádio maior da evolução da comunidade Bahá’í que deve ser atingido durante a Idade Formativa; porque até que a entrada em tropas esteja mais amplamente sustentada, não se terão atingido as condições para a conversão em massa, aquela “ruptura das linhas inimigas” prometida por Shoghi Effendi nos seus escritos. Este foco temático do Plano trouxe implicações para todas as categorias de actividade Bahá’í; apelou a uma clareza de compreensão que tornou possível o planeamento sistemático e estratégico como um requisito prévio da acção individual e colectiva. Os membros da comunidade começaram gradualmente a compreender de que modo a sistematização facilitaria os processos de crescimento e desenvolvimento. Este aumentar de consciência foi um enorme passo que levou a uma melhoria qualitativa nas actividades de ensino e a uma mudança na cultura da comunidade.
Os aspectos integradores do tema foram evidentes nos esforços para planear, construir capacidade institucional e desenvolver recursos humanos. As linhas que unem estes três aspectos podem ser seguidas desde o início do Plano até ao seu final. A Conferência dos Corpos Continentais de Conselheiros, em Dezembro de 1995, na Terra Santa, marcou o início. Aí os Conselheiros foram orientados para os traços distintivos do Plano. Isto foi seguido pelas suas consultas com as Assembleias Espirituais Nacionais, em sessões nacionais de planeamento, que se deslocaram subsequentemente para o nível regional, envolvendo os membros do Corpo Auxiliar, as Assembleias Espirituais Locais e as comissões. Assim, a todos os níveis, elementos da administração Bahá’í foram envolvidos no processo de planeamento e passaram para lá deste estádio para o da implementação, no qual a capacidade institucional para estar à altura da entrada em tropas teve de ser criada. Neste sentido, dois passos principais foram dados: um foi o estabelecimento de institutos de formação; o outro foi o estabelecimento formal e a introdução generalizada dos Conselhos Regionais Bahá’ís, como uma característica da administração entre os níveis local e nacional, para fortalecer a capacidade administrativa de certas comunidades, onde a complexidade crescente dos assuntos a tratar pelas Assembleias Espirituais Nacionais requeria este desenvolvimento. Igualmente relevantes para integrar os pontos essenciais do processo foram as estratégias definidas para o trabalho de desenvolvimento social e económico, o qual é uma parte crucial da consolidação, e nos assuntos externos, que é um factor vital para permitir à Fé poder gerir as consequências da sua emergência da obscuridade. O efeito combinado produziu resultados ressonantes, a enumeração dos quais excederia em muito a extensão destas páginas. Somos, contudo, induzidos a citar certos destaques que ilustram o alcance das realizações do Plano.
Na Terra Santa, a construção dos Terraços e dos edifícios no Arco avançaram com todas as garantias de se cumprir a data anunciada para a sua finalização no fim deste ano Gregoriano. Para além disso, o edifício em Haifa ao qual nos referimos na nossa mensagem do último Ridván, em relação com o tamanho aumentado dos grupos de peregrinos, está pronto a usar a partir deste Ridván. A este mesmo respeito, foram aprovados os planos de arquitectura para a muito necessária estrutura, a ser construída em Bahji, para acomodar peregrinos e outros visitantes Bahá’ís e não-Bahá’ís. A tradução dos Textos para o esperado novo volume das Escrituras de Bahá’u’lláh foi completada e estão em curso os preparativos para a sua publicação.
Progressos na expansão e consolidação foram visíveis de outras formas, para além daquelas já mencionadas: no pioneirismo, na proclamação, na publicação de literatura, no uso das artes, na formação de Assembleias Espirituais e nos avanços de associações de estudos Bahá’ís. Cerca de 3.300 crentes fixaram-se como pioneiros internacionais de longo e curto prazo. Que muitos países que geralmente apenas recebiam pioneiros tenham agora enviado alguns para o estrangeiro, foi mais uma indicação da maturação das comunidades nacionais. Leais ao mandato dirigido aos seus membros, as comunidades do Canadá e dos Estados Unidos destacaram-se pelo elevado número de pioneiros que deixou suas costas e no ainda maior número de professores viajantes, incluindo uma significativa representação de juventude. Especialmente digna de nota foi, também, a resposta estimulante dos crentes de descendência Africana nos Estados Unidos ao pedido de que professores Bahá’ís viajassem para África.
A proclamação da Causa envolveu uma variedade de acções que incluíram o patrocínio a uma larga gama de acontecimentos - aniversários, comemorações, grupos de debate, exibições e coisas semelhantes - o que tornou possível que grandes números de pessoas tomassem conhecimento dos ensinamentos da Fé. As Casas de Adoração foram centros magnéticos para os visitantes que entraram pelas suas portas em números crescentes, especialmente na Índia, onde cerca de cinco milhões de pessoas foram recebidas durante o último ano. A juntar a estas actividades registaram-se os múltiplos usos da comunicação social para fazer passar a mensagem Bahá’í. Nos Estados Unidos, cerca de 60.000 inquiridores responderam a uma campanha na comunicação social, projectada pela Comissão Nacional de Ensino. Por todo o mundo, o conhecimento da Fé espalhou-se através da aparição, mais frequente do que antes, de artigos favoráveis, não solicitados, na comunicação escrita. Houve um semelhante alargamento da exposição da Fé através da prontidão, por parte das estações de rádio e televisão, para transmitir programas Bahá’ís regulares; este foi o caso em países como a República Democrática do Congo e a Libéria. Tais desenvolvimentos afortunados foram coroados pela escolha independente, por parte de instituições internacionais da comunicação social, para utilizar o Santuário do Báb e os Terraços como o local para a difusão televisiva do segmento relativo à Terra Santa do programa mundial que celebrou a chegada do ano 2000.
A utilização das artes tornou-se um aspecto importante nas actividades de proclamação, ensino, aprofundamento e devocionais da comunidade mundial. As artes atraíram os jovens, que as aplicaram nas suas actividades de ensino e aprofundamento, principalmente através de numerosos grupos de trabalho de dança e teatro, activos em muitas partes do mundo. Mas a dinâmica das artes foi muito para além do canto e da dança, envolvendo uma gama de actividades imaginativas que aprofundaram pessoas na Causa. Onde a arte popular foi usada, especialmente em África, o trabalho de ensino foi grandemente realçado. Por exemplo, tanto o Gana como a Libéria montaram um Projecto Luz da Unidade para promover as artes no ensino. Na Índia, o Grupo de Harmonia Comunal tinha um propósito semelhante.
Sobretudo devido à solicitação insistente dos Conselheiros e com o apoio do Fundo Continental, foi dado um impulso à tradução e publicação de literatura Bahá’í, especialmente em África e na Ásia. Além disso, o Kitab-i-Aqdas apareceu numa edição integral em Árabe e em outras línguas.
Embora a restrição da formação de Assembleias Espirituais Locais ao primeiro dia do Ridván, que passou a vigorar em 1997, produzisse o antecipado decréscimo no número destas instituições, a queda não foi drástica. Desde então, o número manteve-se e um processo sólido de consolidação está em curso. Oito novos pilares da Casa Universal de Justiça foram erguidos, trazendo o número total de Assembleias Espirituais Nacionais para 181.
Particularmente gratificante tem sido, durante estes quatro anos, o ímpeto crescente das actividades escolásticas Bahá’ís, que tomam a dianteira da tarefa vital de reforçar as fundações intelectuais do trabalho da Fé. Dois resultados de valor inestimável foram o enriquecimento impressionante da literatura Bahá’í e a produção de um corpo de dissertações, examinando vários problemas contemporâneos à luz dos princípios Bahá’ís. A rede de Associações de Estudos Bahá’ís, que celebra este ano o seu vigésimo quinto aniversário, deu as boas vindas a cinco novos afiliados durante o Plano. Reflexo da diversidade e criatividade que este campo de serviço está a atrair foram: a realização da primeira conferência de estudos Bahá’ís na Papuásia Nova Guiné; e a forma inovadora como a Associação Japonesa se debruçou sobre as origens espirituais da escolaridade tradicional Japonesa.
O progresso no campo do desenvolvimento social e económico foi decididamente qualitativo embora os números mostrando um aumento de projectos sejam também impressionantes. As actividades relatadas anualmente cresceram de cerca de 1350 no início do Plano para mais de 1800 ao aproximar do seu final. O movimento no sentido de uma abordagem mais sistemática permaneceu como sendo a característica dominante do trabalho durante este período. Para promover a consulta e a acção nos princípios do desenvolvimento social e económico, o Gabinete de Desenvolvimento Social e Económico no Centro Mundial Bahá’í patrocinou 13 seminários regionais, nos quais se estima terem participado 700 representantes de 60 países. Este Gabinete também se dedicou ao planeamento de projectos piloto e de materiais adequados para a montagem de campanhas organizadas para promover a capacitação e alfabetização da juventude, o treino profissional em saúde comunitária, o progresso das mulheres e a educação moral. Um exemplo foi o programa na Guiana, que treinou mais de 1500 promotores de alfabetização; outro foi a finalização, na Malásia, de oito módulos para o avanço das mulheres, que se tornou a base para as sessões de treino realizadas em África, na Ásia e na América Latina. Um plano para integrar estações de rádio Bahá’ís no trabalho dos institutos de formação foi iniciado na região Guaymi do Panamá. À medida que os institutos ganham potencial para proporcionar treino na área do desenvolvimento social e económico, um movimento nessa direcção envolveu uma dúzia de institutos, os quais estão, presentemente, a fazer experiências esforçadas em áreas que incluem alfabetização, treino profissional em saúde comunitária e treino vocacional. Um número de agências de inspiração Bahá’í, e com patrocínio Bahá’í, têm devotado as suas energias a projectos, tais como aquele que envolveu colaboração com a Organização Mundial de Saúde no combate à cegueira dos rios nos Camarões; mais de 30.000 indivíduos receberam a necessária medicação através deste projecto Bahá’í. Outra instância é a universidade privada na Etiópia, Unity College, cujo corpo estudantil cresceu para 8.000 alunos. Outra é a Academia de Landegg, na Suíça, a qual, enquanto expande e consolida o seu programa académico, estendeu ajuda altamente apreciada à procura continuada de um remédio para as consequências sociais horrendas do conflito nos Balcãs. Ainda outra é a Universidade de Nur, na Bolívia, a qual, num projecto de colaboração com o Equador, ofereceu formação, no seu programa de liderança moral, a mais de 1000 professores de escolas. Neste campo do desenvolvimento social e económico, tais evidências de criar capacidade foram um grande benefício para os propósitos do Plano.
Guiada pela estratégia dos assuntos externos comunicada às Assembleias Espirituais Nacionais em 1994, a capacidade da comunidade nos campos da informação diplomática e pública cresceu igualmente a um ritmo surpreendente, colocando a comunidade Bahá’í num relacionamento dinâmico com as Nações Unidas, governos, Organizações Não Governamentais (ONG) e comunicação social. A estratégia focou actividades aos níveis nacional e internacional, em dois objectivos chave: influenciar os processos com vista à obtenção da paz mundial e defender a Fé. Através das medidas adoptadas para a defesa dos nossos muito amados companheiros no Irão, a Comunidade Internacional Bahá’í ganhou uma nova medida de respeito e de apoio, que criou oportunidades para outros objectivos da estratégia serem prosseguidos. Para enfrentar o desafio da intratável situação no Irão, as nossas instituições e agências de assuntos externos inventaram novas abordagens para activarem instrumentos disponíveis dos governos e das Nações Unidas. O caso das perseguições no Irão ocupou a atenção das mais altas autoridades do planeta. Na verdade, as notícias de que um tribunal Iraniano tinha reafirmado as sentenças de morte para dois dos amigos e imposto uma sentença semelhante a um terceiro, despertou uma resposta contundente do Presidente dos Estados Unidos, que emitiu uma clara advertência ao Irão. Como consequência das intervenções dos líderes mundiais e das Nações Unidas, as execuções de Bahá’ís Iranianos quase que pararam e o número daqueles condenados a longas penas de prisão foi drasticamente reduzido.
Ao mesmo tempo que recebemos com agrado estas intervenções, aclamamos o espírito de auto-sacrifício, a coragem e a fé indomável dos nossos irmãos e irmãs no Irão, que empossaram aqueles esforços com autoridade. Estas qualidades manifestas da alma confundem os seus compatriotas, pela resistência com que eles suportam os assaltos tão viciosa e implacavelmente empreendidos contra eles. Como, de outra forma, se podia explicar que tão poucos tenham sido capazes de enfrentar tantos, e por tanto tempo? Como, de outra forma, poderiam eles ter levantado a preocupação activa do mundo, mesmo quando apenas um único de entre eles encara a ameaça de morte? A tragédia do Irão é que os assaltantes até agora não perceberam que os princípios divinos pelos quais os que são perseguidos têm sacrificado as suas possessões, e até as suas vidas, contêm as verdadeiras soluções que satisfariam os anseios de uma população na sua hora de descontentamento. Mas não pode haver qualquer dúvida de que a tirania sistemática à qual os nossos amigos Iranianos têm sido tão cruelmente sujeitos cederá, no fim, perante o Poder do Todo-Poderoso guiando os processos misteriosos na direcção do seu destino garantido, em toda a sua glória prometida.
No que respeita ao outro objectivo da estratégia dos assuntos externos, as linhas de acção foram orientadas por quatro temas - direitos humanos, o estatuto das mulheres, prosperidade global e desenvolvimento moral. Os nossos registos mostram um enorme passo em frente no trabalho dos direitos humanos e no estatuto das mulheres. Com respeito ao primeiro, o Gabinete das Nações Unidas prosseguiu um programa criativo de educação para os direitos humanos, que tem servido, até agora, como um meio de construir capacidade de não menos que 99 Assembleias Espirituais Nacionais para o trabalho diplomático. No que concerne ao estatuto das mulheres, a existência de 52 gabinetes nacionais para o avanço das mulheres, as contribuições de numerosas mulheres e homens Bahá’ís para Conferências e grupos de trabalho a todos os níveis, a selecção de representantes Bahá’ís para posições cruciais em comissões chave de ONG, incluindo aquela que serve o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres, mostra como os seguidores de Bahá’u’lláh promovem infatigavelmente o Seu princípio da igualdade das mulheres e dos homens.
Ao mesmo tempo, uma gama variada de iniciativas está a disseminar informação sobre a Fé Bahá’í a vários públicos. Estas incluem empreendimentos tão inovadores como: o lançamento do portal The Bahá’í World na Internet, que já recebe uma média de 25.000 visitas por mês; a publicação de um documento intitulado Quem está a Escrever o Futuro?, que está a ajudar os amigos, por toda a parte, a falar acerca de assuntos contemporâneos; a difusão na Internet, desde Novembro último, “Payam-e-Doost”, um programa de rádio em língua Persa, difundido durante uma hora, todas as semanas, na área metropolitana de Washington, D.C. - um programa que está constantemente disponível em todo o mundo através da Internet; e a implementação de um programa de televisão altamente original, que aplica princípios morais aos problemas do dia-a-dia, que ganhou o caloroso endosso das autoridades governamentais na Albânia, Bosnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Hungria, Roménia, Eslovénia e na antiga República Juguslava da Macedónia.
Um fenómeno que ganhou força à medida que o século se aproxima do seu final é que as pessoas do mundo se têm levantado para exprimir as suas aspirações, através do que veio a ficar conhecido como “organizações da sociedade civil”. Deve ser uma fonte de grande satisfação para os Bahá’ís em toda a parte que a Comunidade Internacional Bahá’í, como uma ONG representando uma secção transversal da humanidade, tenha granjeado tanta confiança como um agente de unificação nas mais importantes discussões que formatam o futuro da humanidade. O nosso principal representante nas Nações Unidas foi nomeado para co-presidir uma Comissão de Organizações Não-Governamentais - uma posição que está a dar à Comunidade Internacional Bahá’í um papel de liderança na organização do Fórum do Milénio. Este encontro, promovido pelo Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e planeado para ser realizado em Maio, dará às organizações da sociedade civil uma oportunidade para formular pontos de vista e recomendações sobre problemas globais, que serão considerados na subsequente Cimeira do Milénio, em Setembro deste ano, em que participarão os chefes de estado e de governo.
O despertar da humanidade para as dimensões espirituais das mudanças que ocorrem no mundo tem um significado especial para os Bahá’ís. O diálogo inter-religioso tem-se intensificado. Durante o Plano de Quatro Anos, ele envolveu crescentemente a Fé como um participante reconhecido. O Parlamento das Religiões Mundiais, realizado na Cidade do Cabo, em Dezembro último, juntou cerca de 6.000 participantes, entre os quais se encontrava uma forte delegação Bahá’í. Os Bahá’ís serviram em ambos os Conselhos Directivos, Sul Africano e Internacional, que planearam o acontecimento. Para os Bahá’ís, o interesse no acontecimento residiu particularmente no facto de a primeira menção do Nome de Bahá’u’lláh, numa reunião pública no Hemisfério Ocidental, ter ocorrido no Parlamento realizado em Chicago, em 1893. Dois acontecimentos inter-religiosos realizados na Jordânia, em Novembro passado, incluíram Bahá’ís como participantes convidados: uma conferência sobre conflito e religião no Médio Oriente, e o encontro anual da Conferência Mundial sobre Religião e Paz. Os representantes Bahá’ís participaram em acontecimentos, na Cidade do Vaticano e em Nova Deli, patrocinados pela Igreja Católica Romana; no último, na presença do Papa João Paulo II, o Conselheiro Zena Sorabjee foi um dos representantes das religiões que discursou na reunião. No Reino Unido, a Fé foi levada à arena pública quando representantes Bahá’ís se juntaram a oito outras grandes religiões, para uma celebração inter-religiosa do novo milénio na Galeria Real do Palácio de Westminster onde, na presença da Realeza, do Primeiro Ministro, do Arcebispo de Cantuária e de outras pessoas de destaque, foi feita referência à reunião das “nove maiores religiões no Reino Unido”. Na Alemanha, pela primeira vez os Bahá’ís foram incluídos num diálogo inter-religioso. Isto inverteu uma atitude há muito existente das denominações Cristãs, que tinham evitado o contacto com a Fé devido a um livro escrito por um violador do Convénio e publicado por uma editora Luterana em 1981. O remédio foi dado por uma contestação escolástica de 600 páginas, escrita por três Bahá’ís e publicada em 1995 por uma grande editora não-Bahá’í, representando um sinal de vitória para a comunidade Bahá’í Alemã. Uma tradução para o Inglês foi publicada no último ano do Plano. O diálogo inter-religioso tomou uma forma pouco usual quando, no Palácio Lambeth, em 1998, os representantes do Banco Mundial e de nove grandes religiões realizaram um encontro que levou à formação do Diálogo de Desenvolvimento das Religiões Mundiais. O anunciado propósito do Diálogo é tentar ultrapassar os obstáculos entre as comunidades religiosas e o Banco Mundial, por forma a possibilitar-lhes trabalharem juntos, de maneira mais eficaz, para ultrapassar a pobreza mundial. A frequência e a abrangência das reuniões inter-religiosas representam um novo fenómeno nas relações entre as religiões. É evidente que as várias comunidades religiosas estão a batalhar para atingir aquele espírito de amizade e de companheirismo entre elas que Bahá’u’lláh ordenou aos Seus seguidores que mostrassem para com os seguidores das outras religiões.
O empenho concentrado da Comunidade Bahá’í nestes quatro anos ocorreu numa altura em que a sociedade em geral lutava contra uma torrente de interesses em conflito. Neste breve mas intenso período, as forças em acção na comunidade Bahá’í e em todo o mundo prosseguiram com uma aceleração infatigável. Na sua esteira foi revelado, mais visivelmente do que antes, o fenómeno social ao qual Shoghi Effendi aludiu. Há mais de seis décadas, ele tinha chamado a atenção para “os processos simultâneos de levantamento e queda, de integração e de desintegração, de ordem e caos, com as suas reacções contínuas e recíprocas de um sobre o outro”. Estes processos gémeos não continuaram isoladamente daqueles específicos à comunidade Bahá’í, mas antes, em certas alturas, progridem de tal forma que convidaram, como já foi demonstrado, ao envolvimento directo da Fé. Eles pareciam correr em lados opostos do mesmo corredor do tempo. De um lado, guerras fomentadas por conflitos religiosos, políticos, raciais ou tribais surgiram em cerca de 40 lugares; uma ruptura total e repentina da ordem civil paralisou vários países; o terrorismo como arma política tornou-se epidémico; um surto de redes criminosas internacionais causou alarme. Contudo, no lado oposto, tentativas de implementar e elaborar métodos de segurança colectiva foram esforçadamente feitas, trazendo à lembrança uma das prescrições de Bahá’u’lláh para manter a paz; foi feito um apelo para o estabelecimento de um Tribunal Internacional, outra acção em acordo com as expectativas Bahá’ís; para focar a atenção na necessidade imperativa de um sistema adequado para tratar dos problemas globais, os líderes mundiais têm agendado um encontro na Cimeira Milénio; novos métodos de comunicações abriram o caminho para qualquer um comunicar com todos no planeta. A desintegração económica na Ásia ameaçou desestabilizar a economia mundial, mas deu azo a esforços, tanto para remediar a situação imediata como para encontrar formas de trazer um sentido de equidade ao comércio e finanças internacionais. Estes são apenas uns poucos exemplos das duas tendências contrastantes mas interactivas que estão neste momento em acção, confirmando a inspirada súmula de Shoghi Effendi das forças em acção no maior plano de Deus, “cujos objectivos últimos são a unidade da raça humana e a paz de todo o género humano.”
Na conclusão destes quatro anos plenos de acontecimentos, chegámos a uma portentosa convergência de fins e começos nas medidas do tempo Gregoriano e da era Bahá’í. Num caso, esta convergência lega o término do século vinte e, no outro, abre um novo estádio no desenrolar da Idade Formativa. A perspectiva destes dois referenciais de tempo instiga-nos a reflectir numa visão de tendências modeladoras do mundo que se sincronizaram, e a fazê-lo no contexto da visão tão graficamente projectada por Shoghi Effendi, no começo do Arco que ele concebeu. Durante o decurso do Plano, esta visão assumiu uma claridade brilhante à medida que os projectos de construção avançaram no Monte Carmelo, à medida que os líderes mundiais davam passos corajosos na direcção de talharem as estruturas de uma paz política global, e à medida que as instituições Bahá’ís locais e nacionais passavam a novos níveis na sua evolução. Transportamos connosco uma sagrada e persistente memória do século XX, que agita as nossas energias ao mesmo tempo que estabelece o nosso caminho: é a daquele momento seminal na história da humanidade quando o Centro do Convénio de Bahá’u’lláh, durante um ministério sem paralelo, projectou a arquitectura de uma nova Ordem Mundial e quando, subsequentemente, durante alguns dos anos mais devastadores, o Guardião da Fé devotou as suas melhores energias a erigir as estruturas de um Sistema Administrativo que, no final do século, se ergue perante o olhar do mundo na totalidade da sua forma essencial. Chegámos, assim, a uma ponte entre os tempos. As capacidades desenvolvidas ao longo de um século de luta e sacrifício por uma mão cheia de intoxicados amantes de Bahá’u’lláh devem agora ser aplicadas às tarefas inescapáveis que transitaram para a Idade Formativa, cujas muitas épocas de trabalho incessante conduzirão àquela Idade de Ouro da nossa Fé, quando a Maior Paz envolverá a terra.
Começamos neste Ridván com um Plano de Doze meses. Embora seja breve, ele deve ser e será suficiente para realizar certas tarefas vitais e para preparar o terreno para o próximo impulso de vinte anos do Plano Divino do Mestre. O que foi tão cuidadosamente começado há quatro anos - a aquisição sistemática de conhecimento, qualidades e experiência de serviço - deve ser aumentado. Onde quer que existam, os institutos regionais e nacionais devem activar ao máximo os programas e os sistemas que adoptaram. Devem ser formados novos institutos onde tais necessidades tenham sido identificadas. Devem ser dados maiores passos para sistematizar o trabalho de ensino realizado através da iniciativa individual e do patrocínio institucional. É, em parte, com este propósito que, em várias áreas de cada continente, os Conselheiros e as Assembleias Nacionais estabeleceram “Programas de Crescimento de Área”. Os resultados proporcionarão uma base de experiências para benefício de Planos futuros. O indivíduo, as instituições e a comunidade local são vivamente aconselhados a focar a sua atenção nestas tarefas essenciais, por forma a estarem completamente preparados para o empreendimento de cinco anos a começar no Ridván de 2001 - um empreendimento que levará o mundo Bahá’í para a próxima fase no avanço do processo de entrada em tropas.
Mas para além de prestar atenção a estas tarefas, há um desafio urgente a ser enfrentado: as nossas crianças precisam de ser educadas espiritualmente e de ser integradas na vida da Causa. Elas não devem ser deixadas à deriva num mundo tão carregado de perigos morais. No presente estado da sociedade, as crianças enfrentam um destino cruel. Milhões e milhões, em país atrás de país, estão socialmente deslocadas. As crianças encontram-se alienadas pelos pais e outros adultos, quer vivam em condições de pobreza ou de riqueza. Esta alienação tem as suas raízes num egoísmo que nasce do materialismo que está no centro do ateísmo que, por toda a parte, tomou posse dos corações das pessoas. O afastamento social das crianças, no nosso tempo, é um sinal claro de uma sociedade em declínio; contudo, esta circunstância não está limitada a qualquer raça, classe, nação ou condição económica - ela perpassa-as a todas. Aflige os nossos corações compreender que, em tantas partes do mundo, as crianças são empregues como soldados, exploradas como trabalhadores, vendidas para escravatura, forçadas à prostituição, tornadas objectos de pornografia, abandonadas por pais centrados nos seus próprios desejos e submetidas a outras formas de vitimização, demasiado numerosas para serem mencionadas. Muitos destes horrores são infringidos pelos próprios pais sobre as suas próprias crianças. O dano espiritual e psicológico desafia qualquer estimativa. A nossa comunidade mundial não pode escapar às consequências destas circunstâncias. A compreensão deste facto deve instigar-nos a todos a um esforço urgente e sustentado, a bem dos interesses das crianças e do futuro.
Ainda que as actividades das crianças tenham feito parte de Planos anteriores, elas ficaram aquém das necessidades. A educação espiritual das crianças e dos pré-jovens é da maior importância para o progresso futuro da comunidade. É, por isso, imperativo que esta deficiência seja remediada. Os Institutos devem assegurar a inclusão nos seus programas de formação de professores para aulas de crianças, que depois poderão disponibilizar os seus serviços às comunidades locais. Mas embora proporcionar educação académica e espiritual às crianças seja essencial, isto apenas representa uma parte do que deve entrar no desenvolvimentos dos seus caracteres e na formação das suas personalidades. Existe também a necessidade (para os indivíduos e para as instituições a todos os níveis, o que é o mesmo que dizer a comunidade como um todo) de demonstrar uma atitude apropriada para com as crianças e de assumir interesse geral pelo seu bem-estar. Uma tal atitude deve estar muito afastada daquela de uma ordem em rápida decadência.
As crianças são o tesouro mais precioso que uma comunidade pode ter, porque nelas estão a promessa e a garantia do futuro. Elas carregam as sementes do carácter da sociedade futura que, em grande medida, é moldada por aquilo que os adultos que constituem a comunidade fazem, ou deixam por fazer, no que respeita às crianças. Estas são uma responsabilidade que nenhuma comunidade pode negligenciar com impunidade. Um amor total pelas crianças, a maneira de lidar com elas, a qualidade da atenção que se lhes dedica, o espírito do comportamento adulto para com elas - estes estão todos entre os aspectos vitais da atitude requerida. O amor requer disciplina, a coragem para acostumar as crianças às dificuldades da vida, não ser indulgente com os seus caprichos nem os deixar inteiramente entregues aos seus próprios planos. É necessário manter-se uma atmosfera na qual as crianças sintam que pertencem à comunidade e que partilham do seu propósito. Elas devem ser, amorosa mas insistentemente, guiadas para viver à altura do padrão Bahá’í, para estudar e ensinar a Causa em maneiras que forem adequadas às suas circunstâncias.
Entre os mais jovens da comunidade, estão aqueles conhecidos por juventude júnior, que têm idades entre, digamos, 12 e 15 anos. Eles representam um grupo especial com necessidades especiais, uma vez que estão, de alguma maneira, entre a infância e a juventude, quando muitas mudanças estão a ocorrer dentro deles. Deve ser devotada atenção criativa a envolvê-los em programas de actividade que ocupem os seus interesses, moldem as suas capacidades para o ensino e o serviço, e os envolvam em interacção social com a juventude mais velha. O emprego das artes, em várias formas, pode ser de grande valor numa tal actividade.
E agora gostaríamos de dirigir algumas palavras aos pais, que detêm a principal responsabilidade na educação das suas crianças. Apelamo-lhes para prestarem atenção constante à educação espiritual das suas crianças. Alguns pais parecem pensar que tal é da exclusiva responsabilidade da comunidade; outros crêem que, de maneira a preservar a independência das crianças para investigar a verdade, a Fé não lhes deve ser ensinada. Outros ainda sentem-se incapazes para levar a cabo uma tal tarefa. Nada disto é correcto. O amado Mestre disse que “é ordenado a cada pai e cada mãe, como um dever, esforçar-se com todo o empenhamento no treino da filha e do filho” acrescentando que “caso negligenciem este assunto, serão responsabilizados e merecedores da repreensão na presença do severo Senhor”. Qualquer que seja o nível da sua educação, os pais estão numa posição ímpar para configurar o desenvolvimento espiritual das suas crianças. Eles nunca devem subestimar a sua capacidade para moldar o carácter moral das suas crianças. Porque eles exercem uma influência indispensável através do ambiente doméstico que eles criam conscientemente, através do seu amor a Deus, do seu esforço por cumprirem as Suas Leis, do seu espírito de serviço à Sua Causa, da sua ausência de fanatismo e da sua liberdade dos efeitos corrosivos da maledicência. Cada pai/mãe que seja um crente na Abençoada Beleza tem a responsabilidade de se comportar de tal maneira que traga à tona a obediência espontânea aos pais, à qual os Ensinamentos atribuem tão elevado valor. Claro que, para além dos esforços feitos em casa, os pais devem apoiar as aulas Bahá’ís para crianças, proporcionadas pela comunidade. Também deve ter-se presente que as crianças vivem num mundo que as informa de cruas realidades, através da experiência directa com os horrores já descritos, ou através da inevitável efusão que jorra da comunicação social. Muitas delas são, assim, forçadas a amadurecer prematuramente e entre estas há as que procuram padrões e disciplina pelos quais guiar as suas vidas. Contra este triste cenário de uma sociedade decadente, as crianças Bahá’ís devem brilhar como emblemas de um futuro melhor.
As nossas expectativas estão animadas com o pensamento de que os Conselheiros Continentais se reunirão na Terra Santa em Janeiro de 2001, numa ocasião que celebrará a ocupação pelo Centro Internacional de Ensino da sua sede permanente na Montanha de Deus. Os membros do Corpo Auxiliar de toda a parte do mundo participarão com eles naquilo que, sem dúvida, virá a ser um dos acontecimentos históricos da Idade Formativa. O ajuntamento de uma tal constelação de trabalhadores Bahá’ís deve, pela sua própria natureza, produzir benefícios incontáveis para uma comunidade que estará, mais uma vez, perto de terminar um Plano e de embarcar num outro. ,À medida que contemplamos as implicações, volvemos os nossos corações em agradecimento para as muito queridas Mãos da Causa de Deus ‘Ali-Akbar Furutan e ‘Ali Muhammad Varqa, que, pela sua residência na Terra Santa, mantêm erguida a tocha do serviço que o amado Guardião ateou nos seus corações.
Com este Plano de Doze Meses, atravessamos uma ponte à qual nunca mais regressaremos. Nós lançamos este Plano na ausência terrena de Amatu’l-Baha Ruhiyyih Khanum. Ela permaneceu connosco virtualmente até ao fim do século vinte, como uma chama da luz que brilhou durante aquele período incomparável na história da raça humana. Nas Epístolas do Plano Divino o Mestre lamentou a Sua incapacidade de viajar pelo mundo para erguer bem alto o Chamamento Divino e, na intensidade da Sua desilusão, Ele escreveu o voto de esperança: “Por favor Deus! Tu podes consegui-lo.” Amatu’l-Baha respondeu com ilimitada energia, tocando lugares longínquos da terra nos 185 países que foram privilegiados em receber os seus talentos inimitáveis. O seu exemplo, que reterá para sempre o seu esplendor, ilumina os corações de milhares e milhares através de todo o planeta. Contra a inadequação de qualquer outro gesto, não podemos nós todos dedicar os nossos humildes esforços, durante este Plano, à memória daquela para quem ensinar era o propósito principal, a perfeita alegria da vida?
Nossos corações vibram ardentes de esperança à medida que analisamos o que foi realizado durante o ano que precede o período final e decisivo para a conclusão do Plano de Quatro Anos. Desde o início momentoso do ano, com a oitava Convenção Internacional, o mundo bahá'í tem mantido um ritmo crescente de atividade que promoveu um avanço significativo no processo de entrada em tropas. Nossa comunidade cresceu de forma apreciável, seus recursos humanos foram ricamente ampliados. De projetos de expansão aos esforços de consolidação, do desenvolvimento social e econômico aos assuntos externos, dos serviços da juventude às expressões nas artes, do Centro Mundial da Fé às mais remotas vilas e cidades - de fato, de qualquer ângulo que a comunidade seja analisada - o progresso alcançado é inegável. E as perspectivas para o Plano são encorajadoras.
O impulso gerado na Convenção Internacional permeou a Conferência dos Conselheiros que ocorreu logo após a Convenção, galvanizando ainda mais os incansáveis participantes; e energizou os procedimentos das Convenções Nacionais realizadas em maio, incluindo as de Sabah, Saravak e Eslováquia, as quais elegeram pela primeira vez suas Assembléias Espirituais Nacionais. A mesma energia infundiu o Centro Internacional de Ensino, que tem demonstrado um vigor extraordinário no curto espaço de tempo desde que seu sexto Período administrativo se iniciou no aniversário da Declaração do Báb. Concentrando-se em aprimorar e consolidar sua organização, os membros Conselheiros decidiram não realizar suas viagens habituais durante este primeiro ano, mas esperam que depois desse período retomem suas visitas a diferentes partes do mundo, para reforçar sua influência vitalizadora para a conclusão vitoriosa do Plano de Quatro Anos.
Além desses acontecimentos na Terra Santa, os projetos de construção no Monte Carmelo, contemplados com indescritível admiração pelos delegados à Convenção Internacional, continuam firmes avante dentro dos prazos previstos para seu término no final do século. Com a abertura, desde o último Ridván, de todas as áreas remanescentes de construção, a velocidade do trabalho alcançou um novo pico. O Centro para Estudo dos Textos Sagrados e a Extensão do Edifício dos Arquivos estão sendo aprontados para ocupação dentro de algumas semanas; o exterior do edifício do Centro Internacional de Ensino está totalmente revestido de mármore, enquanto que o trabalho de acabamento de todos os andares de seu interior está em andamento. O rebaixamento dol nível do leito da Avenida Hatzionut, para possibilitar a construção da ponte que liga os Patamares do Santuário do Báb de ambos os lados da rua, foi concluído e restituido o tráfego normal. O esplendor que se descortina dos Patamares de tal forma tem atraído a atenção pública que o décimo-nono Patamar, no alto da montanha, já foi aberto à visitação em base diário, evocando resposta entusiástica de uma população agradecida. Como parte de uma campanha para atrair a atenção internacional para a cidade, a Prefeitura de Haifa publicou uma brochura com fotos coloridas sobre o Santuário do Báb e os Patamares, disponível em cinco dos principais idiomas além do hebraico.
Sentimo-nos compelidos a mencionar pelo menos duas novas realizações no Centro Mundial de uma natureza totalmente diferente: Primeiro, a decisão de aumentar o número de peregrinos em cada grupo, de 100 para 150 - o que ocorrerá quando as obras de adaptação, ora em andamento, de um edifício recém adquirido, situado do lado oposto da rua em frente ao monumento do sepulcro da Folha Mais Sagrada, estiverem completas e possa ser utilizada como um salão de peregrinos e possa prover também instalações para a administração de um programa de peregrinação em expansão. Segundo, o notável progresso que está sendo feito, a despeito da inevitável demora em seu processo, no plano de tradução de textos dos Escritos de Bahá'u'lláh, com vistas à publicação em inglês de um novo volume de Suas obras. Esforços são devotados para prover versões completas de importantes Epístolas como a Súriy-i-Muluk e a Súriy-i-Haykal, como também os textos completos de Epístolas dirigidas individualmente a reis e governantes. Também estão programadas a inclusão da Súriy-i-Ra'ís , da Lawh-i-Ra'ís e da Lawh-i-Fu'ád.
A Causa de Bahá'u'lláh marcha avante irresistivelmente, impelida pela aplicação crescente de um enfoque sistemático no desenvolvimento e uso de recursos humanos. O fato da criação de novos institutos de capacitação a níveis nacionais e regionais, que agora somam 344, foi decisivo para esse desenvolvimento, cujo resultado, à parte dos numerosos curso que têm sido dados no Irã e na América do Norte, revela que cerca de setenta mil indivíduos já completaram pelo menos um curso de instituto. Tudo isso está contribuindo para a existência de um corpo crescente de ativos e firmes apoiadores da Causa. O incalculável potencial desta progressão é demonstrado em relatórios como o recebido do Chade, onde, em uma área servida por um instituto, mais de mil pessoas abraçaram a Fé através dos esforços individuais de bahá'ís que haviam recebido treinamento. O entendimento da necessidade de sistematização no desenvolvimento de recursos humanos é algo que está se enraizando em toda parte.
Paralelo à eficácia demonstrada pelos institutos de capacitação, está o surgimento pragmático dos Conselhos Bahá'ís Regionais em selecionados países onde as condições tornaram necessário e viável o estabelecimento dessas instituições. Onde existe uma interação íntima entre um Conselho e um instituto de capacitação, o palco está pronto para uma coesão inseparável dos processos que levam à expansão e consolidação em uma região, bem como para a adaptação prática do trabalho dos institutos na capacitação de pessoas para serviços voltados às necessidades de desenvolvimento em comunidades locais. Ainda mais, as orientações pelas quais Conselheiros Continentais e Conselhos Regionais têm acesso direto uns aos outros, deram nascimento a um relacionamento institucional adicional. O qual, juntamente com aquelas que conectam os Conselhos com as Assembléias Espirituais Nacionais e Locais, estabelece uma integração dinâmica de funções a nível regional.
O trabalho sempre em expansão no desenvolvimento social e econômico está também se beneficiando daqueles institutos de capacitação que têm dado atenção a assuntos como alfabetização, cuidados com a saúde básica, e a promoção da mulher. Os esforços cada vez mais abrangentes do Escritório de Desenvolvimento Social e Econômico na promoção de um processo global de aprendizado sobre os princípios bahá'ís relevantes, têm sido complementados pelo trabalho desses institutos, como também pelo surgimento de organizações inspiradas nos ensinamentos bahá'ís, espalhadas por todo o planeta. Claramente, então, a capacidade institucional de administrar programas de desenvolvimento está se fortalecendo cada vez mais. Isso é constatado em projetos apoiados pelas instituições bahá'ís ou os que são de iniciativa de indivíduos, através da inspiração da Fé. Um exemplo destacado deste último é o Faculdade Unidade, criada por uma família na Etiópia como a primeira, e, desde 1998, a única Faculdade particular no pais, com um corpo discente que cresceu para cinco mil alunos durante o ano passado. Outro exemplo, em uma escala menor mas também significativo, foi a iniciativa de uma família, em Buffalo, Nova Yorque: aqui, em seu lar, eles ajudam dezenas de crianças e jovens de sua cidade para desenvolverem, através dos ensinamentos bahá'ís de ordem moral e espiritual, modelos de conduta que os capacitam a superar atitudes auto-destrutivas geradas pela pobreza e pelo racismo.
Na área de assuntos externos, as ações mais vigorosas foram decorrentes de dois trágicos acontecimentos no Irã. A repentina execução, em Nashad, em julho último, do sr. Ruhu'lláh Rawhaní, a primeira ação oficial dessa natureza nos últimos seis anos, provocou um choque geral e o imediato clamor, a nível mundial e sem precedentes, de parte de governos e de órgãos das Nações Unidas. Em setembro último, o serviço de inteligência do governo do Irã lançou um ataque organizado sobre o Instituto Bahá'í de Educação Superior, envolvendo a prisão de 36 docentes e incursões em mais de 500 lares bahá'ís através do país. Este último incidente inspirou uma campanha mundial de protestos, ainda em andamento, na qual, associações e instituições acadêmicas, educadores e grupos de estudantes têm participado, e na qual também a imprensa demonstrou interesse especial, como se constata através de artigos substanciais publicados no “Le Monde”, no “The New York Times” e eu outros grandes jornais. A aprovação de forma exitosa na Assembléia Geral das Nações Unidas, em dezembro último, de mais uma resolução sobre a situação no Irã, na qual os bahá'ís são especificamente mencionados , com certeza foi influênciada por essas duas inegáveis manifestações de uma perseguição religiosa implacável.
Mas, por mais intensiva que tenha sido a demanda sobre os amigos em todas as partes ao mundo para defender os nossos irmãos ameaçados no Irã, tem sido grande a atenção dada também a uma ampla variedade de esforços em assuntos externos. A missão com a duração de quatro meses realizada por um emissário da Casa de Justiça, o sr. Giovanni Ballerio, a ilhas do oceano Pacifico, onde reuniu-se com vinte e dois Chefes de Estado, cinco Chefes de Governo, e mais de quarenta outros funcionários de alto escalão; os esforços despendidos por várias Assembléias Nacionais, a pedido do Escritório das Nações Unidas da Comunidade Internacional Bahá'í, para a promoção da educação sobre direitos humanos; a participação, como convidados, de representantes da Comunidade Bahá'í da África do Sul nas reuniões da Comissão da Verdade e Reconciliação, durante as quais tiveram a oportunidade de relatar seus atos de apoio incondicional para a unidade racial durante os anos do apartheid; os recentes sucessos das comunidades da Austrália, Brasil, Finlândia e Portugal, na obtenção de decisões das autoridades educacionais em incluir cursos sobre a Fé Bahá'í nos currículos das escolas primárias e secundárias - estes, não deixando de mencionar os projetos de informação pública que geraram publicidade em todas as formas de mídia, são exemplos de empreendimentos da grande variedade de assuntos externos que arregimentam as energias da comunidade.
Uma torrente similar de atividades no último ano envolveu o uso das artes, das quais as apresentações musicais e outras, de cunho artístico, associadas com a comemoração, em Paris, do centenário do estabelecimento da Fé na Europa, são um exemplo marcante. O coral “Vozes de Bahá'í”, composto de sessenta e oito membros provindos da Europa e das Américas, deliciaram audiências em oito cidades européias e apresentaram a Fé a muitas pessoas. “Luz e Fogo” - a versão completa de uma ópera/balé que está sendo escrita pelo compositor bahá'í, Lasse Thoresen, da Noruega, - foi apresentada com sucesso em setembro último no famoso festival musical, na Polônia, conhecido como “outono em Varsóvia”, que foi aberto oficialmente pela Rainha da Suécia. A peça é baseada em recentes atos heróicos dos mártires no Irã, um fato que expôz à audiência o conhecimento da Fé. A inconteste liderança da Europa nesses esforços particulares foi também marcada quando da realização do Festival Austríaco de Música de Câmara, quando a Cruz Austríaca para Ciências e Artes, a mais elevada premiação de seu gênero na Áustria, foi entregue pelo Presidente da República ao sr. Bijan Khadém-Missagh, um violinista e regente bahá'í. Um dos programas do referido Festival destacou a recitação de excertos das Escrituras Bahá'ís, bem como de outras Escrituras Sagradas. Mas, uma palavra, também, deve ser dita em reconhecimento ao papel proeminente desempenhado pela juventude no mundo inteiro na utilização das artes no trabalho de ensino; os resultados de seus workshops de dança, em particular, alcançaram renome dentro e fora da comunidade bahá'í.
Adentramos, portanto, nesta estação do Ridván, como uma comunidade em um estado de transformação, usufruindo de uma unidade de visão e atividades em harmonia com o objetivo de aceleração do processo de entrada em tropas. E iniciamos o último ano do Plano com um impulso no fortalecimento administrativo, quando três países na Europa - Latvia, Lituânia e Macedônia - convocam suas primeiras Convenções para formarem suas Assembléias Espirituais Nacionais, e assim elevar o número dos pilares da Casa Universal de Justiça para 182. Porém, além deste festivo momento, encontra-se uma cronologia de expectativas que inclui, como a primeira e a mais importante, a conclusão do Plano de Quatro Anos no Ridván do ano 2.000. Essa ocorrência será seguida pelo inicio, no Dia do Convênio daquele mesmo ano, de um novo mandato dos Corpos Continentais de Conselheiros, cujos membros, logo após aquela data serão convocados para irem ao Centro Mundial Bahá'í a fim de participarem de uma Conferência, na qual, entre outros assuntos, serão discutidos os aspectos salientes do próximo plano global de ensino e consolidação. A Conferência dos Conselheiros marcará a ocupação, pelo Centro Internacional de Ensino, de sua sede permanente, ocasião para a qual os membros dos Corpos Auxiliares do mundo inteiro serão convidados para unirem-se aos Conselheiros na Terra Santa. os projetos no Monte Carmelo estarão concluídos naquela oportunidade e os preparativos para os eventos de dedicação dos edifícios estarão em fase bem adiantada, previstos para ocorrerem nos dias 22 e 23 de maio de 2.001, para os quais serão convidados um determinado número de representantes de cada Comunidade Nacional Bahá’í, os detalhes concernentes a esses eventos serão anunciados oportunamente.
Esta projeção de acontecimentos extraordinários cruzará o divisor de tempo entre o século vinte e o novo milênio, de acordo com o calendário da era comum. É uma projeção que salienta o contraste entre a visão confiante que impulsiona os esforços construtivos de uma comunidade iluminada e o emaranhado de temores que envolve -milhões e milhões de pessoas que continuam ainda inconscientes do Dia no qual estão vivendo. Desprovidas de uma orientação autêntica, elas se prendem aos horrores do século, desesperadas com o que isso tudo pode implicar para o futuro, dificilmente constatando que este mesmo século contém uma luz que irá iluminar os séculos por vir. Mal providas para interpretar a comoção social em ação em todo o planeta, elas dão ouvidos aos profetas do erro e se afundam cada vez num pântano de desespero. Assoladas pelas previsões de desgraças, elas travam batalhas contra fantasmas decorrentes de uma imaginação erradamente informada. Nada conhecendo da visão transformadora outorgada pelo Senhor da Era, elas vão cambaleando, cegas à grandeza incomparável do Novo Dia de Deus.
As condições deploráveis decorrentes desse estado de coração e mente não podem senão nos estimular todos à ação, uma ação imbatível, para o cumprimento das intenções de um Plano cujo objetivo maior é acelerar o processo que tornará possível para crescentes números das populações do mundo encontrarem o objeto de sua busca, e assim que constritavam uma vida unida, pacifica e próspera.
Queridos amigos: os dias passam rapidamente como o cintilar de uma estrela. Deixem sua marca agora, neste momento crítico de mudanças, cujo igual jamais retornará. Deixem sua marca em atos que lhes assegurem as bênçãos celestiais - garantam para vocês, para a raça humana inteira, um futuro além de qualquer estimativa terrena.
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Neste ponto mediano do Plano de Quatro Anos, afirmamos, com corações enlevados, que a comunidade bahá'í mundial está desbravando novas fronteiras em um estágio dinâmico de sua evolução. O processo de entrada em tropas, sobre o qual suas energias estão enfocadas, está avançando claramente.
Três fatos realçam nossas expectativas. O primeiro, reside nos sólidos resultados que estão sendo alcançados em qualquer parte onde os institutos de capacitação estão em funcionamento. Dezenas de milhares de indivíduos, nos últimos dois anos, completaram pelo menos um curso de instituto. Os efeitos imediatos sobre eles têm sido uma fé grandemente fortalecida, uma identidade espiritual mais consciente e um comprometimento mais profundo com o trabalho bahá' í . O segundo, diz respeito à notável melhoria nas condições que afetam o estabelecimento e a renovação das Assembléias Espirituais Locais. A decisão de formar essas instituições somente no primeiro dia do Ridván, e assim fazê-lo principalmente por iniciativa das comunidades às quais pertencem, foi posta em ação em 1997. Embora tenha havido uma queda imediata, mas esperada, no número de Assembléias Locais no mundo inteiro, o decréscimo não foi muito grande; na verdade, foram registrados aumentos em alguns países. Este resultado indica que o processo de maturação dessas instituições divinamente ordenadas está em andamento. O terceiro fato, é que uma nova confiança no ensino está movendo os amigos à ação, produzindo resultados expressivos em várias regiões. Sempre tem sido grande o potencial para o ingresso contínuo e sempre crescente de novos crentes, e podemos dizer, com certeza, que a capacidade de tornar efetivo tal potencial está sendo metodicamente desenvolvida, bem mais que anteriormente, com o prosseguimento do Plano atual.
Além desses sinais de progresso, sentimo-nos gratificados com a velocidade maravilhosa com que prosseguem os projetos das construções no Monte Carmelo, para o cumprimento dos prazos que foram determinados para o ano que recém terminou. Imediatamente à frente está o estabelecimento, em maio, de três novas Assembléias Espirituais Nacionais - Sabah, Sarawak, e Eslováquia - e o restabelecimento da Assembléia Espiritual Nacional da Libéria, elevando a 179 os pilares da Casa Universal de Justiça. Ao contemplarmos as bênçãos divinas que estão sendo derramadas sobre nossa comunidade, reconhecemos, com profunda gratidão, a constância dos atos de serviço que estão sendo prestados individualmente pelas Mãos da Causa de Deus, pelo Centro Internacional de Ensino e pelos Conselheiros e seus auxiliares em todos os continentes. O crescente fortalecimento das Assembléias Espirituais Nacionais também nos dá a certeza da iminência de vitórias retumbantes.
À visão animadora do futuro da comunidade, contrapõe-se o confuso estado de coisas de um planeta em querela consigo mesmo. E ainda assim, em meio à desolação geral do espírito humano, é visível o fato de que, em algum nível de consciência, observa-se entre os povos do mundo uma conscientização crescente quanto a um movimento irresistível em direção à unidade global e à paz. Este sentimento está sendo despertado à medida em que as barreiras físicas estão sendo virtualmente eliminadas pelos extraordinários avanços na ciência e na tecnologia. No entanto, a combinação de tribulações que abalam o mundo com desenvolvimentos que o estruturam mantém a humanidade ao mesmo tempo aturdida e fascinada. As tempestades e pressões que assolam a estrutura social são incompreensíveis a todos, exceto aos relativamente poucos habitantes do planeta que reconhecem o propósito de Deus para este Dia.
Nossos companheiros humanos, em todas as partes, estão despercebidamente sujeitos, ao mesmo tempo, às conflitantes emoções incitadas pela operação contínua dos processos simultâneos de “surgimento e queda, de integração e desintegração, de ordem e caos”. Shoghi Effendi identificou esses processos como aspectos do Plano Maior e do Plano Menor de Deus, os dois conhecidos meios pelos quais Seu propósito para a humanidade está-se concretizando. O Plano Maior está associado com turbulência e calamidade, e prossegue aparentemente ao acaso e sem ordem, mas está, de fato e inexoravelmente, conduzindo a humanidade para a unidade e a maturidade. Seus instrumentos são principalmente as pessoas que ignoram o seu curso e, mesmo, opõem-se ao seu objetivo. Conforme Shoghi Effendi destacou, o Plano Maior de Deus utiliza "tanto os poderosos como os humildes como peões em Seu jogo de estruturação mundial, para o cumprimento de Seu propósito imediato e para o estabelecimento, um dia, do Reino de Deus na terra. " A aceleração dos processos que tal Plano gera está dando um forte impulso aos acontecimentos que, com todas as dores e penas iniciais que lhe podem ser atribuídos, nós bahá'ís vemos como sinais do surgimento da Paz Menor.
Diferente de Seu Plano Maior, que se desenvolve misteriosamente, o Plano Menor de Deus está claramente delineado, ocorre de acordo com processos ordenados e bem conhecidos, e que foi dado a nós para executarmos. Sua meta final é a Paz Máxima. A campanha de quatro anos de duração, em cujo ponto mediano chegamos agora, constitui o estágio atual do Plano Menor. É para a realização de seu propósito que todos nós devemos devotar nossa atenção e nossas energias.
Algumas vezes parece que a operação do Plano Maior causa um estrago no trabalho do Plano Menor, mas os amigos têm todas as razões para se manterem imperturbáveis. Pois reconhecem a causa da repetida turbulência em ação no mundo, e, nas palavras de nosso Guardião, "reconhecem sua necessidade, observam confiantemente seus processos misteriosos, oram ardentemente pela diminuição de sua severidade, trabalham inteligentemente para aplacar sua fúria, e prevêem, com uma visão muito clara, a consumação dos temores e das esperanças que ela necessariamente engendra."
Mesmo uma apreciação rápida do cenário global nos anos recentes não leva senão a constatações repletas de significados especiais para um observador bahá'í. Para começar, em meio ao aturdimento de uma sociedade transtornada pode ser vista uma tendência inconfundível no sentido da Paz Menor. Um vislumbre intrigante disso é o maior envolvimento das Nações Unidas, com o apoio de governos poderosos, no atendimento de problemas mundiais antigos e urgentes; outro fato, decorre do dramático reconhecimento por parte de líderes mundiais, apenas em meses recentes, sobre a real implicação da interconexão de todas as nações em assuntos de comércio e finanças – uma condição que Shoghi Effendi previu como um aspecto essencial de um mundo organicamente unificado. Mas um desenvolvimento ainda mais momentoso para a comunidade bahá'í é que um maciço número de pessoas está buscando a verdade espiritual. Diversos estudos publicados recentemente foram dedicados a este fenômeno. As ideologias que dominaram a maior parte deste século foram esgotadas; com seu desvanecimento nestes anos finais do século, a busca de significado, o anseio da alma, crescem.
Esta fome espiritual é caracterizada por um desassossego, uma crescente insatisfação quanto à condição moral da sociedade; é evidente também no surgimento do fundamentalismo entre várias seitas religiosas, e uma multiplicação de novos movimentos que se dizem religiosos, ou que aspiram a tomar o lugar da religião. Estas observações nos permitem constatar a interação existente entre os dois processos divinamente impelidos ora em ação no planeta. As múltiplas oportunidades que, desta forma, se nos oferecem providencialmente para apresentarmos a Mensagem de Bahá'u'lláh a almas buscadoras, criam uma condição dinâmica para o bahá'í que ensina. As implicações quanto ao trabalho em curso são imensamente encorajadoras.
Nossas esperanças, nossas metas, nossas possibilidades de seguirmos avante, podem ser todas alcançadas se concentramos nossos esforços no objetivo principal do Plano Divino nesta fase atual que é realizar um avanço significativo no processo de entrada em tropas. Este desafio pode ser alcançado através de persistentes esforços pacientemente trabalhados. A entrada em tropas é uma possibilidade inteiramente ao alcance de nossa comunidade. Uma fé infatigável, a oração, os impulsos da alma, a ajuda divina - estes são alguns dos elementos essenciais ao progresso de qualquer empreendimento bahá'í. Mas, também de vital importância para a consecução da entrada em tropas, é a necessidade de um enfoque realista e uma ação sistemática. Não existem atalhos. A sistematização assegura a consistência das linhas de ação baseadas em planos bem concebidos. De uma forma geral, implica uma ordenação de enfoques em tudo o que diz respeito ao trabalho bahá'í, seja no ensino ou na administração, nos esforços individuais ou coletivos. Ao mesmo tempo que permite a iniciativa individual e a espontaneidade, sugere a necessidade de se manter a mente clara e ser metódico, eficiente, constante, equilibrado e harmonioso. A sistematização é uma forma necessária de funcionamento avivada pela urgência de ação.
A fim de assegurar uma evolução ordenada da comunidade, uma função das instituições bahá'ís é organizar e manter um processo de desenvolvimento de recursos humanos, através do qual os bahá'ís, novos e veteranos igualmente, possam adquirir o conhecimento e a capacidade para manter uma expansão e consolidação contínuas na comunidade. O estabelecimento de institutos de capacitação é vital para tal esforço, pois os institutos são centros através dos quais um vasto número de indivíduos pode adquirir e melhorar sua habilidade de ensinar e administrar a Fé. Sua existência comprova a importância do conhecimento da Fé como uma fonte de poder para o fortalecimento da vida da comunidade bahá'í e dos indivíduos que a compõem.
Os fatos disponíveis confirmam que o Plano de Quatro Anos dá resultados quando um enfoque sistemático é entendido e aplicado. Os mesmos fatos mostram que as instituições da Fé, em seus esforços de colaboração em níveis nacionais, regionais e locais, têm se caracterizado por este entendimento. Porém, quanto aos indivíduos, dos quais depende o sucesso final do Plano, este entendimento é menos claro. Por esta razão, devemos enfatizar aos nossos companheiros de Fé a importância, para seus esforços individuais, deste pré-requisito do sucesso no ensino e em outras realizações .
Ao ser traduzido em programas e projetos pelas instituições nacionais e locais, o Plano, entre outras coisas, indica a direção, identifica as metas, estimula os esforços, provê uma variedade de recursos e materiais necessários para ajudar o trabalho dos que ensinam a Fé e dos que a administram. Isto é, obviamente, necessário para o funcionamento apropriado da comunidade, mas não trará resultados a não ser que cada membro, individualmente, responda com uma participação ativa. Respondendo desta forma, cada indivíduo, também, deve tomar uma decisão consciente sobre o que, ele ou ela, irá fazer para servir ao Plano, e como, onde e quando irá fazê-lo. Esta determinação permitirá ao indivíduo avaliar o progresso de suas ações e, se necessário, modificar os passos que estão sendo dados. Acostumar-se a tal procedimento de esforço sistemático traz significado e auto-realização para a vida do indivíduo bahá'í.
Porém, mais do que a necessidade de responder ao chamado das instituições, o indivíduo é encarregado pelo próprio Bahá'u'lláh deste dever sagrado de ensinar Sua Causa, descrito por Ele como "o mais meritório de todos os atos". Enquanto existirem almas carentes de iluminação, esta injunção deve, certamente, manter-se como a ocupação constante de cada bahá'í. Quanto à sua realização, o indivíduo é responsável diretamente ante Bahá'u'lláh ."Que ele não espere quaisquer instruções", Shoghi Effendi aconselha com ênfase, "ou qualquer encorajamento especial por parte dos representantes eleitos de sua comunidade, nem seja detido por quaisquer obstáculos que parentes ou concidadãos possam querer pôr em seu caminho, nem se importe com a censura de seus críticos ou inimigos." Os escritos das Figuras Centrais e de nosso Guardião estão repletos de conselhos e exortações concernentes ao papel insubstituível do indivíduo no desenvolvimento da Causa. Por isso, é inevitável que sejamos impelidos, neste tempo particular da vida da humanidade como um todo, a apelar diretamente a cada membro da nossa comunidade para considerar a urgente situação com que todos nos defrontamos, como auxiliadores da Beleza de Abhá.
Nosso destino, queridos irmãos e irmãs, é estarmos conscientemente envolvidos em um vasto processo histórico cujo igual jamais foi experimentado anteriormente por qualquer povo. Como uma comunidade global, alcançamos, até agora, um sucesso singular e magnífico por representarmos o total conjunto da raça humana graças às inestimáveis doações de vida, esforços e recursos despendidos voluntariamente por milhares de nossos antepassados espirituais. Não existe outro grupo de seres humanos que possa afirmar haver construído um sistema com a capacidade comprovada de unir todos os filhos de Deus em uma Ordem de abrangência mundial. Esta realização coloca-nos não somente em uma posição de força incomparável, mas, mais particularmente, diante de uma responsabilidade irrecorrível. Não temos todos, portanto, uma obrigação divina a cumprir, um dever sagrado a realizar, perante cada alma que ainda não esteja consciente do chamado do mais recente Manifestante de Deus? O tempo não pára, não espera. A cada hora que passa uma nova aflição se abate sobre uma humanidade perturbada. Ousaríamos esperar?
Em apenas mais dois anos o Plano de Quatro Anos estará concluído, há apenas alguns meses antes do final de um século inesquecível. Perante nós, portanto , se apresenta um duplo encontro marcado com o destino. Destacando o potencial sem precedente do Século Vinte, o amado Mestre assegurou que seus rastros durarão para sempre. Capturada por tal visão, a mente do seguidor alerta da Abençoada Beleza indubitavelmente sentir-se-á agitada por inquientantes perguntas relacionadas com o papel que ele, ou ela, irá desempenhar nestes poucos anos fugazes, e como, ao final deste período seminal, terá deixado sua marca entre os lastros duradouros que a mente do Mestre percebeu. Para assegurar uma resposta que satisfaça a alma, uma coisa, acima de tudo, é necessária: agir, agir agora, e continuar a agir.
Nossa súplica sincera por todos nós, no Sagrado Limiar, é para que sejamos divinamente auxiliados e confirmados abundantemente em tudo o que fizermos a fim de cumprir com o objetivo premente do Plano Divino em tão pressagioso momento da história humana.
Com corações agradecidos, aclamamos a pronta resposta, em todos os continentes, ao Plano de Quatro Anos, lançado no último Ridván.
As consultas dos Conselheiros Continentais e Assembléias Espirituais Nacionais deram início a um amplo processo de planejamento, envolvendo também os membros do Corpo Auxiliar e as Assembléias Espirituais Locais. Através desse processo, o caráter nacional e regional dos planos derivativos tomou forma. Mas, a nível mundial, esta prática fez mais do que criar planos distintos para os diferentes países; deu também um novo impulso ao relacionamento de colaboração entre os dois braços da Ordem Administrativa, que é um auspicioso presságio das vitórias ainda por vir.
Um sinal do impacto imediato do Plano foi a rapidez nas tomadas de ações para o estabelecimento de cerca de duzentos institutos de capacitação nos últimos doze meses. Muitos já foram bem além da esquematização de suas organizações; eles estão de fato em funcionamento e já ofereceram seus primeiros cursos. Além disso, na movimentação de pioneiros nacionais e internacionais, bem como de instrutores viajantes; na crescente atenção que os indivíduos estão dando à deputização de instrutores; nas preparações feitas para assegurar a formação de Assembléias Espirituais Locais somente no primeiro dia do Ridván; nos crescentes esforços para a realização de reuniões devocionais regulares; nos esforços cada vez mais amplos no uso das artes no trabalho de ensino e atividades comunitárias -- em todos esses aspectos foi possível ser discernida a profunda conscientização dos amigos quanto à importância de se concentrarem nas exigências do objetivo principal do Plano, que é efetuar um avanço significativo no processo de entrada em tropas.
Nem podemos deixar de reconhecer também outros desenvolvimentos ocorridos durante o ano passado, que confirmaram o alto mérito dos múltiplos esforços feitos por nossa comunidade mundial e os resultados que estão sendo alcançados. Entre esses, para mencionar apenas alguns, citamos: a aquisição do apartamento na Avenida de Camoens, no. 4, em Paris, onde o amado Mestre ‘Abdu’l-Bahá, residiu durante a Sua histórica visita àquela cidade; a sessão especial em 14 de agosto na Câmara Federal dos Deputados no Brasil, para comemorar o 75o. aniversário da introdução da Fé Bahá’í naquele país -- uma ocasião oficial, singular, à qual, Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khánum esteve presente como convidada de honra; o lançamento, em julho último, do “site” da Comunidade Internacional Bahá’í, no “World Wide Web”, intitulado “O Mundo Bahá’í”, que até agora recebeu mais de 50.000 visitas oriundas de mais de 90 países e territórios, com uma média de 200 por dia.
Apenas excedidos, se tanto, por tais realizações, os projetos de construção no Monte Carmelo mantiveram um ímpeto deslumbrante, destacado pelo término da colunata de mármore do Centro para o Estudo dos Textos, o soerguimento do edifício do Centro Internacional de Ensino até o sétimo piso, e a contínua emergência dos aspectos, cada vez mais marcantes, dos Patamares do Santuário do Báb. Neste sentido, deve ser mencionado o rebaixamento parcial da parte da estrada pública sobre a qual a linha dos patamares irá passar e a aquisição e subseqüente demolição do edifício no sopé da montanha, que permanecia como a última obstrução a ser superada para tornar possível a conclusão dos patamares inferiores, nos quais se inicia o glorioso caminho que conduz ao Edifício sagrado e, além deste, ao cume da Montanha de Deus.
Também, de crucial relevância para o progresso acima descrito, foi a manutenção de um nível de contribuições para o Fundo dos Projetos do Arco, que cumpriu a meta para o último ano. Obviamente, neste aspecto as demandas financeiras estão sendo atendidas com heroísmo incessante, por ricos e pobres igualmente, e devem ser mantidas durante os anos remanescentes. Ao mesmo tempo, porém, um esforço paralelo, igualmente tenaz e contínuo, deve ser simultaneamente exercido pelas Assembléias e amigos em todo o mundo para enfrentar as necessidades críticas do Fundo Internacional Bahá’í.
A vivência de um início do Plano de Quatro Anos tão auspicioso, inspira confiança nos corações dos membros de nossa comunidade mundial, mostrando que eles estão plenamente equipados para executar as suas exigências, como delineado nas mensagens que lançaram o Plano e como elaborado nos planos adotados por suas respectivas Assembléias. Um encorajamento adicional, e especialmente apreciado, ao entrarmos neste segundo ano, é que as circustâncias tornaram possível o restabelecimento, neste Ridván, da Assembléia Espiritual Nacional de Ruanda. Esta vitória sobre a crise, elevará a 175 o número de Assembléias Espirituais Nacionais que poderão participar na Oitava Convenção Internacional Bahá’í, a ser realizada no próximo Ridván, no Centro Mundial Bahá’í. Quão ardentemente esperamos que, até lá, no exato ponto mediano do Plano, o mundo bahá’í tenha dado um grande salto avante na multiplicação de seus recursos humanos, na maturação de suas Assembléias Espirituais e na evolução de suas comunidades locais!
A oportunidade que se oferece, neste curto espaço de tempo, antes do término do século, é indescritivelmente preciosa. Somente um esforço unido e contínuo, dos amigos em todos os lados, para avançar o processo de entrada em tropas, pode ser adequado a tal momento histórico. Responsabilidades urgentes e inescapáveis recaem sobre cada instituição e sobre cada membro de uma comunidade que se esforça em direção a seu destino prometido por Deus. Como existe apenas um curto período, em que muito deve ser alcançado, nenhum tempo deve ser desperdiçado, nenhuma oportunidade perdida. Tenham certeza, queridos amigos, que as hostes do Reino de Abhá estão prontas para se apressarem em apoio a todo aquele que se levantar para oferecer seus atos de serviço para o desenrolar do drama espiritual destes dias momentosos.
Com o advento do Rei dos Festivais, terminou o período de preparação para o próximo Plano global: convocamos agora os amigos de Deus para um novo compromisso de cinco anos de coragem, determinação e recursos.
A companhia dos fiéis de Bahá'u’lláh está a postos. As reuniões institucionais convocadas em todo o mundo, durante os últimos meses, enviaram sinais sucessivos que dão conta do anseio para iniciar este poderoso empreendimento. Os imperativos contidos na mensagem dirigida à Conferência dos Conselheiros já estão a ser traduzidos em planos de ação resolutos. Décadas de esforços heróicos moldaram a comunidade, conferindo-lhe uma destreza comprovada para impulsionar o crescimento, preparando-a para este momento. As duas últimas décadas, em especial, aceleraram assinalavelmente esta tão almejada proficiência.
Durante este período, a adoção de uma estrutura de ação evolutiva permitiu aos amigos o desenvolvimento e o aperfeiçoamento progressivo de capacidades essenciais, dando origem inicialmente a atos de serviço simples, que os levaram a padrões de ação mais elaborados os quais, por sua vez, exigiram o desenvolvimento de capacidades ainda mais complexas. Desta forma, foi iniciado um processo sistemático de desenvolvimento de recursos humanos e de construção de comunidades em milhares de agrupamentos e, em muitos deles, foi alcançado um avanço notável. O foco não foi apenas no crente individual, ou na comunidade, ou nas instituições da Fé; os três participantes inseparáveis na evolução da nova Ordem Mundial estão a ser impulsionados pelas forças espirituais libertadas pelo desenvolvimento do Plano Divino. Os sinais do seu progresso são cada vez mais evidentes: na confiança que um número incontável de crentes adquiriu para compartilhar narrativas da vida de Bahá'u'lláh e discutir as implicações da Sua Revelação e do Seu Convénio incomparável; nos contingentes de almas, cada vez mais numerosos, que em resultado disso foram atraídos para a Sua Causa e estão a contribuir para a realização da Sua visão unificadora; na capacidade dos bahá'ís e dos seus amigos, nas próprias bases da comunidade, para descrever de maneira eloquente, a sua experiência num processo capaz de transformar o carácter e moldar a vida social; nos números significativamente maiores de pessoas nativas de um país que, como membros de instituições e agências bahá’ís, estão agora a dirigir os assuntos das suas comunidades; na contribuição fiável, generosa e sacrificada ao Fundo, tão vital para sustentar o avanço da Fé; no florescimento sem precedentes da iniciativa individual e da ação coletiva no apoio às atividades de construção de comunidades; no entusiasmo de tantas almas abnegadas, na flor da juventude, que estão a trazer uma imensa vitalidade a este trabalho, ocupando-se particularmente da educação espiritual das gerações mais novas; no enriquecimento do carácter devocional da comunidade através de encontros regulares destinados à adoração; no aumento da capacidade em todos os níveis da administração bahá'í; na facilidade com que as instituições, agências e indivíduos pensam em termos de processo para ler a sua realidade imediata e avaliar os seus recursos nos locais onde vivem, e para elaborar planos em conformidade; na dinâmica já familiar de estudo, consulta, ação e reflexão que cultivou uma postura de aprendizagem instintiva; no apreço crescente do que significa dar cumprimento aos Ensinamentos através da ação social; nas múltiplas oportunidades encontradas e utilizadas para oferecer uma perspetiva bahá'í aos discursos prevalecentes na sociedade; na consciencialização de uma comunidade global que em todos os seus esforços procura acelerar o advento da civilização divina, fazendo manifestar o poder de construção de sociedades inerente à Causa; na verdade, na crescente consciência dos amigos de que os seus esforços para fomentar a transformação interior, ampliar o círculo da unidade, colaborar com outros no campo do serviço, ajudar as populações a encarregarem-se do seu próprio desenvolvimento espiritual, social e económico – e, através de todos esses esforços, contribuir para a melhoria do mundo - e expressar o verdadeiro propósito da religião.
Se bem que não seja possível captar a totalidade do progresso da comunidade bahá'í, muito pode ser deduzido a partir do número de agrupamentos em todo o mundo, onde foi estabelecido um programa de crescimento, o qual, com gratidão pelas bênçãos concedidas pela Beleza de Abhá, confirmamos ter ultrapassado os 5.000. Um alicerce desta amplitude era o pré-requisito para a tarefa com que agora o mundo bahá’í se vai confrontar – a de fortalecer o processo de crescimento em cada agrupamento onde este já iniciou, e alargar ainda mais o enriquecedor padrão da vida comunitária. O esforço sustentável que é necessário será difícil. Mas o resultado tem potencial para ser extremamente significativo, pode inclusivamente marcar uma época. Passos pequenos, se forem regulares e rápidos, levam-nos longe. Ao concentrarem-se no progresso que deve ser feito, numa fase inicial, num agrupamento – por exemplo, nos seis ciclos anteriores ao primeiro dos aniversários bicentenários – os amigos estarão a dar um grande contributo para alcançar a sua meta ao fim dos cinco anos. Em cada ciclo vão surgir oportunidades fugazes para dar um passo em frente, possibilidades preciosas que não se repetirão.
Infelizmente, na sociedade em geral multiplicam-se e agravam-se os sintomas de uma doença da alma cada vez mais profunda. Como é surpreendente que, enquanto os povos do mundo sofrem pela falta do verdadeiro remédio e correm confundidos de falsa em falsa esperança, vós estais serenamente a aperfeiçoar um instrumento que liga os corações com a eterna Palavra de Deus. Como é surpreendente que, dentre a cacofonia de opiniões irreversíveis e interesses opostos que surgem cada vez mais agressivos em todos os lados, vós estais focados em congregar as pessoas para construir comunidades que são paraísos de unidade. Deixai que os preconceitos e as hostilidades do mundo, ao invés de vos desanimarem, sejam lembretes de quão urgentemente as almas que vos rodeiam precisam do bálsamo curador que só vós lhes podeis oferecer.
Este é o último de uma série de Planos de Cinco Anos consecutivos. Quando estiver concluído, iniciar-se-á uma nova fase na evolução do Plano Divino, destinada a impulsionar a comunidade de Bahá'u'lláh para o terceiro século da Era Bahá'í. Que os amigos de Deus em todos os países possam apreciar a promessa destes poucos anos vindouros, que será a preparação rigorosa para as tarefas mais poderosas que ainda estão para chegar. O vasto âmbito do atual Plano permite que cada indivíduo possa apoiar este trabalho, por muito humilde que seja a sua participação. Pedimos-vos, estimados colaboradores, adoradores d’Aquele que é o Bem-Amado dos mundos, que não poupem esforços para aplicar tudo o que aprenderam e todas as destrezas e capacidades que Deus vos deu, para fazer avançar o Plano Divino até à sua próxima etapa essencial. Às vossas próprias súplicas ardentes por assistência divina, juntamos as nossas nos Sagrados Santuários, por todos aqueles que labutam por esta Causa que tudo abrange.
Vejam como a comunidade do Nome Supremo se levanta! Com apenas um ano decorrido desde o início do novo Plano, relatórios atestam o grau daquilo que está sendo empenhado e começando a ser alcançado. Dar maior intensidade aos 5.000 programas de crescimento está exigindo um nível de esforço totalmente sem precedentes. Com uma firme compreensão dos fundamentos do Plano, grandes números de amigos estão atuando para atender seus requisitos, demonstrando rigor e sacrifício na qualidade de sua reação. Conforme previsto, alguns programas intensivos de crescimento que estão há longo tempo em andamento estão se tornando reservatórios de conhecimento e de recursos, dando apoio a áreas circunvizinhas e facilitando a rápida disseminação de experiências e percepções. Centros de intensa atividade — as vizinhanças e povoados em que o trabalho de construção de comunidades é mais concentrado — estão se mostrando solo fértil para transformação coletiva. Uma legião ampliada e revigorada de membros do Corpo Auxiliar e seus ajudantes está estimulando os esforços dos crentes, ajudando-os a adquirir uma visão de como avançar no processo de crescimento em variadas circunstâncias e a identificar abordagens que se adequem às condições de cada agrupamento. Apoiados por suas respectivas Assembleias Espirituais Nacionais, os Conselhos Regionais Bahá’ís estão aprendendo de que modo o impulso do Plano pode ser criado simultaneamente em uma série de agrupamentos, enquanto em alguns países menores, sem Conselhos, novas entidades de âmbito nacional estão começando a fazer o mesmo. Embora, como se pode esperar de qualquer processo orgânico, o rápido progresso que está sendo testemunhado em alguns lugares está ainda por surgir em outros, o número total de programas intensivos de crescimento no mundo já está começando a aumentar. Além disso, regozijamo-nos em ver que a participação em atividades do Plano aumentou marcadamente durante os seus primeiros quatro ciclos.
Portanto, os sinais dificilmente poderiam ser mais promissores para aquilo que o próximo ano reserva. E o que poderia ser mais condigno para oferecer à Abençoada Beleza no ducentésimo aniversário de Seu nascimento do que o zeloso esforço de Seus amados para aumentar o alcance de Sua Fé? Assim, o primeiro dos dois bicentenários a serem celebrados pelo mundo bahá’í é uma ocasião com as mais emocionantes perspectivas. Visto corretamente, este ano apresenta a maior oportunidade mundial jamais havida para conectar os corações a Bahá’u’lláh. Que todos estejam atentos, nos meses vindouros, a esta preciosa oportunidade, e alertas às possibilidades que existem em toda parte para familiarizar outras pessoas com Sua vida e sublime missão. Para que a oportunidade de ensino que ora está diante do mundo bahá’í seja aproveitada ao máximo, é necessário que pensamento criativo seja dedicado às conversações que podem acontecer com todo tipo de pessoas. No decurso de tais conversações significativas a percepção é intensificada e os corações são abertos — algumas vezes imediatamente. Nesse valioso trabalho, todos encontram um forte impulso interior, e ninguém se deve privar da alegria decorrente do engajamento nesse trabalho. Suplicamos ao Amado que todo este ano do bicentenário possa ser pleno dessa alegria que é a mais pura e a mais doce: falar a outra alma do alvorecer do Dia de Deus.
As obrigações que devem ser cumpridas pela companhia de fiéis se tornam mais prementes devido à confusão, inquietude e penumbra no mundo. De fato, os amigos devem usar toda a oportunidade para fazer brilhar uma luz que possa iluminar o caminho, e oferecer confiança aos angustiados e esperança aos desesperados. Somos lembrados do conselho dado pelo Guardião a uma comunidade bahá’í em palavras que parecem mirar nosso próprio tempo: “À medida que a estrutura da sociedade hodierna se agita e racha sob a pressão e o estresse de eventos e calamidades portentosos, à medida que as fissuras que acentuam a desunião que aparta nação de nação, classe de classe, raça de raça e credo de credo se multipliquem, os executores do Plano devem evidenciar uma coesão ainda maior em suas vidas espirituais e suas atividades administrativas, demonstrando um padrão mais elevado de esforço concentrado, de ajuda mútua e de desenvolvimento harmônico em seus empreendimentos coletivos”. Sempre enfatizando a importância espiritual do trabalho da Fé e a dedicada determinação com a qual os crentes devem se desincumbir de seus sagrados deveres, Shoghi Effendi advertiu também contra qualquer participação em controvérsias, conflitos e disputas políticas. “Que permaneçam sempre acima de todo e qualquer tipo de partidarismo e interesses sectários”, ele urgiu em outra ocasião, “acima de vãs disputas, de maquinações mesquinhas, de paixões transitórias que agitam a face e envolvem a atenção de um mundo em transformação”. Estes são a espuma e os borrifos inevitáveis criados pelas ondas que se sucedem umas às outras, convulsionando uma sociedade turbulenta e dividida. Há muito em risco para se estar ocupado com distrações desse tipo. Como todo seguidor de Bahá’u’lláh bem sabe, o bem-estar final da humanidade depende de que suas diferenças sejam transcendidas e sua unidade firmemente estabelecida. Toda contribuição que os bahá’ís façam à vida de sua sociedade visa promover a unidade; todo esforço de construção de comunidades é direcionado para o mesmo fim. Àqueles que estão cansados de contenda, as comunidades que crescem à sombra do Nome Supremo oferecem um potente exemplo do que a unidade pode realizar.
Prestamos louvor ao Senhor dos Senhores ao vermos tantos de Seus amados dando, de tantas maneiras, tudo de si para que o estandarte da unicidade da humanidade possa elevar-se às alturas. Mui estimados amigos: ao se iniciar agora um ano imensamente auspicioso, não deveria cada um de nós meditar sobre que atos celestiais Sua graça ajudar-nos-á a realizar?
Nós os saudamos no reflexo do esplendor duradouro daqueles memoráveis eventos que marcaram o bicentenário do Nascimento da Abençoada Beleza. Ao considerarmos o que aconteceu então e desde então, percebemos que a comunidade bahá’í global que conhecemos agora não é a mesma que iniciou os primeiros seis ciclos do atual Plano. Ela está mais consciente de sua missão do que jamais foi. Ela vivenciou um crescimento sem precedentes na sua capacidade de colocar amigos e conhecidos em contato com sua vida comunitária; de inspirar vizinhanças e povoados em esforços unificados; de articular de que modo verdades espirituais podem ser traduzidas em ação prática sustentada; e, acima de tudo, de conversar, não somente a respeito dos ensinamentos que construirão um novo mundo, mas a respeito d’Aquele que os ensinou: Bahá’u’lláh. Relatos de Sua vida e de Seu sofrimento, em miríades de idiomas, narrados por adultos, jovens e crianças, tocaram incontáveis corações. Alguns se mostraram preparados para explorar Sua Causa mais detidamente. Outros comprometeram-se a colaborar. E muitas almas receptivas foram motivadas a declarar sua fé.
Um claro indicador do progresso foram os numerosos lugares em que tornou-se claro que a Fé havia emergido da obscuridade em âmbito nacional. Houve líderes de governo e líderes de pensamento que afirmaram publicamente – e algumas vezes enfatizaram em privado – que o mundo tem necessidade da visão de Bahá’u’lláh e que os empreendimentos bahá’ís são admirados e deveriam ser expandidos. Ficamos encantados ao ver que não somente os bahá’ís desejaram honrar Bahá’u’lláh e celebrar Sua vida – encontros especiais foram promovidos por pessoas fora da comunidade bahá’í. Em regiões onde há hostilidade em relação à Fé, os amigos foram resolutos; mostrando maravilhosa resiliência, eles encorajaram seus compatriotas a examinarem a verdade por si mesmos, e muitos participaram jubilosamente das festividades. O bicentenário deu também ensejo a um florescimento aparentemente ilimitado de expressões artísticas, magnífico testemunho à fonte de amor da qual procedeu. O caráter de toda a abordagem da comunidade bahá’í a essa ocasião foi uma confirmação do quanto se aprendeu durante mais de duas décadas, desde que se iniciou a atual série de Planos globais. O indivíduo bahá’í tomou a iniciativa, a comunidade levantou-se em esforços coletivos e os amigos canalizaram sua energia criativa para os planos preparados pelas instituições. Um aniversário significativo, marcando a passagem de dois séculos, ofereceu um potente estímulo ao trabalho de construção de comunidades para o século vindouro. No período que nos conduz ao segundo bicentenário, que cada semente lançada tão amorosamente no primeiro seja pacientemente nutrida até sua fruição.
Aos dois anos do atual Plano, embora naturalmente o progresso não seja uniforme em todos os países, o número de programas intensivos de crescimento no mundo está se aproximando da metade dos cinco mil previstos no atual empreendimento global e o ritmo em que esse número tem crescido vem aumentando constantemente. Ao observarmos mais atentamente, há sinais promissores de como as forças e potencialidades de indivíduos, comunidades e instituições estão se manifestando. Para crentes de toda parte, a experiência da celebração do bicentenário demonstrou que muitas das suas interações do dia-a-dia com as pessoas à sua volta podem ser impregnadas com o espírito de ensino. Além disso, à medida que em milhares de povoados e vizinhanças o trabalho adquire ímpeto, uma vibrante vida comunitária está criando raízes em cada um deles. O número de agrupamentos nos quais se está estabelecendo firmemente o sistema para estender este padrão de atividade a mais e mais localidades – possibilitando assim os amigos a alcançarem o terceiro marco ao longo de um continuum de desenvolvimento – cresceu notavelmente. E é aqui, nas fronteiras da aprendizagem do mundo bahá’í, especialmente no movimento de populações rumo à visão de Bahá’u’lláh, que não só grande número de pessoas está afluindo ao crescente âmbito das atividades bahá’ís, mas os amigos estão aprendendo de que modo grupos de tamanho considerável se identificam com a comunidade do Nome Supremo. Vemos os esforços educacionais da Fé adquirirem um caráter mais formal nesses lugares, à medida que crianças passam sem interrupção de uma série a outra, ano após ano, e os níveis do programa de empoderamento espiritual de pré-jovens se sucedem com segurança um após o outro. Nesses lugares, o instituto de capacitação está aprendendo a garantir que recursos humanos suficientes estejam sendo preparados para prover o aperfeiçoamento espiritual e moral das crianças e préjovens em número cada vez maior. A participação nessas atividades fundamentais está se tornando tão inserida na cultura da população que é vista como um aspecto indispensável da vida da comunidade. Surge uma nova vitalidade no seio de uma população que se incumbe do seu próprio desenvolvimento e cria imunidade às forças sociais causadoras de passividade. As possibilidades de progresso material e espiritual tomam forma. A realidade social começa a se transformar.
Estimados amigos, este é verdadeiramente um momento de render gratidão ao BemAmado. Há inúmeras razões para nos encorajarmos. No entanto, somos bastante conscientes da imensidade da tarefa remanescente. Fundamentalmente, como indicamos anteriormente, em muitas centenas de agrupamentos deverão surgir grupos cada vez maiores de crentes que possam manter, com aqueles que estão à sua volta, um permanente foco no cultivo do crescimento e da construção de capacidade, e se distinguir por sua habilidade e disciplina em refletir sobre a ação e aprender com a experiência. Erguer e acompanhar um núcleo de indivíduos em expansão em cada lugar – não somente no âmbito de agrupamento, mas de vizinhanças e povoados – é a um só tempo um desafio colossal e uma necessidade decisiva. Porém, onde isto está ocorrendo, os resultados falam por si.
Estamos seguros em ver que as instituições da Fé mantêm esta suprema necessidade na prioridade de seus pensamentos, concebendo mecanismos efetivos que propiciem a ampla aplicação de percepções provenientes do progresso. Ao mesmo tempo, uma maior experiência está dotando todas as instituições — nacionais, regionais e locais —, de uma visão mais ampla. Elas se envolvem em todos os aspectos do desenvolvimento comunitário e se preocupam com o bem-estar das pessoas independentemente de sua afiliação formal. Conscientes das profundas implicações que o processo de instituto tem para o progresso dos povos, elas prestam atenção especial a como o instituto de capacitação pode ser fortalecido. Elas permanecem atentas à necessidade de manter o foco da comunidade nas exigências do Plano e convidam um círculo cada vez mais amplo de amigos a níveis de unidade mais e mais elevados. Preservam fielmente sua responsabilidade de aperfeiçoar seus sistemas administrativos e financeiros de modo que o trabalho de expansão e consolidação seja adequadamente mantido. Em tudo isso, estão essencialmente ocupadas em nutrir na comunidade aquelas condições que levam à liberação de poderosas forças espirituais.
À medida que o trabalho de construção de comunidade se intensifica, os amigos vão usando as novas capacidades que desenvolveram para melhorar as condições da sociedade à sua volta, com seu entusiasmo iluminado pelo estudo dos ensinamentos divinos. O número de projetos de curto duração aumentou, programas formais expandiram seu alcance e agora existem mais organizações de desenvolvimento de inspiração bahá’í dedicadas à educação, saúde, agricultura e outras áreas. Da transformação resultante, visível na vida individual e coletiva de povos, pode-se discernir o inequívoco impulso do poder de construção de sociedade que tem a Causa de Bahá’u’lláh. Portanto, não é de admirar que essas instâncias de ação social – sejam elas simples ou complexas, de duração limitada ou prolongada – estejam inspirando cada vez mais os Escritórios da Comunidade Internacional Bahá’í nos seus esforços em participar dos discursos prevalecentes na sociedade. Este é outro importante campo de trabalho da Fé que avançou bastante. Em âmbito nacional, contribuições aos discursos que são significativos para aquela sociedade – a igualdade de homens e mulheres, migração e integração, o papel da juventude na transformação social e a coexistência religiosa, entre outros – estão sendo feitas com confiança, proficiência e inspiração cada vez maiores. E onde quer que vivam, trabalhem ou estudem, crentes de todas as idades e origens estão dando valiosas contribuições a discursos específicos, levando à atenção dos que estão à sua volta uma perspectiva íntegra moldada pela vasta Revelação de Bahá’u’lláh.
Em vários espaços nos quais se desenvolvem os discursos, a reputação da Fé vem sendo bastante realçada por sua presença oficial na internet, presença que se expandiu consideravelmente através do lançamento de numerosos sites nacionais e do desenvolvimento adicional na família de sites associados ao Bahai.org. Isso tem imenso valor tanto para a propagação como para a proteção da Causa. No decorrer de apenas alguns dias, uma grande audiência global foi atraída a um conteúdo cuidadosamente concebido sobre a Fé, apresentado no site do bicentenário e simultaneamente atualizado em nove línguas, e que agora foi acrescido de páginas de países, ilustrando a diversidade das celebrações realizadas. Já há planos bastante avançados para disponibilizar no site do Bahá’í Reference Library, uma funcionalidade que permitirá que passagens ou Epístolas das Escrituras Sagradas anteriormente não traduzidas e não publicadas sejam disponibilizadas online ao longo do tempo. Igualmente, novos volumes dos Escritos de Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá, traduzidos para o inglês, serão disponibilizados nos próximos anos.
Em Santiago, Chile, e Battambang, Camboja, as mais recentes Casas de Adoração do mundo estão se tornando consagrados centros de atração, faróis para as suas sociedades, de tudo o que a Fé representa. E seu número está prestes a crescer. Estamos encantados em anunciar que a cerimônia de dedicação para o Templo do Norte del Cauca, Colômbia, realizar-se-á em julho. Além disso, a construção de mais Casas de Adoração está logo por vir. Em Vanuatu está sendo obtida a licença para o início da construção. Na Índia e na República Democrática do Congo, um processo altamente complexo e rigoroso conduziu finalmente a uma bem-sucedida aquisição de terrenos. Mal se aquietara a alegria de ver o projeto do primeiro Mashriqu’l-Adhkár nacional em Papua Nova Guiné ser desvelado no Naw-Rúz, quando o projeto da Casa de Adoração local do Quênia também foi revelado. Entrementes, temos todas as expectativas de que a declaração e a compilação recentemente liberadas a respeito da instituição do Mashriqu’l-Adhkár, preparadas por nosso Departamento de Pesquisa, estimularão ainda mais a plena compreensão dos amigos sobre o sentido da adoração na vida comunitária. Pois nos seus atos de serviço, especialmente nas suas reuniões devocionais regulares, os bahá’ís em toda parte estão estabelecendo os alicerces espirituais das futuras Casa de Adoração.
Restam somente três anos para completar um quarto de século de esforços, iniciados em 1996, com foco em uma única meta: um avanço significativo no processo de entrada em tropas. No Ridván de 2021, os seguidores de Bahá’u’lláh adentrarão um Plano de um único ano de duração. Breve, porém prenhe de prodígios, esse empreendimento de um ano dará início a uma nova onda de Planos que conduzirão a arca da Causa ao terceiro século da Era Bahá’í. Durante esse auspicioso período de doze meses, a observação, pelo mundo bahá’í, da Ascensão de
‘Abdu’l-Bahá incluirá uma reunião especial no Centro Mundial Bahá’í à qual serão convidados representantes de todas as Assembleias Espirituais Nacionais e de todos os Conselhos Regionais Bahá’ís. Isso, no entanto, será apenas o primeiro de uma sequência de eventos que prepararão os crentes para as demandas das décadas vindouras. No janeiro seguinte, a passagem dos cem anos da primeira leitura pública da Última Vontade e Testamento do Mestre dará ensejo a uma conferência na Terra Santa reunindo os Corpos Continentais de Conselheiros e todos os membros do Corpo Auxiliar para Proteção e Propagação. A energia espiritual liberada nessas duas reuniões históricas deverá então ser levada a todos os amigos de Deus em todas as terras onde residam. Para este fim, uma série de conferências será convocada mundialmente, nos meses seguintes, um catalisador para o empreendimento de múltiplos anos que sucederá o próximo Plano de Um Ano.
Assim, aproxima-se uma nova fase no desenvolvimento do Plano Divino do Mestre. Porém, uma perspectiva arrebatadora e mais imediata está diretamente adiante. Estamos agora a apenas um ano e meio do bicentenário do Nascimento do Báb. Este é um período para rememorar o extraordinário heroísmo do Arauto-Mártir de nossa Fé, Cujo dramático ministério impulsionou a humanidade em direção a uma nova era da história. Embora separada por dois séculos do nosso tempo, a sociedade em que o Báb surgiu assemelha-se ao mundo atual no que tange a opressão e o anseio de tantos por respostas que abrandem a sede da alma pelo saber. Ao considerarmos de que modo este aniversário de duzentos anos deve ser observado condignamente, reconhecemos que essas festividades terão seu próprio caráter especial. Contudo, antecipamos um florescer de atividades não menos ricas e abrangentes que as que acompanharam o bicentenário que acabou de findar. É uma ocasião que toda comunidade, toda família, todo coração indubitavelmente estará aguardando com ansiosa expectativa.
Os próximos meses também serão um período para recordar a vida dos intrépidos seguidores do Báb – heroínas e heróis cuja fé foi expressada em incomparáveis atos de sacrifício que para sempre adornarão os anais da Causa. Suas qualidades de destemor, consagração e desprendimento de tudo salvo de Deus são gravadas em quem quer que conheça suas ousadas façanhas. Quão impressionante é também a tenra juventude na qual tantos espíritos indomáveis deixaram suas indeléveis marcas na história. Durante esse período por vir, que seus exemplos deem coragem a toda a hoste de fiéis – principalmente à juventude, que é mais uma vez convocada à vanguarda de um movimento que objetiva nada menos que a transformação do mundo.
Esta é, portanto, nossa radiante, nossa muito radiante esperança. Nos seis ciclos que restam entre este Ridván e o próximo bicentenário – na verdade, durante os três anos restantes do atual Plano –, que venha a inspirá-los para grandes feitos o mesmo amor que tudo consome e que tudo domina que instigou os discípulos do Báb à difusão da luz divina. Nossa súplica no Limiar Sagrado é que possam ser receptáculos do amparo celestial.
À medida que o Supremo Festival se aproxima, somos arrebatados por sentimentos de gratidão e expectativa – gratidão pelas maravilhas que Bahá’u’lláh possibilitou Seus seguidores a realizarem, expectativa por aquilo que o futuro imediato traz.
O ímpeto gerado pelas celebrações do bicentenário do Nascimento de Bahá’u’lláh em todo o mundo só vem crescendo desde então. O acelerado desenvolvimento da comunidade bahá’í, sua crescente capacidade e sua habilidade em utilizar as energias de um maior número de seus membros mostram-se vividamente ao se ver um resumo de suas recentes realizações em âmbito global. Dentre estas, destaca-se especialmente um incremento nas atividades de construção de comunidade. O atual Plano de Cinco Anos é a continuação de vinte anos de esforços do mundo bahá’í para refinar e multiplicar sistematicamente essas atividades – porém, é notável que, nos primeiros dois anos e meio do Plano, só o número de atividades centrais aumentou mais que a metade. A comunidade mundial mostrou a capacidade de envolver, a qualquer dado momento, mais de um milhão de pessoas em tais atividades, ajudando-as a explorar e corresponder às realidades espirituais. Nesse mesmo curto período, o número de reuniões devocionais quase dobrou – uma resposta mais que necessária ao crescente distanciamento da humanidade da Fonte de esperança e generosidade. Este desenvolvimento é especialmente promissor, pois reuniões devocionais infundem um novo espírito na vida de uma comunidade. Entrelaçadas com iniciativas educacionais para todas as idades, elas enfatizam o sublime propósito desses esforços: o de fomentar comunidades que se distinguem por sua adoração a Deus e seu serviço ao gênero humano. Em parte alguma isto se evidencia mais do que naqueles agrupamentos em que se mantém a participação de um grande número de pessoas em atividades bahá’ís, onde os amigos superaram o terceiro marco no desenvolvimento de sua comunidade. Estamos encantados em ver que o número de agrupamentos em que o processo de crescimento alcançou tal ponto já se duplicou desde o início do Plano, e agora está ao redor de quinhentos.
Este breve resumo não pode fazer justiça à escala da transformação que se encontra em andamento. As perspectivas para os dois anos restantes do Plano são deslumbrantes. Muito já foi alcançado neste último ano com a ampla difusão das lições aprendidas dos mais fortes programas de crescimento em agrupamentos que, conforme esperávamos, tornaram-se reservatórios de conhecimento e de recursos. O Centro Internacional de Ensino, os Conselheiros e seus incansáveis auxiliares não têm medido esforços para assegurar que os amigos em todas as partes do mundo se possam beneficiar dessa aceleração na aprendizagem, aplicando as percepções que estão sendo obtidas às suas próprias realidades. Nos regozijamos em ver que em um crescente número de agrupamentos, e vizinhanças e povoados neles existentes, surgiu um núcleo de amigos que, através de ação e reflexão, estão descobrindo o que se faz necessário, num dado momento, para que o processo de crescimento avance nas suas redondezas. Se valem do potente instrumento do instituto, através do qual a capacidade de contribuir para a prosperidade espiritual e material da comunidade é aprimorada e, à medida que agem, cresce o número daqueles que a eles se unem. Naturalmente, as condições, bem como as características, variam grandemente de lugar a lugar. Porém, através de esforços sistemáticos, todos podem contribuir de modo mais e mais efetivo para o trabalho que se apresenta. Qualquer que seja o contexto, existe alegria pura em envolver outras almas em conversações significativas e enobrecedoras que, rápida ou gradualmente, conduzem a um despertar de suscetibilidades espirituais. Quanto mais brilhante a chama ateada no coração do crente, maior será a força de atração daqueles expostos ao seu calor. E, para um coração consumido pelo amor a Bahá’u’lláh, que ocupação mais condigna se pode imaginar do que buscar espíritos afins, encorajá-los à medida que entram no caminho de serviço, acompanhá-los enquanto adquirem experiência e – talvez a maior de todas as alegrias – ver almas serem confirmadas em sua fé, levantando-se de forma independente para ajudar outros na mesma jornada. Estes são dos momentos mais acalentados proporcionados por esta vida transitória.
As perspectivas para o avanço deste empreendimento espiritual se tornam ainda mais emocionantes pela aproximação do bicentenário do Nascimento do Báb. Tal como o bicentenário que o precedeu, este aniversário é um momento incalculavelmente precioso. Ele provê a todos os bahá’ís maravilhosas oportunidades para despertarem aqueles à sua volta para o grande Dia de Deus, para a extraordinária efusão da graça celestial sinalizada pelo aparecimento de duas Manifestações do Ser divino, Luminares sucessivos que abrilhantaram o horizonte do mundo. A medida do que pode ser possível nos dois próximos ciclos é conhecida por todos da experiência do bicentenário de dois anos atrás, e tudo o que foi aprendido naquela ocasião deve ser canalizado nos planos para os Sagrados Aniversários Gêmeos deste ano. À medida que o aniversário de duzentos anos se aproxima, ofereceremos frequentes súplicas em seu nome nos Sagrados Sepulcros, orando para que seus esforços em honrar condignamente o Báb tenham sucesso na promoção da Causa que Ele anunciou.
Faltam apenas dois anos e meio para término do primeiro século da Idade Formativa. Ele selará uma centena de anos de consagrados esforços para consolidar e expandir o alicerce colocado com tanto sacrifício durante a Idade Heroica da Fé. Nessa ocasião, a comunidade bahá’í observará também o centenário da Ascensão de ‘Abdu’l-Bahá, o momento em que o bem-amado Mestre foi libertado dos confins deste mundo para Se reunir ao Seu Pai nos retiros de glória celestial. Seu funeral, que ocorreu no dia seguinte, foi um evento “cujo igual a Palestina jamais havia visto”. Na sua conclusão, Seus restos mortais foram colocados para repousar dentro de uma cripta no interior do Mausoléu do Báb. Contudo, foi predito por Shoghi Effendi que este seria um arranjo temporário. Que no devido tempo haveria de ser erigido um Sepulcro condigno à singular posição de ‘Abdu’l-Bahá.
Esse tempo chegou. O mundo bahá’í está sendo convocado a erigir o edifício que abrigará para sempre aqueles restos sagrados. Ele deverá ser construído nas proximidades do Jardim do Ridván, em terreno consagrado pelos passos da Abençoada Beleza; assim, o Sepulcro de ‘Abdu’l-Bahá repousará no crescente traçado entre os Sagrados Sepulcros em ‘Akká e Haifa. O trabalho do projeto arquitetônico está avançando e mais informações serão compartilhadas nos próximos meses.
Agora, ao contemplarmos o próximo ano e todas as suas promessas, somos tomados por insuperáveis sentimentos de júbilo. Desejamos que todos vocês – ocupados que estão em prestar serviços a Bahá’u’lláh, trabalhando em todas as nações para a causa da paz – concretizem sua elevada missão.
As últimas palavras de um capítulo muito memorável da história da Causa já foram agora escritas, e a página é virada. Este Riḍván marca o término de um ano extraordinário, de um Plano de Cinco Anos, e de toda uma série de Planos iniciada em 1996. Se aproxima uma nova série de Planos, com o que prometem ser de doze meses de capital importância que servirão de prelúdio a um esforço de nove anos a iniciar no próximo Riḍván. Vemos diante de nós uma comunidade que rapidamente adquiriu força e está pronta para fazer grandes avanços. Porém, que não haja ilusões sobre o empenho que foi necessário para se chegar a este ponto, e quão difícil foi a conquista das percepções adquiridas ao longo do caminho: as lições aprendidas moldarão o futuro da comunidade, e o balanço de como elas foram aprendidas lança luz sobre aquilo que está por vir.
As décadas que precederam a 1996, ricas em seus próprios avanços e percepções não deixaram dúvidas de que em muitas sociedades um grande número de pessoas estaria pronto para se alinhar sob o estandarte da Fé. No entanto, por mais encorajadoras que fossem as instâncias de ingressos em larga escala, faltava-lhes um equivalente processo sustentável de crescimento que se pudesse cultivar em diversos cenários. Profundos questionamentos se apresentavam à comunidade que, na época, não tinha experiência suficiente para responder adequadamente. De que modo poderiam os esforços destinados à sua expansão seguir lado a lado com o processo de consolidação e resolver o prolongado e aparentemente um desafio complexo do crescimento sustentado? Como seria possível formar pessoas, instituições e comunidades que fossem capazes de traduzir em ação os ensinamentos de Bahá’u’lláh? E como aqueles atraídos aos ensinamentos se poderiam tornar protagonistas de um empreendimento espiritual global?
Foi assim que, há um quarto de século, a comunidade bahá’í — que ainda podia contar com três Mãos da Causa em sua linha de frente — deu início a um Plano de Quatro Anos, que se distinguia daqueles que o precederam por seu foco em um único objetivo: um avanço significativo no processo de entrada em tropas. Este objetivo veio a definir a série de Planos que se seguiram. A comunidade já havia entendido que esse processo não significava somente a entrada de grupos numerosos na Fé, e nem que surgiria espontaneamente; ele implicava em expansão e consolidação intencionais, sistemáticas e aceleradas. Esse trabalho exigiria a participação informada de grande número de almas e, em 1996, o mundo bahá’í foi convocado a assumir o imenso desafio educacional envolvido nisso. Ele foi chamado a estabelecer uma rede de institutos de capacitação focados em gerar um fluxo crescente de pessoas dotadas das capacidades necessárias para sustentar o processo de crescimento.
Os amigos se lançaram nesta tarefa conscientes de que, apesar de suas vitórias anteriores no campo do ensino, claramente tinham muito a aprender sobre quais seriam as capacidades a ser adquiridas e, principalmente, como adquiri-las. Em muitos sentidos, a comunidade aprenderia com a prática, e as lições aprendidas, uma vez destiladas e refinadas ao ser aplicadas ao longo do tempo em diversos cenários, seriam finalmente incorporadas em materiais educacionais. Reconheceu-se que certas atividades eram uma resposta natural às necessidades espirituais de uma população. Círculos de estudo, aulas para crianças, reuniões devocionais e posteriormente grupos de pré-jovens sobressaíram como de importância central nesse sentido e, quando interconectados com atividades correlatas, as dinâmicas geradas poderiam dar ensejo a um vibrante padrão de vida comunitária. E à medida que cresceu o número de participantes nessas atividades centrais, uma nova dimensão foi adicionada ao seu propósito original. Elas passaram a servir como portais através dos quais jovens, adultos e famílias inteiras da sociedade mais ampla podiam entrar em contato com a Revelação de Bahá’u’lláh. Estava também ficando claro como era prático considerar estratégias para o trabalho de construção de comunidade dentro do contexto do “agrupamento”: uma área geográfica de tamanho administrável com características sociais e econômicas específicas. A capacidade de preparar planos simples no âmbito de agrupamento começou a ser cultivada e, a partir desses planos, surgiram programas para o crescimento da Fé, organizados naquilo que se tornariam ciclos trimestrais de atividade. Logo nas etapas iniciais se tornou claro um ponto importante: o movimento de pessoas por uma sequência de cursos dá impulso ao movimento dos agrupamentos ao longo de um continuum de desenvolvimento, e é por este movimento perpetuado. Esta relação complementar ajudou os amigos de todas as partes a avaliarem a dinâmica do crescimento nos seus próprios arredores e traçar um caminho rumo ao fortalecimento crescente. Com a passagem do tempo, mostrou-se produtivo visualizar o que estava ocorrendo em um agrupamento, tanto do ponto de vista dos três imperativos educacionais — de servir às crianças, aos pré-jovens, e aos jovens e adultos — como também do ponto de vista dos ciclos de atividades essenciais ao ritmo do crescimento. Nos meados de um esforço de vinte e cinco anos, muitas das características mais perceptíveis do processo de crescimento que vemos hoje estavam ficando bem estabelecidas.
À medida que os esforços dos amigos se intensificavam, vários princípios, conceitos e estratégias de relevância universal para o processo de crescimento começaram a se cristalizar em um marco conceitual de ação que podia se desenvolver para acomodar novos elementos. Este marco conceitual mostrou-se fundamental para a liberação de tremenda vitalidade. Ajudou os amigos a canalizarem suas energias de maneiras que, conforme a experiência havia mostrado, eram conducentes ao crescimento de comunidades sadias. Porém, um marco conceitual não é uma fórmula. Ao se levar em conta os vários elementos do marco conceitual quando se avaliava a realidade de um agrupamento, uma localidade, ou uma simples vizinhança, pôde-se desenvolver um padrão de atividade que se valia do que o resto do mundo bahá’í aprendia, enquanto ainda se mantinha uma resposta às peculiaridades daquele local. Uma dicotomia entre requisitos rígidos, de um lado, e ilimitadas preferências pessoais, do outro, abriu caminho para um entendimento mais matizado sobre a variedade de meios nos quais as pessoas podiam apoiar um processo que, em seu âmago, era coerente e continuamente refinado com o acúmulo da experiência. Que não haja qualquer dúvida a respeito do avanço representado pelo aparecimento deste marco conceitual: as implicações para a harmonização e a unificação dos esforços de todo o mundo bahá’í e para impulsionar adiante sua marcha foram de grande importância.
À medida que um Plano sucedia outro e o engajamento no trabalho de construção de comunidades se tornava mais amplamente alicerçado, avanços na dimensão de cultura ficaram mais evidentes. Por exemplo, a importância de educar as gerações mais jovens foi mais universalmente reconhecida, assim como o extraordinário potencial representado especialmente pelos pré-jovens. Almas que se ajudam e acompanham mutuamente em um caminho compartilhado, ampliando constantemente o escopo do apoio mútuo, tornou-se o padrão ao qual aspiram todos os esforços em prol do desenvolvimento da capacidade de servir. Mesmo as interações dos amigos entre si, e com aqueles ao seu redor, sofreu uma mudança, na medida em que cresceu a consciência sobre o poder das conversações significativas para acender e alentar a chama de suscetibilidades espirituais. E, significativamente, as comunidades bahá’ís adotaram uma visão cada vez mais orientada aos demais. Qualquer alma receptiva à visão da Fé podia se tornar um participante ativo — inclusive promotor e facilitador — de atividades educacionais, reuniões de adoração e outros elementos do trabalho de construção de comunidades; dentre tais almas, muitas também declarariam sua fé em Bahá’u’lláh. Assim surgiu uma concepção do processo de entrada em tropas que se apoiava menos em teorias e pressupostos e mais na experiência real de como um grande número de pessoas podia encontrar a Fé, familiarizar-se com ela, identificar-se com seus objetivos, unir-se às suas atividades e deliberações e, em muitos casos, abraçá-la. De fato, à medida que o processo do instituto se fortalecia em uma região após outra, o número de pessoas que participava do trabalho do Plano, incluindo os que recém conheceram a Fé, cresceu a passos largos. Mas isso não era conduzido por mera preocupação com números. Uma visão de transformação pessoal e coletiva produzida simultaneamente, baseada no estudo da Palavra de Deus e na percepção da capacidade de cada um de se tornar protagonista de um profundo drama espiritual, deu origem a um sentimento de esforço coletivo.
Uma das características mais marcantes e inspiradoras desse período de vinte e cinco anos foi o serviço prestado pela juventude bahá’í que, com fé e bravura, assumiu seu lugar de direito na vanguarda dos esforços da comunidade. Como instrutores da Causa e educadores dos mais novos, como tutores viajantes e pioneiros de frente interna, como coordenadores de agrupamentos e membros de agências bahá’ís, jovens dos cinco continentes se levantaram para servir suas comunidades com devoção e sacrifício. A maturidade que demonstraram ao se desincumbir de deveres dos quais depende o avanço do Plano Divino, é sinal de sua vitalidade espiritual e de seu comprometimento em resguardar o futuro da humanidade. Em reconhecimento a essa maturidade cada vez mais evidente, decidimos que imediatamente após este Riḍván, embora a idade para um bahá’í ser elegível para servir em uma Assembleia Espiritual continue a ser vinte e um anos, a idade para um crente poder votar em eleições bahá’ís será reduzida para dezoito. Não temos dúvida de que, em toda parte, a juventude bahá’í ao atingir essa idade justificará nossa confiança na sua capacidade de cumprir “conscienciosa e diligentemente” o “dever sagrado” a que todo eleitor bahá’í é chamado.
Estamos conscientes de que, naturalmente, as realidades das comunidades diferem muito umas das outras. Diferentes comunidades nacionais e distintos locais nessas comunidades começaram essa série de Planos em diferentes estágios de desenvolvimento; desde então elas se desenvolveram também em diferentes velocidades e alcançaram distintos níveis de progresso. Isso, em si, não é nenhuma novidade. Sempre aconteceu que as condições variam de um lugar a outro, assim como o grau de receptividade neles encontrado. Porém, percebemos também uma maré crescente, por meio da qual a capacidade, a confiança e a experiência acumulada da maioria das comunidades estão aumentando, estimuladas pelo sucesso de suas comunidades irmãs de perto e de longe. Por exemplo, conquanto as almas que se levantavam para abrir uma nova localidade em 1996 não lhes faltava coragem, fé e devoção, hoje os que o fazem em toda parte combinam aquelas mesmas qualidades com conhecimento, percepções e habilidades que são o acúmulo de vinte e cinco anos de esforços de todo o mundo bahá’í para sistematizar e refinar o trabalho de expansão e consolidação.
Independente do ponto de partida de uma comunidade, ela avançou no processo de crescimento quando combinou as qualidades de fé, perseverança e comprometimento com uma disposição para a aprendizagem. De fato, um valioso legado desta série de Planos é o amplo reconhecimento de que qualquer esforço para o avanço começa com uma diretiva de aprendizagem. A simplicidade deste preceito não reflete a importância das implicações dela decorrentes. Não temos dúvida de que cada agrupamento, no devido tempo, progredirá ao longo do continuum de desenvolvimento; as comunidades que avançaram mais rapidamente em relação àquelas cujas circunstâncias e possibilidades eram semelhantes mostraram uma habilidade em promover unidade de pensamento e de aprender sobre ação eficaz. E assim o fizeram sem hesitar em agir.
Um compromisso com a aprendizagem significava também estar preparado para cometer erros — e algumas vezes, naturalmente, erros traziam desconforto. Não é de surpreender que inicialmente novos métodos e abordagens tenham sido empregados de modo inábil devido à falta de experiência; ocasionalmente, um tipo de aptidão recém adquirida se perdia enquanto a comunidade estava absorta em desenvolver outra. Ter a melhor das intenções não oferece qualquer garantia contra equívocos, e superá-los requer tanto humildade como desprendimento. Quando uma comunidade permanece determinada a demonstrar tolerância e a aprender com os erros que naturalmente ocorrem, o progresso nunca fica fora do alcance.
No ponto mediano da série de Planos, o envolvimento da comunidade na vida da sociedade começou a ser o foco de atenção mais direta. Os crentes foram encorajados a pensar nisso em termos de duas áreas de atividade interconectadas — ação social e participação nos discursos prevalecentes da sociedade. Essas, naturalmente, não eram alternativas ao trabalho de expansão e consolidação, muito menos uma distração dele: eram-lhe inerentes. Quanto maiores os recursos humanos com os quais uma comunidade podia contar, maior se tornava sua capacidade de usar a sabedoria contida na Revelação de Bahá’u’lláh para enfrentar os desafios diante dela — de traduzir Seus ensinamentos para a realidade. E as questões problemáticas da humanidade nesse período pareciam salientar quão desesperada era sua necessidade do remédio prescrito pelo Médico Divino. Implícito em tudo isso estava uma concepção de religião muito diferente das que prevaleciam no mundo ao redor: uma concepção que reconhecia a religião como uma força potente que impele uma civilização destinada a evoluir para sempre. Percebeu-se também que tal civilização não surgiria espontaneamente, por vontade própria — era a missão dos seguidores de Bahá’u’lláh trabalhar por seu advento. Tal missão demandava a aplicação do mesmo processo de aprendizagem sistemático no trabalho de ação social e participação no discurso público.
Na perspectiva das últimas duas décadas e meia, a capacidade de empreender ação social aumentou substancialmente, levando a um extraordinário florescimento de atividades. Em comparação com 1996, quando cerca de 250 projetos de desenvolvimento social e econômico estavam sendo mantidos de ano a ano, agora são 1.500, e o número de organizações de inspiração bahá’í quadruplicou, ultrapassando 160. Mais de 70.000 iniciativas de ação social de curta duração nas bases da sociedade estão sendo empreendidas a cada ano, um crescimento de cinquenta vezes. Aguardamos com expectativa um contínuo aumento em todas essas atividades em consequência do dedicado apoio e estímulo agora proporcionado pela Organização Internacional Bahá’í para o Desenvolvimento. Entrementes, a participação bahá’í nos discursos prevalecentes da sociedade cresceu imensamente. Além das muitas ocasiões em que os amigos se deparam com a possibilidade de oferecer a perspectiva bahá’í em conversações que ocorrem no contexto profissional ou pessoal, a participação mais formal nos discursos avançou significativamente. Temos em mente não somente os esforços muito ampliados e as contribuições cada vez mais elaboradas da Comunidade Internacional Bahá’í — que nesse período adicionou escritórios na África, Ásia e Europa —, mas também o trabalho de uma rede bastante aumentada e grandemente fortalecida de Escritórios Nacionais de Assuntos Externos, para os quais esta área de atividade se tornou o foco principal; além disso, houveram contribuições perspicazes e notáveis de crentes em campos específicos. Tudo isso de algum modo ajuda a explicar a estima, o reconhecimento e a admiração que líderes do pensamento e outras figuras proeminentes de todos os níveis da sociedade repetidamente expressaram em relação à Fé, seus seguidores e suas atividades.
Ao passarmos em revista todo o período de vinte e cinco anos, ficamos atônitos pelas muitas formas de progresso que o mundo bahá’í conquistou simultaneamente. Sua vida intelectual floresceu, conforme demonstrado não somente por seus avanços em todas as áreas de atividade já citadas, mas também pelo volume da literatura de alta qualidade publicada por autores bahá’ís, pelo desenvolvimento de espaços para exploração de certas disciplinas à luz dos ensinamentos, e pelo impacto dos seminários de graduação e pós-graduação sistematicamente oferecidos pelo Instituto para Estudos em Prosperidade Global que, em colaboração com as instituições da Causa, agora serve a jovens bahá’ís de bem mais de 100 países. Os esforços para edificar Casas de Adoração aceleraram-se visivelmente. O último Templo-Mãe foi erigido em Santiago, Chile, e projetos para a construção de dois Mashriqu’l-Adhkár nacionais e cinco locais foram iniciados; as Casas de Adoração em Battambang, no Camboja, e Norte del Cauca, na Colômbia, já abriram suas portas. Templos bahá’ís, quer recém dedicados ou há muito estabelecidos, estão cada vez mais ocupando posição no coração da vida comunitária. O apoio material oferecido pelo contingente de fiéis em prol da miríade de empreendimentos executados pelos amigos de Deus tem sido incondicional. Vista simplesmente como uma medida de vitalidade espiritual coletiva, é impressionante a generosidade e sacrifício com que, em tempos de considerável crise econômica, o fluxo decisivo de fundos está sendo mantido — mais ainda, revigorado. Na dimensão da administração bahá’í, a capacidade das Assembleias Espirituais Nacionais de gerir os assuntos de suas comunidades em toda a sua crescente complexidade foi aprimorada consideravelmente. Elas se beneficiaram especialmente de novos níveis de colaboração com os Conselheiros, sendo que estes foram instrumentais para sistematizar o acúmulo de percepções provenientes das bases da comunidade em todo o mundo, e para assegurar sua ampla divulgação. Este foi também o período em que o Conselho Regional Bahá’í emergiu como uma instituição plenamente desenvolvida da Causa, agora em 230 regiões. Os conselhos e os institutos de capacitação por eles supervisionados mostraram-se indispensáveis para o avanço do processo de crescimento. Em 2005, foi estabelecido o Corpo Internacional de Fiduciários do Ḥuqúqu’lláh, a fim de estender para o futuro as funções do Fiduciário-Mor do Ḥuqúqu’lláh, a Mão da Causa de Deus ‘Alí-Muhammad Varqá; hoje o Corpo Internacional coordena os esforços de não menos de 33 Corpos Nacionais e Regionais de Fiduciários, que agora abarcam o globo, os quais por sua vez dirigem o trabalho de mais de 1.000 Representantes. Os desenvolvimentos ocorridos no Centro Mundial Bahá’í durante esse mesmo período são muitos: testemunhou-se a conclusão dos patamares do Santuário do Báb e de dois edifícios do Arco, e o início da construção do Santuário de ‘Abdu’l-Bahá, isso sem mencionar um grande número de projetos para o fortalecimento e preservação dos preciosos Lugares Sagrados da Fé. O Santuário de Bahá’u’lláh e o Santuário do Báb foram reconhecidos como Patrimônios Mundiais, lugares de importância inestimável para a humanidade. O público afluiu em centenas de milhares a esses lugares sagrados, chegando em alguns anos a um milhão e meio, e o Centro Mundial regularmente recepcionou centenas de peregrinos de uma só vez, algumas vezes mais de 5.000 em um ano, juntamente com número semelhante de visitantes bahá’ís; estamos encantados tanto pelo aumento do número como pela diversidade de povos e nações representados por aqueles que participam da bênção da peregrinação. A tradução, publicação e divulgação dos Textos Sagrados também foi muito intensificada, paralelamente com o desenvolvimento do Bahá’í Reference Library, um dos mais notáveis membros da crescente família de websites relacionados ao bahai.org, o qual já está disponível em dez idiomas. Uma variedade de escritórios e agências foi estabelecida no Centro Mundial e em outros lugares com a incumbência de apoiar o desdobramento do processo de aprendizagem em múltiplas áreas de atividade em todo o mundo bahá’í. Tudo isso — irmãs e irmãos de fé — é apenas uma fração daquilo que podemos relatar sobre o que foi gerado pela devoção de vocês Àquele que foi o Injuriado do Mundo. Só podemos ecoar as pungentes palavras outrora pronunciadas pelo amado Mestre quando, tomado por emoção, clamou: “Ó Bahá’u’lláh! O que Tu
fizeste?”
Do panorama de um quarto de século crucial, agora dirigimos nosso olhar para o mais recente Plano de Cinco Anos, um Plano de muitas formas diferente de qualquer outro anterior. Nesse Plano, instamos os bahá’ís do mundo a se valerem de tudo o que haviam aprendido nos vinte anos anteriores e o colocar em plena ação. Estamos encantados em ver que nossas esperanças nesse sentido foram mais que satisfeitas; embora naturalmente esperássemos grandes feitos dos seguidores da Abençoada Beleza, o caráter daquilo que foi realizado através de seus esforços hercúleos foi verdadeiramente deslumbrante. Foi o ápice de uma realização promissora de vinte e cinco anos.
O Plano foi especialmente memorável por ter sido segmentado em três partes iguais por dois bicentenários, cada um dos quais galvanizou comunidades locais em todo o mundo. A companhia dos fiéis demonstrou, em escala jamais testemunhada, e com relativa facilidade, uma capacidade de envolver pessoas de todos os setores da sociedade para honrar a vida de um Manifestante de Deus. Isso foi um poderoso indicador de algo maior: a habilidade de canalizar a liberação de tremendas energias espirituais para o avanço da Causa. Tão grandiosa foi a resposta que em muitos lugares a Fé foi impulsionada para fora da obscuridade em âmbito nacional. Em cenários onde isso era inesperado, talvez imprevisto, uma marcante receptividade em relação à Fé se tornou evidente. Milhares sobre milhares sobre milhares de pessoas se extasiaram ao entrar em contato com um espírito devocional que é hoje característico das comunidades bahá’ís em toda parte. A visão do que é possível mediante a observância de um Dia Sagrado bahá’í se expandiu imensuravelmente.
Em termos simplesmente numéricos, as realizações desse Plano rapidamente eclipsaram as de todos os Planos que o precederam desde 1996. No início desse Plano, existia a capacidade de conduzir pouco mais de 100.000 atividades centrais ao mesmo tempo, capacidade que foi o resultado de vinte anos de empenho coletivo. Agora, 300.000 atividades centrais são mantidas simultaneamente. A participação nessas atividades aumentou para além de dois milhões de pessoas, o que também está bem próximo de um triplo crescimento. Há 329 institutos de capacitação nacionais e regionais em funcionamento, e sua capacidade é evidenciada pelo fato de que três quartos de milhão de pessoas puderam completar pelo menos um livro da sequência; ao todo, o número de pessoas que completaram cursos também é agora de dois milhões — um aumento de mais de um terço em cinco anos.
O aumento da intensidade com que os programas de crescimento estão sendo empreendidos ao redor do mundo narra sua própria e impressionante história. No decorrer desses cinco anos, fizemos a convocação para que o crescimento se acelerasse em cada um dos 5.000 agrupamentos que já o haviam iniciado. Este imperativo se tornou o ímpeto para um dedicado empenho no mundo inteiro. Como consequência, o número de programas intensivos de crescimento mais que duplicou e agora se aproxima de 4.000. Dificuldades em abrir novos povoados e vizinhanças à Fé em meio à crise sanitária global, ou em expandir atividades que estavam nos estágios iniciais ao principiar a pandemia, impediram que se alcançasse um total ainda maior durante o último ano do Plano. Contudo, ainda há mais a ser relatado. No início do Plano, havíamos expressado a esperança de que, em consequência do aprendizado de como acolher um grande número de pessoas ao aconchego de suas atividades, houvesse um aumento de centenas mais de agrupamentos em que os amigos já tivessem ultrapassado o terceiro marco no continuum de crescimento. Esse total estava ao redor de 200 num total de cerca de 40 países. Depois de cinco anos, este número chegou a assombrosos 1.000, em quase 100 países — um quarto da totalidade dos programas intensivos de crescimento no mundo, e uma realização que de longe superou nossas expectativas. E, ainda assim, mesmo esses números não revelam as mais sublimes alturas alcançadas pela comunidade. Há mais de 30 agrupamentos em que o número de atividades centrais ultrapassa 1.000; há lugares em que o total é de vários milhares, envolvendo a participação de mais de 20.000 pessoas em um único agrupamento. Um crescente número de Assembleias Espirituais Locais agora supervisiona o desenvolvimento de programas educacionais que acolhem praticamente todas as crianças e pré-jovens de um povoado; a mesma realidade começa a emergir em algumas vizinhanças urbanas. Em alguns casos notáveis, o engajamento com a Revelação de Bahá’u’lláh transcende indivíduos, famílias e grupos mais amplos de parentesco — o que se testemunha é o movimento de populações rumo a um centro coletivo. Em alguns casos, hostilidades de longa data entre grupos oponentes estão sendo deixadas para trás e certas estruturas e dinâmicas sociais estão sendo transformadas à luz dos ensinamentos divinos.
Não podemos senão ficar radiantes por tão significativos avanços. O poder de construção de sociedade da Fé de Bahá’u’lláh se está manifestando com cada vez mais clareza, e isto é um firme alicerce sobre o qual o próximo Plano de Nove Anos será erigido. Agrupamentos de vigor notável, conforme esperado, revelaram-se reservatórios de conhecimento e recursos para seus agrupamentos vizinhos. E regiões, onde há mais de um desses agrupamentos, desenvolveram mais facilmente os meios para acelerar o crescimento de um agrupamento após outro. Entretanto, sentimo-nos compelidos a enfatizar novamente que o progresso foi universal; a diferença de progresso entre um lugar e outro é de grau. O entendimento coletivo da comunidade a respeito do processo de entrada em tropas e sua confiança em ser capaz de estimular este processo em quaisquer conjuntos de circunstâncias alcançou níveis inimagináveis nas décadas anteriores. As profundas questões que assombravam por tanto tempo, e que em 1996 foram colocadas sob intenso foco, foram respondidas de modo convincente pelo mundo bahá’í. Há uma geração de crentes cuja vida inteira leva a marca do progresso da comunidade. Mas a simples escala daquilo que ocorreu nos muitos agrupamentos onde as fronteiras do aprendizado estão sendo ampliadas transformou um significativo progresso do processo de entrada em tropas em um processo momentoso de proporções históricas.
Muitos estão familiarizados com o modo como o Guardião dividiu as Idades da Fé em épocas consecutivas; a quinta época da Idade Formativa teve início em 2001. Menos conhecido é que o Guardião também fez referências específicas de que há épocas do Plano Divino e há etapas dentro dessas épocas. Mantido em suspenso durante duas décadas enquanto órgãos locais e nacionais da Ordem Administrativa estavam sendo erigidos e fortalecidos, o Plano Divino concebido por ‘Abdu’l-Bahá foi formalmente lançado em 1937, tendo início a primeira etapa de sua primeira época: o Plano de Sete Anos designado pelo Guardião para a comunidade bahá’í norte-americana. Essa primeira época se encerrou após a conclusão da Cruzada de Dez Anos, em 1963, resultando na implantação do estandarte da Fé em todo o mundo. A etapa de abertura da segunda época foi o primeiro Plano de Nove Anos, seguido por não menos que dez Planos, que variaram de doze meses a sete anos de duração. No alvorecer dessa segunda época, o mundo bahá’í já testemunhava os primórdios daquela entrada em tropas na Fé prevista pelo Autor do Plano Divino; nas décadas seguintes, gerações de devotados fiéis da comunidade do Nome Supremo trabalharam na Vinha Divina para cultivar as condições necessárias para o crescimento sustentado em grande escala. E nessa gloriosa estação do Riḍván, quão abundantes são os frutos daquele trabalho! O fenômeno de um considerável número de pessoas a expandir as atividades da comunidade, capturando a centelha da fé e rapidamente se levantando para servir na vanguarda do Plano, deixou de ser uma previsão nutrida por fé para se tornar uma realidade recorrente. Um avanço tão marcante e evidente precisa ser assinalado nos anais da Causa. Com corações jubilosos, anunciamos que tem início a terceira época do Plano Divino do Mestre. Etapa por etapa, época após época, Seu Plano há de desdobrar, até que a luz do Reino ilumine cada coração.
Amados amigos, nenhum retrospecto do empreendimento de cinco anos que concluiu a segunda época do Plano Divino seria completo sem especial referência às crises que acompanharam seu ano final e que ainda persistem. As limitações às interações pessoais, que aumentaram e diminuíram nesse período na maioria dos países, poderiam ter desferido um severo golpe nos esforços coletivos da comunidade, cuja recuperação poderia levar anos; porém há duas razões para que não fosse assim. Uma foi a disseminada consciência do dever dos bahá’ís em servir à humanidade, especialmente em tempos de perigo e adversidade. A outra foi o extraordinário crescimento, no mundo bahá’í da capacidade de dar expressão a essa consciência. Acostumados a adotar padrões de ação sistemática ao longo de muitos anos, os amigos usaram sua criatividade e senso de propósito para lidar com uma crise imprevista, ao mesmo tempo que garantiam que as novas abordagens por eles desenvolvidas fossem coerentes com o marco conceitual que trabalharam para aperfeiçoar nos sucessivos Planos. Com isso não se minimizam as sérias dificuldades enfrentadas pelos bahá’ís, assim como por seus compatriotas em toda parte; no entanto, em severas dificuldades os fiéis permaneceram focados. Recursos foram canalizados para comunidades carentes, eleições foram realizadas onde quer que fosse possível e, em todas as circunstâncias, as instituições da Causa continuaram a se desincumbir de seus deveres. Foram dados até mesmo passos audaciosos. A Assembleia Espiritual Nacional de São Tomé e Príncipe será restabelecida neste Riḍván, e dois novos pilares da Casa Universal de Justiça serão erigidos: a Assembleia Espiritual Nacional da Croácia, com sede em Zagreb, e a Assembleia Espiritual Nacional do Timor Leste, com sede em Dili.
E assim tem início o Plano de Um Ano. Seu propósito e requisitos já foram apresentados na nossa mensagem enviada no Dia do Convênio; este Plano, embora breve, será suficiente para preparar o mundo bahá’í para o Plano de Nove Anos que se seguirá. Um período de potência especial, que se abriu cem anos após a revelação das Epístolas do Plano Divino, logo será concluído com o centenário da Ascensão de ‘Abdu’l-Bahá, marcando a conclusão do primeiro século da Idade Formativa e o início do segundo. A companhia dos fiéis adentra este novo Plano num tempo em que a humanidade, subjugada pela exposição de sua vulnerabilidade, parece mais consciente da necessidade de colaboração no tratamento de desafios globais. Contudo, hábitos persistentes de disputa, interesse pessoal, preconceito e intransigência continuam a obstruir o movimento rumo à unidade, a despeito do crescente número de pessoas que demonstram, em palavras e atos, que também anseiam por uma maior aceitação da unicidade inerente à humanidade. Oramos para que a família de nações seja bem-sucedida em deixar de lado suas diferenças em prol do bem comum. Apesar das incertezas que encobrem os meses por vir, imploramos a Bahá’u’lláh que as confirmações que por tanto tempo vêm sustentando Seus seguidores se façam ainda mais copiosas, para que vocês sejam conduzidos adiante em sua missão — sem que sua serenidade seja alterada pela turbulência de um mundo que cada vez mais intensamente carece de Sua mensagem curadora.
O Plano Divino ingressa em uma nova época e em uma nova etapa. A página foi virada.
Um ano de preparação e reflexão, bem como de grande empenho, chegou ao fim, caracterizado pelos esforços dos amigos em todo o mundo para assinalar o centenário da Ascensão de ‘Abdu’l-Bahá, inclusive pelo envio de representantes para participarem de um evento especial em honra a Ele na Terra Santa. Por meio desses esforços, a inspiração oferecida pela vida de ‘Abdu’l-Bahá foi sentida por incontáveis almas e não somente pelos bahá’ís. O interesse que Ele nutria por cada membro da família humana, Seu trabalho de ensino, Seu incentivo a realizações em prol da educação e do bem-estar social, Suas profundas contribuições para os discursos, tanto no Oriente como no Ocidente, Seu ardoroso estímulo a projetos para a construção de Casas de Adoração, Seu delineamento dos primeiros modelos de administração bahá’í, Seu cultivo de variados aspectos da vida comunitária — todas estas facetas complementares de Sua vida foram um reflexo de Sua constante e completa dedicação ao serviço a Deus e à humanidade. Além de ser uma majestosa figura de autoridade moral e de incomparável percepção espiritual, ‘Abdu’l-Bahá foi um canal puro através do qual as forças liberadas pela Revelação de Bahá’u’lláh podiam atuar no mundo. Para se compreender o poder de construção de sociedade possuído pela Fé, não é preciso contemplar mais do que as realizações de ‘Abdu’l-Bahá durante Seu ministério, e os efeitos transformadores das orientações que incessantemente emanavam de Sua pena. São tantos os maravilhosos avanços realizados pela comunidade bahá’í hodierna — destacados na nossa última mensagem do Riḍván — que têm origem nas ações, decisões e orientações de ‘Abdu’l-Bahá.
Quão apropriado, portanto, que o tributo coletivo da comunidade bahá’í ao seu Exemplar perfeito seja o prelúdio do seu ingresso em um grande empreendimento focado na liberação, em uma medida sempre crescente, do poder da Fé para a construção de sociedade. As esferas de atividade que se enquadram no escopo do Plano de Nove Anos, e da atual série de Planos, são direcionadas para o cumprimento deste abrangente objetivo. É também o foco das mais de 10.000 conferências que estão sendo realizadas em todo o mundo para marcar o lançamento deste grande empreendimento espiritual. Essas conferências, que devem receber um número sem precedentes de participantes, estão reunindo não somente os bahá’ís, mas muitos outros que desejam o bem da humanidade e que com eles compartilham um anseio por fomentar a unidade e melhorar o mundo. A determinação e o forte senso de propósito deles estão refletidos no espírito gerado nas reuniões já realizadas, nas quais os participantes foram galvanizados tanto pelas consultas dinâmicas com as quais contribuíram, quanto pela visão coletiva examinada nesses jubilosos eventos. Aguardamos ansiosamente o que os próximos meses e anos hão de trazer.
Desde que dirigimos nossa mensagem de 30 de dezembro de 2021 à Conferência dos Conselheiros, as assembleias espirituais nacionais e conselhos regionais bahá’ís estiveram avaliando detidamente as possibilidades para a intensificação do processo de crescimento nos agrupamentos dentro de sua jurisdição durante o Plano de Nove Anos. Pensamos que seria útil, para o propósito de medir o progresso feito ao longo do tempo, visualizar o desenrolar do Plano em duas fases, de quatro e cinco anos de duração, sendo as assembleias nacionais convidadas a considerar os avanços que esperam ver em suas respectivas comunidades no Riḍván de 2026 e então no Riḍván de 2031. Esse exercício envolveu também uma reavaliação das fronteiras de agrupamentos, e o resultado desses ajustes é que o número total de agrupamentos no mundo aumentou em um quarto e chega agora a mais de 22.000. A julgar pelos prognósticos recebidos, estima-se que ao final do Plano haverá programas de crescimento em algum nível de desenvolvimento em cerca de 14.000 desses agrupamentos. Entre esses, o número daqueles em que o programa de crescimento seria considerado intensivo é estimado em 11.000 durante o mesmo período. E desses, prevê-se que o número de agrupamentos a ultrapassarem o terceiro marco aumentará para mais de 5.000 em 2031. Inquestionavelmente, a realização de tais avanços envolverá um esforço colossal durante toda a duração do Plano. No entanto, consideramos que essas são aspirações dignas pelas quais se esforçar, pois representam uma estimativa ambiciosa, porém cuidadosa do que se pode alcançar.
Isto é significativo. Tais objetivos não poderiam ser realisticamente contemplados se as instituições e agências administrativas não tivessem evoluído acentuadamente, dotando-se de capacidade significativamente elevada para administrar os afazeres de uma comunidade cujas atividades se multiplicaram tão rapidamente, abrangendo um vasto e crescente número de almas afins. Não seria possível aspirar tal crescimento se não tivesse sido cultivado, em todos os níveis, estendendo-se às bases da comunidade, um desejo de aprender — agir, refletir, obter percepções e absorver percepções nascidas em outros lugares. E o esforço implícito em tais projeções dificilmente seria possível se uma abordagem sistemática ao trabalho de ensino e ao desenvolvimento de recursos humanos não se tivesse tornado cada vez mais manifesta no mundo bahá’í. Tudo isso fez aumentar a consciência da comunidade bahá’í quanto à sua própria identidade e propósito. Dentro do processo de construção de comunidade, a determinação em ter a visão voltada para fora já se tornara um aspecto de cultura estabelecido em muitos e muitos lugares; em um crescente número de comunidades ela agora floresceu num senso de real responsabilidade pelo progresso espiritual e material de grupos da sociedade cada vez mais amplos, muito além dos membros da própria comunidade bahá’í. Os esforços dos amigos por construir comunidades, engajar-se em ação social e contribuir com os discursos prevalecentes da sociedade alcançaram coerência em um empreendimento global, unidos por um único marco conceitual de ação, focados em ajudar a humanidade a estabelecer seus afazeres sobre um alicerce de princípios espirituais. A importância dos desenvolvimentos que descrevemos, alcançando este ponto cem anos após a inauguração da Ordem Administrativa, não pode ser negligenciada. No extraordinário aumento de capacidade ocorrido nas últimas duas décadas — e que permitiu ao mundo bahá’í ver seus empreendimentos em termos da liberação do poder da Fé para a construção de sociedade — notamos a incontestável evidência de que a Causa de Deus ingressou a sexta época de sua Idade Formativa. No último Riḍván, anunciamos que o fenômeno generalizado da participação de grande número de pessoas em atividades bahá’ís, sendo despertadas por fé e adquirindo destrezas e habilidades para servir a suas comunidades assinalou que a terceira época do Plano Divino do Mestre havia começado; desse modo, o Plano de Um Ano, então em seu início e agora em sua conclusão, veio a marcar um conjunto de avanços históricos realizados pela companhia dos fiéis. E, no limiar de um novo e poderoso empreendimento, este corpo unido de bahá’ís está pronto para aproveitar as possibilidades que se abrem amplamente diante de si.
Uma característica proeminente da época que ora finda foi a edificação da última das Casas de Adoração continentais e o início de projetos para estabelecer Casas de Adoração nacionais e locais. Muito foi aprendido pelos bahá’ís do mundo acerca do conceito de Mashriqu’l-Adhkár e da união de adoração e serviço que ele incorpora. Durante a sexta época da Idade Formativa, muito mais se aprenderá a respeito do caminho que conduz desde o desenvolvimento de uma florescente vida devocional no seio de uma comunidade — e o serviço que ela inspira — até o surgimento de um Mashriqu’l-Adhkár. Estão sendo iniciadas consultas com várias assembleias espirituais nacionais e, conforme elas prosseguirem, periodicamente anunciaremos locais em que serão erigidas Casas de Adoração Bahá’í nos próximos anos.
Nossa alegria em ver a comunidade do Nome Supremo ser cada vez mais fortalecida é contida por nosso profundo pesar em ver a persistência das condições e conflitos no mundo que criam penúria e sofrimento desesperado — especialmente ao observarmos a recrudescência de forças destrutivas que transtornaram os assuntos internacionais ao mesmo tempo que infligiram horrores às populações. Bem sabemos e estamos seguros que, como comunidades bahá’ís repetidamente demonstraram em diferentes contextos, os seguidores de Bahá’u’lláh estão comprometidos em oferecer alívio e apoio àqueles que estão ao seu redor, não importa quão penosas sejam as suas próprias circunstâncias. Porém, enquanto a humanidade como um todo não estabelecer seus afazeres sobre alicerces de justiça e veracidade, ela está desafortunadamente destinada a cambalear de uma crise a outra. Oramos para que — se é que a recente deflagração da guerra na Europa trará alguma lição para o futuro — ela sirva como um urgente lembrete do rumo que o mundo precisa tomar a fim de alcançar paz genuína e duradoura. Os princípios enunciados por Bahá’u’lláh aos monarcas e presidentes de Sua época, e as pesadas responsabilidades com as quais Ele incumbiu os governantes do passado e do presente, são talvez ainda mais pertinentes e imperativos hoje do que quando foram registrados por Sua Pena pela primeira vez. Para os bahá’ís, o inexorável avanço do Plano Maior de Deus — que consigo traz provações e convulsões, mas que em última instância impelirá a humanidade rumo à justiça, paz e unidade — é o contexto dentro do qual se desenrola o Plano Menor de Deus, com o qual os bahá’ís estão principalmente ocupados. A condição disfuncional da sociedade hodierna torna abundantemente clara e premente a necessidade de liberar o poder da Fé para a construção de sociedade. Não podemos esperar outra coisa, por ora, senão que convulsões e distúrbios continuarão a afligir o mundo; por conseguinte, sem dúvida vocês perceberão por que toda súplica sincera que oferecemos para que todos os filhos de Deus sejam libertados da confusão e do amargo sofrimento, está vinculada a uma prece igualmente sincera pelo sucesso do tão necessário serviço que vocês estão prestando à Causa do Príncipe da Paz.
Em todos agrupamentos nos quais as atividades do Plano estão adquirindo ímpeto, vemos o desenvolvimento de comunidades com as nobres características que descrevemos na mensagem de 30 de dezembro de 2021. À medida que as sociedades sofrem pressões de vários tipos, os seguidores da Beleza de Abhá devem se destacar mais e mais por suas qualidades de resiliência e racionalidade, por seu padrão de conduta e sua adesão a princípios, e pela compaixão, desprendimento e paciência que demonstram em sua busca pela unidade. Frequentemente, as características distintivas e atitudes demonstradas pelos bahá’ís em períodos de extrema dificuldade têm levado pessoas a se volverem a eles em busca de esclarecimento, conselhos e apoio, especialmente quando a vida de uma sociedade foi abalada por causa do perigo e perturbações imprevistas. Ao compartilhar estas observações, somos cientes do fato de que a própria comunidade bahá’í também experimenta os efeitos das forças da desintegração que agem no mundo. Ademais, estamos conscientes de que quanto maiores forem os esforços dos amigos em promover a Palavra de Deus, mais intensas serão as forças de oposição que eles hão de encontrar, mais cedo ou mais tarde, vindas de vários quadrantes. Eles precisam fortalecer suas mentes e espíritos contra os testes que certamente virão, para evitar que prejudiquem a integridade de seus esforços. Mas os bahá’ís bem sabem que quaisquer que sejam as tempestades por vir, a arca da Causa está preparada para todas elas. Sucessivas etapas de sua jornada já a testemunharam resistir às intempéries e galgar as ondas. Ela está agora destinada a singrar novos horizontes. As confirmações do Todo-Poderoso são as rajadas de vento que lhe enfunam as velas e a impulsionam rumo ao seu destino. E a Aliança é a sua estrela-guia, que mantém a nave sagrada em seu curso seguro e certo. Que as hostes celestiais façam descer bênçãos sobre todos aqueles que nela navegam.
Sentimos júbilo extraordinário ao nos dirigir a uma comunidade cujos elevados princípios e alta determinação são dignos de sua nobre vocação. Quão grande, quão imensamente grande é nosso amor por vocês, e como nossos espíritos se elevam ao contemplarmos o sincero e devotado esforço de vocês por viver uma vida moldada pelos Ensinamentos de Bahá’u’lláh, e em oferecer as águas vivificadoras de Sua Revelação a um mundo dolorosamente sedento. Seu forte senso de propósito é claramente visível. Expansão e consolidação, ação social e participação nos discursos da sociedade prosseguem velozmente, e a coerência natural desses empreendimentos no âmbito dos agrupamentos torna-se cada vez mais visível. Em parte alguma isto é mais claro do que onde um crescente número de pessoas se engaja em uma variedade de iniciativas, sendo cada uma delas um meio para liberar o poder da Fé de construção de sociedade.
Nos doze meses que se passaram desde o início do Plano de Nove Anos, ficamos encantados em ver como este empreendimento espiritual global inspirou e galvanizou os amigos, e deu ímpeto a determinadas linhas de ação. Um foco imediato foi o de colocar em ação planos que assegurem que em cada país e região surja pelo menos um agrupamento que tenha ultrapassado o terceiro marco: um lugar em que grande número de pessoas esteja trabalhando em conjunto e contribuindo para a vida de uma comunidade vibrante. Ademais, conscientes de que a meta para este período de vinte e cinco anos é estabelecer um programa intensivo de crescimento em cada agrupamento no mundo, os bahá’ís também se dedicaram a abrir novos agrupamentos à Fé, bem como a intensificar esforços em lugares onde já existe um programa de crescimento. Vê-se uma mais elevada consciência da oportunidade para o levantamento de pioneiros em todas as partes do mundo — muitas almas devotadas estão considerando como podem responder a esta oportunidade, e muitas outras já preencheram postos, notadamente em posições internas, mas também cada vez mais no campo internacional. Esta é uma das diversas maneiras pelas quais, conforme esperávamos, um espírito de apoio mútuo é expressado pelos amigos em toda parte. As comunidades que têm ganhado força têm se comprometido em apoiar o progresso sendo realizado em outras partes — outro agrupamento, região, país ou mesmo continente — e meios criativos estão sendo encontrados para oferecer encorajamento a partir de longe, e também permitir que experiência seja compartilhada diretamente. Enquanto isso, pratica-se amplamente a abordagem básica de captar o que se aprende em um agrupamento de modo a orientar os planos elaborados localmente e em outros lugares. Ficamos contentes por ver que atenção especial está sendo dada a se aprender como aumentar a qualidade da experiência educacional oferecida pelo instituto. Quando o processo do instituto cria raízes em uma comunidade os efeitos são impressionantes. Vejam, por exemplo, os centros de intensa atividade nos quais os moradores passaram a considerar o instituto de capacitação como um poderoso instrumento que lhes pertence: um instrumento por cujo robusto desenvolvimento eles assumiram responsabilidade principal. Bem sabedores de que as portas da Fé permanecem sempre totalmente abertas, os bahá’ís estão aprendendo a encorajar os que estão prontos para ingressar. Caminhar junto com estas almas e ajudá-las a cruzar o limiar é um privilégio e uma alegria especial; em cada contexto cultural, há muito a ser aprendido acerca da dinâmica deste ressonante momento de reconhecimento e pertencimento. E não é só isso. Embora em muitos agrupamentos os esforços por contribuir para a transformação social estejam nos estágios mais iniciais, as Assembleias Espirituais Nacionais, como sempre habilmente apoiadas pelos Conselheiros, buscam ativamente aprender mais sobre como esses esforços emergem a partir do processo de construção de comunidade. A troca de ideias sobre o bem-estar social e material de uma população está sendo fomentada em grupos de famílias e em comunidades, ao mesmo tempo que os amigos também encontram formas de participar nas conversações significativas que se constroem em seu entorno imediato.
Em meio a tudo o que temos descrito, as ações dos jovens brilham resplandecentemente. Longe de serem meros assimiladores passivos de influências — benignas ou não — eles se têm mostrado protagonistas audazes e entendedores do Plano. Onde quer que uma comunidade os tenha visto dessa maneira, e criado condições para seu progresso, os jovens mais que justificaram a confiança neles depositada. Eles estão ensinando a Fé a seus amigos e fazendo do serviço o alicerce de amizades mais significativas. Frequentemente, tal serviço toma a forma de educar aqueles que são mais jovens que eles próprios — oferecendo-lhes não somente educação moral e espiritual, mas muitas vezes também ajudando em seu desenvolvimento escolar. Incumbidos com a sagrada responsabilidade de fortalecer o processo do instituto, os jovens bahá’ís estão tornando realidade nossas mais preciosas esperanças.
O cenário para todos estes esforços é uma época profundamente instável. Há um reconhecimento disseminado de que as estruturas contemporâneas da sociedade são mal equipadas para atender às necessidades da humanidade em suas angústias atuais. Muito do que era amplamente aceito como certo e inequívoco está sendo questionado e a fermentação resultante está produzindo um anseio por uma visão unificadora. O coro de vozes erguidas em apoio à unidade, igualdade e justiça mostra quantos compartilham essas aspirações para suas respectivas sociedades. Naturalmente, não é surpresa para um seguidor da Abençoada Beleza que os corações aspirem pelos ideais espirituais por Ele propostos. Ainda assim, sentimos ser marcante que, em um ano no qual as perspectivas de progresso coletivo da humanidade raramente se afiguraram mais tenebrosas, a luz da Fé tenha brilhado com esplendor surpreendente em mais de dez mil conferências, com quase um milhão e meio de participantes, focadas nos meios de promoção desses mesmos ideais. A visão de Bahá’u’lláh, e Suas exortações à humanidade para trabalhar em unidade pela melhora do mundo, foi o centro em torno do qual se reuniram ansiosamente diversos elementos da sociedade — o que não é de se surpreender, pois, conforme explicou ‘Abdu’l-Bahá, “Todas as comunidades do mundo encontram nesses Ensinamentos Divinos a efetivação de suas mais altas aspirações”. Entre os que desejam o bem da humanidade, alguns podem ser atraídos à comunidade bahá’í primeiramente como um lugar de refúgio, um abrigo contra um mundo polarizado e paralisado. Contudo, mais que um abrigo o que eles encontram são almas irmanadas no trabalho conjunto para construir um mundo novo.
Muito se poderia escrever a respeito da amplitude geográfica das conferências, do extraordinário ímpeto que insuflaram no novo Plano, ou das expressões de júbilo e entusiasmo que nasceram dos corações dos que nelas participaram. Porém, nestas poucas linhas desejamos chamar atenção àquilo que significaram quanto ao desenvolvimento da Causa. Elas foram um reflexo de uma comunidade bahá’í que vê semelhança e não diferença. Esta forma de ver tornou natural a análise do Plano de Nove Anos em reuniões nas quais todos eram bem-vindos. Os amigos refletiram sobre as implicações do Plano para suas sociedades na companhia não somente de indivíduos e famílias, mas também de líderes locais e autoridades. A reunião de tantas pessoas em um só lugar criou as condições para uma conversação transformadora sobre progresso espiritual e social, que está se desenrolando em todo o mundo. A contribuição especial que tais reuniões — ao mesmo tempo abertas, edificantes e plenas de propósito — podem dar para um padrão de desenvolvimento comunitário crescente nos agrupamentos é uma lição valiosa que as instituições bahá’ís considerarão para o futuro.
E, assim, a companhia dos fiéis ingressa no segundo ano do Plano com uma nova perspectiva e uma profunda percepção da importância do que buscam realizar. Quão distintas se afiguram as ações quando vistas à luz do poder de construção de sociedade que liberam! Esta perspectiva abrangente permite que as atividades que se mantêm sejam vistas como bem mais que atos isolados de serviço ou apenas dados estatísticos. De lugar em lugar, as iniciativas sendo adotadas revelam uma população que aprende a tomar crescente responsabilidade na condução de seu próprio desenvolvimento. A transformação espiritual e social resultante se manifesta de diversas maneiras na vida de uma população. Na série anterior de Planos, isso se via mais claramente na promoção da educação espiritual e da adoração coletiva. Nesta nova série de Planos, crescente atenção precisa ser dada a outros processos que busquem aprimorar a vida de uma comunidade — por exemplo, melhorando a saúde pública, protegendo o meio-ambiente ou desfrutando mais eficazmente do poder das artes. Naturalmente, o que é necessário para o avanço de todos esses aspectos complementares do bem-estar de uma comunidade é a capacidade de se engajar em aprendizagem sistemática em todos esses campos — capacidade essa que se vale das percepções que surgem dos Ensinamentos e do estoque acumulado de conhecimento humano gerado através de pesquisa científica. À medida que essa capacidade aumenta, muito será realizado nas próximas décadas.
Esta visão amplificada de construção de sociedade, tem implicações de longo alcance. Cada comunidade segue seu próprio caminho rumo à sua efetivação. Porém, muitas vezes o progresso em um lugar tem características comuns com o progresso em outro. Um aspecto é que, conforme cresce a capacidade e se multiplicam os poderes de uma comunidade local ou nacional, na maturação do tempo as condições necessárias para a emergência de um Mashriqu’l-Adhkár serão finalmente cumpridas, conforme as estabelecemos na mensagem do Riḍván de 2012. Como lhes indicamos na mensagem do último Riḍván, periodicamente identificaremos lugares em que um Templo bahá’í se haverá de erigir. Estamos felizes em anunciar o estabelecimento de Casas de Adoração locais em Kanchapur, no Nepal, e em Mwinilunga, na Zâmbia. Além dessas, convocamos o estabelecimento de uma Casa de Adoração nacional a ser erigida no Canadá, nas imediações do Ḥazíratu’l-Quds nacional há muito estabelecido em Toronto. Estes projetos, e outros a serem iniciados no futuro, se beneficiarão do apoio ao Fundo dos Templos provido pelos amigos em todas as partes do mundo.
Copiosas são as bênçãos que um Senhor Benévolo decidiu conceder aos Seus amados. Sublime é o chamado; magnífico, o panorama. Cruciais são os dias em que todos fomos convocados a servir. Fervorosas são, portanto, as preces com as quais suplicamos, em nome de vocês e de seus incansáveis esforços, no Limiar de Bahá’u’lláh.
Dois anos de um formidável empreendimento de nove anos passaram rapidamente. Os amigos de Deus apropriaram-se firmemente dos seus objetivos. Em todo o mundo bahá’í há uma maior profundidade de compreensão sobre o que é necessário para alargar ainda mais o processo de construção da comunidade e efetuar uma profunda transformação social. Mas a cada dia que passa, vemos também a condição do mundo a ficar mais desesperada, as suas divisões mais severas. A escalada das tensões no seio das sociedades e entre nações afetam povos e lugares de inúmeras maneiras.
Isto exige uma resposta de cada alma consciente. Estamos perfeitamente cientes de que a comunidade do Maior Nome não pode esperar sair incólume das dificuldades da sociedade. No entanto, embora seja afetada por essas dificuldades, não fica confundida por causa delas; entristece-se com os sofrimentos da humanidade, mas não se paralisa por causa deles. A preocupação sincera deve suscitar um esforço sustentado para construir comunidades que ofereçam esperança ao invés de desespero, unidade em lugar de conflito.
Shoghi Effendi descreveu claramente como um processo de “deterioração progressiva dos assuntos humanos” está a ocorrer em paralelo com outro processo, um processo de integração, através do qual está a ser construída a “Arca da salvação humana”, o “refúgio final” da sociedade. Regozijamo-nos por ver, em todos os países e regiões, verdadeiros praticantes da paz ocupados com a construção deste refúgio. Vemo-lo em cada relato de um coração a ser aceso com o amor de Deus, uma família a abrir a sua casa a novos amigos, colaboradores que se inspiram nos ensinamentos de Bahá’u’lláh para abordar um problema social, uma comunidade que fortalece uma cultura de apoio mútuo, um bairro ou uma aldeia que aprende a iniciar e sustentar as ações necessárias ao seu próprio progresso espiritual e material, uma localidade a ser abençoada com o surgimento de uma nova Assembleia Espiritual.
Os métodos e instrumentos do Plano permitem que cada alma contribua com uma parte do que a humanidade precisa neste dia. Longe de oferecer um alívio temporário para os males do momento, a prossecução do Plano é o meio através do qual estão a ser postos em marcha em todas as sociedades processos construtivos de longo prazo, que se desenrolam ao longo de gerações. Tudo isto aponta para uma conclusão urgente e incontornável: tem de haver um aumento rápido e sustentado no número daqueles que dedicam o seu tempo, a sua energia, a sua concentração ao sucesso deste trabalho.
Onde mais, a não ser no princípio de Bahá’u’lláh da unidade da humanidade, pode o mundo encontrar uma visão suficientemente ampla para unir todos os seus elementos diversos?
De que outra forma, a não ser traduzindo essa visão numa ordem alicerçada na unidade na diversidade, pode o mundo curar as fraturas sociais que o dividem? Quem mais pode ser o fermento através da qual os povos do mundo podem descobrir um novo modo de vida, um caminho para a paz duradoura? A todos estendei, então, a mão da amizade, do esforço comum, do serviço partilhado, da aprendizagem coletiva, e avançai como um só.
Estamos conscientes de quanta vitalidade e força é gerada em qualquer sociedade quando a sua juventude é despertada para a visão de Bahá’u’lláh e se torna protagonista do Plano. E assim, com que imensa bondade, coragem e completa confiança em Deus devem os jovens bahá’ís aproximar-se dos seus pares e trazê-los para esta obra! Todos devem levantar-se, mas os jovens devem voar.
A urgência da hora presente não deve obscurecer a alegria especial que provém do serviço. O chamado ao serviço é uma convocação edificante e abrangente. Atrai toda alma fiel, mesmo aquelas sobrecarregadas por cuidados e obrigações. Pois em todas as formas em que essa alma fiel está ocupada pode ser descoberta uma devoção profundamente enraizada e uma preocupação vitalícia pelo bem-estar do próximo. Tais qualidades dão coerência a uma vida de múltiplas exigências. E os momentos mais doces de todos para qualquer coração inflamado são os passados com irmãs e irmãos espirituais, a cuidar de uma sociedade necessitada de alimento espiritual.
Nos Sagrados Santuários, com o coração transbordante, agradecemos a Bahá’u’lláh por vos ter levantado e treinado nos Seus caminhos, e rogamos-Lhe que vos conceda a Sua bênção.